Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008
La vida loca
Existem coisas que estão além do nosso controle. Viver em paz numa cidade como São Paulo é uma delas. Tem o trânsito caótico, tem o risco constante de assaltos, tem o barulho da metrópole que não pára, tem os gritos estressados no trabalho. Enfim, tem coisa de sobra prum livro todo, que dirá prum post.
E tem aqueles que são mais perceptíveis a tudo isso, e aqueles que não. Entre os que sofrem existe a tribo dos recém chegados, que estranham a tal poesia concreta das esquinas. Tipo o amigo carioca olhando, do décimo oitavo andar, aquele mar de luzes. Água com açúcar?
Existem outros que sabem fazer disso combustível. Que vivem da velocidade, da quantidade (e porque não qualidade?) da demanda e do consumo desvairado da oferta. Estas sabem tirar colorido do cinza e resultado do caos.
O que não pode ser remediado, remediado está. Tem que viver, tem que sair, tem que chegar. Atrasado e um pouco tonto, mas o importante é que se chega. E cada um, em sua enorme pequenez, sabe bem o que fazer pra tornar a vida mais... ou melhor, menos louca.
Mas não se engane. Tal estratégia não deixa de ser um mecanismo, que a gente precisa estar sempre de olho pra funcionar bem. E com manutenções constantes.
Eventualmente um ou outro problema aparece mas a gente, que tem anos de praia (ops, asfalto) logo põe as coisas no trilho. E tudo volta ao normal, nesta sinfonia urbana que parece não ter fim.
Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008
Greenpeace
Parque do Ibirapuera. São Paulo. Dois jovens sarados se alongam numa barra. Um grupo de amigas de cabelo liso e barriga nem tanto passeia. Um casal brinca com seu labrador. Em comum, além da roupa de grife esportiva, o fato de pertencerem a uma categoria privilegiada, que os permite freqüentar o parque em plena sexta-feira útil.
Assim como as praias do Rio, o parque de São Paulo tem suas tribos e delimitações. As comparações, no entanto, param aí. Todo o despojamento e democracia de uma praia passa longe do Ibirapuera, que não privilegia os de baixo poder aquisitivo e moram longe da zona sul.
Próximo aos casarões de um bairro AAA, a Praça do Porquinho reúne a galera jovem, bonita e a fim de paquera. Os gays estilo health & fitness também batem ponto ali. Logo a frente é domínio das quadras poliesportivas e de seus freqüentadores, tribos fechadíssimas regidas pelo esporte.
Estudantes em turmas costumam se reunir do outro lado, próximo ao prédio da Bienal e do MAM, cuja marquise é point das tribos do skate, bike, patins inline e afins. Também ali se estruturam os grupos de cooper, cada vez mais comuns, e que carregam junto toda uma infra-estrutura para os treinos.
Elitista ou não, é certo que o parque tem a cara de São Paulo. Quem é de fora vale a visita, quem é daqui vale a freqüência. Afinal, numa cidade cuja paleta de cores varia do cinza claro ao escuro, meia hora de verde é o suficiente pra quebrar a rotina.
Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008
Mad pride
Sabe a moda de celebridade se internar em rehab? Datou! Clinicas psiquiátricas são o novo preto. E o suprasumo do trash-glamour é sair numa foto de paparazzo, fazendo aquela cara “como é duro ser famoso”.
Em Hollywood, assessor que é assessor entendeu o fundamento e já tem celebridade sijigando! Britney já fez e saiu com direito a cobertura na TV. Kirsten Dunst também foi, com direito a release pra imprensa.
Você pode até dizer que clinicas deste tipo são praticamente a mesma coisa. Mas pra mídia uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Vai você dizer que não é? Nem eu!
E acha que parou por aí? Berenice, Segura! Pois saiba que existe até movimento pelos direitos da pessoa ser meio loka, chamado Mad Pride, que rolou recentemente em Londres.
Tempos modernos, diria Lulu. Afinal, essa coisa de gente pinel vazando pelo ladrão é recente. E diz que só tende a aumentar. Mas atire o primeiro Prozac quem não tem seus dias de maluco beleza. Eu até que atiraria uma cartelinha... Mas a minha já acabou!
Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008
Boomerangue
Sirena. Maresias. Na porta com alguns convivas, você espera pro birthday de um badalado promoter da capital. O host chega, cara de nada, passa todos os seus amigos menos um, que ele fulmina com um olhar.
Infelizmente as pulseirinhas acabaram diz ele, balançando uma na mão. Você, sem entender nada olha pro amigo que confidencia o babado: já esperava por isso, é que peguei o namorado dele numa festa!
Pois é, fazer o perigueti num mundo globalizado tem dessas. Você apronta num canto e tem seu castigo no outro. Aquela menina que você esnobou, aquele cara que você brigou, aquele conhecido que você espalhou que tem o negócio pequeno?
Quando você menos esperar pode estar na sua frente, numa reunião ou de mãozinha dada com o seu amigo. Sabe qual o segredo pra sair desta saia justa sem nenhuma das partes sair ferida? Não tem querido, infelizmente não tem.
