Segunda-feira, Janeiro 28, 2008
Coca ou Fanta?
Já diria o ditado que quem muito desdém quer comprar. Nesta categoria entra o homem piroca, assim conhecido porque esteja bebendo com amigos, no trabalho, num almoço de família, está sempre falando de... Piroca.
Então você pergunta, seria o homem piroca gay? Mesmo sendo este outro assunto recorrente na vida deste ser, o homem piroca tem pavor de gays e afins. Que, em sua opinião, servem apenas para apanhar.
Diferenciar um homem piroca de um simples fanfarrão é simples. Geralmente o primeiro também é misógino (joga no google). O que pode ser identificado em sua forma peculiar de elogiar as mulheres, tipo cachorra, puta, vadia, etc.
Este fenômeno antropológico, comum no Rio e crescente em São Paulo, é dividido entre os pacíficos, que falam, falam e nunca comem ninguém. E os agressivos, que também não comem ninguém e brigam para aliviar a tensão.
Nem precisa ser Freud pra adivinhar que um cara desses teve ou tem algum babado patológico. Podendo ser leve ou de maior grau. E que, claro, isso influenciou sua maneira de lidar com a sua sexualidade e a alheia.
Espera se que um dia todo homem destes (que geralmente é apenas um adultescente), encontre uma mulher para com ela ver e amar o próximo. Ou, quem sabe, um homem para com ele ver e amar a si mesmo.
[ps: pra você que estranhou o subject, é que trabalho bem em frente dum tipo desses]
Quinta-feira, Janeiro 24, 2008
Notívagos
O Ferreira Gullar na Folha de domingo lembrou do primeiro dia viu a noite. Já tinha visto outras vezes mas, segundo ele, na vida só conta o que nos espanta.
Minha primeira olhada na noite em São Paulo foi com a turma da faculdade, num karaokê no Bexiga, onde hoje funciona um hotel de quinta categoria. Neste dia realizei que tinha nascido pra coisa.
Ganhar intimidade com os segredos da noite na capital requer dedicação. Onde sacar dinheiro? Onde comprar um perfume altas horas? Saber que o Pão de Açúcar só vende cerveja gelada até as dez? Coisa de notívago.
Mas como toda relação extremada, tem hora que você precisa de um tempo. E o único espanto da noite acontece no DVD de suspense, no seu sofá, muito bem acompanhado de uma taça de vinho e um beckembauer.
E como nestas horas uma companhia pode vir a calhar, a dica é acionar a lista de peguétes de plantão. Se não funcionar, quem sabe abrir uma exceção e ir à caça. Afinal a noite pode estar morna mas, neste quesito, dificilmente deixa a gente na mão.
Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
Tarimba
Então lá está você fazendo amizade, quando alguém pergunta sua idade. Como você não é a Gloria Maria, revela de boa. Caipirinha na mão e cigarro na outra, pra criar o clima. Pensei que era mais novo, diz o interlocutor.
Avaliemos o comentário acima. Este mix de elogio e gongação, nada tem a ver com seu anti-rugas. Mas sim, com o que a gente chama de pinta de tarimba. Explico: tarimba é quando você olha no espelho e apesar da cara de garoto juvenil, admite que é rodado.
Pra isso, tempo e a idade ajudam. Mas há controvérsias. Conheci neguinho que antes da maioridade, já dava nó em pingo d’água. Não falo mais porque certas coisas dão cadeia no Brasil. Quando se tem tarimba, mais importante do que saber quando usar, é saber quando não usar.
Colegas da firma, almoços de família, rodinha de gente vestindo tom pastel, são exemplos onde sua tarimba só servirá para chocar e entregar sua idade. Sexo a três, desprezo por gente obtusa e dissertação das canções do Chico, são outros exemplos do que se deve ser categoricamente evitados.
Desta forma, você deixa a sua carinha de menino enganar quem merece e guarda sua tarimba pra quem realmente importa. No caso, aquela paquera de olhos azuis, que insiste em não cair na sua rede.
Segunda-feira, Janeiro 21, 2008
Portar
Outro dia, olhando o banco traseiro do carro, realizei na quantidade de tranqueira que a gente leva pra cima e pra baixo. Geralmente são coisas tipo iPod, que a gente não consegue viver sem.
No quesito quantidade a mulherada é imbatível. Porque usam a bolsa pra jogar tudo dentro. Aliás e essa moda de bolsa gigante? Vi no Spot uma bolsa que media um terço da dona, que por sua vez, batia na minha cintura.
E pensei, pra que se jogar numa tendência e ficar com fama de exótica? E nem adiantou ela dizer que não liga pro que os outros pensam, pois só ia colar se ela fosse a Fernanda Montenegro.
Mas carregar a vida pra cima e pra baixo não é só privilégio das garotas. Numa cidade caótica e exigente como São Paulo, os meninos têm sua cota de tranqueiras de sobrevivência. Talvez seja este o motivo de geral desfilar de mochilinha por aí.
Neste final de semana, por exemplo, diversos garotos ostentavam suas mochilas no hall de um teatro da capital. Então pergunto: mochila numa estréia? Cafona! Mas como gosto é tipo cu e cada um tem o seu, prometo não falar de você, caso te veja com a sua por aí. Já as outras pessoas...
Quinta-feira, Janeiro 17, 2008
Recuperação
Não entendo porque diabos a gente, que é rodado, de vez em quando faz o mirim. Afinal, quem sabe das coisas e pressente que vai se acabar no pacote birita, praia e noite mal dormida, começa a se preparar de antemão, né?
