Segunda-feira, Julho 30, 2007


Dia da aturação

Hora do happy hour. Como de se esperar, o povo ovula formando grupinhos. Uns vão perto num lugar bom e barato, que ouviu dizer. Outros vão mais longe. Um barzinho novo. Diz que barato não é, mas é bom o suficiente pra valer o esforço.

Então veio a preguiça. Na verdade, veio foi a imagem da mesa juntada, de alguém gritando, da divisão da conta… E aí sim veio a preguiça. Então colocou o fone e se compenetrou. O suficiente para não ser incomodado.

Gostava de indivíduos. Mas de turmas não. Vez em quando saia com esta, não por simpatia. É que ser antisocial, como aprendeu criança, tinha seu preço. A ser subtraído, claro. Mas a verdade é que desta vez não saiu porque era o dia da aturação.

O dia da aturação não tem na agenda. As vezes demora pra chegar, semanas, até meses. Mas quando chega, se sabe e ponto. Porque bate a vontade de ficar sozinho, de curtir sozinho, de fazer tudo sozinho. Ou melhor, consigo mesmo. Que é se aturar!

Então passeou pela rua, viu os preços nas lojas, comprou um jeans novo, comeu um doce num café, passeou mais um pouco. Fez uma porção de coisa. E não fez quase nada. No fim, teve a sensação de missão cumprida. Se tinha capacidade de aturar a si mesmo, o resto era fichinha. E saiu sorridente, dirigindo por aí, a se aturar.

[img: crop em foto P&B de hedislimane.com]

escrito por MIM - 12:20 PM

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Quinta-feira, Julho 26, 2007


New rave

Já ouviu falar da new rave? É um movimento que se traduz na junção de duas tribos, a que curte um som eletrônico mas que não vive sem um bom rock e a que curte um rock mas adora uma pista de boate. Tudo enfeitado com muito colorido e algum flúo.

Lá fora a coisa pegou fogo com o estouro dos festivais de verão. E com a banda Klaxons, que regravou alguns hits da era raver. Acho fun!

Como é de se esperar, todo modismo embalado por som indie e comportamento extravagante pega mais rápido e forte no segmento jovem. Pelo Jardins, a gente já vê uns bandos de adolescentes vestidos no dress code que pede o movimento, um cruzamento de Evanescence com Meu Querido Pônei. Brincadeira!

Em Sampa a misturinha já acontece em clubes como o Tirana (que fui na inauguração), The Clash (que eu fui sexta) e D.Edge (que eu fui sábado, no aniversário do after Paradise).

A real é que esta junção de rock fácil mixado a batidas bem conhecidas, tem trazido um frescor e um ar mais cool à noite. Ainda mais com o fechamento de clubes aqui e acolá e um (quase) mainfesto do povo contra a falta de criatividade na montação.

E enquanto o povo vai migrando de uma tribo para outra, a gente permanece na única que nos cabe: aquela que sabe bem como se divertir!

[img: crop em foto P&B de hedislimane.com]

[Post inspirado na matéria New Rave / Folhateen]


escrito por MIM - 2:26 PM

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Quinta-feira, Julho 19, 2007


Cep

Mesmo pra quem é rico muito rico, é imperativo acampar nos primeiros dias de uma casa nova. Móvel que não chega, reforma que não termina, falta de objetos de importância vital para a sobrevivência da pessoa (saca-rolha?). Baseado nisso, se pode dizer que você acabou de mudar quando:

. Passa a ver furadeira artigo de necessidade básica.
. Acha um DVD da Marisa Monte na gaveta de cuecas.
. Encara um café-da-manhã composto de guaraná (diet) e whey protein (sim, isso aconteceu).
. Tem a infelicidade de descobrir, num sábado pós-balada monster, uma obra rolando no prédio ao lado.
. Se contenta em dormir no chão. Ou melhor, num colchão (mas muito bem acompanhado, que fique claro!)
. Fica feliz em descobrir que tem um pub na esquina de casa. Bem, na verdade isso você, que não é bobo nem nada, já sabia.

[img: crop em foto P&B de hedislimane.com]

escrito por MIM - 11:07 AM

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Terça-feira, Julho 17, 2007


Charme

Não tem quem não goste de sol, música e vinho. Como sol, ultimamente, só o artificial e numa cabine na New Sun, ficamos com a primeira e segunda opção. Daí que, durante um vinho com best friends ever, decisões de suma importância são tomadas.

