Quarta-feira, Dezembro 31, 2008
Reloaded
Final e ano é tempo de dar um tempo. Tem gente que pode dar um tempão, viajar para longe, ficar de pernas para o ar e esquecer da vida. Ao menos, da vida loka que a gente leva e só se dá conta bem longe dela.
Tem gente que pode só dar um tempinho. Seja pra viajar aqui do lado, ou curtir de onde está mesmo. Ainda assim, não deixa de ser um tempo. Tempo pra recarregar, descansar, ou festar sem ter que se preocupar com o dia seguinte.
Para cada pessoa a festa de reveillon tem um peso, um significado. Tem nego que bebe um drink, para não esquecer de nada, e aquele que que bebe todos para esquecer de tudo. Tem a pessoa que vê os fogos e vai dormir, e aquele que se joga de duplo twist carpado na farra. E começa o ano na Aspirina.
Estando no Rio de Janeiro, gosto do reveillon old fashion school. Primeiro a gente caminha de Ipanema até Copacaba, onde se deseja feliz ano novo para qualquer um na rua e se bebe espumante. Basta levar uma taça na mão que as pessoas vão enchendo, na maior boa vontade.
Depois, a gente se mistura com o povão no calçadão. Quando chegar a hora, rola a contagem regressiva e quando os fogos começam a gente abraça os amigos (e desconhecidos ao lado) e chora. Tudo bem cafona, como tem que ser.
Independente da sua festa ser do Garnero ou do Zezinho, o que se comemora neste dia não é o label, mas o milagre da vida. Pois não há nada que represente mais o 'estar vivo' que a possibilidade de recomeço. Seja para mudar, ou seja para deixar tudo do jeitinho que está.
Feliz dois mil e nove.
[foto: reprodução]
Sábado, Dezembro 27, 2008
December Rain
Sábado. 10 da manhã. Há dois dias chove sem parar no Rio. Sentado na área térrea dum apartamento em Ipanema e agradecido por ter conseguido folgar em cima da hora, você passa a achar até a chuva daqui bacana. E como o Brasil inteiro anda dado a muita água, seguem dicas do que fazer nesta situação:
. Correr - Se você não corre, taí um bom motivo para começar. Fazer cooper na chuva refresca e cansa menos. Fui até o Leblon pelo calçadão lotado de gente nem aí pra chuva. Em Trancoso a galera fazia igual, até a estrada.
. Barzinho - Pra que correr se não repor tudo em birita? Ao invés de virar freguês do sofá, vire freguês da melhor mesa do bar. Vai que você arruma uma boa companhia para ter o que fazer no tal sofá. O bar Devassa, aqui do lado, já virou quintal.
. Favorita - Ok, ver TV não é o melhor programa. Mas a novela está melhor que Hero, Lost e Gossip Girl juntos. Virei fã da Pilar. Se em dia normal está impossível acompanhar, agora, de férias, compromisso só depois da novela.
. Fazer comprinhas - Esse último aqui é para quem pode. Já fiz muito Fashion Mall em dia de chuva. Na atual situação, o máximo é um novo par de Havaianas. Se você pode, se joga. E manda uma lembrancinha para mim.
Sexta-feira, Dezembro 19, 2008
Sticky & Sweet
18h. Dia de cão no trabalho. Você corre para lá e para cá para liberar a pauta. Mal se lembra que em duas horas precisa aterrissar no estádio do Morumbi, para o show de ninguém menos que tia Madonna.
18h30. Você foge pela escada de incêndio e na recepção dá de cara com o dono da agência. Ele entra no blindado segurando um convite vip do vip. Você entra no táxi segurando de pista simples. Era o que tinha e tava ótemo.
20h. Você desce do táxi em frente ao estádio. O cenário lembra o filme a Guerra dos Mundos. Centenas se espremem na fila giga enquanto um alto falante avisa que estão roubando celulares e ingressos no tumulto.
21h. Madonna atrasa pencas. O estádio está lotado, muitas mulheres, turmas de amigos, gays e casais. No geral o povo é bonito e educado. Sem muito a não ser esperar, você assassina a dieta com a quinta cerveja.
22h. Madonna entra com Candy Shop e abala o estádio. O palco é fantástico e apoteótico. Ela sorri o tempo todo, parece estar feliz. O show segue com releituras de clássicos hora dancing, hora rock (melhores momentos).
