Sexta-feira, Março 31, 2006
Tá na cara
Confirmou. A barba volta com tudo na cara da galera e avança também na publicidade. E diz que de L'Oreal à Calvin Klein (que sempre dita tudo, né?) já tão fazendo. E eu já tava preparando um post sobre o assunto depois de uma sexta bombada no Vegas onde só tinha clone do Los Hermanos.
Segundo matéria no NY Times, o fenômeno se deve ao fim da onda metrosexual e à crise do visú baby face, que é aquele homem com cara de garotão, que carrega consigo aquela dubiedade sexual e tal. E me diz, você não adora essas conjecturas da moda de achar pêlo em ovo. Acho trend.
Engraçado é que no Brasil a crise da moda (a política) fez cair justamente os barbados. Mas como esse assunto ningém merece, sigamos. Acho curioso observar com os vendedores de loja de marca compram logo as tendências. Repara. Na Oscar Freire, por exemplo, vários já adotaram a barbinha, impensável há algum tempo atrás.
Daí que o modismo tem suas vantagens, como a não necessidade de ficar fazendo a barba dia sim dia não, o que é um saco pra todo homem (e algumas mulheres. Brincadeira). Mas quem já experimentou, sabe que barba pede ainda mais cuidados (leia-se produtos) do que quem não tem.
Eu fico em cima do muro. Entre o liso e o Fidel, opto mesmo é pelo visual barba por fazer, que pode não estar nos editorias de moda do mundo, mas está na moda que mais importa: a lá de casa.
[Felexões: A primeira faz tham, a segunda faz thum e tham-tham-tham-tham]
Quinta-feira, Março 30, 2006
Um papo academia
- Acredita que meu caso me chamou pra comer pizza? Recusei.
- Massa não pode, né?
- É! Não pode.
- E diz que nem shake com banana. Que é carbo.
- E arroz também não.
- Vou viver só de yougurte e granola.
- Mas yougurte também não pode cara!
- Ah não pode, é?
- Não sabia? É um veneno. Tem lactose. Vai direto pra barriga.
- Caraca, e gora? Vou fazer o quê? Comer oxigênio?
- Diz que o oxigênio é tudo. É vida, né?
- É. Vai pro lado da Paulista? Vou com você, vamos andando, respirando e jantando no caminho.
- Esse oxigênio não é meio poluído?
- Não começa, tô com fome caralho. Vamos lá! (inspiiiira...)
[Reflexões: Sou definido. Defini que assim tá ótimo e pronto!]
Quarta-feira, Março 29, 2006
Festa na Presidencial
Quê festa no apê que nada. Fazer festa em suites de motel confirmou como o novo hit da galera de sampa, que quer comemorar o aniversário com infra, sem ter que apelar pra lista de convidado na porta de boate (que sempre tem drama pra entrar ou pra sair, um saco).
E esse finde fui numa festa incrível no Riviera. E tinha um iate (mesmo) dentro da suite, que fazia as vezes de mezanino, com piscina e teto solar que abria e fechava em cima no deck. Até carrinho de picolé tinha. Glam colega, muito glam.
Pra mim foi meio surreal chegar no pico e ter que deixar o RG na portaria, mas é tudo tão diferente que você desencana. O som do DJ não vaza, daí quando você corre a porta dá de cara com a festa comendo solta e aquele cenário SOS Malibu. Já disse que tinha carrinho de picolé? Tá eu paro!
E como nunca tinha ido, também me perguntava se a parada ia terminar numa suruba anos 70. Coisa que não ando no clima. Mas é tudo tão profissa e alto astral que logo você perde o medo e sai de lá querendo muito fazer isso (a festa, não a suruba).
Dou os parabéns ao A., que mandou muito bem e proporcionou um dia de sonho pra todo mundo. E claro, pra ele, que jamais pensou que uma festa no motel pudesse rolar muito mais legal que uma Heaven, Lotus ou Disco da vida.
