Quarta-feira, Agosto 30, 2006
Healthylity
Um dia - entre uma festa hype e um chill out bacanudo - você lembrou que, nesse mesmo horário, estaria no parque do Ibirapuera. Ao invés de hy-fis e aditivos, estaria fazendo um cooper. Ou batendo um frescobol. E o que bateu foi um saudosismo.
Daí o finde chegou. Com ele os convites. E com eles, o fervo, levando o saudosismo pra longe. Mas você abre a janela. E vê um sol lindo. E, de repente, dá uma vontade de voltar aos velhos tempos, onde você pagava de gatinho saudável.
Quando vê, thum, está descendo a serra em direção à Maresias, com o vento no rosto e uma mão na perna. Que, no caso, não é a sua. E nem ligando que vai ter reinauguração do Sirena. Afinal, de baladas você está tranquilo.
Pela manhã, voltando do mar gelado pra areia quente, uma mensagem do seu amigo: tô loko na rave. Minutos depois, outra mensagem, de outro amigo: tô loko na piscina. E você realiza que o louco era você de ter, por um momento, pensado que uma festa poderia ser melhor que um dia de praia, sombra e água fresca.
Então, pra que não restasse dúvidas, você põe o óculos na cadeira, avisa o casinho que volta já já e mergulha novamente no mar.
[Reflexões: nada como um sorvete rochinha pra adoçar a vida.]
Quinta-feira, Agosto 24, 2006
Te encontro no Iguatemi
A noite de São Paulo sempre teve suas boates icônicas. A Level, um galpão na Barra Funda com teto retrátil, foi uma delas. Com um fundamento by São Francisco, megaproduções de drags e free pass para todo o tipo de clubbing drugs, as noites de sábado não tinham pra niguém.
Como o clube era mega, encontrar os amigos lá dento era drama. Você tinha que chegar e já se jogar na função, pois dada hora o povo enlouquecia num grau que, daí em diante, era desencanar. Claro que tudo dava certo no final.
Não sei quem inventou e nem quando a história começou. Só sei que um dia alguém salientou: 'entra e vai me encontrar no Iguatemi'. 'Onde colega?' 'No Iguatemi, aquele canto onde fica a galerinha conhecida.' E a coisa pegou.
E aquele canto, da galerinha bonita e dos, digamos assim, não tão bonitos mas muito bem de vida, ganhou o apelido do shopping dos bacanas. Era chegar, pegar uma smirnof ice no bar do canto direito e ir encontrar os amigos. No Iguatemi, claro!
Hoje, as boates também têm seus cantos de azaração. Mas Iguatemi mesmo, só na memória de quem frequentou a Level. Um lugar que, para uma geração, ensinou a diferença entre crianças e homens.
[Reflexões: Vou dar uma volta lá em cima, me espera aqui tá?]
Segunda-feira, Agosto 21, 2006
Acelerado
Sim, você, enquanto jovem solteiro e saudável, não pretende ficar em casa numa sexta. E sai na badala com os amigos acelerados. A balada vira mega. E termina na manhã de sábado, com você num antro de pitboys tranceiros, chamado Clube A.
Dia seguinte, programação seguinte. Chill in bombado com noite mais bombada ainda. Prevenido, você leva o Armani. E vê o dia nascer feliz, sentado na beira de uma piscina e encostado numa bela companhia.
Esse é o saldo dum positivo final de semana.
Mas, rememorando, é o mesmo dos últimos 8 anteriores. E você se prgunta se não está passando um pouco dos limites. E se essa rotina de fim de semana, o que tem de divertida, não tem de perigosa.
[Reflexões: a real é que quando a gente acelera, nem sempre curte a paisagem.]
Sexta-feira, Agosto 18, 2006
Gente grande
Pois é, um dia a gente cresce. Ah, você não sabe se já cresceu? Se você já falou com alguém chamado 'gerente de banco', cem porcento de chance de você ser bem grandinho. E quando se é adulto, tudo na vida (e isso é sério) fica mais fácil quando a gente é levado a sério. O processo inclui abandonar velhos hábitos e adquirir novos.
Como não tenho saco (nem moral) pra falar de comportamento, posso ao menos comentar do visual. Vamos a isso:
Roupa: No mundo adulto, só os tolos não julgam pela aparência. E nem fui eu que disse isso. Ter um guarda-roupa básico é essencial. Afinal, vez ou outra a gente vai parar num lugar refinado e, certamente, não pega bem usar aquela camiseta do The Clash.
