Sexta-feira, Junho 23, 2006
Ressaca visual
Aproveitar um final de semana de festas incríveis (o que foi o Dany Tenaglia?) e chilli ins bacanudos (o que foi o do Jardim Europa?) é ótemo pra esquecer da vida. Mas o resultado do pé na jaca é sempre devastador.
Coisas simples podem ajudar a gente a entrar no prumo e recuperar aquela carinha saudável, que só parece natural nos seus amigos recém chegados do nordeste.
Dormir é uma delas. Nada dá mais na cara que sono atrasado. O foda é quando você tá no período de recuperação e recebe um vip pra assistir Vive la Fête no meio da semana. Como essas coisas não se recusam, a gente vai. E arruma um bom óculos-escuros depois.
Comer bem é outra. Mas atenção, comer bem não quer dizer matar 3 pratos de macarronada. Fugidinha da dieta é uma coisa. Fugidinha pra destruição é outra.
Por fim, voltar pra academia. Sim, a gente vai atrasando, atrasando e quando vê, emendou uma semana na outra. Segura na mão de Deus e vai! Se faltar fé na força de vontade, segura na mão daquele personal sarado mesmo. E se joga!
[Reflexões: sair de balada é bom. Mas se atirar na cama na volta, também]
Quarta-feira, Junho 21, 2006
Preocupações despreocupadas
Foi assim. Do lado de fora o mundo tava acabando. De dentro, você só pensava em cortar o cabelo. Capricho? Chamaria de necessidade. Afinal o final de semana de festas da Pride iria começar e você estava parecendo o Alfie, o E.T.eimoso.
Olhando o trânsito pela janela você já imaginava o que viria pela frente. Só não imaginava que viria pelo lado, por trás, por tudo que é lugar. Situação normal pra quando se junta a palavra 'São Paulo' com 'feriado prolongado'.
Algum tempo (e xingamentos depois) você chega no salão. E corta. Na hora de pagar a pessoa não aceita. Antes que você comece a pensar besteira, ele explica: Querido, você já indicou tanto cliente bacana que agora é VIP aqui. Tá?
No caminho de casa, alívio no trânsito. E alívio no peito. Afinal, o cabelo tava cortado, a malhação em cima, os convites no bolso, os amigos chegando em doses homeopáticas na ponte-aérea, pré-requisitos necessários pra quem pretendia curtir um feriadão repleto de festas até o dia amanhecer beijando muito e se divertindo horrores.
E hoje, meio passadinho, tomando vitamina C, própolis pra garganta e tendo que faltar na academia você realiza que se tivesse que fazer tudo de novo, talvez fizesse uma só coisa diferente: teria dormido muito menos. Beijo me liga!
[Reflexões: como diria os amigos, a felicidade está em um check-in]
Segunda-feira, Junho 19, 2006
No pain no gain
Tem dia que a gente não quer levantar da cama. E nem é porque a gente tá com uma companhia delícia debaixo do lençol. Mas porque acordou sentindo dor em tudo que é lado. Tipo como se tivesse sido atropelado por um boing. Ou tomado uma surra de toalha molhada (que, segundo meu irmão que faz jiu-jitsu, não deixa marca).
Pra quem é viciado em academia, isso é tipo rotina. Afinal, malhar praticamente é sinônimo de dor muscular. Mas posso falar? Pra mim, se não rola uma dorzinha depois do treino, parece que não deu resultado. No pain no gain colega.
Tem nego que nem precisa de malhação pra acordar detonado. Aliás, é o contrário. A vida anda tão sedentária que basta uma trilha de fim de semana, uma viagem na classe econômica ou um cineminha mais longo e pronto. Pronto-socorro!
Ninguém gosta de dor. E cada um suporta níveis diferentes. Diz que as mulheres são mais tolerantes. Eu não duvido. Quando fiz uma mega tatoo na costela dei um chilique e do meu lado, uma fêmea tatuava as costas tranquilamente, fumando um cigarrinho e lendo uma Trip.
Mas existe uma parte do corpo onde a dor sempre machuca mais. Pois independente de raça, cor, sexo, é no coração da gente que tudo toca mais fundo. O foda é que nesses casos não há química que dê jeito e só um remedinho é capaz de curar. Um remedinho chamado tempo.
[Reflexões: o ruim dum feriado prolongado de muita curtição? É a dor no bolso. BEIJO ME LIGA!]
Terça-feira, Junho 13, 2006
Aos 45 do segundo tempo
Dia dos namorados. Você, recém separado de alguma coisa próxima a um relacionamento e ainda por cima sem carro num dia chuvoso, resolve encarar a difícil tarefa de levar tudo da esportiva.
Decido a perder a classe mas não perder o treino, resolve pegar um busão. O trajeto é curto, mas o tempo que você não tem tal experiência, longo. Você prepara o espírito, no caso, o iPod, recheado com uma seleção pra um dia que, como diria a cantora Kátia, não está sendo fácil.
Aos 45 do segundo tempo, eis que sua sorte muda. Primeiro um colega de trampo te oferece carona. No segundo seguinte, seu celular toca. Do outro lado da linha, uma fênix renasce das cinzas personificada por um convite pra um jantarzinho.