Primeiro, eleger o Periquita (tinto português saborosíssimo a preço acessível) como garrafa oficial. Segundo, reservar uma boa mesa no show da Marina, que deu um rasante hypado no palco do Palace, que já mudou de nome trocentas, mas que vai ser sempre o Palace.

Como show de sexta na cidade é drama, rola tensão no trabalho, no trânsito e no celular (segunda melhor invenção depois da cafeteira italiana). Lá dentro todos a postos, Marina entra bela e íntima: Outro dia, tava na Loka... Aliás, tô loouca hoje... Gritos e palmas. Ainda fala, Peço pros seguranças liberarem as pessoas de dançarem aqui na frente. Fofa.

As pessoas vão. Nós, que não somos obrigados, ficamos. Garçom por favor, mais cervejinhas, tá? Marina solta um hit, o povo solta a franga, a gente solta 'Canta Charmeee', que ela não canta, porque também não ouve.

Famosinhos da descolândia comparecem em peso. E pensamos que ia ser um show vazio?! Num momento irreverência, ela puxa no palco o ex de uma famosa consultora de moda. Li que ela (a consultura) estava fazendo o figurino do show, black em ton-sur-ton. Tudo a ver e combinou!

Mais hits. E Marina é tipo andar de bicicleta, a gente aprende e não esquece nunca mais. Ela dizia ainda é cedo, cedo, cedo, mas nem era tanto assim, e o show acaba com todo mundo de pé pulando abraçado. Dessa vez a gente pula e canta junto, pois não há quem resista a dúzias de cervejinhas. E claro, a Marina Lima.

[img: crop em foto P&B de hedislimane.com]

escrito por MIM - 12:39 PM

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Segunda-feira, Julho 16, 2007


Cult

Misturar TV a cabo, frente fria e casa nova só pode resultar em uma coisa: intensivão embaixo do cobertor, com direito a forte atividade de controle-remoto no decorrer do período.

Mas quem disse que um final de semana no ócio não pode ter suas supresas? A deste ficou por conta dum canal a cabo só com clássicos do cinema. Ou seja, tudo que passou na telona e que a gente não se cansa de assistir.

Já de cara, uma sequencia de Kieslowsky (é assim que se escreve?) com a Dupla Vida de Veronique e A Fraternidade é Vermelha. E o que é aquele final, com o efeito dramático em estilo nouvelle vague em cima da foto da protagonista? Muitas, muitas palmas!

E ainda O Coformista, do Bertolucci, um filmaço. O violento Plata Queimada, e por último Abre Los Ojos, de Alessandro Amenabar, que é o filme original de Vanilla Sky.

Neste mesmo canal, um tempão atrás, passou O Último Tango em Paris. Um filme que tem por mérito ter sido feito com um astro do cinema na época, o Marlon Brandon*, por um diretor conceituadíssimo, o Bertolucci, e ser extremamente erótico. Coisa impensável nos dias de hoje.

Infelizmente são filmes que não tem público pra canal aberto e vão continuar por muito tempo limitados ao cabo. Mas é um bom movimento na direção de filmes que se tornaram clássicos e que, como o nome já diz, não saem de moda nunca.

[dica: Telecine Cult - canal 64 da programação NET]

*[ps confundi com o Mastroianni por conta de Um Dia Muito Especial, do Scola, que vi semana pasada. sorry pela gafe]

escrito por MIM - 5:53 PM

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Quarta-feira, Julho 11, 2007


Tabelinha

O suprasumo da vida adulta contemporanea com um mínimo grau de civilidade se resume a uma agenda. Sim, você leu certo, as pessoas normais (?), com empregos normais (??), que vivem em lugares normais (???) ... Pensando bem, acho que vou refazer este parágrafo.

O que eu quero dizer é que, nos dias de hoje, somos praticamente prisioneiros de nossas agendas. Horários, compromissos, pagamentos, recebimentos, tudo tem que ser tabelado, acordado e escrito em páginas datadas, pra que a gente não se perca num mar de numerinhos que podem virar problemões.

