Quarta-feira, Junho 27, 2007
Mudar
Você gosta do que faz? Sorte sua! Esta semana, entre caipirinhas de uva na varanda no Piola, três de seis integrantes da mesma mesa disseram não achar a mínima graça no que fazem. Você saberia dizer se eles são a regra ou a excessão? Eu não! E é bem verdade que essa turma só faz aumentar.
Gostar ou não da função que se desempenha na sociedade tem seus níveis de diferença. Existem aqueles que gostam da profissão mas não gostam do lugar de trabalho. E existem aqueles que gostam do local em si, se dão bem com todo mundo, mas que simplesmente não suportam a profissão.
Tem a turma que não gosta-feliz: ganha o suficiente pra ter uma casa honesta, uma motinho e sair com os amigos vez em quando. E os que não gostam-infelizes: ganham uma fortuna mas pensam diariamente em mandar o chefe tomar no cu e virar garçom em Ibiza.
Mas falta o impulso de se jogar numa estrada que a gente não sabe onde vai dar. Entendo quem prefere manter tudo quieto, mas admiro quem tem a coragem pra mudar. Pois não dizem que viver é aprender? Então a gente pode muito bem a aprender como recomeçar.
Segunda-feira, Junho 25, 2007
Direito
O direito de ligar o foda-se não está na constituição. Mas deveria estar. Que é quando a vida pesa nas costas e como efeito colateral a gente fica de saco cheio. E a única solução é mandar tudo (ou algumas coisas) pra's picas. Nem que seja só um dia.
O direito de ligar o foda-se pode ser melhor compreendido no final de semana. Quando a cartilha do paulistano descolado pede um almoço num lugar da moda, uma festa tipo 'não dá pra faltar', um amigo hype pra consolar e uma listinha de afazeres domésticos inadiáveis.
A primeira coisa, não ir em almoço nenhum. A desculpa? Nenhuma, ligar o foda-se não carece. Depois, pedir um delivery, pra comer de Calvin Klein. E palitinhos. A segunda, abrir uma garrafa de algo. Vinho? Tudo, mas na falta uma caiprinha com um limão que sobrou funciona.
Aí, não atender o celular. Porque ele vai tocar pencas. Desligue e pronto. Quando estiver altinho, coloque um som na vitrolinha. Nada deprê, lembre-se que você é sensível (mesmo o ex dizendo o contrário) e quer a tristeza bem longe neste momento.
Tente a banda Feist ou a versão de Faith, do Boy Least. Quando a noite chegar, vale um remedinho e... Sonhe com os anjos. No outro dia, seu amigo dirá que foi um finde em branco. Mas nem ligue. Pois todos precicam de uma página em branco pra começar uma história.
Sexta-feira, Junho 22, 2007
Praia ou asfalto
O post começa com a promessa de ser o últmo de moda deste mês. Não, não me acho o Tom Ford. Mas tem como não comentar? Daí que o crítico de moda da Folha foi quem definiu melhor o estilo que imperou no masculino da SPFW e que vai chegar nas lojas no próximo verão: o surf-noir.
Diz que é por conta duma recusa aos estereótipos praianos e um certo abuso do preto, que pra muitos não combina com a estação. Eu adoro e sei que vou consumir.
Reflete um anseio de um esportivo usável, que pode funcionar como curinga na correria da cidade, seja saindo pra uma balada no Royal, uma visita no cliente ou numa reunião de amigos no Spot.
Quem tem olho pra coisa, o que não é meu caso, faz isso sem precisar de coleção, tendência ou afins. Mas é muito mais legal quando se tem opções nas prateleiras que tem a ver com você, sem ter que precisar bater perna nas ladeiras dos jardins.
Até porque, quando não tem, a gente não compra e pronto. Pois como diria Glorinha (tô referências hoje) 'moda é oferta, estilo é escolha'. E mesmo sendo terrível pro cartão de crédito, é uma delícia quando a oferta casa de ser justamente a sua escolha.