Óculos-escuros bacanudo: Sim, as pessoas reparam. Se a desculpa de não ter um é 'porque você perde', vale dizer que nossa responsabilidade começa nas coisas pequenas. Se a desculpa é grana, parcele. O processo de investir num óculos caro (e cuidar dele), é o mesmo que num carro. E não me venha com chilli beans.
Tênis: Adoro. Mas a gente tem que saber onde usar. No trabalho, por exemplo, esportivos (desses de mola, coloridos) nem pensar. Por mais bacana que seja, acaba passando mais despojamento do que a gente quer. Prefira modelos tipo all-star ou de sola baixa.
Relógio: Sim, as pessoas reparam. Hoje em dia relógio é muito caro, quase uma jóia. Meu conselho é fazer como eu e ganhar, ao invés de comprar. Se você lê o blog há bastante tempo, já tem bala na agulha pra isso. Bjo me liga!
[Reflexões: Nossa primeira madrugada bebendo com amigos, sem vomitar no final, também é sinal de adultez. Mesmo a gente vomitando nas posteriores.]
Terça-feira, Agosto 15, 2006
Remediado está
Acho que é coisa de quem tem pai e parte da família médicos, mas adoro um remedinho.
Lembro que, criança, adorava brincar com band-aid, algodão, seringa (sem agulha, né?). Também bricava muito de médico. Adorava! Mas prefiro nem contar aqui. Depois me aparece leitor me chamando de pervertido e dizendo que eu mereço a solidão (eu hein!).
Um dia, escrevi que parecia a Glória Maria, que diz que toma vários comprimidos. Pois só hoje já tomei CLA, vitamina C, Centrum e Aminoácido. Ainda mandei pra dentro um Naldecom Dia. Que é diferente do Naldecom noite. Pra tomar à noite, claro.
Também é curioso também pensar que, mesmo assim, não virei médico. Mas virei publicitário. E o que tem a ver? Tem a ver que hoje vivo fodido, trabalho que nem um camelo, não como direito e passo maior parte do tempo tomando vitamina, anti-gripal e tentando não ficar doente ou estressado. Perecebe como me valeu tanto conhecimento no assunto?
E termino o post contando um causo engraçado. Outro dia achei um remedinho perdido dentro da mochila e, como tava meio gripado, mandei pra dentro. O tempo passou, fui fazer um xixi e ele saiu laranja, quase vermelho. Só depois que estava no pânico, lembrei que, ano passado, tive que tomar um diurético que deixava o xixi dessa cor. Pode?
[Refelexões:Não tome nada sem saber o que é. Se tiver um coraçãozinho desenhado, não tome mesmo. Deixa que eu tomo]
Segunda-feira, Agosto 14, 2006
A pessoa que fala sozinha
Não, eu (ainda) não enlouqueci. Mas ultimamente ando falando sozinho a valer, já que meu celular, que me custou as caras, agora deu pra não funcionar direito.
Virou rotina eu estar no meio dum papo sério (tipo o boato que o celulari vai ter um caso com o Tarcisão, na novela) quando o celular cai. E até perceber que não tem ninguém do outro lado da linha, fico falando comigo mesmo horas, que nem um louco.
Sexta passada a linha caiu com meu melhor amigo, dia do aniversário dele, eu enlouquecido no shopping atrás de uma lacoste azul (pois é, meus amigos são bem específicos em matéria de presentes). Continuei falando, quando o telefone tocou de novo. Tomei um susto da porra e o celular foi parar longe. Vexame!
Claro que, se depender da pilha dos amigos, eu já estaria usando blue tooth e falando por aí sozinho faz tempo. Mas mico por mico, prefiro o susto, que andar por aí com aquele bezouro transformer na orelha. Definitivamente, não dá!
[Reflexões: Celular quebrado é pânico. Mas abrir a conta no fim do mês, é beeem mais!]
Sexta-feira, Agosto 11, 2006
Terreno arenoso
Até pouco tempo atrás eu saía com alguém. Preferia ter começado o post usando o verbo namorar. Mas o verbo correto é sair mesmo.
