Segunda-feira, Junho 30, 2008
Birthday S.A.
Quinta-feira. São Paulo. Num bar lounge nos Jardins, um grupo de amigos se espreme para beber, conversar e prestigiar um aniversário mixado de despedida.
O estilo lá em casa permite algumas regalias, como poder escolher o som das caixas, previamente selecionado e dividido entre parte calma e parte agitada da noite, como tem que ser.
O aniversariante, it boy, sorri e agradece, dando início ao festival de cumprimentos. O local, um tanto apertado, junta os corpos na hora da passagem, levando mãos a joelhos e cinturas alheias.
Cada entourage funciona como uma célula própria, disputando atenções e imprimindo personalidade. A bebida corre solta, confundindo e apurando. Nessas horas, uma ida ao banheiro rende um beijo roubado. Ou cedido?
A madrugada avança, as pessoas viram abóboras. O aniversário se encerra e quem leva o presente para a casa é você. No outro dia, o raiar do sol. O presente ainda está lá, inerte. Mas pelo refil, com muita perspectiva de durar.
Quarta-feira, Junho 25, 2008
Hapiness
Volta e meia a gente ouve que tal pessoa era feliz e não sabia. E fica pensando na coitadinha, descrente da própria felicidade. Mas e você, já foi no espelho se perguntar se é feliz? Porque a gente, urbanóide, jura de pé junto que a vida tá uma bosta.
Mas não seria isso supervalorizar este nosso lado pobrezinho de mim? Tudo bem. Tempo falta, dinheiro falta, sinceridade falta, fazer amor de madrugada em cima da pia embaixo da escada, falta. E problema? Este sobra.
Mas vai dizer que você não tem orgulho de chegar em casa, jogar o sapato para um lado, o corpo para o outro, exausto sim, mas ciente de ser dono do próprio destino? Que se chegou até aqui, chega onde quiser? E isso não é felicidade? Cansaço de quem acha a grama do vizinho sempre mais verde.
Porque a felicidade, às vezes, pode estar bem pertinho. Só que a gente, no carão, não olha pro lado para perceber. Felicidade é bem mais simples do que a gente pensa. Ver graça na vida. Acreditar no maravilhoso.
O que não significa que a gente seja idiota. Peralá, trinta anos de praia. O que rola é que, tão importante quando sonhar, é sonhar sem jamais perder a capacidade de assombro. Porque no balanço das horas pode não acontecer nada. Ou acontecer tudo.
Segunda-feira, Junho 23, 2008
The Doors
Com o frio judiando a cidade, muda-se alguns hábitos de noite. Fundamento mesinha na calçada cai. Ambiente fechado e do tipo lounge, sobe. E nem precisa ser expert não, basta sair sem um bom cachecol que você entende o porque.
E confirmou. O bar do momento (ou estação, como queira) é o Dry, que caí de pára-quedas semana passada. Desatento ao hype (nem sabia que ele existia) chegamos no crowd. Isso, já vindo de outro bar fechadinho, quentinho e também lotado.
E quando você tem alguma bagagem de noite, certas situações não se pode dar ao luxo de passar, tipo pagar portinha. Que é ficar na porta à mercê dum host wannabe que, provavelmente, ganha dez vezes menos que você.
Aliás, isso é mais comum do que se pensa. Muito lugar chancela o hype com a fila giga. Às vezes o bar ou boate está vazio por dentro, mas segura a fila para impressionar o público. Uma burrice que desrespeita quem frequenta e broxa quem pensa em frequentar. O que não era o caso lá, cabe admitir.
Mas enfim, a vista não é justa? A noite menos ainda. Chegue cedo. Chegue num Maserati. Ou chegue com dois beijos na pessoa que vai te tirar da muvuca, sem piscar. Ver e ser visto tem seu preço, esteja você apto ou não para pagar.
Quinta-feira, Junho 19, 2008
Tendência na real
Mal deu tempo de comprar a roupa da féshion week anterior e já tem outra rolando. E o evento se faz notar até por quem não dá a mínima. Tipo minha mãe, que ligada no trânsito caótico deu a dica: dá a volta no parque porque tem féshion week. Sábia!
