Sexta-feira, Maio 30, 2008
Supersuper
Confesso, fico meio incomodado ao lado da pessoa supersuper-segura-de-si. Mas o que é ser supersuper-seguro-de-si? Sabe o playboy espremido num jeans 36, com direito a camel toe (google)? Então, isso é ser ridículo, não seguro.
Ser seguro é sair para jantar sozinho numa boa. Experimentar e, se não gostar, não levar só para agradar vendedor. Andar na rua sem cigarrinho de segurança. Usar rasteirinha com Hering branca e ficar deslumbrante (bom, no caso, só a Gisele).
Agora, ser supersuper-seguro é fazer tudo escrito aí em cima, só que com um plus: que é reforçar o tempo todo, pra você e todos a sua volta, que você é incrível, o máximo, que você é mais que seguro: é supersuper-seguro-de-si.
E como rola das pessoas não estarem necessariamente preocupadas com a sua supersuper-segurança, as vezes sobra um “que” segurança a mais no ambiente. Gerando, ao invés de admiração, uma vergonhazinha empática.
Há quem diga que tenho inveja, há quem diga que tenho recalque. Já eu, digo que tenho amigos péssimos. Que ao verem você chegar com sua supersuper-segurança, me poupam de falar, para me dar ao luxo de simplesmente ouvir. E claro, rir.
Quarta-feira, Maio 28, 2008
Palco
Vendo TV realizo que jamais toparia participar dum Big Brother. Você fica exposto e quando sai, tem que encarar uma revista pelado e uns comerciais pra juntar um pé-de-meia. Que cá pra nós, não faz a vida de ninguém.
Tenho dificuldade de lidar com exposição. Talvez porque nunca fui prodígio, bonito ou popular. Claro, hoje em dia isso está remediado às custas de muita análise e uns milagres da medicina. Mas fica entre nós.
Só que se a gente pensar que procuramos o sucesso no que fazemos e ele, por sua vez, anda colado à notoriedade, cedo ou tarde vamos ter que lidar com a exposição. Seja no trabalho, nas relações ou naquele curso de pintura em porcelana.
Quer um exemplo: quem tem blog? No fundo não busca sua parcela de aceitação? Sim. Não adianta, procurar o reconhecimento faz parte do ser humano. Talvez a diferença esteja no caminho até ele e os valores que o permeiam.
Pois quando as coisas ocorrem naturalmente, o trajeto ensina a gente a lidar (ou ir lidando) com tudo. Como um difícil porém curioso quebra-cabeças. O problema é quando tudo vem rápido e fácil demais, e pira o nosso cabeção.
Se você é do tipo pé no chão, vale a auto-análise, até para não sofrer overdose de pragmatismo. Afinal, entre achar e fazer, a gente fica com a máxima que diz que se tem um lugar onde reconhecimento vem antes de trabalho, é só no dicionário.
Terça-feira, Maio 27, 2008
Trans
Aproveitando a parada gls que rolou domingo (pra mim, um mix de micareta, sauna gay e arrastão) este blog lança a campanha “Paz nas Trans”. Que não tem nada a ver com trânsito, mas com as (os?) travestis.
Porque depois da rehab e de sair sem calcinha, a nova mania de celebridade é teretetê com travesti, com direito a polícia e jornal da oito. Primeiro foi o Rômulo Arantes Neto, depois o Ronaldo e agora o Fernando (who?) ex-BBB.
Desde pequeno a gente sabe que pode mexer com assombração (brincadeira do copo), mexer com gay (brincadeira do troca-troca) e mexer com policia (brincadeira de ser pego fumando um)… Mas travesti colega, não-po-de!
Porque uma categoria que usa fita isolante pra fazer marca de biquini e compra modelo na Roupahara (google) vai ter medo do quê? Da sua carinha bonita? Ou da sua posição na noite?
Então, se você curte um trans, nada contra. Mesmo. Mas combina antes, paga direitinho e evita bafo, porque como se diz por aí: água de morro abaixo, fogo de morro acima, travesti quando desce da tamanca (salto 17) é sangue na parede.
Segunda-feira, Maio 26, 2008
Efeito sol
Dia de sol no Parque do Ibirapuera, a praia do paulista segundo a turistada. E dia quente depois de frio intenso é batata: muita gente buscando seu espaço ao sol para tirar a corzinha de escritório.
Habitué que é habitué sabe evitar aborrecimento. O lado do Obelisco, pra quem não curte uma farofa, deve ser evitado. Ali chegam os coletivos e a turma mais animada. Ponto pra democracia, nenhum para a sua cidadania.
Na Praça do Porquinho, curioso notar a heterogeneidade. Dum lado, gatinhas e gatinhos com seu sorriso louco, isso é tremendo. Do outro, badboys, mais para bad que pra boys, exibem o corpinho outrora esbelto. No centro, rodas de gays sem camiseta e sem medo de ser felizes.
