Sexta-feira, Novembro 28, 2008
284
Nove da noite. Pela Marginal você voa para uma festinha que começou as seis. Coisa de rico, já que não existe gente normal com tempo livre essa hora. A fila de carro na marquise neoclássica de gosto duvidoso indica que a coisa está boa.
Dois oito quatro, diz você. Por ali senhor, diz o concierge. Você senta no sofá floral do elevador (sim, há um sofá) enquanto a amiga explica: a marca pertence as herdeiras disso aqui e 284 justamente é o número do endereço.
O ‘isto aqui’ a que ela se referia, no caso, era a maison Daslu. Um lugar tão grande que mesmo sem porta entre as células-lojas, você não ouve a festa, que rola no fundo do segundo andar.
Sua amiga te introduz Heleninha, dona da marca, uma bonequinha de porcelana linda, loira, quarenta quilos. Flashes estouram a todo momento. Naomi ali. Álvaro Garnero numa cor papaya, lá. Constanza Pascolato acolá. Meia dúzia de deslumbrados buscam sair nas fotos, constrangedoramente.
Entre os corredores, patricinhas, it girls e mulheres de meia-idade sem expressão e boca inchada penduram roupas nos ombros. Tô passada com estes preços, vou levar tudo, diz uma. Realmente o preço é um diferencial da marca, com produtos bacanas e mais baratos que uma Zara, por exemplo.
No bar improvisado, os rapazes tentam conseguir caipirinhas. Experimenta com pimenta, diz o barman cute. Sua amiga faz o name-dropping, detonando todo mundo. Por fim, revela um bapho impublicável do high-society (será que sai na mídia?). A vida é uma novela, mas a dos ricos é tipo Gilberto Braga.
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Quarta-feira, Novembro 26, 2008
Clean & Clear
Então você parou com tudo o que faz mal. A vida estava puxada e você decidiu dar um tempo dos aditivos, incluindo manipuláveis de malhação, químicos de balada, naturais para relaxar e por aí vai... Ou melhor, ia.
Claro, nos dias de hoje definir o que faz mal é relativo. Você ainda ouve Pussy Cat Dolls, por exemplo. Mas quem tem algum tempo de rodagem sabe quando a harmonia do corpo começa a ficar comprometida.
E quando você trabalha pesado, joga dois dias por semana, corre quatro e malha seis, ou você abre mão de se achar o iron man, ou de viver la vida loka. Bem, tem a opção três que é escolher um paletó de madeira.
Agora, só não vem com esse papo de meu nome não é Johnny. Gente que fica careta, pára de beber, de fumar e vem querer dar lição de moral é coisa de pau mole.
Você pode é dizer que ganhou um dia, já que seu domingo se resumia a dormir 24 horas. Mas quando ver que o domingo no parque lembra o Carandiru, o da praia vira um inferno no trânsito, o da televisão parece a versão estendida do Zorra Total, vai realizar que dormir era o melhor que você fazia.
[foto: reprodução]
Segunda-feira, Novembro 24, 2008
Um Q
Todo homem tem que ter um ‘quê’ de desarrumado. Homem que é milimetricamente certinho causa estranheza. Cabelo diagramado, camiseta como se tivesse barra feita, calça retinha, cinto combinando com o tênis lustrado? Não dá.
O cara tem a melhor das intenções, mas passa a imagem duma pessoa que se leva a sério demais. Ou, pior, a imagem do garoto papai e mamãe, aquele tipo que para a sacanagem no meio para não amassar a camisa. Prada.
Sometimes the clothes do not make the man. E nem foi eu quem disse. Às vezes um acessório, um corte de cabelo, um atitudinal quebra a caretice e dá conta do recado. Achar essa linha tênue não é fácil e, como tudo na vida, se erra muito para se acertar.
Existem também os de apuro nato. Estátuas de realeza que beiram a assepsia, mas que num rápido olhar castanho revelam todo um lado selvagem. São elevados, mas não merecem nossa inveja, pois isso não se aprende numa só vida.
Se vestir ou assumir um estilo é diferente de dar um banquete para amigos. Na duvida entre pecar por mais, ou por menos, escolha sempre o menos. E, por fim, seja original no que você tem de mais autêntico.
Buscar a padronização reflete o medo da diferença, de infligir a regra que leva a exclusão. Enquanto para uns, o flerte com a desobediência tem o cheiro do fracasso, para outros é o primeiro olhar em direção ao sucesso. Você já está grandinho, logo vai ter que decidir de que lado está.