A semana reflete desejos de moda da próxima estação, ou seja, da primavera verão (tá, eu copiei isso). O difícil é falar de verão com a cidade trincando de frio. Então como o tempo é pouco e criatividade menor ainda (segundo alguns leitores críticos. Bj amo vocês) vamos falar do hoje, pois o amanhã só deus sabe.
Pois bem, não sei a sua, mas a tendência da estação é o preço baixo. E o fator morar sozinho ajuda pencas a pesquisa da tendência, afinal, quando se tem conta(sss) pra pagar, aquele tênis incrível da must have list divide espaço com o pão integral. Drama.
Mas como querer é poder, dei uma volta na metrópole e não é que encontrei coisas bacanas e baratas em muito lugar? Da Oscar ao Iguatemi. Coisa impensável um tempo atrás. Então pronto. Já sabe o que fazer com o troco do freela, ou com o adiantamento do sugar-daddy.
Por fim, a dica do que usar no inverno é pouca roupa, para não falar nenhuma. Mas calma, tudo dentro de casa, trancadinho entre quatro paredes e com uma boa companhia. Vai dizer que existe no mundo tendência melhor que essa?
Quarta-feira, Junho 18, 2008
Party people
Sábado a noite. Você, vindo da academia, resolve passar no apê do amigo de uma amiga para um drink. Dois, três, quatro, cinco. Conforme saem copos, chegam convidados. Você se arrepende de não ter insistido no modelo melhor.
Na cozinha, latinhas esperam a vez ao freezer. Na sala, mulheres discutem o fator trinta anos. A seu lado, um gringo explica o festival The Burning Man, que rola no meio do deserto. Os convidados não param de chegar.
Você, que frita o peixe e olha o gato, percebe um movimento. Numa festa com gente alterada e com dinheiro, isso significa uma só coisa. Uma moça mais macho que eu, você e o Bussunda juntos, começa a discutir sobre contribuições.
Você resolve dar uma volta. No caminho, um garoto de nariz imenso e metido a galã comenta que o delivery chegou. Tempos modernos esses. Logo o apartamento sofre do fenômeno balada, com os três banheiros lotados e fila na porta.
Você, que já viu este filme antes, sabe como termina. Resolve então sair de mansinho e se juntar a uma outra turma. No caso, a que adora uma festa da pesada, mas que sabe que tudo na vida tem que ter um começo, um meio e (por bem ou por mal) uma hora para acabar.
Terça-feira, Junho 17, 2008
A Favorita
Não consegui ver nenhum capítulo da novela, mas me chamou a atenção o título. Me lembra Janete Clair (A Fulana, O Ciclano) que não vi mas já li muito sobre, assim como tudo que aconteceu no Brasil naquela época. Adoro.
Na vida sempre há uma favorita ou um favorito, pois, naturalmente, favoritamos o que gostamos. Desde lugares, de onde viramos habitués, até pessoas, que acabam se tornando colegas. E com sorte, também amigas.
Quando acontece uma traição, onde trocamos algo favorito por uma novidade, a gente fica procurando pelo em ovo. Se o cabeleireiro errar, se o cafezinho vier frio, se o vendedor não for atencioso, pronto! É o suficiente para gente se arrepender e voltar correndo pro antigo.
Agora, melhor que favoritar é ser favoritado. E, mais bacana ainda, quando a gente também escolhe quem nos escolheu, juntando nossos favoritos com os da outra pessoa, numa deliciosa mistura de conhecimento e aprendizado.
E você realiza que na vida sempre vai existir o que é favorito a você. E o que é favorito aos outros. Mas são os favoritos em conjunto que fazem a diferença, responsáveis por unir pessoas em laços de amizades e de transformar paixões em amores.
Quinta-feira, Junho 12, 2008
Pluralidade
Engana-se quem acha que lésbicas gostam apenas de bares de ninfetas. Que héteros, de locais onde só se fala de futebol. Que gays, só de baladas com homens sem camiseta. E que pretos vão apenas ao pagode.