O amigo de bermudão comenta, pensei que era mico vir de shorts mas está todo mundo usando. Nota-se que uns ficam ótimos, outros, o erro. Vale a dica: jamais acredite na máxima que diz que em Sampa, ninguém está nem aí pra você, ou pra o que você usa ou faz. Sim, todo mundo está.
O fundamento fritar o peixe e olhar o gato faz parte do comportamental local. Desta forma, a jogada de cabelo da gatinha, a tirada de camiseta do moreno e até o alongamento da gordinha é como o inverno, friamente calculado.
Já seu efeito, positivo ou negativo, depende única e exclusivamente de você. E, claro, da ajuda de São Pedro para presentear a cidade da garoa mais um lindo dia de sol.
Quarta-feira, Maio 21, 2008
Agasalho
O frio chegou. E com ele a vontade de renovar o closet, jurando que você é herdeiro dum império made in NY. Mas se rico você não é, também não é nenhum ex-BBB que paga mico pedindo roupa emprestada em consignação (*valeu!). Então bate na madeira e se diverte com as diquinhas.
. Casaco coringa: Quando o frio chegar, eleja um casaco bacanudo que será “o” modelo da estação. Aqui cabe um investimento maior. Mas atenção, o shot tem que ser certeiro, perigando você passar o inverno no tricozinho.
. Estilo cebola: acho cafona, mas as vezes é o que tem pra hoje. Consiste em fazer o tipo camadas, colocando um casaquinho por cima do outro. Se você é muderno (sic) o truque funciona.
. Casacão Largão: ok, linha rapper não dá, mas um casacão largão é super tendência. Acho bacanudo aqueles de cores mais escuras e básicas, sem enfeite. Sem contar que dá pra muquiar tudo na balada.
. Pele: não guri, a pele em questão não é a sua mas de algum bichinho morto no Alasca. É luxo puro. Se você é menino, permitido só nas golas e mangas. Mas francamente, este é um problema que você não vai ter tão cedo.
Segunda-feira, Maio 19, 2008
Simbiose
Lendo sobre a morte da Zélia Gattai (mulher de Jorge Amado, por favor) realizei para a quantidade de gente bacana que está neste mundo e que vive eclipsada por outra pessoa, simplesmente porque escolheu assim.
A esposa que dedica a vida ao marido, para que ele dê o seu melhor. O fodão do trabalho e seu braço direito, sempre resolvendo os pepinos do chefe. A amiga da celebbridade, que de tão fiel se tornou a sua assessora.
O mais comum é achar que este tipo de relação é ruim. Afinal, estamos mais do que acostumados com neguinho que tem vida medíocre e que, por isso, desconta a sua miséria nos outros. Neste caso, em quem tá do lado.
Mas é sobre as relações bacanas que se trata este post. Afinal, se a pessoa que fica nos bastidores é a base solida de alguém, este alguém tem tudo para puxá-la pra cima diante do sucesso, né? Uma simbiose mais do que positiva.
Sei que viver a sombra de alguém é uma escolha difícil e delicada. Mas quando se é esclarecido e evoluído o suficiente pra distinguir uma parceria duma exploração, este pode ser o caminho mais curto pra felicidade.
Quinta-feira, Maio 15, 2008
Status passarela
Status passarela é a nova gíria que está todo mundo usando (tá, mentira, inventei este todo mundo). Funciona substituindo a palavra status pela coisa que você quer se referir, tipo: vida passarela, trabalho passarela, etc.
E quem explica é o Ronald Villardo, em seu blog na globo.com. “É na passarela que os estilistas largam a mão, onde exageros são permitidos e cometidos de propósito, pra gerar assunto”, sentencia.
Ou seja, a pessoa pode não ser ninguém na noite, mas chega montada num cavalo branco toda nua uh! (uma entrada passarela), cria-se o factóide e pronto, ela ganha notoriedade.
Ou o playboy que empacou na vida e resolve fazer camiseta com estampa modernete (pré-pronta, claro!), chama os amigos, dois três sites colunáveis e thum, arruma um trabalho passarela, num mix de arte e muito RP.
E a gente? Superquerendo um corpinho passarela. Mas saindo do trabalho altas horas, sapecando o fast food e sem malhar há uma semana, estamos mais pra corpinho viaduto: pesado, torto, que se deitar no chão nego passa por cima.
Terça-feira, Maio 13, 2008
Reino da Pirraça
Odeio pirraça. Quando vejo pivete mimado rolando em chão do restaurante, passo por cima fulminando a mãe ou o pai. Sim, eles são culpados. E a tática de “não ligar” funciona pra eles, mas não pra mesa ao lado.
Agora, pirraça de adulto? Convenhamos. Nada mais anti social que gente dona da razão se comportando como se tivesse três anos. E porque se comportam assim? Ué, porque não estão acostumadas a ouvir não.
