Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
Pisando forte na avenida
A gente fica o dia todo enfurnado dentro do trabalho e só percebe que o carnaval tá perto quando o assunto das rodinhas vira um só: vai viajar pra onde? E enquanto geral ovula com roteiros mirabolantes, você finge que não ouviu a pergunta pelo simples motivo que não tem nada planejado.
Mas como planejar alguma coisa quando se está sem grana, sem companhia e sem aquele espírito dos anos anteriores? Tarefa mais que difícil, ainda mais quando sua semana foi 'a semana top 10 lama 2006', com direito a mudança dramática de agência, entre outros pormenores.
Mas ficar aqui também não rola, afinal você ainda guarda na memória o carnaval de tempos atrás, quando optou em ficar na cidade a fim de curtir as delícias culturais de uma São Paulo vazia e encontrou uma cidade caótica e lotada. E se for pra pegar o crowd, que seja no 'Simpatia é Quase Amor'.
E quando tudo parece meio nebuloso, eis que um e-mail muda tudo. No subject, um convite pra desfilar no Rio, na segunda escola do grupo especial, com direito a fantasia mico e acompanhante. E tudo de graça.
Então a gente separa a coleção de sungas, de vitaminas e hot cel fones cariocas e faz a reserva no primeiro vôo que encontrou pra cidade maravilhosa, pois como diria o filósofo, existem 4 coisas na vida que o ser humano precisa fazer pra cumprir sua sina nesse mundo: escrever um livro, plantar uma árvore, fazer um filho e sair na Sapucaí.
[Reflexões: não é que você não gosta de samba, é que bebeu de menos!]
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
Hits de Verão
Chega o verão e de repente começa a rolar umas manias, umas febres que se espalham pelo resto do país. Tipo aquela da tiara na cabeça, que me matava de vergonha empática quando eu ia pro Rio. Na onda, paguei de trend setter e listei o andei ouvindo nas andanças por aí.
Sobe:
. Cerveja Cicareli, aquela de boca larga, muito mais custo benefício. Como usar: 'moço, dá uma Cicareli geladíssima?'
. Balada GLS. Depois da pancadaria do verão passado, todos querem lugares pra dançar sem perigo de pronto-socorro. Viva a tolerância. E a música eletrônica.
. O culto da imagem. Se no verão passado o corpo era sequinho, nesse o musculoso volta. Pessoalmente não curto, mas gosto é que nem cu e cada um tem o seu.
. Rodinhas de areia. Após o verão do carão, agora o hype é fazer a Sara Jane e 'abrir a rodinha, por favor'.
. Marcas legais lançando camisetas de estampas de bairros e cidades brasileiras. Achei superbacana. E aderi, claro.
Desce:
. Usar a expressão fresh, exemplo, 'essa tua roupa é tão fresh' (o fim, né?). Passar mal de stuffs e ao invés de beijar o broto, beijar o chão (nada mais deprimente). Camiseta de número e time europeu, que ninguém agüenta mais.
[Reflexões: Entre a areia quente e a cerveja gelada, existem mais mistérios do que julga nossa vã filosofia.]
Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
Pessoa mal falada
Quando a gente é adolescente passa 100% do tempo tentando comer alguém. Quando come, espalha pros os amigos que a menina é galinha. E ela fica mal falada. Mas quando a gente é adolescente é um poço de idiotice, tem que dar desconto.
Já adultos superamos isso, mas pegamos gosto pela prática de comer. E vamos à luta. Logo, quem fica mal falado somos nós. Tipo esse fim de semana, onde ouvi que não sou um bom partido porque tenho fama de galinha. E de pegar geral.
E eu? Ri. Não levo a sério quem acha que a gente, que terminou um namoro recente, tem que ficar em casa curtindo uma fossa, vendo DVD, saindo só pra jantarzinhos na casa dos amigos casados, enquanto espera o príncipe encantado aparecer pela porta (tipo minha amiga, que descobriu que além de ogro o príncipe tinha pau pequeno).
