Sexta-feira, Setembro 28, 2007
Neo yuppie
Advogado, executivo, economista. Seja lá que tipo de yuppie você é, vá ao Café Suplicy e analise seus coleguinhas (yourself, por tabela) com olhar mais crítico. Você vai ver que nem sempre o que está na crista da onda serve pra se surfar.
Bluetooth: o que tem de prático e funcional, tem de feio e deselegante. Cá pra nós, você daria bola pra alguém com aquilo na orelha? E ainda por cima que pisca? Convenhamos!
Pasta carteiro: não é pra qualquer um, pronto falei! Se você é baixo, gordinho, tem quadril, a bolsa ressalta defeitos e prejudica o look. Confesso que já tentei. E mudei pras mochilas, mais jovens e práticas.
Tênis sapatilha: Muita marca fez e vendeu pencas. Mas quem capricha no pisante nem sempre capricha no detalhe, tipo a barra da calça, comprimento ou largura, revisitando o visual do pagodeiro. Atente.
Camisa slim: você não tem medo da palavra escritório e elastano na mesma frase? Que dirá no mesmo modelo. Formalidade e modernidade são quase antagonistas. Aproveitando, camisa justa e pneu, idem.
Apesar do tom, isso é uma brincadeira. Vale lembrar que só acerta quem arrisca. E quem arrisca também erra. Resumindo, melhor uma sapatilha Adidas na mão, do que dois doc side de franjnha voando.
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Quarta-feira, Setembro 26, 2007
Estúdio
Quem nunca dublou dirigindo que atire o microfone invisível. Tudo bem que nem todo mundo têm carro próprio, mas mesmo no metrô ou ônibus, muita gente volta com o mp3 bombando e fica ali, mudo, segurando o refrão pra não parecer ridículo.
E cá pra nós, não tem nada mais ridículo que cantarolar em inglês sofrível em público. Ou melhor, ter tem, mas não vem ao caso. Já dentro do carro, protegidos em nossa intimidade, tudo pode. E cada um tem seu jeito próprio de encarnar o ídolo.
Tem o dublador discreto, que canta baixinho preocupado com quem tá olhando. Tem a dubladora nervosa, que aumenta o som e bate o cabelo, nem thum pra hora do Brasil. Tem também o rico-muito-rico, que canta na pickup de vidro fumê blindado, mas canta que eu sei!
Ainda tem o dublador aparecido, que faz questão cantar com os vidros abertos. O performer, que além de cantar imita os gestos (vergonha empática) e os carros repúblicas, recheados de adolescentes cantando em coro no começo da night.
Apesar do mico, todo mundo deveria cantar mais no trânsito. Primeiro que diverte (quem vê) e distrai (quem faz). Segundo que quem canta os males espanta. No caso, o estresse, a vontade de xingar motoboy e de matar velinhas barbeiras. E num trânsito caótico como o de São Paulo, isso já é uma bênção!
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Segunda-feira, Setembro 24, 2007
Cevada
Daí que você gosta de beber. Não chega a ser uma Heleninha (a Roitman), mas gosta. É fã de happy-hour avulsos durante a semana, onde chega cedo pra fofocar e encher a cara e volta a tempo de se recuperar pro dia seguinte.
Daí que adora cerveja. Bem certo que não dispensa um espumante, uma caipirinha, ou um vinho tinto levemente gelado. Mas imaginando um open bar é quase instantâneo pedir uma geladinha, que é coisa nossa, antes de sair sassaricando pelo ambiente.
Mas eis que algo tirou seu sossego etílico. Nada a ver com o glamour zero de um copo americano transbordando. Mas o fato do verão estar cada vez mais próximo e a barriguinha longe do ideal de consumo das praias brasileiras.
Foi quando te contaram o drama, asim como suco de laranja a cerveja tem um alto grau de calorias. A diferença é que não se toma mais de um ou dois copos de suco de laranja, mesmo numa noite quente. Já de cerveja, melhor nem parar pra contar.
Mas como o que não pode ser remediado, remediado está, você resolveu encerrar ali uma relação de anos. Pra ser mais atual, você e ela estão meio que “dando um tempo”. Não sem antes, claro, matar cinco latas derradeiras na companhia dum bom DVD.
E hoje, pensando no futuro, você vê uma ou outra taça de vinho, uma ou outra caipiroska com adoçante. Mas a cervejinha mesmo, vai ter que esperar. No caso, o dia que você parar de usar a palavra barriguinha, pra dizer abdômen.