Mas tem moral da história: primeiro, tomar cuidado com nossas atitudes, pois como diria o Justin, what goes around, comes around. Segundo, que a gente pode até ter inimigos na vida, não na noite. Atente!
E pra quem possa interessar, claro que o meu amigo entrou na festa alguns minutos depois. Até porque ele pode ser perigueti e um tanto despudorado, mas se fosse qualquer um, não seria meu amigo.
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Síndrome de Tássia
O amigo bombou no verão e o ego inflou junto? O chefe tá falando na terceira pessoa? A colega gamou no espelho? Cuidado, eles podem estar sofrendo da Síndrome de Tássia, um tique que dá em gente que deu um upgrade na vida e agora “tassiachando” a última cereja do bolo. A síndrome é inofensiva mas que enche o saco, enche. Aprenda a identificá-la.
. Rebolativismo: não me pergunte porque, mas todo mundo que passa a “tassiachando” começa a rebolar. Imagino que na cabeça dela, isso significa andar mais segura. Já pro resto da humanidade é fazer a globeleza. Mi-co!
. Eu, eu e eu: quem sofre de SDT acha que só tem ela no mundo. E não importa se seu namorado roubou seu conversível e ainda levou seu cachorro. Este é um assunto bobo perto do novo corte de cabelo dela.
. Espelho-mania: não sente perto de espelhos caso queira ter um diálogo com alguém com SDT. Ela se ama num naipe que precisa constatar de cinco em cinco minutos que tudo continua ali, no mesmo lugar. Boooring.
. Carão: de uma hora pra outra, a pessoa passa a não cumprimentar os outros. Mesmo aquela pessoa acompanhada de você. Agora, se ela resolver também parar de cumprimentar você, vale um cola-brinco na orelha.
. Acabar sozinha: quem se acha demais exala pretensão pelos poros afastando qualquer um com um mínimo de clareza. Você pode ser elegante e não rir quando ela voltar pra casa sem comer ninguém. Ou pode fazer que nem eu e tirar muito sarro, na esperança de salvar esta criatura do ridículo.
Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
O fodão-merda
Na primeira semana em numa big agency da capital, fui apresentar uma peça que não agradou o cara da conta, que deu um piti digno da Naomi. Tempos depois vi ele fazer o mesmo com outras pessoas, confirmando minha suspeita: o cara era um fodão-merda.
Hoje é praticamente impossível viver numa cidade grande sem topar com um fodão-merda, um tipo que sabe que tem qualidades inferiores e abaixo da média (um merda), e rebaixa os outros pra parecer superior (fodão).
O mercado de trabalho é um meio propício pra esse tipo de gente. Mas pro psicanalista Francisco Daudt (Revista da Folha), um jovem humilhado em casa que chega na turma e faz isso com os colegas, sofre do mesmo mal. Que aliás, ele chama de doença.
Lidar com gente assim não é mole. Você pode fazer o tipo adolescente americano e metralhar o cara (e meia agência junto, o que eu não indico). Ou usar a cabecinha e ganhar o cara em seu ponto nevrálgico: o ego.
Pois um fodão-merda pode até resistir aquela sua idéia sensacional, ou a te dar um aumento, ou a dividir os créditos de um trabalho bem sucedido... Mas nenhum deles resiste a uma bajulação. Só não use isso pra fazer ele te pegar cafezinho, que ele pode perceber.
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008
De lua
Me assusto com a inconstância do ser humano. E quando digo isso não pense que falo do vizinho da porta da frente. Falo da gente. De mim, de você. Ou vai dizer que você não é uma metamorfose ambulante?
E que têm épocas que está radiante sem motivo nenhum? Do tipo que acorda cantando um hit cafona? E que em outras, pronto, acorda um lixo, o supra-sumo da derrota? Obviamente, sem motivo nenhum também.
Quando era mirim, achava que isso era coisa de mulher. Hormônios, humor e coisa e tal. Mas depois que a gente cresce e tem que lidar com a vida, realiza que fazer o bom moço full time pira o cabeção até do Rambo.
Daí ficamos nesta inconstância. E como tem coisas que nem Freud explica, mas outras que ele explica sim, a gente se pega pensando seriamente numa análise. Será que sim, será que não? Será que será que será?
Mas eis que um dia você acorda e resolve dar um basta na palhaçada. E ao invés de ficar pra lá e pra cá, pra cima e pra baixo, decide manter a cabeça no lugar (de preferência num bom café wi-fi) e esperar esta onda passar.
Porque sim, ela passa. Às vezes mais rápido do que você imagina. E quando voltar a rotina e deixar estes dias escuros pra trás, vai sentir como se nunca tivessem existido. Pois a vantagem da ser de lua é também ter nossos momentos de iluminar.
Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
No tom
Minha turma gosta de falar. Prova disso são os tradicionais happy hour do Ritz, onda a palavra é quase tão abundante quanto o vinho. No entanto, a gente fala muito mas pouco que preste. Gosto assim!
Falar bem é um dom. Uma pessoa articulada ganha uma mesa em cinco minutos. E leva a paquera que você tava investindo a noite toda, em menos de quinze. Vai dizer que você nunca caiu na lábia de um bom de papo?
