Quarta-feira, Novembro 28, 2007
Altos e baixos
Existe uma fase na vida onde tudo é meio termo. Neurose? Provavelmente. Mas vai dizer que seus amigos não estão todos “meio” carecas? Nem tão sem cabelo, tampouco com ele sobrando?
E você por exemplo? Não é pobre, mas também não é rico. Não é velho, mas não é jovenzinho. Não é traste, mas tá longe de ser homem modelo. Aliás, essa é mais lenda que os seis dedos da Cicarelli.
Claro que existem meio termos de diferentes escalas. Estar meio termo ascendente é diferente do que estar que meio termo descendente. E como saber quando é um quando é outro? Simples.
Se você está no Spot, tomando um bom drink e nem aí pra hora do Brasil, meio termo ascendente. Está em casa, matando um pote de sorvete e chorando com a Oprah? Meio-termo descendente. E sai dessa já!!!
Brincadeiras a parte, acredito que a gente vive num eterno meio termo. Afinal, não há ninguém no mundo que saiba tudo, entenda tudo e já tenha vivido tudo. Estamos sempre em busca do algo a mais.
Independente dos altos e baixos, cabe a máxima do Woody (o Allen), que diz que as pessoas mais bacanas que ele conheceu estavam subindo ou descendo, pois as que tinham chegado lá, eram insuportavelmente desinteressantes.
[img: crop em foto p&b em hedislimane.com]
Sexta-feira, Novembro 23, 2007
Praticidade
A vida é bela! Que bom. Mas e quando ela não é? Nestas horas, cabe as palavras de minha guru Danuza Leão. Pra ela, os momentos difíceis servem pra gente ser prático e esperar a dor passar.
A grana que não está sobrando. A família que está desmoronando. O namoro que foi pras picas. Aquele trabalho que você tanto queria e não pegou. Quem nunca passou por isso que atire o primeira cartela de Rivotril..
Nestas horas, tudo o que você “não precisa” é se preocupar com que os outros estão pensando. Esqueça o mundo lá fora, esqueça a família, esqueça o ex (mas lembre de espalhar que ele tem pau pequeno).
É pra se trancar em casa e ficar quieto. Só não me venha com auto-piedade. Dá ruga e saiu de moda no fim dos 90’s. Recesso é pra fazer dieta, ginástica, cuidar da pele, ler, assistir Win Wenders. Enfim, capitalizar!
Porque quando esta fase acabar (sim, ela acaba) você estará uma pluma. E terá tranqüilidade pra decidir se cola os caquinhos ou se joga tudo no lixo, põe um bom óculos-escuros e vai pagar de gatinho na única estrada que te cabe: a da felicidade.
[img: crop em foto p&b de hedislimane.com]
Quinta-feira, Novembro 22, 2007
A barata da morte
Se tem algo que acho triste no transito, são as baratas da morte. Não, não é nenhum novo inseto mutante que come gente no metrô, mas os carrinhos populares que correm desembestados por aí.
E lá está você indo pra casa numa boa, Andrew Bird no som, quando cola um Ká nervoso te dando luz alta. Você, obviamente ignora e ele passa rasgando o motor um ponto zero, naquele barulho que só um popular pode fazer.
Tudo bem que você é piloto. Tudo bem que você é dirige moooito. Mas guri, de que adianta pagar de Velozes e Furiosos, pra quando parar no sinal com sua carinha sexy, estar dentro dum Ká?
Veja bem, nada contra Ká, Uno, Fusca. Aliás, já fui de Celta pra Trancoso e foi uma das melhores viagens da minha vida. Mas se for pra pagar de garanhão do asfalto, se você não tem uma Hi-Lux, te manca!
E se você tem, pare de descontar a frustração de ter uma vida chata (pra não dizer medíocre), um déficit de dote (pra não dizer pau pequeno), jogue uma água na cara e vá se divertir de uma forma mais saudável.
Quem sabe assim você termina a balada numa cama macia e um colo quentinho, ao invés duma cama de hospital, no colo duma moça de capa preta, cara de caveira e com uma foice na mão. Fica o toque.
[img: crop em foto p&b de hedislimane.com]
Segunda-feira, Novembro 19, 2007
Body pump
A palavra academia e bom gosto nunca andaram juntas. Mas de um tempo pra cá tenho a impressão de que o povo anda exagerando nos modismos.
Homen eletromídia: já viu? é o ultimo grito (de terror, no caso). A pessoa anda com o iPod video ligado na cintura. E você é obrigado a fingir naturalidade vendo a Beyoncé dançando atolada no pneuzinho da criatura.
Maquiagem dramática: pra mim, cosmético de academia é desodorante! Chegar com a cara trabalhada no rouge e na sombra imprime brega. Te dou um toque? Investe mais nos exercícios e menos na Mac.
Fazer amizade: Por um lado acho melhor que ficar em casa deprê. Mas ir pra academia pra fazer amizade? Combinando programas coletivos? Não sei, não sei…
Tiara: Homem de tiara é passar recibo de cafona. Sempre que vejo, imagino o mesmo tipo que segura a bolsa de mulher na badala. Péssimo! Só perde pro shortinho mostra-polpa.
Roupa justa: ok, você ama seu corpo. Mas colega, roupa colada? E outra, se você tem o bilau pequeno, por todos os santos da Bahia, calça de elanca não. Depois que virar piada, não diz que não avisei.
[img: crop em foto p&b de hedislimane.com]
Quarta-feira, Novembro 14, 2007
Nike 10 K
Enquanto o dia clareia, você se pergunta porque não está dormindo. É domingo e você prepara mente e o corpo pra Nike 10 K, a corrida pra bacana que acontece simultaneamente em São Paulo e mais 4 cidades latinas.
