Quinta-feira, Maio 31, 2007
Efeito surra
Dor de cabeça, dor no corpo, vontade de não sair da cama, quando não, de morrer e nascer de novo, de preferência num shape novinho em folha. Estes são os sintomas do efeito surra, um fenômeno dos tempos modernos na vida do jovem urbano. O efeito surra tem sua causa em diversos fatores:
. Balada monster: você emenda uma noitada de vinho com suas amigas finas (porém manguaceiras) com uma festa power ranger, com direito a muita misturinha. Pronto! Acorda no outro dia num efeito surra descomunal.
. Malhação surtus psicóticus: é quando rola aquele delay na academia devido ao trabalho, namoro e fins, e você volta à ativa com tudo. No outro dia, a sensação de ter sido atropelado por um boing. E uma over de relaxante muscular.
. Sexo selvagem: Um mix de desejo ardente (mesmo que por uma noite), aditivos (mesmo que seja uma boa tequila) e da química que acontece entre duas pessoas (mesmo que uma vez na vida, outra na morte). Quem nunca sofreu deste mal não sabe o que está perdendo.
. Senzalada: quando o dia amanhece e você está com a roupa do dia anterior, trabalhado na olheira, sentado na sua mesa de trabalho devido a qualquer trabalho, campanha, entrega, concorrência, enfim, algo que nesta hora você provavelmente quer mais é que se foda.
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Terça-feira, Maio 29, 2007
Coat
O frio chegou chegando. E lendo que no sul fez menos seis dá pra concluir que ele pode até dar uma trégua, mas ir embora mesmo, acho que não. Daí que o o movimento do final de semana foi de tirar as roupas quentes do fundo do armário e das gavetas.
Este processo tem seu lado bom e o ruim. Bom é encontrar modelos bacanas que a gente tinha esquecido que existiam. Um bom casaco com pele na gola (falsa: porque somos ecológicos & pobres). Um trent coat de veludo. Um suéter cinza chumbo, que é o novo preto (adoro falar isso rá rá!).
O lado ruim da história é encontrar aquelas cardigans de lã breguésimos, de cor surreal. E, pior ainda, lembrar que você usou ele pencas, em tudo o que foi lugar. Mas enfim, passou! E ao invés de fazer o ressentido você faz o generoso, pondo tudo pra campanha do agasalho, claro.
Neste processo, não dá pra reaproveitar tudo. A vida é cruel, a moda idem. Então vai as compras adicionar uma ou outra peça necessária. Aquele blaser de couro da Ermenegildo é necessário? É! Mas pra esta história ter final feliz, também é necessário você ter um bom Safra no sobrenome.
Eleja um casaco grosso, belo e não (muito) chamativo, que será seu curinga da estação. Existem peças baratas e boas pro aí, pesquise. E mesmo que os habitantes de Higienópolis jurem o contrário, aqui não é Nova York. Componha o look tranquilamente com um jeans, alguns suéters bacanudos e um bom cachecol.
Agora, se nesta busca pelo conforto você enontrar um corpo quente e bonitinho (nem precisa ser sarado, já que estamos no inverno) invista nesta opção. Afinal de contas, com um modelo assim pra esquentar do frio, a gente não precisa de mais nada além de uma boa dose de disposição.
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Quinta-feira, Maio 24, 2007
Faster
Tudo ao mesmo tempo agora parece ser a filosofia do nosso século. Sorte que temos companhia, nossos amigos, parentes, todo mundo anda numa correria louca. Como se o mundo estivesse num beat bem mais acelerado.
E não é só. Neste cenário, a impressão que se têm é de que não adianta ser isso ou aquilo. Tem que ser mais. Acumular funções, afazeres, trabalhos e skills. E as pessoas que sabem lidar com isso parecem ser as com maiores chances de se dar bem nisto que chamamos de vida.
Daí que se trabalha muito. E não pode ter tempo ruim. Mas tempo bom, mesmo, é quando o expediente acaba e o lá de fora começa, mais ou menos depois das dez. Um bom almoço, pelo menos, durante a semana. Um bom jantar, com muitos drinks e amigos. E uma atividade sempre que possível.
