Quinta-feira, Agosto 28, 2008


Jewelry

Exceto fashionistas, é fato que os garotos têm dificuldades com acessórios. Até os gays, que costumam acertar, têm pisado na bola. Pensando nisso, pus uma trilha no ipod, encarnei o Alcino Leite e fui ver o que povo (e os amigos) tem usado por aí.

O hit, sem dúvida é o escapulário de prata. Bonito e discreto, mesmo quem não usa acha bacana (para dentro da gola, ok). Cai o escapulário de fio, que suja com o tempo e denuncia que você freqüenta Ubatuba. Brincadeira.

A correntinha de ouro no pulso também sobe, do tipo fina e discreta. Da um charme e um quê de bem nascido que não é todo mundo que pode. Ou que tem. Desce a correntona de prata no pescoço, estilo coleira pit boy. O erro.

Relógios são clássicos e estão sempre em alta. Os bons, claro. O leve toque de contestação e modernidade fica por conta do uso, que sai do esquerdo e vai para direito. Experimenta.

Sobe acessórios étnicos. De fio, trançado, de couro, liso, preto ou coloridíssimo. Tire da gaveta aquela pulseira diferentona comprada no Safári (mas no camelô de San Telmo também vale) e quebre o look cinza cidade.

No mais, muitos garotos de mini-alargador na orelha. Bem discretos, tipo brinco. A lista do que caiu inclui usar par de anéis numa mão (hit no verão passado), mix de jóia com couro (a não ser que você seja um Mansur) e piercing pela cara (a não ser que você tenha menos de treze).

escrito por MIM - 11:33 AM

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Terça-feira, Agosto 26, 2008


Alteres

O preço é esse, infelizmente, diz o atendente troncudo de nariz anguloso. Você, querendo renovar a academia após dois meses de jejum (desculpas não faltam), resigna-se. Nem o fato de treinar há tempos deu o direito ao desconto. Mudamos as regras, diz ele. Mudei de academia, diz você.

Na nova, muita paparicação. Café, água, balinhas? Novamente, queria mesmo era desconto, que não veio. Tudo bem. Paga-se mais, tem-se mais. Começa quando rapaz? Hoje honey, hoje. Vou te dar a melhor, exagera a atendente.

Após meia hora de treino, você começa a achar que não era exagero. Após uma hora, você tem certeza. Está tranqüilo? Ah está? Então aumenta mais dez, diz a loira, olhos verdíssimos, sorriso de carrasco. Paixão a primeira vista.

No vai e vem, alguns conhecidos do bairro, uma ou outra carinha batida da televisão e muito, muito carão. Problema? Nenhum! Nesta escola você é diplomado e pós-graduado.

Mudanças têm seu lado positivo. E (para quem gosta) experimentar novas práticas em busca da mente e dum corpo bacana, é algo singular. Terminando, a loira sentencia, meia hora de aeróbio para sarar a barriguinha. E no ipod, thats the way a-han a-han i like it a-han a-han.

escrito por MIM - 4:11 PM

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Quinta-feira, Agosto 21, 2008


Neighbourhood

Parabéns, você conseguiu. Mudou-se para os Jardins (cá pra nós Bela Vista, mas abafa) e agora está pronto para conhecer a fauna que dividirá a vizinhança. Uma turma que você pensa ser civilizada, mas que pode transformar sua vidinha emergente num verdadeiro inferno, fazendo você se arrepender amargamente seja lá de onde tenha saído.

. A velha: solteira, casada ou viúva, todo prédio tem uma tia chata, mantenedora da moral e bons costumes. O que isso quer dizer? Que ela vai sondar sua vida em um mês. E reclamar de você, depois de uma semana.

. Os pombinhos: uniram os trocos e compraram o conjugado. Usam roupa fit, tons pastéis e nos finais de semana acordam quando você vai dormir. Tem um labrador histérico de bandana vermelha no pescoço que chamam de filho.

. A bicha: jura que o jardins é Tribeca, mesmo nem sonhando onde isso fica. Nos corredores é simpática, fora deles, abusada. Ouve Madonna no último volume em esquentas com as amigas histriônicas, fúteis e drogadas.

. A celebrity: já foi protagonista de alguma novela das oito, ou posou pelada, e garantiu o seu apê. Hoje, não diz nem bom dia para gente comum (leia-se nós) e acredita ter direito a vantagens como duas vagas na garagem.

. O social climber: tem o apê tipo penteadeira de puta, dada a quantidade de treco, arte, espelho e afins. Tudo assinado, claro. Tirando o fato de empestear o elevador de perfume, é inofensivo e dependendo da carinha (e da procedência do dinheiro) até bom partido.

escrito por MIM - 2:14 PM

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Quarta-feira, Agosto 20, 2008


Espelho

Ninguém nasce feio, nasce pobre. Pode parecer maldade, mas depois do e-mail que recebi hoje, com um monte de celebridade editada tipo antes e depois da fama, tive que concordar.