Quarta-feira, Junho 20, 2007
Afinzinho
Não importa o quanto você ache odiável, o fundamento afinzinho sempre existiu, existe e existirá.
Esta curruptela do comportamento humano se dá quando um relacionamento começa mas uma das partes não está, digamos assim, muito convecida. Mesmo assim a coisa continua rolando, afinal, ela está afinzinho, mantendo a parte afinzaça amarrada a um cheiro de relação.
Ninguém tem culpa de estar afinzinho, isso acontece. No entanto, tem culpa a pessoa que tem consciência de que sua atitude faz mal a outra, mas não larga o osso. Também tem culpa a pessoa afinzaça, que geralmente está longe de ser princesa, mas vive em busca dum principe encantado.
Todo relacionamento tem seu limbo, quando ambas as partes não sabem direito onde a coisa vai parar. Pode parar em foram felizes para sempre (com o perdão da inronia!) ou não sei o que aconteceu, até ontem estava tudo bem.
Mas todo ser com um mínimo de realidade sabe que quando se passa a gostar muito de alguém e o feedback é um tô afinzinho, o final tem muitas chances de não feliz. O pior de tudo é não poder reclamar, afinal, não se termina algo que nem começou. E ponto final.
Segunda-feira, Junho 18, 2007
Marcas
Rolou a semana de moda. E se você trabalha na cidade com qualquer assunto que tenha um sopro criativo, acaba impactado pela movimentação. Menor grau vide trabalhar com marcas parceiras. Maior, obviamente, trabalhar com as grifes em si.
Visitar a Bienal é sempre um freji. Pra entrar precisa de convite e este ano percebi um door police mais forte. Os lounges dos parceiros estão mais bacanas, com vidro pra se ver de fora e sem decór nas janelas aproveitando a paisagem, já que o prédio é literalmente dentro do parque do Ibira.
Quem tem olho de marketing percebe um corte de verba generalizado. Estão rolando menos ações, deixando tudo com um ar mais clean. Por outro lado, os lounges estão menos festivos, com pouca agitação e quase nenhuma programação especial. Champanhe pra visita então é, literalmente, artigo de luxo.
A fauna é sempre uma atração a parte. O fundamento pomba gira over impera, fazendo com que numa subida de rampa você tenha mais informação do que um site sobre moda em Harajuku. Tem vezes que é impossível não rir.
Entre as diversões locais, sentar no lounge da Stella Artois (dedo meu) e ver as (e os) modelos passando de um desfile e outro com seus pajens assessores, geralmente figurinhas que parecem saídas do filme Star Trek. Sobre modelos, nota-se todos ainda mais magros. Se é que isso é possível.
As festas nesta época rolam soltas. Mas, geralmente lotadas de clientes e vendedores, não tem mais o glam de antes. O legal é tentar se programar pra ver um ou outro desfile que você curta (tipo Osklen), dar uma pinta e vazar.
Curiosamente, você pensa que vai chegar em casa, por uma roupa confortável e deixar este papo de moda pra trás. Mas quando se pega estirado com uma camiseta Armani rasgadinha sentado num sofá by Herchcovitch, realiza que a moda é algo que dificilmente a gente vai ignorar assim.
Sexta-feira, Junho 15, 2007
Simplesmente um luxo
Só sei que a dona era A tal. Fora importada da Europa (acho) pra dar uma palestra para o curso de gestão em marketing de luxo. Sabatinada sobre o melhor lugar para se comprar em São Paulo, não teve dúvidas: A vinte e cinco de março.
E disse mais. Que tinha odiado as lojas de luxo dos jardins, frias e sem vida, iguais a todas as outras pelo mundo. Claro que estava exagerando, até porque, da vinte e cinco mesmo, levou só um guarda-chuva. Mas quem pegou a mensagem pegou.