[Reflexões: A maldade está mesmo é na mente das pessoas. Bom, e no quartinho do segundo mesanino]
Sexta-feira, Março 24, 2006
Rumor has it
Sua amiga liga. Tensão na voz. Preciso te falar urgente, diz ela. Alta do dólar? Bazar do Herchcovitch? Nada! O motivo do alarde é nada mais que uma boa fofoca. E como fofoca nego diz que odeia, mas no fundo adora, seguem dicas de experts com MBA no assunto (no caso, minhas amigas) pra lidar com essa prática milenar:
. Tá se corroendo de vontade de passar adiante uma história digna do Programa do Ratinho, mas não quer cometer o pecado da injúria? Pegue um pote de nutela, seu V3 Black e solte o verbo. No fim, você vai estar tão passado com o pecado da gula que vai esquecer os outros.
. Parar uma foda pra ouvir que um ex-amigo rico hoje vende sorvete em Londres? Jamais. Treine o ouvido para diferenciar, já na introdução, a fofoca ruim da boa. Como, por exemplo, a da recente separação dum casal hype do mundo da yoga que abalou o jet set zen paulistano.
. A fofoca envolve um amigo. O que fazer? Se o amigo for só coleguinha de trabalho, deixa ele se virar. Afinal, já é grandinho pra aprender em quem confiar. Mas se for um amigo de infância, ouça o fato, descubra a fonte da injúria e conte a ele. E, claro, ofereça ajuda caso ele queira aleijar, matar ou esquertejar o difamador.
. Você deve passar uma fofoca adiante quando: a pessoa que contar o caso pedir sigilopeloamordedeus. Segundo as experts, essa é uma senha secular que significa: passe o caso adiante e certifique-se que ele vai ganhar os jornais em 24 horas.
. As pessoas que fofocam tem uma vida monónota (que minhas amigas não leiam isso) e projetam sua curiosidade sobre a vida dos outros. Por isso atente: melhor que fofocar que sua vizinha está trepando com um cara diferente cada noite, fique amiga dela e aprenda como ter o mesmo desempenho. Afinal, fofocar pode ser bom, mas ser o motivo da fofoca (e acordar com a pele linda) pode muito melhor.
[Reflexôes: Não tendo o corpo, não tem provas.]
Segunda-feira, Março 20, 2006
Fechado pra balanço
Fechar pra balanço não significa fazer chill-in de samba rock. Quer dizer fechar-se para relacionamentos enquanto se faz uma breve (ou mais longa, dependendo da situação da pessoa) avaliação dos últimos relacionamentos que pontuaram sua vida.
Fechar pra balanço é uma dessas coisas que a gente descobre necessário quando se atinge a idade adulta. Necessário, mas nada fácil. Eu fechei pra balanço no fim do ano passado, depois de terminar uma relacionamento muito bacana, desses que só dão alegria e que, quando termimam, a gente gasta travesseiro tentando descobrir onde a gente errou.
Um lugar comum do fechamento pra balanço é abrir pros amigos opinarem sobre suas relações. Ritual esse, geralmente regado a muito vinho. Mas cuidado. Se seus amigos forem como os meus, periga você terminar numa rodinha inquisitória, onde qualquer semelhança com As bruxas de Salém não será mera coincidência.
Porém, nada é pior na vida duma pessoa fechada pra balanço do que achar a pessoa certa nesse momento, digamos assim, errado da vida. E se você tiver o meu azar (ou sorte) ela vai ser legal, bonita, triatleta (tá?) e cheia de vontade de juntar escovas de dentes, enquanto você, ordinary e complicadinho, se encontra incapaz de começar nem curso de inglês, quiça relacionamento maduro.
Como disse, fechar pra balanço não é fácil. Mas é ainda assim é o único momento em que a gente pode olhar pra trás com tranquilidade e entender que, além de suprir nosso mundinho urbanizado e cosmopolita, a nossa vida é uma extensão de algo maior que nos rege e que precisa passar pelo outono, inverno e primavera, para novamente ter o seu verão.