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Quarta-feira, Novembro 19, 2008
Oscar
Sábado de sol. Rua Oscar Freire. Num primeiro olhar é fácil chegar a duas conclusões. Primeiro, que para rico a palavra crise é tipo carro sem ar-condicionado, não existe. Segundo, que entre ali e a rua 25 de março, com seu crowd e camelôs, há mais em comum do que julga sua vã filosofia.
Agenda cravada no relógio significa passeio minutado. Corre da academia (onde foi apresentar para o amigo carioca um treino à paulista) direto para o restaurante Frevinho. E de lá para a primeira parada, a flag ship da Nike. Esse modelo de tênis... Bem, não tem, serve outro? Não, thau.
Segunda parada, The Jeans Boutique. Você espera enquanto o amigo escolhe. Tira, põe, tira, põe. Tudo muito lindo, tudo muito caro. Aceita uma água, um chá, um café? Aceito um jeans incrível e barato, tem? Tem. E saem os dois, sacola megalomaníaca prata na mão. Mico, mas quem liga?
Terceira parada Osklen. A loja que tem linda e pretensiosa na mesma proporção. Afinal, se antes era o lugar de comprar bermuda du surf pro irmão mais novo, hoje qualquer pano custa 500 reais. Você leva um susto. O amigo leva tudo. Ele pode, já você... A noite chega, vocês saem.
Última parada, American Apparel. Oh my... Cada corredor uma sensação. Olha essa regata! Olha essa camiseta! Vocês se espantam com o decote da gola V. Alguém usa isso? O Gianechini levou todas as cores, diz a vendedora. Seu amigo gasta uma pequena fortuna. E um mimo para você.
O dia acaba com a loja fechada e a dona, nova melhor amiga de infância, confidenciando a nova unidade no shopping Leblon. Já em casa, descanso? Nem pensar. A noite estava só começando e a balada prometia ser de matar.
[ps dica para it boys, abiu uma Reserva no segundo andar do Iguatemi este mês. Muita coisa boa a preços bacanudos]
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Terça-feira, Novembro 18, 2008
Reverter a ordem
Sabe aquelas histórias de gente que virou a mesa e mudou de vida? Elas existem. E eu tenho duas contar.
A primeira é de um grande amigo. Solteiro, bem remunerado, desfilava de pickup bacanuda entre Higienópolis e o Litoral Norte. Era assessor dum político de peso e tinha tudo, menos a felicidade.
Na segunda internação por estresse, largou tudo e foi morar no Rio. De gordinho branquelo virou moreno tatuado (bem, ele ainda é careca, mas convenhamos). Hoje mora no Leblon, está longe de esbanjar grana mas não quer outra vida.
O outro é igualmente querido. Foi homem de sucesso duma multinacional da publicidade. Um dia, mandou tudo pras picas e se descobriu na Índia. Hoje é professor de yoga, casado com minha melhor amiga e deu a volta no mundo twice.
Ambos são fruto de minha admiração. Exemplos de que enquanto a gente estiver vivo, tudo é palpável. Pois se o futuro não é feito de faz de conta, é feito de algo ainda melhor, de realidade. O resto é perfumaria!
[ps escolhi este post porque hoje aconteceu comigo um milagre. Lance sério. Quem sabe um dia eu conto aqui. Até lá fica a dica de pensar positivo sempre, por mais abstrato que seja]
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Segunda-feira, Novembro 17, 2008
Jovem velho
Você é um jovem velho? Periga de você ser e nem saber. Que é quando a gente jura que ainda tem dezoito anos, pinta o sete e depois descobre que está mais para tiozinho. Quer descobrir? De olho na tela:
Balada monster: você está solteiro, a balada está pegando, a birita está subindo. E você brilha. Eis que no outro dia, pronto, siacaba numa tosse de tuberculoso. E descobre por si só onde fica o nervo ciático.
Jogging day: você abre a janela, o sol bate na sua cara, você bate perna pro parque. Na comichão da saração, arrasa cooper. Uma volta, duas voltas, porque não três? Pois exatos três dias depois sua perna ainda dói. E você googla a palavra pronto-socorro.