E como teoria é uma coisa e a prática é outra, a rotina vive furada, com ajustes de lá e apertos de cá, deixando a gente doidinho da silva pra conseguir conciliar tudo. O que raramente acontece, claro!
Já é o suficiente pra visitar pelo menos duas vezes por semana o analista. Só que neste caso o problema não é a falta de tempo, mas de vergonha na cara... Pois apesar dos pesares, sim, é dessa vida que a gente gosta.
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Terça-feira, Maio 22, 2007
Podcast
Hoje em dia quase todo mundo tem MP3 player. Quem não tem o cobiçado iPod em si, têm um genérico que cumpre o trabalho. E tá ótimo. No entanto, sair por aí com foninhos no ouvido ainda não é uma coisa confortável.
Quem enfrenta a cidade a pé sabe da necessidade de se ficar cem por cento ligado. Sem contar o fator segurança, pois mesmo trocando os foninhos brancos pelos pretos (que todo mundo aprendeu a fazer), ainda assim é arriscado.
Natural que a busca de um ambiente seguro acabasse num lugar fechado. E como a maioria das pessoas que praticam exercícios fazem isso ouvindo música, juntou a fome com a vontade de comer. E a academia virou aquele lugar onde a galera passou a usar o MP3 Player com conforto e propriedade.
O meu iPod, por exemplo, está quase todo dedicado a academia. Isso significa muita tech house, algum hip hop (que eu ando curtindo muito pra malhar) e alguns hits FM também. Vale tudo o que te deixa up.
Afinal, pra arrumar pique pra malhar, num frio destes, qualquer artifício tá valendo. E o melhor é que pode ser a pior das músicas, mas só você vai estar ouvindo.
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[inspiração pro post: coluna da Yami no bluebus.com.br do dia 18 / post pronto desde esta data e sem tempo pra postar / foda!!!]
Quarta-feira, Maio 16, 2007
Anti-clubbing
O movimento vem assustando o povo que gosta de ver o dia nascer feliz. Em Londres e NY a coisa tem ganhado a mídia, provocando discursos acalorados entre autoridades, empresários da noite e frequentadores.
Em NY, clubes ícones como o Roxy fecharam as portas por conta da pressão das autoridades e queda de frequentadores. Outros mais descolados e de vanguarda, como o famoso bar 333, que já foi fechado anteriormente, já frequenta a lista de estebelecimentos não gratos.
Em São Paulo, conhecida por proporcionar uma das melhores noites do mundo, o primeiro indício do movimento chega com o fechamento do clube Ultralounge, nos jardins. Vale lembrar, o clube já foi fechado uma vez e teve que mudar de lugar. Reabriu mas, convenhamos, nunca mais foi o mesmo.
As bandeiras do movimento são inúmeras. Vão desde a insatisfação da vizinhança por conta do trânsito, do barulho e do preconceito em relação a frequência majoritariamente gay, até a alegação da polícia sobre o movimento e o consumo de drogas.
Cá pra nós, drogas existem desde o megaclube Pachá, freqentado pelos boys zona sul, até os forrós de Pinheiros, onde impera o fundamento legalize it. Espera-se que a coisa por aqui não siga o exemplo de lá (NY), com uma lei drama que criminaliza a dança e limita o número de locais para a prática.
Lei esta que vem se mostrando ineficaz, apesar do esforço conjunto. Fica a máxima que diz: 'com as pedras que me atiraste construirei meu castelo', que se depender de nós, jovens normais, saudáveis e baladeiros, vai ser com pé direito altíssimo, globo de espelho e tech-house no último volume.
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[fonte: erikapalomino.com.br]
Terça-feira, Maio 15, 2007
Pombinhos
O casal anda como se não existisse mais nada no mundo. Para, beija de língua demoradamente, continua. Adiante, mais um beijo, uma ronronada, mais beijos. Enroscam-se mais três passos à frente. Muita língua, muito amor.