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Quarta-feira, Setembro 19, 2007
Happy hour
Numa cidade corrida como São Paulo a hora do almoço se reinventa como um momento coringa. Tempo é dinheiro, gritam os caciques espremendo cada vez mais a vida outdoor dos cara-pálidas. Se entra cada vez mais cedo e sai cada vez mais tarde, com folga só pra dormir e olhe lá!
Num cenário assim, natural que a hora do almoço seja supervalorizada. Então chega meio-dia e lá vai você, contorcionista do tempo fazer e acontecer em duas horas. Banco, shopping, compromissos, acertos, desacertos. Coisas ordinárias do horário comercial.
Almoçar? Que coisa tão ontem. O momento não pode e nem deve ser desperdiçado com uma bobagem dessas. Logo, lembra da academia que não vai há dias. Decide ir. Dirige, chega, troca, malha, corre, paga de gato, toma banho, dirige de volta. Fome? Um bom nutry!
E aquele presente que você precisa comprar, a calça que quer acertar, o cinto que tem que consertar? Que horário para fazer isso se não a hora do almoço? Então sobe e desce escadas rolantes, passando longe da famigerada praça de alimentação.
Eis que um dia você encasqueta e, veja só, quer comer de verdade. Ouviu dizer que poder, pode, contando que seja numa reunião. De negócios, de briefing, de amigos, tudo tá valendo. O importante é adicionar algo a mais do que uma Ceasar Salad.
Quando finalmente voltar pra senzala, vai estar trabalhado na fome e na distimia. Mas nem vai ligar pra isso, afinal, entre um e outro grito do cacique, vai estar pensando no que não deu tempo de resolver. E que, claro, já agendou para o almoço do dia seguinte.
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Domingo, Setembro 16, 2007
Broadway
São nove da noite dum sábado quente. Você, recém saído do trabalho dá uma conferida no look, guiando para uma famosa casa de shows. É um chão, hein? comenta o amigo carioca, recém chegado na cidade. Na porta, o show de famosos e flashes dá um teaser do que se espera do espetáculo, no caso, a estréia de Os Produtores.
Drama pra entrar por conta da turma do Pânico e dos fotógrafos. Na fila do drink o amigo comenta da moça ao lado, Ana Cláudia, né? Marcele Bitar, corrige você. No caminho das mesas, Fernando Torquato cumprimenta Marco Antônio de Biaggi, enquanto você desvia de Amir Slama e mulher. Rola o primeiro toque.
Caco Ciocler passa sozinho. Que piccolo, comenta a partner de mesa. Logo depois, uma enxurrada de atores B, alguns do Zorra Total. Antes do segundo toque chegam Justus e Ticiane. Um grupo para a dupla e pede uma foto com, veja só, Justus. Ticiane olha de lado.
Entram Luciana Mello (linda), Emílio Zurita (brega), Eduardo Galvão (chique), Wagner Moura (impressionantemente elegante) e Marcos Pasquim com a mulher. Que fofa, comenta a partner. As luzes apagam, chega correndo Bruno Gagliasso, mulher e entourage com Camila Morgado junto. Senta aí, grita alguém. Sem ligar, Danielle Winits e marido fofocam com outro casal. Impossível não notar a gravidez. E os saltos 15 de vinil.
A peça começa, Miguel mostra porque é, bem, Miguel Falabela. Vladimir Britcha convence. Todos esperam por Juliana Paes que entra loira, linda e cantando. Palmas, muitas palmas. O cenário é explendoroso e o elenco afiado. Miguel, as usual, dá tiradas fora do script, desconcertando o elenco e levando o público à loucura.
Sem estar 100% azeitada a peça se estende, passando de uma da manhã. Na mesa, todos mostram cansaço, você pede a quarta cerveja. A peça acaba, todos aplaudem de pé. Assim como os filmes que guardam supresas para depois dos créditos, as cortinas se abrem e todo elenco volta para uma brincadeira final. Mais palmas.
Do lado de fora uma multidão se acotovela assediando os manobistas. Você, que não nasceu ontem, retira seu carro do estacionamento de uma quadra de Futebol Society ao lado. Seu amigo combina a balada mas, por essa noite, você fechou as cortinas.