Noitada na Senzala: o povo animou e decidiu matar o trabalho numa noite para não vir no final de semana. E você amanhece o dia, com direito à free pizza e cigarros. Ao acordar, duas perguntas: a campanha foi um sucesso? Aqui perto vende melagrião?
Down jones: você bebeu, bebeu e bebeu. Quando o bar não podia render mais nada, vocês foram para um lugar mais privado. E o que rolou? Nada, pois você dormiu profundamente, bem no meio das preliminares. Vexame.
É colega o lance é o seguinte, trinta não é vinte. Use com parcimônia.
Quinta-feira, Novembro 13, 2008
Bad hair day
Tudo voltou ao normal. No caso, correria, trabalho, noites mal dormidas, mau humor. Tempo mínimo para alguma luxúria, porque também sem um carinho, como diria Chico, ninguém segura esse rojão.
O problema destas fases onde tudo é para ontem, é que antes do primeiro bocejo matutino você já está atrasado. E estando atrasado, tudo o que não é dever há de esperar. Como por exemplo cortar o cabelo.
E você desmarca o salão. Pela terceira vez. E seus cabelos, que além de crescerem em ritmo de festa, começam a cachear. Para usar um termo chique, porque o certo seria matagar (sic).
Com uma semana você passa a não olhar superfícies espelhadas. Com duas, receia ser parado pela carrocinha. Com três, bem, você relaxa e começa a pensar em usar uma pena na orelha e reinventar a Tropicália.
Como tudo o que é ruim pode piorar, entre um café e um cigarro o seu chefe comenta, e esse cabelinho, hein? E o prazer outrora proibido de ser prazer vira dever. E você realiza que se não levasse tudo tão a sério, além de ter dormido sem essa, poderia ter dormido com um cabelo de gente.
Terça-feira, Novembro 11, 2008
Elenco da malhação
Minha vida social está nula, tenho trabalhado pracarái e o final de semana tomado por afazeres do lar. Meu único alento é a academia, que além de ser uma promessa para um verão de prazer (ou desgosto...) me distrai com a fauna. Confere:
Bonsai Boys - são baixinhos, troncudinhos e assim como a árvore do bonsai, crescem para os lados. Uns até que têm presença, mas são tão inchados que parecem ainda menores, tipo saídos dum filme da Disney.
Dublador - quem nunca viu um que atire o primeiro squeeze. É aquele que malha dublando o mp3 sem medo de ser feliz, naquele ingrês primeiro ano de CCAA. Na minha, tem um que faz até air guitar. A vergonha grita.
Cicavéia – Explico como me ensinaram. Você vê a gatinha de costas, magra, bunda durinha, frita no bronze, cabelo alisado. Quando ela vira, tem setenta anos e a boca trabalhada no silicone. Mistura de Cicarelli + véia.
Belle du jour – aquela bonitinha que tem horror a suor. Ironia? Não para ela, que senta na bike e não pedala, que pega o peso mas não malha, mas que desfila linda no conjuntinho de plush, zero suor. Sim, ela podia desfilar em casa. Mas e quem ia ver?
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Segunda-feira, Novembro 10, 2008
Planeta Rock
Sampa confirma seu bom ano em festivais. Sábado rolou o Planeta Terra, com um mega mix de atrações como Kaiser Chiefs, Jesus & Mary Chain, Bloc Party, Spoon, Offspring, e DJs como Mylo e Félix Da Housecat.
Confesso que não planejei ir. Voltava do teatro com minha irmãzinha, camisa abercrombie azul bebê e sapatênis. Menos rock’n roll impossível. Mas fui na onda dos amigos me muni de coragem, red bull e me joguei.
A chegada, que é sempre drama, foi tranqüila por conta do adesivo que dava direito a área especial. O local era uma atração a parte, uma vila de galpões desativados, que serviram de locação para uma série de atrações paralelas.
A censura em 18 anos não inibiu a criançada, mas o mix de pessoas no geral estava interessante, antenada e bonita. Entre um show e outro, muitos se jogavam nos gramados com esteiras de palha, para namorar ou relaxar.
Do melhor, Offspring com os hits teens. Spoon, com roquinho melódico e Da House Cat. No final, ainda liguei para uns amigos que estavam vendo Kyle Minogue na mesma hora, confirmando que neste dia muita gente dormiu com um zunido no ouvido, porém feliz.
