Sexta-feira, Agosto 31, 2007
Became
Você mora em São Paulo? Se mora, nasceu aqui? Provavelmente a resposta para essa pergunta será não. São Paulo tem o Brasil todo. Ou melhor, o mundo todo. E, invariavelmente, este mundo exerce uma agressiva influencia nos habitantes.
Conheço gente que mudou drasticamente depois que chegou aqui, pro melhor e pro pior. Mudar faz parte, todos nós mudamos. Mas tem aqueles que mudam mesmo. Mas na real, será que é ‘isto’ que podemos chamar de mudança?
Chancelados pela invisibilidade da cidade, assumimos outro estilo, outra personalidade, outra perspectiva. Nos tornamos conscientes dos alcances, sucessos, limitações, pra finalmente formatarmos aquilo que idealizamos como vida.
A constatação da mudança ganha forma no confronto com o passado. Uau, como está diferente. Como mudou. Não é mais o mesmo. Será?
Tem a turma que acha que sim. Já eu, prefiro sentar numa outra mesa. Na mesa dos que acreditam que finalmente nos tornamos quem realmente sempre fomos.
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[referência: sartorialist.com, link ao lado]
Quarta-feira, Agosto 29, 2007
Hipster
Hispter é o termo usado pra aqueles que detestam modismos, rejeitam rótulos (incluindo este) e se amarram em formas alternativas de expressão. Em Nova York, onde tudo acontece, eles estão ligados a praticamente todos os acontecimentos cools da cidade.
O mesmo rola em outras partes do mundo, com manifestações nascendo e morrendo numa velocidade impressionante. Natural, tendo em vista que a partir do momento que vira moda, não é mais hipster.
No Brasil, o fundamento é tímido mas ainda assim dita caminhos e aponta tendências, sobretudo na rua, o laboratório da vida real. Se você detesta minimal, odeia festivais patrocinados por multinacionais e não entra em shopping center, sorry, você é só revoltado.
Hipster estão ligados a livros, filmes, arte, música e toda a cena cultural da cidade, e não só a um modo de vestir e um comportamento “do contra”. Afinal, pra ser um hipster você pode até não querer compactuar com o sistema, ou não tecer opiniões a respeito, mas pra isso primeiro você tem que ter uma opinião.
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Terça-feira, Agosto 28, 2007
Contas
Uma hora tinha que acontecer. Terminaram civilizadamente mas ficou aquela coisa no ar. Natural ficar, já que tudo parecia estar bem, combinaram de ir ao cinema e no dia seguinte, fim. A pessoa não ligou. Você também não. E daí nunca mais. Foi quando se encontraram. Reparou que estava igual, nem melhor nem pior. Talvez um pouco pior? Azar, você estava melhor. Queria mostrar mas segurou a vontade, do mesmo modo que segurou tantas outras. Jantaram com amigos em comum, sorrisos, piadas, um ou outro pingo no “i”. Aos poucos a ansiedade foi passando, dando lugar a certeza de que o passado era realmente passado, ufa! E se não fosse? Outra história, pra uma outra realidade. Nesta realidade preferia gostar sem ter que jogar. Pediram mais uma taça, o café, a conta. Se despediu e esperou na porta. Carona querido? Obrigado, mas ela já chegou. Acenou pro espetáculo do outro lado da rua. Despediu-se não sem antes constatar o olhar de espanto. Parece que ia perguntar alguma coisa, mas você já estava no meio da rua. Bobagem. Ajeitou a gola do frio, deu um último sorriso e entrou no carro. Lembrou que não tinha colocado a mão na conta. Enquanto acendia um cigarro, teve a certeza que aquele não era bem o seu dia de pagar.
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Segunda-feira, Agosto 27, 2007
Detalhes
Deus mora no detalhe. São eles que fazem a diferença quando a gente quer ganhar pontos de ocasião, seja num encontro, reunião, jantar, apresentação ao cliente, crédito no banco e por aí vai.
Logicamente, detalhes de como a gente se comporta, expressa e se porta, contam mais que detalhes estéticos. De que adianta arrasar num modelo Ricardo Almeida e ficar devendo na compostura?
Da mesma forma, ser dono de um fantástico conteúdo mas pecar na apresentação pessoal é ficar na berlinda, gerando pré-conceitos antes mesmo que você possa mostrar ao que veio. O ideal é equilibar estas duas facetas. Difícil? Como a vida!
Ao sair de casa pra mais um dia, se exercite perdendo minutinhos pra caprichar no pisante, no perfume bacanudo, numa camiseta mais de acordo com a ocasião, naquele cinto colorido de lona (na Side Walk tem uns belíssimos a 40 pila).
Complete o look com uma gentileza diária. Abrir a porta para uma dama, segurar o elevador, sorrir, ou fazer que nem eu e sair dando bom-dia pra velinhas fofas na rua. Você vai ver que a vida vai ficar mais leve. Este sim, um detalhe que nos dias de hoje faz a diferença na vida da gente.