Claro, o amor é lindo, mas não há cristo que aguente casal pomba rola. Aquele tipo que fica se pegando na frente de todo mundo, sem hora nem lugar, jurando que são dois passarinhos dum filme do Walt Disney.
Sair com casal pomba rola é um saco. Quando não estão num papo autista, onde só eles participam, estão constrangindo os outros com estalinhos de língua e quebradinhas de pescoço. Quando chega a fase dos apelidinhos de alcova revelados em público, é o momento de dizer basta.
Melhor se afastar e deixar os pombinhos curtirem sua paixão explícita. Um favor que você faz a eles e a você, que vai se poupar de cenas um tanto deprimentes e não periga ficar com fama de terrorista do amor.
Diz o ditado que toda pessoa apaixonada tem um quê de ridícula. A questão é quando os ânimos baixam, a paixão cessa e o casal pomba rola continua ridículo. E agora, além de dupla dinâmica, soma-se um labrador bege de bandana vermelha no pescoço, que eles chamam de filho. Haja paciência! E algum dó, claro!
Sexta-feira, Maio 11, 2007
Mitose
Dividir não é fácil. Vendo o símbolo ing e iang adesivado por aí a gente percebe que mesmo incríveis semelhanças escondem diferenças abismais. Viver a dois é sobretudo o exercício da tolerância. E como bem se sabe colega, tolerância é que nem bilau, tem de todo tipo e tamanho.
Tem aquele grupo cuja tolerância para com o ser humano é zero. Não faz questão de sorrir nem pra criancinha de bochecha rosa, e curte deixar isto bem claro. Mas por um motivo divino, são pessoas capazes de suportar tudo do ser amado. E quando se diz tudo, é tudo mesmo.
O outro lado da moeda é aquela gente amável com todo mundo, mas que vive aos trancos e barrancos com a paquera. Uma piscada errada vira o estopim pra uma guerra nuclear. Que por sua vez, vai servir pra apimentar o acordo de paz, selado na sessão de sexo (adoro!) horas depois.
Tem os que mesmo discordando não brigam nunca. Ganha quem falou primeiro e pronto. Outros, simplesmente largaram de mão. Vão viver a vida inteira destoantes, mas lado a lado. Tem ainda os tipo políticos, que acham que tudo tem que ser discutido e acordado, do paozinho à conta do bar.
Não existe fórmula ou segredo. O que existe é a vontade de querer que dê certo. Quando dois símbolos formam um só. E que a gente cai na real de que se relacionar não é olhar o lado do outro, ou convencer o outro a olhar o seu, mas sim quando os dois olham para frente, juntos!
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Terça-feira, Maio 08, 2007
Beats
Foi no Skol Beats? Perdeu! Não costumo dizer isto de qualquer festa, até porque a melhor festa do mundo é sempre aquela que você não foi (fenômeno comprovado cientificamente), mas pro Beats deste ano tive que tirar o Von Dutch (rá rá, brincadeira, nem tenho!).
Sem o compromisso de ser o maior da América Latina, este ano o evento superou-se pela organização, beleza (com direito à lounge com mini-praia artificial), line up menos comercial e, principalmente, gente bonita e hype.
Desde da época que rolava no Autódromo, fazia tempo que não via uma reunião de tanta gente bacana. Confesso que nos anos anteriores me incomodou o efeito farofa do festival. De que adiantava dançar ao som de um puta DJ, se você tinha que ficar esperto com sua carteira e a bolsa?
Para andar, ir ao banheiro ou caminhar entre as tendas estava easy e era uma delícia ir encontrando o povo, cumprimentando gente aqui e acolá e, claro, se esquivando das paqueras, já que você estava muito bem acompanhado, obrigado! E quando eu digo gente bonita, quero dizer Bonita colega!
Os destaques ficaram por conta da ceveja gelada (só 2 reais), Laurrent Garnier com seu house fino, Miss Kittin com seu electro de boutique e ainda os brasileiros Gui Boratto e Renato Rattier. Enquanto festival democrático, a tenda drum n' bass estava lá, sabiamente colocada bem no canto, se é que você me entende.