24h. Final do show, tia Maggie canta a capela Like a Virgin e encerra com Give it to Me. Seu amigo local indica um caminho no contra-fluxo, consegue um táxi numa avenida afastada e meia hora depois você está em casa.
[ud date: ganhei convite e domingo fui ver o show novamente. novamente saí maravilhado com o espetáculo que é, tanto ela quanto o palco, show, etc. madonna é um dos ícones pops mais fortes do nosso século e me senti um privilegiado de poder participar daquilo. ]
[ps 2: quer ver um pedacinho de como foi?]
Quinta-feira, Dezembro 18, 2008
Sofisticado
Não tem jeito. A gente quando sofistica perde algo. Um algo de puro e autoral que vai e não volta nunca mais. E um dia thum, lá está você, parecido com todo mundo e jurando que tá diferenciado.
Coisas que te davam prazer agora são proibidas. E o pior, quem proibiu foi você mesmo. Pisar no chão descalço? Não pode. Comer ossinho com a mão? Não pode. Andar louco na chuva? Não pode, não pode e não pode.
Mas vai reclamar? Vai dizer que você não gosta de sentar no cafezinho hype dos jardins, tomar seu mocha gelado e acessar o facebook do seu note importado da apple? Tanto gosta que estava lá hoje, que eu vi.
E como tudo na vida tem seu preço, um dia você vai se olhar no espelho e não vai se reconhecer. Então vai sentir que aquele gosto de Fellini na boca sumiu. E realizar que a vida deixou de ser um tantinho colorida.
Terça-feira, Dezembro 16, 2008
Off-White
Sexta a noite. Estirado no sofá do Ritz, um amigo comenta do pré-réveillon do [estilista] Rogério Figueiredo, assunto de 10 entre 10 rodinhas. Será que off-white entra? Não! Sim! Não! Uma breve enquete é lançada. Vence o sim.
Sábado. Oscar Freire. Como era de se esperar a rua transborda de gente. Casais moderninhos, madames esticadas, clueless e gays, muitos gays, davam o tom do footing. Os óculos da rua estão mais incríveis que das vitrines, resume o amigo de olhar clínico.
Nas vitrines em si branco para todo o lado, sabiamente evitado por qualquer iniciado que não quer ter seu modelo repetido. Sem tempo quiçá paciência, você ruma para a American Apparel, compra três camisetas diferentes e deixa a decisão para casa.
Domingo. Cinco da tarde. Duas garrafas de espumante depois, vocês chegam no Clube de Regatas. Na entrada, funcionários arrumam os brinquedos doados. Lá dentro, centenas de pessoas dançam dentro da piscina vazia, muitos sem camiseta e já visivelmente alterados.
Muita gente bonita, muita gente sarada. Mas numa festa para mais de mil pessoas, natural que a freqüência deixasse a desejar. Social, sorrisos e só. Enquanto a cantora de axé Gil subia no palco, você saia pela porta da frente. Mas no geral a festa confirmou se fixando no calendário da cidade.
[ps: informação para quem estranhou o tamanho da festa, que começou intimista num casarão fofo da rua Melo Alves. O anfitrião patenteou o label White Party, ou seja, auardem novidades para o ano que vem]
Sexta-feira, Dezembro 12, 2008
Fat Boy Slim
Você engordou. Tá pesadinho. Tendo em vista o tempo gasto em academia, parque, clube, etc., poderia até se questionar como isso aconteceu, não fosse a boca cheia duma boa torta de maça, neste mesmo momento.
Curiosamente o assombro não é a balança, mas o fato de não sofrer com isso. Afinal, anos atrás uma notícia dessa magnitude iria te fazer sair da esteira só na maca. Mas agora, na verdade, está até gostando.
Você não é mais moleque. E sendo homem feito, do tipo que negocia o carro novo e conhece a gerente do banco (tem coisa mais adulta que isso?) não combina mais com o visual franga, tipo queijo branco com pão integral.
O ritmo também mudou. Menos baladas, menos stuffs, menos finais de semana vivendo só de soft drinks (morritos oi?). Hoje a vida pede mais sustância. Encher um jeans, ter um peso, um braço. Uma coisa Dolabela (temdemsia colega).
Agora, atenção. Há diferenças homéricas entre o fortinho com sustância e o pãozinho de queijo do boqueirão. Se lembre que o conceito aqui é afundar o pé na areia, e não suas chances de se dar bem neste verão, uma estação que é de matar... Ou de morrer.