Sim, curtimos frequentar locais onde nos sentimos bem. Mas como seres plurais e urbanos, guetos não faltam. O que falta são lugares onde podemos conviver com gente diferente, de bem com a vida, em perfeita harmonia e diversão.
Pessoas que num primeiro momento não têm nada em comum. Mas que num segundo se mostram profundamente inteligentes, tolerantes, animadas e donas do próprio rabo. Mais “em comum” do que isso, aí vira casamento.
Isso responde a galera que, volta e meia, me questiona porque falo sempre dos mesmos lugares. Claro que gostaria de falar de muitos mais. Mas é o que tem para hoje. Além do quê, isto é um blog não o Guia 4 Rodas.
Por isso, antes de se viciar na Favorita, pondere a idéia de por uma roupa bacanuda (e quente, porque está frio lá fora) e vá descobrir os seus lugares preferidos. Eles existem, devem ser celebrados e estão apenas esperando por você.
Segunda-feira, Junho 09, 2008
Sacrifício
O que leva a pessoa a encarar uma academia numa segunda-feira gelada, depois de trabalhar até as dez e meia? Ou pedir um espaguete sem molho no restaurante? Ou de pegar um cinema sem detonar um sacão de pipoca?
Geral fala de exibicionismo, hedonismo, fanatismo. Se for para escolher um “ismo”, escolho otimismo. Porque quando a gente sai para malhar pode até saber que nunca vai ser um Brad Pit, um Gianequini, mas não perde o otimismo.
E durante a busca pela barriga tanquinho (quase lenda urbana) você também vai descobrindo muitos outros prazeres: o de comer melhor, de curtir um dia no parque (que este final de semana estava lindo), de viver melhor e por aí vai.
Eis que um dia você olha no espelho e toma um susto. Afinal, andou se cuidando superbem, cortou todo o lixo desnecessário (oi, existe lixo necessário?) e passou a fazer exercícios há tanto tempo, que não é que o corpo mudou mesmo?
São estes dias que respondem a pergunta inicial lá em cima. Quando a gente realiza que, para qualquer criatura gostar da gente, a gente antes tem que se gostar. E que receber um elogio é muito bom. Mas não precisar dele, é ainda melhor.
Sexta-feira, Junho 06, 2008
Show do gongo
Vai dizer que você não fala mal dos outros? Até Sandy quando “virgem” congou Wanessa, que dirá você, que tem coração peludo. Mas não se avexe, gongar faz parte do jogo. A questão não é fazer mas “como” fazer. Saiba conhecer as gongações e, claro, seus gongadores.
O amigo – primeiro gonga fofamente. Mediante sua insistência no VonDutch viradinho, abre o jogo dizendo que está horrível, encerrando o assunto. Também gonga usando fundinho de verdade (odeio) mas sabe que tem troco.
O falso amigo - te conga com frases tipo “vou falar uma verdade mas é para o seu bem”. São competitivos e no fundo sentem inveja de você. Infiltrados, podem fazer estragos. Contra-ataque? Faça o mesmo e aja pelas costas.
O franco - tem pouca paciência e uma falsa supersegurança. Não gonga com facilidade mas quando faz, instaura um climão sem conserto. Por incrível que pareça detesta ouvir franquezas de si próprio. São certeiros e cruéis. Adoro.
O intrigueiro - está no DNA. Gonga tudo e todos para suprir a existência ordinária. Tipo blog sem conteúdo que xoxa celebridade. São inofensivos mas incomodam. E mosquito que incomoda a gente faz o quê?
A Blair – Tem inteligência e sofisticação na mesma proporção que veneno. Podia ser sua amiga, caso ela tivesse alguma. Revidar gente assim exige muita tarimba, por isso, se você não tiver, se faça de sonso e let it go.
O moralista – consegue ser pior que a Blair. Sua arma é utilizar do termo “porque gente assim é tudo… ” para atacar o coletivo, mirando no individual. No caso, você meu bem! Mas não perca tempo com este tipo. Cedo ou tarde são sempre pegos com a boca na botija, e uma botija do tipo beeem suja.
Quarta-feira, Junho 04, 2008
Álibi
Está deprimido? Aproveita. Estar deprimido é um álibi tão forte para fazer merda, quanto ter nascido pobre e poder sair assaltando e matando por aí. Pronto falei.