E como em primeira instância a gente olha o outro, em segunda o próprio rabo, cabe pensar que isso se aplica a nossa pessoa. Só não espere uma confissão do tipo, eu vim do nada, da pobreza, fiquei rico e hoje me cuido.

Dizer que veio da pobreza tendo estudado em escola particular e ganhado carro de vestibular, Deus castiga. E como de rico, você está mais longe ainda, chegamos a única verdade da frase: hoje você se cuida.

O que não tem de mal. Afinal você rala o cu na ostra e gasta seu dinheiro onde quiser. E quando se tem espelho em casa, esse “onde quiser” fica meio óbvio. E ai de quem disser que seus dentes, seus peitos, seus músculos não são seus. Como não? Não foi você que pagou? E não está quitado? Então!

E como toda cara tem sua coroa, ao se orgulhar do partidão que você batalhou para pescar na Disco, admita que bonito ele não é, é rico. Se bem que se você for igual a metade das pessoas que eu ando conhecendo, isso significa a mesma coisa. Que é rica de bolso, mas pobre de espírito.

escrito por MIM - 2:13 PM

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Segunda-feira, Agosto 18, 2008


Escala do desespero

Quantas vezes você ouviu de alguém, vamos almoçar amanha? Ou, me liga hein? Direto a gente combina coisas que não leva adiante. E nem é por preguiça ou desprazer, mas por acreditar que a coisa não era para valer.

Eis que na data a pessoa cobra e você pensa, ui, ela estava falando sério. Para evitar estes mal entendidos é que existe a escala do desespero. Que tem mais a ver com dramaticidade do que desespero em si.

Dessa forma, quando alguém combinar ou pedir alguma coisa a outrem, ela adiciona ao pedido uma carga dramática, numa escalada de um a dez, para que ela entenda a seriedade da coisa.

Obviamente, cada um tem seu jeito próprio para desempenhar a função. E de fazer valer sua dramaticidade. Eu por exemplo, odeio pedir favor a quem quer que seja. Mas sendo obrigado (e não sendo um abuso) peço e agradeço de antemão.

O importante é deixar claro que a coisa é para valer, para que a pessoa não esqueça do que foi demandado, nem após um porre de tequila. Pensando bem, acho que sendo tequila a gente até que perdoa.
escrito por MIM - 6:33 PM

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Quinta-feira, Agosto 14, 2008


Flower power

As madrugadas de segunda e quinta nunca foram tão bonitas na capital. É quando rola a feira de flores do CEAGESP. Um cult. Minha mãe vai sempre e faz chantagem emocional para me levar de motorista carregador.

Com ela aprendi o poder de uma flor. Nada mais gentil que levar rosas a casa de alguém. Já vi nego gastar pencas num presente e receber um sorriso menor que outra chegando com um buquê. Caro sim, mas um buquê.

Lembrei disso porque tenho dado muita flor e me admirado com as reações positivas. Hoje levei umas hastes (bico-de-papagaio) pro querido que corta meu cabelo. Como sou VIP (leia-se não pago) fico encabulado de ir sempre e tento compensar levando uns mimos.

Já levei umas Stella Artois comemorativas, umas revistas bacanudas gringas e dessa vez foram as flores. Na saída, pensei que a gente que dá ganha muito mais, pois existem poucos prazeres maiores do que arrancar um sorriso de quem quer bem. É o poder que as flores têm.
escrito por MIM - 6:31 PM

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Terça-feira, Agosto 12, 2008


Double meaning

Todo dia tenho vontade de dizer meia dúzia de verdades para alguém. Conto até dez, tomo um maracujá e seguro a onda. Porque se todo mundo tivesse ataque de sinceridade, o mundo viraria um filme Mad Max (adoro).

Mas e quando não dá para segurar? Tipo quando um mala insiste em ser desagradável numa mesa de amigos (que aliás, tem acontecido com certa freqüência). Ou uma desclassificada desanca um colega na sua frente?

Nestes casos, se cabe usar e abusar do tal double meaning. Que é quando a gente fala uma coisa querendo dizer outra. Como, por exemplo, você elogiar alguém assim: eu espero que você tenha tudo o que você merece.

Se a pessoa for bacana e amável, será o melhor dos elogios. Mas se ela for a mais odiada das pessoas, a frase terá o peso certo da verdade. E o melhor, sem comprometer a finesse que você jura que tem.

Afinal, falamos de um cenário composto de gente civilizada. Já no caso de você bater de frente com alguém declaradamente sacana, que não vale nem o uso da figura de linguagem, dispense o duplo sentido e vá ao bom e velho go fuck yourself.

escrito por MIM - 2:54 PM

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Sexta-feira, Agosto 08, 2008


A teta

Tenho horror a gente acomoda. Aqui mesmo onde trabalho (e olha que é um mar de tubarão) vejo nego chegando onze para sair onze e meia. Coragem? Acho covardia.

De se acomodar num emprego que além de insatisfação ainda provoca medo. E de viver infeliz mamando na teta de um sistema que criado para garantir uma vida mais digna, e não triste e oprimida.