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Quinta-feira, Agosto 23, 2007
Holofote
Quem não gosta de gossip que atire o primeiro garfo do faqueiro Caras. Hoje em dia, com tanto assunto cabeludo em torno das celebrities, não há quem resista ao assunto. E ontem, numa mesinha na ala fumantes do Ritz, foi levantado as cinco maiores tendências pra você, que é dançarino-cantor-ator, se jogar no mundo do glamour.
. Re-hab: é o suprasumo da consolidação do sucesso. Mesmo um zé ninguém ganha notoriedade ao ser flagrado com cara (calculadamente) passada na clínica.
. Adotar um êre: exige um pouco mais de trabalho, afinal, quando a moda passar não dá pra devolver. O investimento vale uma temporada inteira nas revistas de fofocas.
. Casar e terminar: já esteve mais em alta, mas ainda é hit no mundo do efêmero. Se for no mesmo final de semana, melhor ainda. Depois é contar com o poder do boca-a-boca.
. Parar na polícia: vale porte de drogas, dirigir bêbado (super em alta), quebrar quarto de hotel e agredir paparazzi, mesmo que ele nem sonhe quem você é. O importante é causar.
. Namorar 'aquela' da malhação: Pra quem tem “algum” guardado. Você paga a moça (ou o assessor dela), sai no leblon, tira muita muita foto e pronto. E ainda enterra os boatinhos (maldosos) sobre sua orientação sexual.
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Quarta-feira, Agosto 22, 2007
Contras
Coco (a Chanel) uma vez disse, 'sou contra uma moda que não dure'. Mas vamos combinar que tem coisas que simplesmente não dá. E não é porque datou, a tendência que mudou, etc. É porque é brega mesmo, ponto.
. Calça saruel: Está em um monte de vitrine, mas tirando o vendedor ninguem usa. E porque? Porque é feio! E quem disse? Eu! Bj-me-liga.
. Camisa de tecido amassado: não fica bonito nem no Gianechini. Tá, nele fica bonito até a Marília. Mas atenta pruma regra, se virou hit no pagode, melhor deixar pra lá!
. Camisa social manga curta com gravata: Nem comento. Next!
. Corrente pra fora da camiseta: Atestado de mal gosto. Nunca entendi e nem quero. Me lembra manequim anos 80 de colar por cima da gola-rulê.
. Camiseta canelada: colega, canelada pra mim é mal jeito na suruba. Tanto tecido babado e neguinho me saca o canelado. Nem a Renner faz. Tsá?!
. Preguiça: não, não é nenhuma marca tendência. Com tanto pecado bom nego vai investir justo nesse? E o que atrapalha o cidadão de família, honesto, trabalhador... Tá, eu paro!!
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Terça-feira, Agosto 21, 2007
Sacoleiro
Mais um dia começa, você toma o caminho da roça. A tiracolo a mochila de trabalho (não me vem com bolsa-carteiro), a bolsa de academia, a pasta para o laptop e um saco de roupa suja pra lavar já que, até hoje, nem picas de lavadora. Mas abafa!
Caminhando, torce pra ninguém te ver e perguntar se desceu dum ônibus do Paraguai. Mas quem liga pra o que os outos pensam? Você, né colega! Então acelera o passo, abre o carro e joga todas tranqueiras no porta-malas. A idéia é desovar durante o dia.
Chegando na agência, encomenda na recepção. Um pacote e uma carta gentil de sua ex-chefa: Vem me visitar seu puto! No almoço, mais uma sacola. Da calça que deixou fazendo a bainha. Na volta deixa as amigas, que esquecem mais dois casacos no banco de trás.
Quando o trabalho termina, começa a vida lá fora. E claro, nada do programado foi feito. Mas se Inês é morta, quem não pode morrer é você. No caso, de fome. Então passa no supermercado e abastece o carro com meia dúzia de sacos de compras.
Quando finalmente abre o porta malas, um susto: casacos, pacotes, roupa suja, calça nova se misturam com cereais e sucos de caixinha. Meio passado, fecha e deixa pra resolver a confusão no dia seguinte. Se não tiver nenhum corpo escondido, tá no lucro.
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Terça-feira, Agosto 14, 2007
Compensar
A vida é feita de compensações. Sim, afinal, você trabalha pra quê? Pra poder ganhar seu dinheirinho e curtir seus vicios, suas viagens, seus luxinhos. Uma lógica equação de compensação.
E ir na academia? Outro exemplo. Claro que a gente quer envelhecer com dignidade mas convenhamos, ninguém pensa nisso na hora de malhar. Mas sim naquele jeans mais justo, no moreno sarado, em tirar a canga no Coqueirão. Compensa o sacrifício? Tem os que acham que sim e os que não!