Por fim, valeu o fato de ter me divertido como há tempos não me jogava, na companhia dos amigos queridos. Posso me orgulhar de dizer que não teve nenhum que desejou ir e ficou de fora do evento. Afinal, melhor que você ganhar convite pra uma festa bacanuda, é poder dar. E boa semana!
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Quinta-feira, Maio 03, 2007
Jane Fonda Interior
É sempre assim. Um dia, do nada, acorda com aquele negócio de que precisa emagrecer. Mulheres são enfáticas na numeração: querem chegar nos cinquenta e seis, mas o ideal é cinquenta e três. Quem disse? Era o peso de antes. Só não conta que este antes se refere aos tempos da oitava série.
Homens são menos efusivos mas não menos preocupados. Sabem que precisam emagrecer pela barriguinha pegando na camiseta (justa, como pede a moda) ou quando a namorada (ou o namorado) soltam indiretinhas sobre o formato de pão-de-queijo. E vamos combinar que alguns, nem assim.
Chegou a hora de tomar providências. Deixar de comer a azeitona da pizza não vai mais adiantar. O processo começa com a aquisição de roupas para malhação. Um verdadeiro enxoval, muito bem auxiliado pela vendedora malhada, simpática, e claro, muito bem comissionada. Guarda-roupa pronto, vamos à luta!
A academia é boa e cara. Mas por onde começar? A intimidade com os aparelhos é nenhuma. Com o ambiente, que tem um DJ tocando altíssimo no meio da sala, é menor ainda. E sua relação com os professores, que são todos sorrisos (só pros alunos veteranos), termina quando a magrinha da administração vira as costas.
Com o tempo, a academia dá nos nervos. E aquele bando de homens se admirando no espelho enquanto passam hidratante? Nin-guém-me-re-ce! Cai então para o parque do Ibirapuera. É mais natureza, é de graça, é coisa nossa! Começa com uma corridinha leve, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, se empolga e decide fazer a volta toda.
No outro dia, a vida vira um semi-inferno. Toma dois relaxantes musculares com café, se arrasta até o telefone e avisa o trabalho que está passando mal. Mal onde? Em todo o lugar! Pega um pote de sorvete, põe o DVD pirata do último lançamento e tira uma grande lição disso tudo: roupas de ginástica são excelentes pra se jogar na sala de casa.
[título que inspirou o post tirado do 02neuronio.com.br]
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Quarta-feira, Maio 02, 2007
Escapuliu
Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas um dia acorda-se naquela vontade incontrolável de ligar o botaozinho do foda-se e escapulir. Pra onde, não importa. O xis da questão é 'de onde'.
Pra escapar do trabalho inventa uma doença, uma enxaqueca, uma tia que morreu e pronto, tira o dia pra ficar em casa, fazer compras, ir no parque.
Tem quem mate trabalho pra ir à praia. Um perigo. Depois duma gripe inventada, aparecer bronzeado pode até fazer bem pra saúde, mas faz um mal irreparável pra sua (já quase nenhuma) reputação de trabalhador.
E programa chato? Almoço de firma? Festa de parente mala? Nestas horas, muito jogo de cintura e algum talento pra mentir, via telefone, claro, materializando um compromisso na mesma data e hora. De preferência (mas não sendo regra) sem magoar ou ofender a fonte do convite.
Existem as escapulidas mais sérias. Uma viagem, uma outra cidade, uma cerveja a mais e pronto, uma escapadela na relação. Sexo e nada mais? Parabéns aos que têm este desprendimento. Mas uma vez aberta, a caixa de pandora dificilmente se fecha novamente. Cabe pensar duas vezes.
No fim das contas, o que se quer é escapulir do buraco na monotonia que a vida, vez em quando, insiste em cair. O ruim é que, muitas vezes, a gente sai do buraco com tanta avidez que a vida dá uma saidinha do prumo.
Pra uns isso pode ser o fim do mundo. Pra outros, o começo.
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