[no youtube, uma idéia do que foi mylo e offspring]
Sexta-feira, Novembro 07, 2008
Chic chien
Fico passado com a necessidade paulistana de querer ser in. Até o acontecimento mais prosaico é motivo. Pois o último must da capital é levar o cachorro para ver vitrine na rua Oscar Freire. Sim colega, hyparam o cocô do totó,
Se você acha que eu estou brincando, passa lá de noite. É uma profusão de gente (e cachorro, claro) ora andando, ora vendo vitrine, numa mistura entre admirar & ser admirado. Tudo o que o paulistano gosta. E quer.
Sei que a motivação de passear por lá não é só a aparência. Primeiro que a rua é linear e sem subida, que é algo raro nos jardins. Depois, o fato de ela ser mega-iluminada. E ter aquelas vitrines maravilhosas pra distrair.
E tem playboy com labrador. patricinha com yorkshire, pai de família com vira-lata, gay com whippet. Curioso também é o saquinho de coleta na mão de todo mundo. Porque paulistano é deslumbrado, mas senso de civilidade ele tem.
E caso tenha batido um sopro de vontade de ter um cachorro depois disso, lembra da dedicação, do tempo, do compromisso, do dinheiro e por aí vai, que você tem que despender com o bichinho. Garanto que passa na hora.
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Quarta-feira, Novembro 05, 2008
Íntima de oliveira
Intimidade é uma merda. A gente se apega e junto com a profusão de sentimentos e afinidades, passa a dar uma liberdade que nem sempre é respeitada.
De repente, subjects que jamais deveriam sair do seu círculo ganham os tablóides a boca miúda, viralizando entre aqueles de vida desinteressante.
Sendo você mestrado e bacharelado no jogo, o troco parte rápido, fazendo o estrago calculado e antevendo a profusão de desmentidos.
No fim, No drama. A experiência se reinventa de forma educativa. Primeiro, para aprender que certas coisas devem pertencer a um único dono, você mesmo.
Segundo, para que você realize que não é porque crescem no seu jardim, que certas flores não têm seus espinhos.
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Terça-feira, Novembro 04, 2008
O canivete moderno
Admito, sou mobile addictive. Já vivi sem celular antes (era paleozóica?) mas hoje não consigo imaginar a vida sem. E sinceramente, acho que ninguém que resida em São Paulo consiga.
Pelo simples fato de que São Paulo é uma esquizofrenia. Você está indo para o trabalho e de repente abre uma cratera na avenida. Ou, um helicóptero desce na pista. Sim colega, isso aconteceu.
E o que costuma acontecer também é de ninguém no seu trabalho ligar para isso, esperando você com a coisa (seja ela qual for) pronta na mão. Nestas horas, o celular pode ser o divisor entre a sala de reunião e o RH.
Obviamente, a portabilidade é uma mão na roda. Logo, você pode imaginar a quantidade de coisas que a gente não resolve numa recepção de consultório, embarque de aeroporto ou no insano trânsito da capital?
E, dependendo do seu celular, tem muito mais. O meu, que nem é incrível (tipo que canta, dança, cospe fogo, representa) faz as vezes de fotográfica e ainda tem uma seleção musical bacana, pra ligar ali no sentado no sol, fechar os olhos e nem confiança.
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Segunda-feira, Novembro 03, 2008
Gossip boys
Sábado. Final de tarde. Bag adidas na mão, você se prepara para a academia quando ouve o ring tone. Do outro lado o amigo diz, vou ser curto e grosso. Primeiro, aqui está quarenta graus. Segundo, preciso de um relato do que perdi.
O motivo de tamanha ansiedade? Chegaria no primeiro vôo da manhã depois de dois meses afastado da capital. Uma re-hab voluntária. Vamos lá, tell me more, tell me more... E a festa?
No caso, a famosa badalada white party de um (nem tão famoso assim) estilista. Mas não é só em dezembro? Querido, dezembro está logo ai! Além do quê, temos que pensar agora, já que todas as roupas brancas bacanas acabam perto da data.
Ok, te vejo amanhã, thau. Você desce as escadas quando toca novamente o ring tone. Outro amigo. Saí de uma festinha private, estou bem louco, não consigo chegar em casa e... Estou bem embaixo do seu prédio. Hã??
Na rua, um carro atravessado bomba Maya no último volume. Você, passado, estaciona e sobe com a figura, que fica esparramada na cama. A academia teria que esperar. E o final de semana? Estava apenas começando.
X X X
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