Já disse aqui e repito que emprego dos sonhos não existe. Pois se trabalho fosse bom, não se chamava trabalho, mas sim diversão. E a gente acordaria as sete da manhã todo serelepe, para tomar banho e ir para diversão.

Tirando, é claro, quando se é herdeiro de um conglomerado e se pode ficar viajando o mundo como fotógrafo da National Geografic. Dinheiro, para quê? Se esse não for o seu caso, talvez seja melhor começar a se coçar.

O que você anda fazendo para mudar a sua situação? Um curso, um contato, um movimento? Na vida a gente só colhe o que planta colega. E voltando ao assunto da teta, até as mais dóceis das lobas também secam o leite.

[inspiração: coluna do Nelson Mota na Folha de hoje]

escrito por MIM - 12:31 PM

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Quarta-feira, Agosto 06, 2008


Recreação

Tem gente que bebe, tem gente que usa droga, tem gente que faz sexo. E assim como existem os que passam dos limites na bebida e nas drogas, essa tendência anda se confirmando também em torno do terceiro item.

Entre os amigos solteiros se tornou comum as historias de sexo fácil, rápido e promíscuo, intercaladas entre saídas que começam a partir de quarta e acabam só no domingo. Coisas da noite.

Veja bem, sou do tipo que acha sexo igual ao cinema francês, ou seja, mesmo quando é ruim, é bom. Só acho que banalizar algo que, bem ou mal, está ligado a emoções tão a flor da pele, tem seu trunfo pobre.

Quando se é jovem, bonito, natural descontar frustrações de uma nada-fácil vida lapidando o ego com conquistas baratas e sexo a rodo. O foda é acordar no outro dia e ver tudo igual, ou pior. E colega, quando se está fragilizado, esse bumerangue emocional faz cada estrago.

Há quem consiga conviver bem com esse dilema, entrar num chuveiro quente e deixar tudo ir pelo ralo. Já outros, levam de acessório para o trabalho, almoço, academia aquele vazio que tudo o que é feito sistematicamente dá. Até, claro, outra balada, outra alcova e mais uma noite de sexo fútil.

escrito por MIM - 11:11 AM

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Segunda-feira, Agosto 04, 2008


Grão

Café Suplicy, Jardins. Pessoas se acotovelam do lado de dentro, outras conversam nos bancos de fora. Pela estrutura de vidro você bisóia (sic) se está rolando uma noite de autógrafos, coquetel, ou algo parecido. Mas não.

Que movimentado isso aqui, diz você a amiga, que usa o café como ponto de encontro. Gastei quinze minutos pra conseguir um mocha frio, comenta um amigo dela, cara de ressaca e cigarro na mão.

De repente, seu irmão e a namorada entram. Alguma surpresa e a confirmação de que, após a Lei Seca, as cafeterias bacanudas (com décor hype, lounges e wi-fi) tem se tornado uma opção ao bom e velho chope do fim de tarde.

A porta não para um segundo, recebendo animados senhores, gente moderna com notebooks, gays com sacolas CK e Lacoste, e meia dúzia de casais Zé Bob (gíria para quem não é feio nem bonito, mas se acha). Uma criança de rua tenta vender chicletes, alguém some com ela.

Apesar de pretensamente cosmopolita, o clima é agradável. Após um (bom) tempo seu irmão chega com o café, você agradece e vaza. Ali perto um open house promete muitas e muitas cervejas geladas. A lei seca vai ter que esperar.

[ps Baby, parabéns pelo apê e pelo petit comite]

escrito por MIM - 6:25 PM

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Sexta-feira, Agosto 01, 2008


Menininha

Cedo ou tarde todo homem fica cara a cara com seu lado menininha. Nada a ver com a sua vida sexual. Mas sim quando a vida desabrocha um viés diferente do que a gente tinha até então.

Um dia você acorda e pá, o pôr-do-sol está mais bonito. As pessoas estão mais óbvias. E as músicas do Chico fazem sentido. Mas, claro, você fica na sua, perigando seus colegas de bar gritarem em coro menininha, menininha.

Sem querer desmerecer você que tem menos de trinta, isso costuma acontecer quando se tem uma certa bagagem. No caso um currículo com alguma desilusão, um ou outro amor cafona e muitos momentos de alegria plena. É a vida te dobrando.

E você, que só chorava com perda de membro (da família ou do corpo), chora. E porque? Porque o filme era lindo, porque a música estava vibrante, ou porque aquele momento foi mais forte que qualquer barreira psicologicamente bem construída pudesse suportar. Me-ni-ni-nha.

Momentos menininha são bonitinhos mas são um saco. Ainda mais para você, que não acha fofo nem filhote de coala. Mas acontece. E, pior, uma vez instalado o plug-in, volta e meia a gente clica duas vezes. Mas não tem nada de mal nisso, faz parte do viver. Só não vai me comprar uma fita vermelha pro cabelo.

escrito por MIM - 5:12 PM

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Jovem, educado, bonito e rodado...
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