[foto: reprodução]
Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
Sextas
Final de ano e comer fora em São Paulo é o mesmo que mulher elegante de Roberto Cavalli, um drama. Com a proximidade das festividades, começam as confraternizações na capital. Leia-se festinhas de firma, amigos secretos, reunião dos formandos de 98 e por aí vai.
Morto de fome no Itaim, você escolhe um restaurante cuja unidade dos Jardins já conhece. Erro. Além da espera de uma hora, se vê numa rave yuppie. Lá dentro, dezenas de executivos ovulando gargalham mostrando a arcada restaurada, metade de camisa azul & calça caqui, metade espremida em Lacostes PP. Em comum, o gel em excesso.
Aceita o prato do dia? Aceito um ear plug. Você almoça jurando que está em Niagara Falls dado o barulho, paga e vaza. À noite bate a vontade de fazer o gentleman. Você esquece do perrengue da manhã e resolve levar a paquera num restaurante bacanudo.
Enquanto o valet some com seu carro, ambos observam a massa humana na porta, sentindo a noite do prazer se transformar na do desgosto. Eis que um Oiiiii, muda tudo. No caso, de um querido conhecido que você não via há anos e que hoje é maître do lugar.
Na sala de espera, taças de espumante e a famosa entrada de cestinhas. Sua mesa, senhor! Ao sentar, mais uma surpresa. O consumo da espera por cortesia da casa... Para que volte mais vezes, diz o querido. O jantar corre bem.
Eis que chega Reynaldo (o Gianechiny) num suéter rosa, paquera a sua paquera e desaparece no turbilhão da galeria. Você agradece de estar indo embora e finge que nada aconteceu. Nem achei ele bonito, diz a paquera, que nessa mentirinha garante dez pontos em simpatia... E a noite que merecia.
[foto: reprodução]
Quarta-feira, Dezembro 03, 2008
Falou e disse
Apanhado rápido do que tenho ouvido a galera dizer por aí. Porque é sempre bom a gente tá se atualizando (sic). Vamos a isso:
Fazer uma marquise – tempo de chuva forte na cidade. Quem anda a pé tem que correr pra baixo duma marquise e esperar passar. Exemplo de uso: menina, e hoje voltando da aula não fiz duas marquises? O tempo ta uó etc.
Fugi com o circo, dancei dentro de mim.... – depois da entrevista da menina-revelação Mallu Magalhães na Época após mascar ayuasca, ficar colocado na balada ganhou novo significado. Exemplo de uso? Bom, pulo essa...
Pagar no cacau – Essa é bem mano e serve para exemplificar situações onde você teve que pagar alguma coisa em cash, na hora. Exemplo de uso: fui num dermatologista bapho que não aceita Amex, tive que pagar no cacau.
Se maquiou no escuro – para se referir a uma pessoa que... Digamos assim, não é bem-apessoada. Exemplo de uso: fulana ali é po-dre-de-rika, mas se maquiou no escuro.
Perna da Angélica – referência para bichinhas beeem animadas, que lotam a Galeria dos Pães no final de semana (como eu sei? Moro do lado e você?). Exemplo de uso: aquela é tipo a perna da Angélica, só na pinta.
[ref: katylene.com; casa das narcisas]
[foto: reprodução]
Segunda-feira, Dezembro 01, 2008
Duvidoso
Sampa é um celeiro de modismo. Os garotos por aqui são mais soltos e não têm medo de usar o que estão a fim. Mas, de vez em quando, meu ponto da vista diverge num grau que fico na dúvida entre certo ou errado.
Gola da camiseta pólo levantada – tenho visto os carinhas mais descolados usando já faz um tempo, incluindo uns conhecidos. Acho estranho, uma coisa vampiro preppie. E um tiquinho cafona.
Lenço árabe – virou febre. Todo lugar que se diz cool tem um figura com o lenço xadrez no pescoço. Soa radical, mas acho que adereço assim depende 90% do cabide. Seja honesto, você é mesmo tudo isso? Ou pensa que é?
Cabelo clareado – pô, colega, sem comentários... Next.
Pagar bundinha – até legal mostrar a barra da Calvin Klein numa bermuda baixa e tals. Agora, calça lá em baixo? Só fica sexy no Justin (o Timberlake). Se for Zorba vinho, nem nele.
Sei que adoro falar de estilo sem entender picas de moda, então não me leve muito a sério. Falo bem quando acho bacana e mal quando me causa vergonha. Mas, principalmente, porque já tive vontade de rir de muita roupa errada, e o que é pior, estando dentro dela.
[foto: reprodução]