Cada um tem a agenda que merece. Pra alguns, um bloquinho-calendário que dá pra levar numa carteira. Pra outros, um palm top de ultíssima geração, do tipo que pisca, canta, dança, cospe fogo e representa. Tem quem anote tudo num caderno comum de pauta, ou quem use complexas tabelinhas de despesas em Excell. Escolha a sua!

As exceções? Crânios que lembram de tudo de cor e salteado e não esquecem a data do IPVA, nem mesmo de férias na Bahia. E ainda tem aquele tipo que simplesmente ligou o foda-se, não tem conta em banco e acha que SPC é algo a ver com futebol. Coragem!

Claro, você pode ter uma bela agenda Moleskini e ainda assim ter a sua vida uma zona. Mas sentado num café de frente pra uma paquera delícia, sua criatividade pode descobrir outras utilidades pra sua bela agenda. Primeiro, completar seu look de pessoa séria. Segundo, guardar o cartão de visita da pessoa, que você - que lê este blog faz tempo - já sabe muito bem como descolar.

escrito por MIM - 4:01 PM

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Quarta-feira, Julho 04, 2007


80's

Assiduos notaram algo de novo na balada. Quem pensou num novo single do Bob Sinclair errou! Se referem ao aumento do uso de coca, que tem ganhado popularidade nas festinhas mais fervidas do eixo Rio São Paulo.

Publicitários, advogados, modeletes, gente de moda, parece que virou cool falar abertamente sobre o assunto, com direito a dicas de deliverys que levam o produto em casa e sem cobrar taxa de entrega. Como diria o Simão, tucanaram o trafico.

Quem sai na noite sente o impacto do consumo do pior jeito, amargando hoooras nas filas pra fazer um simples xixi. Afinal, a maioria dos banheiros assinados da cidade viraram semi-lounges, com intensa movimentação. Ou você acha que aquela gente entra de turminha nos boxes pra jogar cartas? Bobinho!

Se você se choca com isso e ainda assim quer ser in, melhor se acostumar. Treine muita cara de paisagem, pra usar quando uma neo-celebridade esticar uma taturana branca do seu lado, enquanto opina sobre a ópera eletrônica O Guarani, outra (exótica) coqueluxe na cidade.

Cada um sabe o que faz da vida, portanto, nem thuns se sua onda é branca, verde, líquida ou em formato de trevo da sorte. Mas vale o lembrete de que este é um brinquedinho perigosérrimo. E se esse movimento se confirmar como tendência, posso até já adiantar a próxima: a da reabilitação.

[img: crop em foto de hedislimane.com]

escrito por MIM - 10:37 AM

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Segunda-feira, Julho 02, 2007


A mesa

Enquanto ele, que além de bonito ainda é cozinheiro, prepara o molho para o prato principal, a turma toda ajuda. Você descasca o tomate. É simples. Se assa direto ao fogo espetando no garfo, tipo churrasquinho. A pele enruga e sai sozinha, um fenômeno incrível pra quem não é do metiê.

O outro amigo serve a mesa. Certifica se os talheres estão limpinhos lustrando cada um com o guardanapo. A amiga também entra no mutirão. Aprende o jeito certo de abrir o vinho, o que desempenha muito bem, servindo depois todos os garotos. Regras são pra serem quebradas.

Após algumas taças, um fino de qualidade e os pratos postos, todo mundo pode ir ao que interessa. Sobram elogios e muito bate-papo, como tem que ser. Abre-se espaço pra uma terceira garrafa. E claro, pra sobremesa, que chega superbem cotada após um show gastronômico com direito a wisky e fogo.

A procedência dos condimentos? Logo ali, na hortinha na frente da casa. Manjericão, cebolinha, salsinha. Arranca-se na mão mesmo, deixando o ar com um cheiro maravilhoso. Na saída, ainda ganha uma muda de uma bananeira conceito, ideal pra deixar num vasão bem moderno, no meio do apê-estúdio.

Na volta, saciado de fome e fraternidade, relembra o conselho da Glorinha no fantástico: a mesa é pra encontrar os amigos, bater papo e confraternizar, saiba aproveitar e fazer valer o momento. Missão cumprida. Um domingo, os amigos e uma mesa que dinheiro no mundo seria capaz de comprar.

escrito por MIM - 2:21 PM

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