Reveillon, Carnaval, Férias em Ibiza. Tem roteiro que deixa a gente cansado só de falar. E pra encarar tudo isso e segurar no sorriso, não adianta encher a nécessaire só com creminho da BodyShop. Tem que apelar pra medicina.
E dá-lhe Vitamina-C, Centrum, Aspirina, Engove e outras coisinhas de gente adulta. Claro, tem vezes que a vida fica corrida e quando a gente vê, pronto, está no meio do fervo com uma cerveja na mão e um peguéte na outra.
Mas aí, Inês é morta e não adianta sofrer. Até porque, você vai sofrer mesmo é na volta, com a saúde detonada e uma gripe poderosa de souvenir. E seu criado-mudo vai parecer uma UTI móvel.
A boa notícia é que uma hora isso passa. A minha gripe, por exemplo, já foi. Confesso que tive que bater um papo sério com ela, que pegou sentimento na minha pessoa. Não a culpo. Mas o importante é que já foi.
E numa próxima, já sabe. Ao menor sinal de farra, se joga no coquetel de vitaminas. Até porque, tem pessoas que ficam uma ou outra noite sem dormir. E tem pessoas que ficam todas. E ninguém melhor que a gente pra saber qual é o nosso grupo.
Terça-feira, Janeiro 15, 2008
Observadores
Qual a primeira coisa que você, que quer se dar bem, deve fazer ao chegar numa balada? Se respondeu pegar um drink, errou. Esta deve ser a segunda! A primeira é passar o scanner. Que consiste naquela olhada geral que a gente da, a fim de entender o ambiente.
Tem gente que passa o scanner numa jogada de cabelo. Pá, pum e foi! Outros precisam de uns minutos. Encostam num canto, observam com cuidado. E têm aqueles que não dão a menor importância. Mas estes você não vai notar na festa, então vamos pular.
Eu sou do tipo que não gravo fisionomia. E nem lembro de nome. Mas se chego num lugar, antes da primeira Stella Artois sei dizer onde fica a galera mais animada. Os amigos do dono. A turma mais bonita. E até a saída de emergência.
Com um pouco mais de tempo da pra sacar que são as periguetes, a galerinha vip, os playboys bêbados que só arrumam confusão e, claro, a galera da paquera. Esta sim com o mesmo objetivo que o seu, pontuar!
Claro que pra ser um bom observador e ainda se dar bem, cabe uma certa cara de pau. Assim, quando você voltar do bar tendo faturado o cara mais gato da noite, pode dizer que tudo não passou de mera coincidência.
Quinta-feira, Janeiro 10, 2008
Novo
Fim de ano é aquilo. A gente se joga e quando volta, constata que tudo está como antes. A casa uma zona, as contas chegando e o marido gringo, que você jurava que ia laçar em Jurerê, voltou sem te pagar nem uma caipirinha.
Fazer o quê? Acontece! No caso, há alguns anos (brincadeira). Mas o importante é que o ano virou. E mesmo a gente sabendo que não passa de uma data, a palavra “novo” sempre enche a gente de um sentimento bom.
Um jeito novo de ver as coisas, de fazer as coisas. Como se cuidar mais, aproveitar melhor o dinheiro, dar importância as amizades (as que valem), preservar um tempinho maior pra família, que é complicada mas é coisa nossa.
E amar. Sim, porque os casos vão vir e a gente, que não é de nadar na beirada, vai cair de cabeça. E se tudo der certo a gente vai viver fortes emoções, vai trepar de primeira, vai cantar sozinho e dividir uma peruana na lua cheia (suspiro).
E também vai chorar e sofrer, de preferência bem pouquinho, porque a vida sem um drama básico não tem a menor graça. Se tudo isso vai acontecer? Claro que vai. Porque virou o ano e tudo vai ser diferente... E deliciosamente igual!
[img: crop em foto p&b de hedislimen.com]
Segunda-feira, Janeiro 07, 2008
Tragicomédia de verão carioca
Coqueirão, Rio de Janeiro. Estirado na canga king size, uma Danzed & Confused, quatro iPods, cinco Marlboros, uma dezena de corpos bronzeados, menos um, o seu. As conversas se cruzam em mini-rodas e os assuntos são variados. Papos cabeças, papos non-sense, papos futilidade.
Logo, você realiza que independente do assunto o importante é sorrir. Num lugar cuja meta é ver e ser visto, e todos os corpos são padronizados, esbanjar felicidade virou termômetro informal para definir rodinhas mais hypes. Nem que ele (o sorriso) venha as custas dum cigarrinho proibido.
Neste verão, roda hype que se preze teve até príncipe (que tava mais pra princesa). Mas o que fazer quando você, que só queria pegar uma cor, foi parar numa destas? O primeiro passo pra não te darem as costas (sim, eles fazem isso) já foi dito. Sorrir até mesmo se roubarem sua havaianas (sim, eles também fazem isso).
O segundo, mostre interesse pelo meio artístico. Em Ipanema é natural cruzar atores e atrizes globais na roda. Claro, você pode achar que fazer globo não é arte, paciência. Mas Ipanema também não é Saint Tropez! Por isso, comente sobre o *cof* trabalho da pessoa com naturalidade e algum ar blasé.
Por fim, seja amigo de todos, elogie, seja fútil e hedonista. Desperte o ator que há em você. Se até o Dalton Vigh pode, você também pode. Mas fique atento, pois assim como a máscara mais bonita pode esconder a criatura mais desprezível, outras máscaras escondem verdadeiras surpresas.
A diferença está entre aqueles que vivem eternamente num baile a fantasia do Copa, daqueles que ousam revelar o outro para finalmente serem revelados, em mais esta tragicomédia de um fim de tarde de verão carioca.
[img: fim de tarde em Ipanema / arquivo pessoal]