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Quinta-feira, Setembro 13, 2007
Expediente
No mundo dos que trabalham “a lot” o dia acaba tarde. Ou melhor, começa. Do lado de fora, apesar do horário, muito trânsito e buzina. Engole então um copo de Whey e realiza que depois de engolir tanto sapo, o gosto é até bom. No caminho da academia, Cazuza confessa que raspas e restos interessam. Você muda o som pra não se influenciar. Sua força de vontade resiste ao Cazuza, mas sucumbe ao convite pruma paradinha. Onde? No Ritz, que é tipo no caminho. Nem dez minutos depois já está com um bom suco de tomate (temperadíssimo) na mão e duas marcas de batom vermelho tapa, no rosto. Dentro, muitos sorrisos e algum carão. Fora, muitos sorrisos e algum carão. Na mesa, você boceja pela terceira vez. Antigamente o Ritz parava a rua, confessa o amigo entregando a idade. Não é do meu tempo, reforça você, a sua. Duas baby Chandom depois o garçom traz o prato. Curioso, o prato é mirrado mas o garçom suculento, observa a amiga. Papo vai, papo vem, também vem a conta, que você prefere nem conferir. Chega em casa pisando em ovos. E esse cheiro de álcool? Ah, do xarope, sei. Vem aqui que te faço uma massagem. É a vida não é fácil, mas tem lá suas compensações.
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Terça-feira, Setembro 11, 2007
Tabela
Quando a gente idealiza nossas vontades é normal que, ao longo da vida, a gente fique frente a frente com a possibilidade de tê-las na mão, mediante um preço alto. Ou mais alto que a gente possa pagar.
Mais sábios que medrosos, geralmente damos ouvidos ao superego e não topamos a aposta. Mas é quando decidimos topar que a coisa pega. Aquele emprego, aquele namorado, aquela turma, aquele bem de consumo, fazemos que fazemos e realizamos o sonho.
Mas e quando chega a hora de pagar? Tenho visto com frequência gente que apostou alto e hoje começa a sentir o baque das cobranças. Obviamente, quanto maior o sonho maior o preço. O que não significa que ele seja menos sério ou valioso pra quem paga.
E de repente lá está você, sentadinho onde queria (e eu é que não vou dizer onde!), tomando seu capuccino com adoçante e quando olhar pra trás, lá se foram os amigos, os escrúpulos, a reputação e tudo o mais.
Isso não signifca que a gente não deva ter ambições. Eu mesmo sou um poço delas e não vejo problema em sonhar com um futuro babado. Só não vou matar a vó pra conseguir o que eu quero. Bom, pelo menos não a minha. Brincadeirinha!
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Segunda-feira, Setembro 10, 2007
Andejo
O tema vem do post retrasado (sic) e duma matéria interessantíssima da Folha (de São Paulo) de domingo, sobre caminhar na cidade.
Diz que São Paulo desfavorece a idéia, pelo trânsito barulhento (violento?), buracos e poluição. Faltou citar as ladeiras. Entre a minha casa e a academia são só cinco quarteirões, mas de pura subida. Chego praticamente malhado no local.
Agora, imagine a pessoa que vai dar pinta por ali, fazer umas compras na Oscar Freire, tomar um sorvetinho na Haagen, pagar de gatinho na Cristalo? Vai chegar esbaforido, suado, com pizza no suvaco? Não! Vai pegar seu bom carro e deixar no manobrista, que ela não é obrigada!
Diferente duma cidade como o Rio? Delícia de andar. Lembro da vez que fui de Ipanema a Botafogo, só na água de coco e na paqueração. Plana e linda, não cansa nem os pés e nem a vista. Claro, se aconselha a tirar tudo o que relux e usar um tênis bem vagabundo. Mas nem tudo é perfeito.
Por aqui, ainda podemos contar com os parques, como o do Ibirapuera, o Villa Lobos e outros menores como o da Aclimação. Não são lindos como os de Curitiba, mas sentado na grama, pegando um solzinho e vendo a vida passar, existem coisas bem mais importantes que isso. Tipo descobrir se o cachorrinho que leva aquele corpo sarado tem ou não telefone.
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Quinta-feira, Setembro 06, 2007
Tribos
O Wikipédia define tribos urbanas como grupo de pessoas não-casadas, entre 25 e 45 anos, que possuem familiaridades baseados no lifestyle. A partir disso, listei os últimos lançamentos deste vasto universo.
Preppy – o termo deriva de escola "preparatória", comum no leste dos EUA. É usado pra denotar superficialidade, alienação e preocupação exagerada com a aparência. Prep que é prep, não abre mão duma Lacoste ajustada.