[reflexões: Se não tem final feliz, é porque ainda não acabou]
Sexta-feira, Março 17, 2006
O Playboy Paulista
O playboy existe desde a pré-história, onde já não faziam nada a não ser gastar os mamutes do pai nas cavenas VIPs da época. Hoje em dia, o playboy também varia de acordo com os costumes local. O playboy da Sampa, por exemplo, é diferente do Playboy carioca e não tá nem thuns pra esse lance de corpo em forma e maromba.
Acontece que desde cedo, os boys paulistas aprendem na escolinha da playboylândia (a área VIP do Sirena, em Maresias) que quem gosta de abdômen definido é gay, patricinha paulista gosta mesmo (além da escova progressiva) é de dinheiro. Claro, existe boy metrosexual que tambem pega mina, mas esse aí também pega o irmão dela à tarde, no Paineiras.
Além da tetinha da camiseta, barriguinha saliente, e da cor branca, os playbas paulistas tem outros diferencias, como a pretensão de ser fashion. Logo, usam coisas como tiara DocDog na cabeça, anel de prata no dedão e corinho H.Stern no pescoço gordinho, esse último, mais parecendo aquele fio de sujeira que orna as crianças do maternal.
Eu acho bacana os playboys de Sampa porque eles sabem como se divertir: adoram pagar pras meninas menos favorecidas de grana (mas favorecidas de outros atributos) enfeitarem suas baladas, tomam ectasy com flash power como se fosse água e dificilmente se metem em brigas, trabalho esse pro segurança à tira-colo.
Se eu tivesse nascido numa família po-dre-de-rica rica rica rica de marré desci (o que deve ter acontecido na pré-história dado meu ímpeto ao consumo) também seria um playboy paulistano. Meu pai iria me dar uma empresa de RH que iria atender meus amigos playboys e eu andaria pra lá e pra cá, feliz no meu Lanborguini vermelho TAM. TAM, porém first class, course.
[Reflexões: no fundo todo playboy tem seu charme, no caso, no fundo duma Victor Hugo no bolso esquerdo]
Segunda-feira, Março 13, 2006
Super te pego
O mundo mudou. E com ele, os hábitos. Você lembra que, pequeno, amava ir pegar a parentada que mora fora de São Paulo no aeroporto. E por mais rápida que fosse a função, seu pai tinha que dar um tempo pra você ou seu irmão subirem no terraço e verem ao menos um aviãozinho decolar.
Então você cresce achando isso (de levar e buscar) tão normal, que só percebe o quanto se tornou incomum pela cara de passada dos amigos e parentes quando saem do desembarque e te vêem ali parado, esperando com um sorriso. Teve uma amiga que foi morar em Londres e que ficou tão agradecida que confessou que nem a mãe dela fazia aquilo.
Daí que hoje, com o trânsito, assalto, a gasolina e o preço do estacionamento uma afronta ao ser humano, ir buscar os amigos e as visitas já não é mais tão legal. Mas você realiza que sim, o mundo mudou, mas que você ainda é (graças a deus) old fashion pra certos assuntos, como estar nos minutos finais ou iniciais de um viajante amigo.
Entenda, longe de mim fazer um manifesto a favor de você ir buscar qualquer um que chegue na sua cidade. Só acho que esse ato de simpatia tem tanta coisa envolvida - a distância, o cansaço da pessoa, a saudade que você está sentindo, uma abraço apertado - que vale a pena perder algum tempo e prestar consideração a alguém que você gosta.
E por ser tão incomum, cabe compreender que nem sempre as pessoas vão te retribuir o favor. Eu faço porque fui educado assim. Mas quando chego em algum lugar e não tem ninguém me esperando não esquento não. Até porque, chegar no aeroporto belíssimo, de bag Louis Vuitton em punho e D&G na cara, atravessar o hall e pegar um táxi pro destino tem seu hype.