Deprimidos, nos damos ao luxo de não pisar fora de casa por obrigação. Tô deprê, não vou, simples assim! Também não aturamos encheção de saco desproposital, perigando o enchedor levar uma GQ (edição beeem pesada) na cabeça.
Neste período, também nos damos o direito de cagar a vida um pouco mais. Fumamos o dobro, bebemos o triplo e sim, detonamos o cartão em busca dum momento fugas. E ai se a fatura chegar antes da deprê passar. Garçom, cicuta com duas pedrinhas de gelo, por favor.
Como toda regra tem sua excessão, deprê e amizade não combinam. Basta uma barba mal feita somada a um moletom e pronto, o amigo fiel vai fazer de tudo para te livrar deste estado. Desafio este, nem sempre bem-sucedido.
Mas se você tiver amigos que nem os meus, uma hora eles vão se encher e dizer na sua cara que você está um saco. Isso, se não te mandar tomar no cu. E você vai rir (ou chorar. Ou rir e chorar) se livrando de vez do encosto e do medo de ser feliz.
Terça-feira, Junho 03, 2008
Cidade Jardim
Um dia ser magro foi coisa de pobre. Rico, rico mesmo era cheinho. Afinal, se comia bem, se vivia melhor ainda e tinha sempre alguém para fazer tudo por ele. E gente morena? Pobre! Rico mesmo era branquelo. Pele muito alva, enfurnada em roupas compridas, casarões bem fechados e nenhum sol.
Daí tudo mudou. O chique virou ser magro, muito magro. De preferência queimado em Angra (nome da clínica de jet bronze). E você, não deslumbrada mas sim antenada, seguiu tudo a risca. E quando foi desfilar sua beleza clonada, veja só, se sentiu ultrapassada. E não entendeu nada.
Eis que lendo (uma Vogue, claro) um lapso de lucidez: realizou quão volátil é o mundo do efêmero. Onde o démodé virou moda. Que depois virou exagero. E que virou démodé de novo. No fim, a mulher esticadona, ficou feia. O garoto bombado, vulgar. E a pessoa tostada, cafona. Para não dizer louca.
Durante um micro segundo, enquanto tomava o frapuccino com seu nome escrito no copo, pensou em largar esse negócio de tendência. Que trabalheira. Então viu a amiga chegando. Esticada, frita & vulgar. Sobretudo, viu como era ser olhada por todos.
Sim, era isso que queria. Olhares, muitos olhares. Se de admiração ou reprovação, dane-se, ela tinha coisas mais importantes a pensar: chegaram apenas cinco Louboutin de onça na cidade. E um havia de ser dela.
Segunda-feira, Junho 02, 2008
Histeria
Viver em sampa exige certas regras para manter a sanidade mental. Evitar salões aos sábados é uma. Este é o dia D para elas, que lotam os mais de 30 espaços só nos Jardins, num mix de euforia, histeria e redenção.
Mas cabelo feio e festa bacanuda não combinam. Você se mune de coragem e ruma pro salão. A confusão começa ao chegar, onde um importado fecha sua entrada. Você, desobrigado, joga o carro na calçada e pega a vaga. Sem olhar para trás.
Lá dentro, mulheres de todos os tipos passeiam com obras surrealistas na cabeça. Bigudinho… Laminado… Balaiagem… Vai explicando seu cabeleireiro, se divertindo com a cara de espanto. Vem, senta aqui que é mais reservado.
Um grupo discute fazer a mão na cor tijolo (?). Numa Caras surge uma ex-VJ, hoje apresentadora: Olha você aqui, diz o cabeleireiro. Ela chega de forma afetada e sentencia: odiei a foto, o-di-ei! Chica, uma buldogue francês trepa na sua perna. Você inicia um processo de arrependimento.
Três navalhadas e muita conversa depois, está pronto. O volume sonoro é tamanho que você só escuta na terceira vez: tá óóótimo, confia. Você, mais desconfiado que cachorro em canoa, não questiona, se despede e risca o chão. Definitivamente, não é aconselhável salões aos sábados.