Grupinhos de amigos, casais e muita gente jovem caminha pra largada. Muitos usam as grades pra alongar. Poucos parecem saber o que estão fazendo. Uma mulher segura o pé próximo da cabeça. Você evita olhar.
A largada é dada. Gritos e palmas. A corrida é mais festa que competição. O mais alegre parece ser o DJ. Porrrteira, leeeite queeente, um abraço pra quem é de Piracicaba (?), grita ele com sotaque, animando quem veio de longe.
A profusão de gente bonita é um algo. No cansaço, a tática era mirar numa bunda a frente e manter o passo. Volta e meia um espertinho roubava no jogo, passando pelo canteiro pra outra pista. Muitas vaias e risos. “Pede pra sair zero-doois”, gritava um Comandante Nascimento engraçadinho.
“Eigth kilometres completed”, anunciava o totem hight-tech, tudo muito organizado e moderno. Sua perna dá sinais de cansaço na última e maior subida. A chegada é outra festa. Na saída do pitt, um kit com gatorade, barrinhas de cerais, yougurte, saunduiches e medalha de participação.
Grupos caminham pro velódromo, onde se ouve o Marcelo D2. Logo, entraria Paula Lima, Negra Li e Toni Garrido. Fica pro show? Pergunta a amiga. Não, obrigado! Pra você o show já tinha acontecido e, mais legal do que ver, tinha sido participar.
[img: crop em foto p&b de hedislimane.com]
Segunda-feira, Novembro 12, 2007
Periódicos
Você pode ter diferentes companhias para diferentes tipos de lugares. Mas tem uma que é perfeita pra todos, com a vantagem de estar sempre disponível e sobretudo, te entreter. Falo das revistas importadas. E quais são elas? Segue um apanhado das mais bacanas da temporada.
Arena Homme: Incrível, com Marc Jacobs na capa (sem camiseta, pra variar). Pesadona, traz editorias absurdos e aborda a “crise de meia idade” dos ícones fashion tipo Tom Ford, Stefano Pilati e o Marc em si.
Vogue: com a Jennifer Connely gatíssima, na capa e recheio. Muitas celebridades e matérias ótimas, como a que fala do bafo que é ser casado com um chef, que li com atenção, se é que você me entende.
GQ: confesso que não sei quem é o cara da capa, Ryan Gosling (?), mas os artigos sobre style, home e cultura pop são ótimos. Uma revista que faz o tempo passar, em qualquer ponte São Paulo–NY. Tá, eu paro!
W: Linda, grande, com diagramação que valoriza fotos, imagens e referências de moda. Pra se divertir vendo as figuras, literalmente.
Dazed & Confused: uma das mais criativas e bonitas. O tema de capa é “Sex Me UP - Express Yourself Don’t Repress Yourself”. Precisa dizer mais?
Escolha a sua e anime sua semana!
[img: crop em foto p&b de hedislimane.com]
Quinta-feira, Novembro 08, 2007
Lost
Achando complicado perder a barriga? Colega, vamos combinar que complicado mesmo é quando a gente perde outra coisa. E nem me refiro a dignidade (que a gente acredita que tem) mas sim a cabeça.
Alguns perdem a cabeça por motivos (quase) justificáveis. Aquele trabalho de dias que foi arquivado. Aquelo número de telefone no bolso do jeans dele (admite que você olha). Aquela t-shirt Jil Sander que voltou manchada.
E você sente o sangue subir... e depois vazar. No caso, pela jugular do culpado. Pois é, perder a cabeça leva a atitudes impensadas. E atitudes impensadas, invariavelmente levam ao arrependimento.
Após o bafo, se você é homem vai se arrepender fumando na varanda. Se é mulher, chorando no banheiro. Se é gay, torrando o que não tem em algum shopping. E sem tirar os óculos-escuros. Minto?
Ainda não inventaram um jeito de você perder a cabeça com finess. Ou é drama ou não é. Te dou um toque? Perder a cabeça vez em quando (muito em quando) é aceitável pela sociedade.
Mas perder sempre, é um indicativo de que te falta inteligência emocional. E pra descobrirem que, além da emocional, também te faltam outros tipos de inteligência, são dois palitos!
[img: crop em foto p&b de hedislimane.com]
Terça-feira, Novembro 06, 2007
Farsa dramática
Desde pequeno foi assim. Sentia enorme atração pelos tristes. Na escola, no cursinho, na faculdade. Claro que assassinar a imagem de popular não estava nos planos. Mas fazer o que se não conseguia deixar de reparar?
E de tanto reparar, aprendeu com eles a beleza da tristeza. Tinha a gordinha triste. Sempre serena, pensativa da vida. Jamais olhava diretamente nos olhos. Um dia, escondido, perguntou seu nome. Rosa!
Escondido, também virou amigo do baixinho. Inteligentíssimo, cujo pai era dono, veja só, do melhor e mais chique restaurante da cidade. Com ele aprendeu matérias dificílimas. Matemática, física e tudo sobre humildade.
Também tinha a freak. Linda, loira, cabelos curtos. Ficava vidrado com toda aquela segurança. Passou a sentar do seu lado. E foi do seu lado que um dia acordou pra vida. Esconder de quem? Esconder pra que?
Realizou então que ninguém ria tanto assim. Ninguém era tão feliz assim. A vida não era o faz de conta do clube de tênis. E tudo bem com isso. Um dia, parou o carro e mandou a turma subir. Não a antiga, a nova. Uma dezena de caras de espanto.
Cresceu, mudou, mudou-se e nunca mais os viu. Mas com eles, aprendeu a duvidar dos felizes demais, dos caricatos. E de todos aqueles que se vestem de comédia, mas que no fundo não passam de uma farsa dramática.
[img: crop em foto p&b de hedislimane.com]