A moça grifada, acostumada a ter tudo do marido. A madame esticada, que para o carro no meio da rua. O velho rico que compra o que quer, incluindo pessoas. A bicha arrogante, eternamente entediada e sem paciência.
No fundo, lá no fundo mesmo, este tipo de gente não é má, apenas desconectada da realidade, cuja soberba deturpou o entendimento de senso comum e educação. Este, aliás, um fundamento quase em extinção.
Daí que, volta e meia, a vida arranca a força esta gente do reino da pirraça. Nestas horas, presenciando uma ou outra cena drama, a gente quase chega a ter pena. Eu disse quase. Afinal, não é só o mundo que pode ser cruel com quem não tem respeito pelo próximo. Nós também.
Quinta-feira, Maio 08, 2008
Tempo
Quem nunca quis dar um tempo num relacionamento? Ou, infinitamente pior, já foi comunicado decisão? Quase todo mundo. Tempo e relacionamento é tipo docside e meia, duas coisas que simplesmente não combinam.
Isso vale até mesmo quando não existe mais relacionamento. Quer ver? Já separados, quanto tempo é necessário se dar pra gente começar a sair com outra pessoa? Seja por respeito, seja por ressaca?
E antes de existir algum relacionamento, também. Quanto tempo a gente tem que dar pra transar após se conhecer? Uma semana, um mês, ou no mesmo dia (adoro). E pra morar junto quando a gente gosta da pessoa, quanto tempo?
Tempo é algo que não se mede, assim como o amor, a paixão, as relações humanas. E como a teoria não é tão prática como… Bem, a prática em si, invariavelmente a gente se pega tendo que decidir as coisas num curto espaço de tempo.
Complicada essa vida, que horas diz que “esperar não é saber” e, noutras, “quem espera sempre alcança”. O curioso é realizar que no fim das contas a gente ouve mesmo é a voz que mais importa. E não é a do melhor amigo, da sua mãe, ou da analista, mas sim a do coração.
Terça-feira, Maio 06, 2008
Papo aranha
Me cumprimente, me dê oi, me chame de cumpadre. Se preferir, não faça nada disso, apenas me ignore. Mas companheiro, não venha me contar do seu cachorro, da sua vida, do caso Isabela, no vestiário da academia.
Não, não sou antipático. Juro que não. Só acho estranho, pra não dizer outra coisa, gente que cola em você com papo-aranha como se fosse melhor amigo de infância, sendo que você apenas disse bom-dia.
Também não, não sou um poço de normalidade. Mas gente sem semancol pra mim, é quase patologia. Morro de medo. Afinal, uma pessoa que não tem medo de soar ridícula vai ter medo do quê? Da falta de alimento no mundo?
Agora (suspiro de tensão), pior é a pessoa fora de prumo que chega junto de você na balada. Aquela pessoa errada.com.br. E você pensa, porra, será que ela acha que tem chance, enquanto tenta em vão arrumar uma desculpa pra fugir dali.
Resumindo, não seja um mala. Papo-aranha, nem pra amigo, quiça pra quem acabou de conhecer. Existe muita gente que não quer fazer um milhão de amigos pra bem mais forte poder cantar, e não porque é metida, mas porque não consegue dar conta dos amigos que já tem. Simples assim.
Segunda-feira, Maio 05, 2008
Casório
Jardim Europa. Nove e meia de uma noite fria. De fraque, você fuma na porta da igreja e obrserva os convidados. Mulheres de todos os tipos e gostos (alguns bem duvidosos) chegam amaldiçoando o frio, em meio a muitos chales.
Atenção padrinhos, vai começar. A igrejinha lota rápido. Na sacristia, a mulherada ovula de excitação. A amiga chega, lê a palavra “vinho” no armário e pergunta: vai um drink pra relaxar? Descuidada, não vê o padre logo atrás.
A música começa. Uma tia gordinha grita: silêncio, silêncio! Ele não é bravo mas eu sou, diz, se referindo ao da batina. Todos seguem pro altar. Começam cantos gregorianos. Alguém sem visão pergunta se é playback. Não era.
Uma corneta anuncia a chegada da noiva. A porta da igreja se abre, todos levantam. Ela entra impávida & radiante. Mirei num ponto e fui, confessou depois. O casamento dá início. E termina sem dramas, como tem que ser.
Na festa, a animação é regada a muita bebida. Logo, todos afrouxam as gravatas. Em duas horas a noite contabiliza três tombos. Você faz a sua parte e zera as possibilidades do barman em matéria de caipirinha. Repete a última, diz.
Na saída, apreensão: eu dirijo, não, eu dirijo! A paquera finge sobriedade. Você cata uns dez bem casados, limite do que cabe no bolso. Um último brinde aos noivos. Fim da festa pra você, toda uma vida para eles. Tim, tim.