A ironia é que, ao falar sobre o assunto, usei o verbo namorar hoje pela primeira vez aqui no blog. E, justamente, pra relatar um engano. Já que eu achava que tava namorando. Mas pra pessoa em questão, a gente só tava saindo.
Se você achou difícil de entender a transição, de namorar pra sair, é porque você não sabe o que é vivenciar. Isso sim é difícil! Quando eu era pequeno, ouvi alguém xingar o outro de cara de cu. E não entendi. Hoje eu entendo, pois é exatamente essa a cara que você faz quando percebe o tamanho da encrenca: de cu!
Transitar de namorar pra sair, jogando a real, é desacelerar, dar um passinho pra trás. E você, bonitinho, saradinho, cheirosinho, aprendeu muita coisa na vida, mas passo pra trás não é uma delas. Não é mesmo!
Então, um belo dia de sol no Ibirapuera, você sentou, refletiu, refletiu (pagou de gatinho um pouco, claro) e chegou a conclusão que, na escassez de opção, só podia dar o passo na única direção que lhe cabia: nem pra frente, nem pra trás, mas pra fora!
(nota do editor: e pra pista de cooper, claro!)
[Reflexões: Nessas horas, pau no cu da reflexão, just do it!]
Quinta-feira, Agosto 10, 2006
Descombinando
Tem vezes que você se preocupa tanto com o visual, que quando olha no espelho parece um manequim. Todo combinandinho. Tipo aquelas fotos antigas, quando nossa mãe decidia o que a gente ia vestir.
Nessas horas a gente sente que tem algo errado e pensa: poxa, se eu tô tão bonitinho, porque estou tão uó? A resposta é que a gente exagerou na dose. E agora precisa descombinar.
A boa notícia é que descombinar é fácil. Por exemplo: se a gente tá usando uma berma estampada, descombina não usando estampa na camiseta. Se tá usando um visual careta, descombina usando um cabelo bagunçadinho. Se tá usando um visual bagunçadinho, descombina usando um cabelo careta. E por aí vai.
O segredo é não pesar no visual, nem prum lado nem pro outro. Fazer esse tipo de exercício, além de divertido, vai criando na nossa cabeça (e no guarda-roupa) um tipo de arquivo de vestir, que quanto mais a gente acessa, mais vai aprimorando.
A vantagem é que a gente economiza horas de vida, podendo fazer outras coisas (como ver L Word, que passa bem no horário de sair) ao invés de ficar naquele sufuco na frente do espelho. E quando alguém te elogiar e você disser: 'gata, pois vesti a primeira coisa que vi e vim!', não, você não vai estar mentindo.
[Reflexões: Não diz que os opostos se atraem? Que seja no mesmo modelo.]
Terça-feira, Agosto 08, 2006
D.edge brilha
Quando abriu, o clube D.edge chegou na cidade já hypado. Primeiro, porque tomava o lugar da antiga Stereo, que imprimiu um (novo) conceito de gente moderna e trendy, sem a afetação da cena GLS's. Segundo, porque ousou levar os bem nascidos à Barra Funda, um bairro esquecido até então.
Durante muito tempo ele imperou. Quem chegava na cidade implorava pra conhecer a tal casa com o dial gigante no bar, a iluminação que acompanhava o ritmo da música e o bombado banheiro unissex, palco de histórias de cair o queixo.
Um dia a coisa cagou. Os outsiders descobriram, as brigas começaram, as filas eram intermináveis e o lugar fechou pra reforma. A reinauguração, com o top DJ Laurant Garnier foi tão drama que saiu até nos jornais. Fiquei um tempão sem ir.
Até dois finais de semana atrás, onde tive uma dessas noites incríveis que ficam na memória. No caso, na minha e de mais um casal lindo. Mas abafa que não posso falar disso aqui. Esse final voltei de novo, mais comportado mas não menos animado. E foi tudo ver que o clube retomou a vibe, a galera linda e o respeito pelos frequentadores.
Tá de bobeira sexta à noite? Pega a sua carinha bonita, põe num modelo bacanudo e cai pro D.edge. Quer uma dica? Faz o blasé e chama o host pelo nome (Auri). Quem sabe ele não simpatiza, te tira da fila e faz sua noitada começar com o pé direito.