Uma hora de esteira e alguma serenidade depois, lá está você, experimentando sabores que já conhece. No caminho pra casa, o vento gelado no rosto divide espaço com um sorriso. E você realiza que esse dia dos namorados foi melhor do que você imagina.
O dia em que você decidiu, de uma vez por todas, assumir o namoro com quem pode te tornar a pessoa mais feliz do mundo: você mesmo!
[Reflexões: Cazuza forever!]
Segunda-feira, Junho 12, 2006
Sacudindo a poeira
Quando a gente tá de baixo astral se fecha em casa e aluga um filme com a Jenifer Aniston, certo? Pelamordedeus colega, não me decepciona! Claro que não! Baixo astral só serve pra duas coisas: pretexto pra usar preto ou pra gastar além do que a gente pode. E já que eu tô nessa fase sacode a poeira e tal, segue dicas do que venho testando:
. Tapa na peruca: grandes mudanças pedem... Grandes mudanças! Então, nada mais natural que dar adeus ao visú antigo. Mas vá num salão que você confia. Errar num momento desses, aí só te sobra o DVD. E cianureto.
. Comprar: estudos comprovam, comprar aumenta a auto-estima. Mas estudos também comprovam, detonar o cartão de crédito é pior que zero-estima. Então manere. Gaste com coisas pontuais e que você realmente precisa. Tipo aquele chapéu estiloso Sommer. Brincadeira.
. Acesso de frescura: Porque não? Se dê de presente um momentinho frescura. Vale uma massagem, limpeza de pele, shiatsu essas coisas que você nunca faz porque acha coisa de rico. Você vai descobrir que tudo isso é mais prazeroso e barato do que imagina.
. Shake that ass: por fim, pega seu novo visú, seu novo modelo e a pele descansada e se joga caralho! Vai no Vegas, no Glória, no D.edge e se mata de dançar. Não tem companhia? Vai sozinho. E troque sua preocupação de chegar acompanhado no lugar, pela de voltar acompanhado pra casa.
Garanto que as dicas acima podem ensinar pra você, de uma forma mais divertida, algo que uma terapia iria demorar mais tempo, a primeira é que baixo astral não combina com felicidade. A segunda é que se a vida superexige da gente, a gente também superexige da vida.
[Reflexões: Lama? Só se for negra. E de massagem facial.]
Quarta-feira, Junho 07, 2006
Tempo ao tempo
Existem coisas na vida que realmente são bem complicadas. Tipo algebra, Dostoievski e relacionamentos. O que diferencia os dois primeiros do último é que os dois primeiros a gente até aprende na aula, já o último...
Daí a gente está num desses momentos de felicidade hollywoodiana da vida, tipo de conversível na Lagoa, mãozinha na perna da pessoa, vento nos cabelos (isso é só um exemplo, tá gente) quando de repente 'thum', tudo muda. Sem nenhum teaser.
E pronto. Num final de semana você, que era todo seguro de si, se vê sentado sozinho num café bacanudo dos jardins, vendo os casais passarem e se questionando o que há de errado com a sua pessoa.
E até você realizar que o problema não é com você, lá se vão alguns neurônios e momentos de tristeza verdadeira. Com o passar dos dias, naturalmente, bate a serenidade e você começa a perceber que a hora de olhar pra trás e rir um pouco disso tudo tá chegando.
Mas até lá você quer mais é olhar pra frente, onde repousam seu trabalho, amigos, malhação, um filmezinho independente, um suco de melancia. Uma vida que pode ter deixado de ser interessante pra alguém, mas que pra você, é o máximo justamente por ser verdadeira.
[Reflexões: O amor é que nem a Avenida Paulista: começa no Paraíso e termina na Consolação!]
Sexta-feira, Junho 02, 2006
Mundo Lost
Você chega na casa da amiga que não vê há séculos pronto pra fazer festinha. Um clima de tensão corta seu barato. Senta logo, vamos ver o fim da segunda temporada de Lost que a gente baixou, diz ela. Em frente ao computador um mini-cinema indie está pronto, com cadeiras de praia, de cozinha e um sofá.
Pra quem não conhece, Lost é o suprasumo dos seriados hypes, repleto de referências conceituais à acontecimentos e obras do mundo real. Pra quem conhece, nem preciso dizer que em menos de cinco minutos de trama rolava babado e confusão. Forte.
Na tela, um personagem puxa um livro do Charles Dickens. Na sala, pessoas entram em polvorosa. Anotou esse? Diz alguém. É que a gente lê todas as referências. já li o Senhor das Moscas, Presa e O pequeno Príncipe (Tá, esse último eu inventei). Logo, você começa a se perguntar se está mais tenso com a realidade ou ficção.
De repente, fim! Todos na sala debatem calorosamente. Você, que não tem vocação pra seita, tenta introduzir outro assunto. No caso, o seriado Weeds, que é a história freak duma dona de casa trafica. De repente, alguém que você não conhece te chocha e conclama: vamos ver Lost de novo? Vamos, gritam todos em coro.
Enquanto você foge passado, reflete que, assim como no seriado, existem mundos e mundos. Nuns, você sai do Spot pra ser vip no Glória lotado. Noutros, você é zuado por um nerd desqualificado porque não sabe 'What Kate Did'. É, a vida é complexa mesmo.
[Reflexões: caguei pra que um boneco de neve disse pro outro (ou seria um esquimó?)]