Roots - a turma que se intitula “de raiz”. Buscam programas alternativos, costumam usar um visual mais largado, geralmente camisa larga pra fora da calça e inclinação vintage pra moda. Nove em cada dez cultivam barba.
Urban victim - recém chegados, estão na fase do deslumbre. A-doram uma fila, descobrem os lugares in’s pela Vogue RG e têm o dom de juntar na mesma frase as palavras coletivo, performance e interativo.
Suburban - têm em comum o gosto pelo exagero, seja nas jóias, nas marcas ou no volume do som do seu carro tunado. De gel, correntona de prata e Nike Shocks, engarrafam o Itaim, Vila Madalena e baixo Augusta, onde vão xingar putas.
Neurotic – acostumados com as regalias da cidade, praticam o fundamento tolerância zero. São cheios de manias, frequentam os mesmo lugares (onde mandam trocar o prato 3 vezes) e adoram reclamar de tudo e de todos.
Armless John - Conhecida como João sem Braço, são especialistas em se dar bem encostados na asa dos outros. Tá, tudo bem, esta eu inventei. Mas vai dizer que não existe?
[img: fonte desconhecida / arquivo pessoal]
Terça-feira, Setembro 04, 2007
Folego
Tenho implicância com gente relaxada. Vou trabalhar isso na análise, afinal o problema é deles, não meu. Mas fico atazanando os outros com patrulhamento terrorista. Tive um ex-dupla gordinho que que entornava duas colheres de açucar na laranjada doce. Um crime. Eu parecia a mulher dele: não pode, não pode!
Daí você vai dizer, mas ele toma bomba, se droga, bebe pencas e vem com este papo? Eu digo, peralá! Adoro uma birita e uma ou outra coisinha ilícita, mas bomba, drogas pesadas e outro tipo comportamento autodestrutivo não é minha praia. Te manca!
Cabe lembrar que sinal de magreza não é sinônimo de saúde. Tenho amigos gordinhos que vão ao parque, jogam bola, fazem e acontecem. São gordinhos porque cometem o pecado da gula. Um pecado que, junto com a luxúria, sou suspeito pra falar.
Acontece que o verão tá chegando, convidando roupas leves (pra não dizer quase nenhuma), azaração, praia, mar e tudo o mais que pede a estação. E se a gente for fazer as contas, esta é a justamente a hora de começar a fazer algo a respeito.
Ninguém aqui está falando de virar atleta. Que tal começar devagar? Cortar o açucar, diminuir o docinho, evitar fritura, controlar o cigarrinho. Coisas simples que servem de exemplo pra decisões maiores, provando pra nós mesmos que, como diz o ditado, querer é poder.
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Segunda-feira, Setembro 03, 2007
Casinha
Muito franco, quero tudo inox, confessa ao vendedor, que sorri. Em segundos cola um pajem de cada lado. Você? Só acompanhando querido, quem vai comprar é ele ali. Agradece e dá de ombros.
Geladeira, fogão, home theater, LCD 32”, lavadora. Tem desconto? Forte! Então põe o liquidificador, o forninho e a sanduicheira. O vendedor ovula. O outro amigo levanta o dedinho: Fina!
Muito franco, o garçom tem corpo bom, mas cara de ogro. A frase parece a mesma, o local, não: café do Etna, megastore de design. E divide em até 10! Prato, copo, tapete, o carrinho vai enchendo. Você olha um sofá. Chenili, diz o amigo. Palavra chula? Não, é o tecido! No outro canto, Ei moço, vê o criado-mudo por favor?
No prédio ao lado fica Casa e Construção. Resolvem visitar. Olha quanto assento pra privada? Pausa para uma H2OH. E aspirador, ventilador de teto, tapawere, spot de lâmpada. Vou escolher aquele bonitinho pra levar esta comissão. No estacionamento, dificuldade pra fazer caber no seu popular quatro portas.
Meia hora depois, os três deitados num sofá-cama. Muito franco, estrourei meu cartão!. Alguém interrompe Posso ajudar? Claro, diz você, vou levar o sofá. Depois da quarta tentativa a vendedora Tok&Stok finaliza o pedido. Desculpa moça, mas não é esta cor! Hoje não é meu dia, diz ela.
Já em casa, o dia acaba. Beckembauer aceso, brincar de casinha é bom, mas quem paga a conta? Resolvem deixar os assuntos chatos pro outro dia. O cel toca : Balada? Muito franco, nem fodendo!
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