Tratamento
Saudade de quando você passava mal de bêbado no banheiro da balada. Hoje você passa mal de stresse no banheiro do trabalho.
Saudade das quartas do Ritz. Onde você enchia a cara de prosseco nacional com os amigos malucos, enquanto se falava mal da metade da população de São Paulo.
Saudade, sobretudo, de chegar num compromisso (seja almoço de boteco ou jantar no bistrô) e desligar o pensamento da pilha de trabalho, conta, problemas, etc.
Mas como não se vive de saudade, dada hora você realiza que tudo o que passou foi bom, mas pertenceu aquela época, aquelas pessoas e aqueles lugares. E que o stresse é o preço do mundo do amanhã.
O segredo é se blindar ao máximo. E quando a coisa ficar realmente preta (porque, colega, ela vai ficar) ter discernimento para saber que medida tomar.
Reza a lenda que não há stresse que resista a vinte dias sozinho, de mochilão (Hermès, bien sur) pela Europa. Se tem tratamento melhor que esse não sei, mas definitivamente, parece ser o melhor de se testar.
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Sexta-feira, Maio 22, 2009
Atchim
Não importa o nome. Virótica, Suína, Josiane (que te derruba de mortal) nesta época do ano, todo mundo pega resfriado. Afinal São Paulo é uma cidade muito fria, muito seca, certo? Mas não é só. Explico.
No outono o céu mais azul que o olho do Paul Newman. Então você acredita que o dia vai ser daqueles e resolve pagar de gatinho summer issue. Daí põe uma camiseta, um Marc escuros e nem confiança.
Pois quem nunca foi pego de surpresa pela queda de temperatura em Sampa, que atire o primeiro cachecol árabe. E pronto, aquele sorriso a laser desaparece num piscar de olhos. Ou bater de dentes.
Aí é chazinho, coquetel de comprimidos e cama. Ou, se der sorte, poder contar com alguém que te dê estes três itens, não necessariamente nesta ordem. Mas neste caso colega, que saúde que nada. Bom resfriado.
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Segunda-feira, Maio 18, 2009
Chatice
Juro que me policio para ser um cara sem preconceitos. Mas tenho. Um deles? Gente chata. No minuto que a luz da chatice acende passo a fazer antropologia julgando mentalmente.
E você pergunta, defina o chato. E eu respondo, não sei. Eu? Você? Alguém num mau dia? Mas dentro no meu preconceito é gente que não bebe, não come carne, não trepa na primeira noite, não gosta de cachorro e por aí vai.
Resumindo, gente com ‘não’ de ideologia. Claro que gosto é que nem cu e cada um têm o seu. Mas daí militar? Discursar? Bo-ce-jo. Meu caro, vai liberar essa caxuxa e ser feliz.
Porque eu também não faço uma pá de coisa (não paro em sinal, não reciclo lixo, não atropelo gente feia... Nem bonita) mas nem por isso fico por aí enchendo o saco dos outros.
Em tempo, caso você esteja num mau dia e tope meu caminho, jamais vou tratar você mal. Primeiro, que pior que gente chata é gente deselegante e pedante. Segundo, que antes de sentir raiva, juro que sinto pena. Muita pena.
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Quarta-feira, Maio 13, 2009
Portinha
Viu que a mania ‘só na portinha’ voltou com tudo? Calma colega, antes que você pense besteira eu explico: com a lei anti fumo pegando pesado a galera voltou a frequentar a porta dos bares e restaurantes para dar a sua tragada.
Se ela (a lei) veio para ficar ninguém sabe. O que o paulistano sabe é que a tia Kassab tá com a macaca. Por isso, antes mesmo de ser sancionada muito bar já aderiu. E nem confiança.
O curioso é que gongar o cigarro mesmo, a lei nem passou perto. Apenas incentivou as pessoas a se agruparem na porta criando um novo comportamental, com direito a alguma lamentação e muita azaração.
Mais curioso ainda, alguns bares (como o Ritz) que tinham na seção fumante quase 100% do frege, ainda mantém na ex área a sua parte mais cool. Já outros perceberam o fundamento e melhoraram o door placement.
Pessoalmente, acho que motel é motel, igreja é igreja e bar é bar. Você pode até chegar no motel e não querer trepar. Um direito seu. Mas sair de porta em porta querendo que os outros não trepem também, aí é um pouco demais.
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update: não fumo anymore. pensei que não viria ao caso, mas pelo andar dos comments, me enganei
Quinta-feira, Maio 07, 2009
Festa de Outono
Festa no outono é um dilema. Porque outono não é frio nem quente, nem formal nem informal. Por isso, acaba sendo um limbo das festas, onde coisas estranhas acontecem. Você sabe quando tá numa festa de outono quando:
. Os meninos usam terninho cinturado de veludo marrom. Os mais ousados têm aplique militar no ombro. Me-da.
. As meninas, que são mais friorentas, sentem aquela vontade de sofisticar e aparecem com coisas tipo saia de camadas. E gola rolê.
. As gay (sic) usam tricozinho de gola V enorme sem nada por baixo. Oi, Giani?
. O anfitrião, que tem uma cobertura mas não nasceu no verão, insiste na festa outdoor. E te obriga a sorrir sob doze graus.
. Neguinho jura que tem que diferenciar. E usa tocha na entrada, arranjo de natureza morta e pendura vela… Se bem que vela, acho chique.
. Essa é a parte boa: o buffet tende pro fino. Na festa do CCSP tinha até ova de salmão. Sabe pobre quando vê comida boa? Sabe sim colega, sabe sim.
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Quarta-feira, Maio 06, 2009
Namastê
Domingo. Oito da manhã. Num apê conceito nos Jardins você toma um drink after party, enquanto discute a histeria paulistana em relação a Índia, yoga e afins.
Tem um cheiro de incenso no ar. O fundamento Índia chegou com tudo na cidade, sentido desde as música dos bares do Itaim as lojas bacanudas da Oscar.
A onipresente novela das oito (diz que se passa lá) deturpa o nada duvidoso gosto da classe média, que forra a sala de almofada colorida de cetim brilhante. Oi, Benedito Calisto?
Quem quer ser um milionário, pergunta o amigo. Você quer muito, mesmo sem saber jogar na sena. Na TV uma favela, uma aventura, uma história de superação e um sorriso.
O Brasil e a índia tem mais em comum do que julga a sua filosofia. Amigos chegam. Namastê. E passa o narguilé.
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update: queria um blog bacana assim. mas eu teria q tbm ser bacana assim. noutra vida, quem sabe.