E assim como os que falam bem, tem os que falam mal. São aqueles que só dizem besteira ou, pior, não sabem o momento certo de falar. E dividir um papo com alguém inconveniente é tipo segurar o xixi. Tenso!
Ainda na categoria dos que falam mal, tem os que falam um tom acima do resto da humanidade. Do tipo estridente. Neste quesito a mulherada é imbatível (imagina com duas doses na cabeça?). Mesa de bar só de mulher é tipo stereo.
Neste universo ainda temos o todo-sedução, aquela pessoa que fala sussurrando, seduzindo até parede. O talk-show, que fala sem parar e monopoliza as atenções. O mudinho, que entre um cigarro e um drink, prefere mesmo é não falar nada. Este sim, um verdadeiro sábio!
Eu admiro muito quem sabe falar. Posso ficar horas ouvindo alguém que se expressa bem. Ainda mais se ela tiver um rostinho lindo e... Deixa pra lá que já to falando demais!
Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008
Tantas emoções
Coisas simples emocionam. Ou melhor, coisas simples me emocionam. E quando digo simples, são simples mesmo. Às vezes uma palavra, uma imagem, um momento, um gesto sincero... Este último cada dia mais raro.
Mas não pense que saio a chorar por aí. Apesar do coração sensível (ele juuura!) choro apenas em duas ocasiões: perda de membro da família, ou do corpo. Brincadeira. E cá pra nós, emocionar não precisa ter choro.
Claro que emoções condicionadas têm seu valor. Um bom filme, um bom livro, uma bela música. Quem não se emocionou vendo Os Amantes do Circulo Polar, lendo Meu Pé de Laranja Lima, ou ouvindo Milene Farmer ao vivo, que atire o primeiro lençinho de papel.
Só que estes produtos não tem o poder e a beleza de uma emoção de sopetão. Que pega a gente desprevenido. E nesta categoria, existem as emoções tristes e as alegres. Das tristes me poupe. Não quero nem pensar. Agora, que delícia que é uma emoção alegre. De corar o rosto, sabe?
Agora pensando, realizei que nunca chorei de alegria. Gostaria muito de não morrer sem este prazer. Aliás, lembrei porque escrevi este post. Vi uma frase linda que falava da morte de uma forma belíssima: a morte é um momento e não deve roubar a vida mais do que isso, um momento. E me emocionei.
Cheiro
Neste começo de ano tive umas andanças perfumáticas e fiquei por dentro de dicas bacanas. Claro que quem entende do assunto vai achar bobo, mas eu que sou mirim achei tudo providencial. Vamos a isso:
Comprar perfume só pela marca é crime inafiançável. Mesmo com o comercial mais cool do mundo. Perfume pede experimentação e compatibilidade. Até porque, tem perfume que na pele muda de cheiro.
Sobre esfregar um pulso no outro, diz que é ruim pois esmaga as notas e altera o odor. Se você é menino, o segredo é uma borrifada no peito, uma área que não sua e libera o cheiro aos poucos. Já espirrar uma nuvem e passar no meio ainda é hors concours entre as meninas.
Perfumes (bons) não são nada baratos, portanto, compre onde você tem o melhor atendimento. Se for pra gastar, atente aos brindes pra clientes premium (eu ganhei uma bag Calvin Klein linda). Se acontecer de confundir os cheiros, um potinho de café que zera o olfato. Pretty cool.
Vale lembrar que perfume tem que ser na medida. Até o melhor deles enjoa quando demais. A melhor dica que ouvi foi a de que o abraço forte de um homem perfumado é poder.
Agora que você é grandinho, está mais que na hora de você começar a usar direito. O perfume, claro, e o poder!
[ps: uma seleção de AD’s pra inspirar: Gucci, Jean Paul Gaultier, Channel]
Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008
Antítese
O contraste entre idéias opostas muitas vezes serve pra reforçar o que a gente não quer e nem pretende abraçar pra nossa vida. Por isso é tão normal olhar o que nos causa estranheza da mesma forma como o que nos causa simpatia.
Daí que diariamente vemos centenas de pessoas que definitivamente não queremos servir de comparação nem pra antítese. Começando pela imagem (a pessoa por fora) terminando no jeito dela ser (por dentro).
No primeiro time, impossível não citar uma figura que vejo na academia e que consegue reunir no mesmo planeta, moicano, sapatilha, néon, munhequeira, ipod wireless, alargador, arrebatado por um rostinho rubber johnny (google). Gente que em sua cafonice imprime mais pretensão que inocência.
Do segundo, entram as pessoas que me causam um estranho misto de admiração e mal estar. Gente que chegou onde quis atropelando sem dó todo mundo que passou pela frente. Admito, admiro! Mas jamais faria igual.
Prestar atenção nos outros (tanto nos defeitos quanto qualidades) é um bom exercício de espelho pra gente avaliar os nossos atos. Não que isso vá fazer da gente pessoas melhores. Mas, quem sabe, pode nos ajudar a ser menos piores.