Ou então aquela festa de arromba pra ir, casada com uma apresentação no dia seguinte. Aciona a fórmula da compensação e decide: a festa é boa o suficiente pra compensar o cansaço depois? A apresentação é importante o bastante que compensa ficar em casa, descansar cedo e arrasar na frente da equipe?
Existem compensações sofridas e outras menos, mas todas tem suas consequências, positivas e negativas. Quando jovens, geralmente temos decisões fáceis com compensações nem sempre boas. Quando adultos, as decisões tendem a ser mais difíceis, por outro lado, as compensações são mais positivas. Maturidade, colega!
A formulinha de causa e consequência se aplica em todas as esferas, inclusive (e sobretudo) na dos relacionamentos. Dividir a vida com alguém é um eterno exercício de tolerância. Às vezes o ideal é ceder pra não brigar. Mas que de vez em quando brigar só pra reconciliar tem suas compensações, ah, isso tem!
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Sexta-feira, Agosto 10, 2007
Corpo fechado
Tem gente que toma banho de sal grosso toda semana. Hei de concordar que o pecado (capital) mora ao lado. No caso, a inveja alheia. Mas tirando a Gisele e o Brad, não existe ninguém no mundo que precise de tamanha proteção energética.
Que ela (a inveja) é uma merda é fato. Mas que pessoa não se sente a própria encarnação de Ramsés quando tá naqueles dias de lux, glam e sedux, e chega num lugar e sente que arrasou?
Tipo a festa inteira olhando pra você, seja por conta do modelo, do cabelo ou da companhia de 1,90? Que se tivesse com um invejômetro ele estaria vibrando mais que cachorro em cima da canoa? Faz bem pro ego, faz bem pra moral, faz bem pra pele.
Não credite suas falhas ou sucessos aos outros. Somos os senhores do nosso destino, independente do amor, da inveja, da aceitação ou recriminação de terceiros. Perder rumo com inveja alheia, nos dias de hoje já era, datou!
E quando você estiver belíssimo passeando sua presença por aí e sentir a inveja gritando, respire duas vezes, ajeite seu bom D&G no rosto e deixe ela passar e ir embora. E se ainda sobrar pose prum abuso, diga: Tá com inveja querida? Pega a senha!
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Quinta-feira, Agosto 09, 2007
Resort Collections
Porque a gente gosta tanto do mundo mundo da moda? Ué? Pelo escapismo e pela diversão. Afinal, quando a gente acha que o povo não tem mais o que inventar, eis que surge mais uma modinha. Com o perdão do trocadilho.
A última, são as coleções resort. Que são coleções criadas entre as estações, pra pessoas que resolvem fugir do frio em um cruzeiro, um resort, uma ilha básica. Uma coisa tipo “no meu iate ou no seu?”
Claro que você, como eu, vai achar esta tendência o suprasumo da futilidade. Mas provavelmente você, como eu, não tem um barco babado. Por isso, troque a cara de inveja pela cara de nada (uma das poucas invenções da moda que não se paga pra usar) e fique na sua.
E enquanto o nosso iate não chega a gente vai aplicando o fundamento onde dá. Afinal, a gente não tem o mediterrâneo aqui do lado, mas tem Barra Grande, Trancoso, Espelho e outros oásis de beleza sensacionais na Bahia.
Pra não falar do Rio de Janeiro, que é aqui do lado. O problema é que antes a gente pegava um avião e thum. Agora com esse problema todo na aviação, talvez o melhor seja esperar o verão em nossos modelos de frio mesmo, mas com os pés bens fincados no chão.
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[fonte: pratanamoda.com]
Quarta-feira, Agosto 01, 2007
Surpresa
Depois de vagar por aí atrás de um presente pra alguém que gosto muito, realizei como essa tarefa é difícil. Pois se gosto não se discute, como fazer alguém curtir algo que partiu do seu gosto pessoal? Durante o processo, pensei em coisas que podem ajudar na causa.
. Presentear pede entender um pouco do presenteado. No caso da afinidade zero, cabe um telefoma a um amigo em comum. Afinal, já que é para gastar, que ao menos arranque um sorriso da criatura.
. Ser rico-muito-rico é meio caminho andado. Não há quem não goste dum presente caro-muito-caro, seja ele qual for. Até porque, sendo brega a gente troca e pronto.
. Se a pessoa não é mega-íntima, não precisa gastar tanto. Excessões: cargos de chefia e casamentos. Pega muito mal chegar numa festança chiquérrima com um espremedor de alho. A não ser, claro, que seja Phillip Stark.
. Criatividade não foi feita só pra inventar desculpas pra faltar no trabalho. Existem presentes incríveis que valem pelo que são e não pelo que custam. Se me permite a dica, não há nada mais inspirador que as lojinhas da Liberdade.
. Por fim, mesmo que você não tenha um Safra ou Diniz no sobrenome, existem momentos na vida que merecem o investimento. E como você não nasceu ontem, tenho certeza que vai saber quando abrir a mão, pra plantar o hoje e colher o amanhã.
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