[Reflexões: tá, confesso, não tenho mala Louis Vuitton... ]
Quinta-feira, Março 09, 2006
Pisando forte na avenida - Parte II
O Carnaval já datou e tal, mas é esperando pra cortar o cabelo e com uma revista caras na mão que você precebe o quanto ele foi legal. A começar pelo fato de que, com quase 30 anos de praia, você realizar que ainda era virgem de uma coisa: desfilar numa escola de samba na Sapucaí.
Sair numa escola é como dizem, vapt, vupt , só dura 20 minutos. Mas a emoção não dá pra ser medida só nesses minutos. Tem o lance de ir buscar a fantasia, o ritual de vestir, de chegar na Marqês (se a fantasia for enorme, só via metrô colega). E o que são as 2 horas de concentração? Por isso que a emoção de desfilar é feita dum puxadinho de emoções menores.
E chegar na concentração de um desfile pela primeira vez é algo muito legal e divertido. Acho que a melhor pessoa que descreveu foi a Marina W (aí do lado), que disse assim: 'Parece um set de filmagem. Muita purpurina, estrasse, lamê, mulatas, sambistas, tudo muito colorido, muito alto, a sensação realmente é a de estar sonhando, é um impacto'.
Na lista do 'top avenida': ver os fogos que abrem a escola, o puxador iniciando o samba (que você esquece que odeia), fazer a curvinha pra entrar na Sapucaí e você e seu amigo, loucos de bala, jurando que eram a Luma e cumprimentando o público. Alegria e diversão pura no melhor sentido da palavra.
E você, escrevendo isso, relembra tudo e sente até o pêlo do braço arrepiar, porque existem coisas na vida que seu Amex Gold compra, já a emoção de desfilar na Sapucaí com seu melhor amigo e um love na língua não tem preço. E a moral de história é que o camarote Brahma é legal, mas sair na avenida é o que há!
[Reflexões da Sapucaí 'in loco': Só se vive uma vez colega, mas se desfiila vááárias]
Terça-feira, Março 07, 2006
Fim de Festa
Todo mundo sabe o que acontece quando se une corpos sarados, festas maravilhosas na beira da piscina e muito, mais muito aditivo, em pleno carnaval carioca. Ah não sabe? Pois não vai ser eu que vai contar, porque o assunto desse post é sobre o pós carnaval. Afinal, quando a bagunça acaba e você pega o vôo pra Sampa, começa a sentir os efeitos colaterais de viver por uma semana la vida loka: que é aquela deprê.
Quem já tem algum tempo de carnaval eletrônico no Rio, sabe que ficar em casa esperando o nível de serotonina voltar ao normal pode levar até uma semana, mas existem coisas que ajudam pra caramba a acelerar o processo e a readaptar o organismo à rotina antes de você comece a chorar com a novela das oito.
A primeira é a dieta do Jô (que um amigo barbie inventou), que consiste em você visitar o Amor aos Pedaços, o Rockets, a Haagen Dazs e o buffet do Ráscal em 5 dias, encher a cara de porcaria e não deixar seu corpo se privar de nada. Se você for tão neurótico com a balança como eu vai querer se matar antes da semana acabar, mas aí que entra o segundo item da lista: a malhação. É duro, mas treinar legal após o pé na jaca, além de queimar toxinas, ajuda a colocar a fisiologia do corpo no lugar.
A terceira e última é a que eu mais gosto e aconselho, no entanto, por depender de um terceiro elemento também é a mais difícil de ser realizada, que é uma, duas, três noites intensas de sexo. Cientificamente não conheço todos benefícios da prática pro corpo, mas sei que é a opção mais completa. E outra, se você está trepando após um carnaval `sangue na parede` no Rio de janeiro, vamos combinar que além de sortudo, você pode estar sofrendo de tudo menos de deprê.
[Reflexões: se ressaca moral matasse, hora dessas tava de algodão no nariz]