Quem mora em São Paulo e recebe visita de fora já sabe de cor a primeira palavra (ou seria número) proferida ao chegar aqui. A famosa rua dos camelôs, eletro-eletrônicos, brinquedos e onde pode se encontrar todo e qualquer (sem exagero) tipo de quinquilharia, pagando-se o míninimo.
Quem compra na vinte e cinco sabe o que quer e o que está levando. Sabe que a vida útil é curta, que a qualidade é pouca. Mas que vai voltar pra casa com uma sacola recheda sem ter o bolso esvaziado. E em épocas de vacas magras colega, é isto que conta.
Está em São Paulo? Não se faça de rogado. Pegue o metrô, desça a Ladeira Porto Geral (cuja arquitetura antiguíssima e visão do movimento vale a visita) e se jogue no povão. Sobrou perna? Visite o maravilhoso Mercado Municipal, logo ali na esquina e feche seu dia com o sanduiche de mortadela mais famoso da cidade. Simples, como a vida podia ser.
Terça-feira, Junho 12, 2007
Quereres
Definitivamente, querer não é poder. Estamos sempre querendo algo, mas no fim podemos pouco. Sim, podem acusar a gente de reclamar de barriga cheia, afinal, tem aqueles que podem bem menos.
Mas como diria o sábio, quanto mais se têm mais se quer. Natural do ser humano. Daí quando realiza, está enumerando os quereres (sic) do momento em uma listinha imaginária, enquanto ruma para o trabalho no meio dum feriado de sol.
O primeiro querer é óbvio: não estar ali, mas de bermuda e sem camiseta, com um bom ipod no bolso e tênis nos pés. Outras vontades mais substanciais entram na lista. Queria já ter encontrado um apê bacanudo, num preço irrisório e num local tipo Jardins. É querer muito, mas sonhar a gente pode.
Queria ganhar mais trabalhando menos. Queria poder ajudar todos os que estão a sua volta. Queria uma cidade com mais igualdade social, pra não dizer um país. Queria uma sociedade menos hipócrita e sobretudo, o fim da violência. Então, pelo menos, que ela fosse mendor.
E assim a gente vai querendo. E torcendo pra um dia este querer se tornar também poder. Afinal, tanta coisa que a gente quis e que se tornou verdade. Se concretizou. Coisas que jamais existiriam na vida caso um dia, lá traz, a gente não decidisse em primeiro lugar, querer.
Quarta-feira, Junho 06, 2007
Move on
Boa ou ruim, trágica ou cômica, consensual ou involuntária, toda mudança exige da gente uma dose de trabalheira e a indeferível fase de adaptação.
Mudar de casa, mesmo pra uma melhor, é um perrengue. Mesmo fazendo o fino (mindinho em riste!) e pagando um expert, não tem jeito. Rola atraso, móvel triscado, bibelô perdido. A não ser, quando papai é dono da empresa! Seu caso? Nem o meu!
Apelar pro faça você mesmo (que é o que acontece) é um festival de hajas... 'Haja desmontar, haja montar, haja embalar, haja desembalar, haja ir, haja vir' Só de pensar, cansa. E acostumar com o lugar novo? Os barulhos, os vizinhos, os horários, o porteiros. Haja paciência.
Mudar de emprego, idem. Tem o drama da despedida, do estacionamento pago, da academia do lado. Tudo, claro, quando rola um sentimento. Quando não, é bj-me-liga e só! Já no novo, quem tem bagagem sabe o fundamento: escutar muito, falar o necessário. E correr pras cabeças.
Agora, o item trágico: a mudança de namoro. Primeiro, torcida pra você ser a parte decidida a mudar. Em caso negativo, nem precisa comentar. Rico, pobre, preto, branco, a fase de adaptação é igual pra todos, uma merda. Mas fica a frase mais clichê e sábia de todas, isso passa!
Toda mudança tem seu propósito. E como a gente não é caranguejo, também serve pra empurrar pra frente e ensinar alguma coisa. No mínimo, que a vida continua. E que foi feita pra ser vivida.