Confesso que até reflito sobre esse tipo de conselho, o problema é que geralmente eu estou saindo da casa de alguém que não conheço nem há 24 horas, com a roupa de ontem, aquele sol na cara, dando graças a deus que minha vida não é ordinária e sem graça como a das virgens pudicas de Calcutá.
Pra quem me acha um mal partido, minhas desculpas, mas até achar a pessoa que vou querer juntar as escovas de dentes, vou continuar saindo, beijando e se deus quiser, trepando horrores. Até porque, falar mal de mim por aí só atiça a curiosidade alheia, deixando o banco do passageiro do meu carro sempre muito, mas muito mesmo bem freqüentado.
[Reflexões: Não diz que quem tem fama deita na cama? Então?]
Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
Um verão paulistano
Outro dia ouvi que verão não combina com São Paulo. Morri de dó. Não de São Paulo, mas da pessoa que falou isso, que tem uma visaozinha preto e branco da vida. Pois não existe cidade que não fique mais alegre no verão, com as pessoas circulando bem à vontade, os bares de mesinhas na calçada, aquele bronze na pele.
Tudo bem que aqui a gente não sai mais cedo pra pegar praia. Continua-se trabalhando muito. Mas que outro lugar a gente pode ir trabalhar de sandália helmut lang? E reunir os amigos pro happy hour na Vila? E passar o fim de semana num litoral que, além de maravilhoso, tem uma puta infra, fumando coisinhas adolescentes e bebericando caipirinha de lechia?
Não vai achando que isso é ufanismo paulistano porque nem filho da terra eu sou. Basta perguntar pra quem é escolado nessas ruas. Verão em Sampa é a melhor época pra tomar sorvete nos Jardins, procurar quinquilharia no Bexiga, aproveitar as liquidações do shopping, de bater perna na 25 de março, pagar de gatinho no Ibirapuera e, claro, sair na melhor náite do Brasil.
E é essa miscelânea de gente e de coisas que evidenciam a loucura que é Sampa no verão, que quanto mais cheia mais vai ficando com cara de casa de vó, com as janelas e portas escancaradas, esperando a visita pra tomar um café ou jogar conversa fora. Coisa que nós gostamos como ninguém.
Se animar, não pensa duas vezes, vem pra cá.
Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006
Solteiro sim, e daí?
Quando a gente tá sozinho faz tudo pra achar a solteiriçe a melhor coisa do mundo. Afinal, somos donos do nosso próprio nariz e o mundo é o limite. Na nossa cabeça, isso significa estar lendo uma vogue itália num café glam dos jardins, dar de cara com uma pessoa maravilhosa, ela puxar assunto com você e elogiar a beleza dos brasileiros (tipo com sotaque francês). Logo vocês se apaixonam, casam e vão morar em Nice (porque Paris é muito mainstream).
Infelizmente o mundo real dos solteiros não é bem assim. O café é na padoca do lado da sua casa (porque não tem nada na dispensa há semanas) e a pessoa mais perto da França é o português que dá o chorinho no leite. Jantares a luz de velas então, esquece. Vai virar a pizza de domingo na companhia da Glória Maria, que não é bem o seu ideal de par romântico.
Achou drama? Pois é assim mesmo. Estar solteiro tem um quê melancólico que a gente curte cultuar. Mas isso não significa que a gente é infeliz. Pelo contrário. Ser solteiro não é ser sozinho, é estar sozinho.
É aprender a curtir as coisas da vida por si só, ter auto estima de ir sozinho ver um filme, e a liberdade de não ter que voltar pra casa porque tá tarde, quando ainda são 4 da manhã. Ser solteiro é estar namorado de si mesmo. E como você é um cara bacana, sensível e bonito (sua mãe não mentiria sobre isso) namorar a si mesmo não é tão ruim assim.
Claro que a gente acaba fantasiando as coisas um pouquinho, mas o que que tem? Afinal, ter esse friozinho na barriga de achar que a nossa vida pode mudar na virada da esquina é justamente o que torna a vida da gente, os solteiros, a mais incrível das experiências.
[Reflexões: solteiro é tipo o clima, às vezes faz sol, às vezes faz chuva, outras tempestade... Mas, estamos sempre esperando aquele dia de sol. ]