[Reflexões: Todas as noites são iguais, os meninos satisfeitos e as meninas querem mais... ]
Quinta-feira, Agosto 03, 2006
O meio da semana
O meio da semana é um limbo na agenda do jovem urbano. Tem quem não goste porque falta tempo pro final de semana chegar. Tem quem goste porque o pior (o começo da semana) já passou.
Quem trabalha, fica tenso porque tem trabalho acumulado e periga ter que trabalhar no final da semana. Quem tem a vida boa, fica tenso porque tem que decidir se vai pro litoral com os amigos, sem saber se vai fazer sol ou não. Tudo no meio da semana.
Ainda tem o fator festa. Em Sampa as melhores festas (dessas em lugares finos, com famosos e tudo free) acontecem no meio da semana. E a gente entra naqueles dilemas existenciais tipo: se eu for vou beber pencas, trabalhar mal o resto da semana e faltar na academia.
Se não for, vou me arrepender e ter que ouvir dos amigos que foi a melhor festa do mundo. Sim, estudos científicos comprovam que a melhor festa do mundo é sempre aquela que você não foi (mesmo quando é um pertit comitê num quitinete na Bela Vista).
Mas acho que o pior mesmo e quando você tem um casinho de fim de semana. E lá no meio da semana você começa: será que vai rolar? Será que vai ser bacana? Será que vai ser a última vez? Será, que será, que será... Um saco.
Claro que o meio da semana tem vantagem. Você paga meia-entrada no cinema. Janta no Spot sem espera. E malha na academia vazia. Mas você gosta mesmo é do final de semana. E como não dá pra fazer o tempo correr, entra na comunidade 'Chega Final de Semana, Chega'!
[Reflexões: Vamos combinar tipo na quarta?]
Quarta-feira, Agosto 02, 2006
Um olhar sobre a beleza
A beleza é efêmera. Você pode se achar lindo, você pode se achar feio, você pode não se achar nada. Mas, cá pra nós, você se importa mesmo é com que os outros acham, mesmo fingindo que não tá nem aí! Então vamos às considerações:
Se você compra uma camiseta normal, sai na balada com ela e alguém que você acabou de conhecer diz: você tá lindo! Provavelmente você é bonitinho.
Se você compra uma camiseta feia pra burro, sai na balada com ela e alguém que você acabou de conhecer diz: você tá maravilhoso! Provavelmente você é lindo.
Se você compra uma camiseta linda, sai com ela e alguém que você acabou de conhecer diz: sua camiseta (e somente ela) tá linda! Bem, você é simpático.
Se você compra uma camiseta ma-ra-vi-lh-o-sa, sai com ela e alguém que você acabou de conhecer diz: sua camiseta é exótica! Desculpa, você é feio.
Se você compra uma camiseta horrorosa, sai com ela e alguém que você acabou de conhecer diz: você tá lindo e bem vestido! Aí colega, não importa se você é lindo, feio, simpático e o caralho, porque essa pessoa quer mesmo é dar pra você. Arrasa!
[Reflexões: Tá feliz? Ótimo, porque bonito... ]
Terça-feira, Agosto 01, 2006
Burning
Depois de pegar uma praia fervendo num fim de semana, é bem estranho sair no outro com o termômetro batendo 10 graus.
Mas como você não é do tipo pipoca + sofá, resolve sair assim mesmo. Fazendo algumas mudanças de planos, claro: primeiro, escolher um suéter bacanudo. Segundo, trocar a rave no topo da colina (e diz que fez 5 graus) por um clubinho fechado e quente.
Lá dentro, enquanto no bar você avalia as várias opções de caipirinhas, na pista avalia uma opção bem apessoada pra esquentar a sua noite. O problema é quando você não quer ter opções mas sim 'a' opção. Que, no caso, tá logo ali fora dançando com amigos.
Se você não nasceu pra correr atrás de ninguém, também não nasceu pra ficar na vontade. E depois de chegar junto e trocar uma idéia, você finalmente percebe que a noite vai terminar onde você queria: no começo da manhã.
No outro dia, voltando pra casa e ouvindo Gnarls Barkley, você ri ao avaliar os riscos da aventura. Afinal, brincar com fogo pode resultar numa lareira incrível pra te aquecer. Mas também numa ferida difícil de cicatrizar.
[Reflexões: la vie n'est pas juste, mas c'est magnifique]