Segunda-feira, Outubro 31, 2005
Barraco Cultural
Finalmente a Mostra de Cinema começou. E Mostra é tipo a primavera: tira da toca seres que só se interagem com gente normal nessa época. São pessoas que você jamais verá na fila dum cinema pra ver Tom Hanks ou Robin Wiliams.
.. Pensando bem, esqueça tudo escrito acima. Sair de casa pra ver o Tom Hanks definitivamente não é exemplo de gente sadia da idéia. Mas sigamos.
O que acontece é que público de Mostra é mais passional. E que o evento em si tem sempre uma ou outra treta técnica. Somam-se os dois e pronto: não há uma só Mostra que eu tenha ido que não tenha saído barraco na platéia.
O último foi sábado, no documentário sobre o Bergman, cujos organizadores perderam 1 dos 3 blocos. Logo os presentes, incluindo Dráusio (o Varela), Hector (o Babenco) e Rubens (o Evald Filho) se juntaram a turba e ao bafafá, que terminou com minha amiga ameaçando o notebook da projeção.
Balada? Boate? Noitada? Colega, esqueça tudo isso, separe seu all-star e vá à Mostra. Você se diverte pencas, azara a brotagem intelectual (a mesma amiga surtou no Dan Stuback) e ainda coloca um pouco de cultura nessa sua cabecinha de ostra. E o melhor, tudo por apenas 7 reais com carteirinha.
Quinta-feira, Outubro 27, 2005
A Balada monstro
Existem baladas comuns e baladas monstro. Na comum, você vai, entra, paga de gatinho e se a noite for boa (e você solteiro, vai da consciência de cada um) termina pegando alguém pra beijar até de manhã.
Já na balada monstro as coisas são bem diferentes. Primeiro que não existe essa de sossego. Balada monstro que se preze tem que ter função, chill-in, confusão e drama. E tudo mesmo antes dela sequer começar.
E um amigo disse que balada monstro é tipo Katrina, que a gente pensa que vai ser um ventosinho e quando vê tá voando pelo teto. Já um outro, nesse sábado, disse que se sentiu numa excursão da Tia Augusta pra Disney.
Seja skol beats, X-Dementes, Tim Festivals, raves e afins, a real é que essas mega baladas são divertidas justamente pela confusão e pelo fréji.
Talvez minha única ressalva quanto à baladas monstro é que tudo acaba sendo monstro também: a quantidade de bebida, de aditivos, de brigas e de gente feia. E quando amanhece sempre viajo que tô num tipo de inferno na terra.
Mas o mais legal da balada monstro é chegar em casa, tirar o tênis e cair na cama num sono monstro. Você fica o dia hibernando. E perde o sol e o parque a piscina. Mas tudo bem, pois você acorda renovado. Sono monstro é tudo.
Segunda-feira, Outubro 24, 2005
Então...
... Eu tava lendo aqui e adorei quando ela disse que tinha descoberto a palavra 'então'. E que era ótimo pra quem tinha filhos ou casamento muito longo. Não tenho nenhum dos dois, mas experimentei e deu supercerto.
Já comecei na sexta, com um grupo de amigos no Spot e um deles: 'fiz lipo, percebeu?' E eu: 'então...' Daí outro: 'você gostou dos Irmãos Grim'. E eu: 'Então!' E não parei mais. Sobrou até um 'well...' Pro gringo que tava na mesa com a gente.
Não é por mal, quando eu acho que a pessoa não tá a fim de ouvir a real, enrolo. Prefiro não magoar os sentimentos de ninguém. E tem mais, quem é esperto sabe identificar a intenção de alguém numa resposta.
Afinal, teve uma época da vida em que aprendeu a ouvir muito 'não, não e não', que na real significava 'sim, sim e sim'. E nessa aula digamos que me formei com louvor e fiz até MBA. Bem por aí.
Sexta-feira, Outubro 21, 2005
Baby you can drive my car...
Você tá no trânsito, olha pro lado e vê a pessoa sozinha e descontrolada batendo o cabelo. Briga? Estresse? Infarto? Errado. Ela tá é arrasando na dublagem de alguma drag diva no último volume.
Esse é um exemplo da criatividade das pessoas para passar o tempo nos engarrafamentos da cidade. Indo e vindo todo dia, você vê de tudo. Tem mina retocando a maquiagem, neguinho lendo jornal, no celular, brigando com o marido, cantando, vendo DVD (que eu vi e achei tudo) e por aí vai.
Se você pensa que o povo de São Paulo não regula direito, bem, você tem toda razão. Mas se um dia tiver o desprazer de ver um mar de carro parado numa avenida Paulista com chuva, vai entender os motivos.
E não há paulistano (postiço ou não) que já não tenha seu artifício pra usar esse tempo. Eu mando ver nos CD's de aulas de inglês ou aproveito pra ouvir tudo que baixei na web. Até porque, estressar pra que?
Aproveito pra dizer que voto sim ao referendo desse fim de semana. O assunto tem a ver, pois numa cidade caótica como Sampa sobra neguinho se atirando por aí. E pra mim é simples: enquanto não inventarem uma parada pra fazer viver, voto contra uma parada que faz matar. Pense nisso.
Terça-feira, Outubro 18, 2005
Amigo fênix, amigo harpia
Conto nos dedos de uma mão os amigos que tenho. E quer saber? Tem vezes que ainda sobra dedo. Mas antes que você solidarize comigo, explico que esses dedos na verdade tem um dono, mesmo que eventual.
São dos amigos que sumiram no mundo, que a gente fica um tempão sem ver, até esquece que tá vivo. E de repente Vush (onomatopéia de fogo mágico), a pessoa surge das cinzas na sua frente, linda e poderosa, tipo a fênix.
Tá, a associação foi meio forçada, mas achei bonito e quis usar. Porque na real, fica essa a sensação. Amigos Fênix são difíceis de encontrar. Pois além de estarem distantes, são pessoas que mantém uma ligação louca com você e quando você reencontra, parece que sempre estiveram ali.
Só não confundir os amigos Fênix com amigos Harpias, aqueles que não deram certo no Brasil, foram viver de sub-emprego fora e quando voltam são só metade humanos, tem valores deturpados e cheiram a carniça.
Confesso que toda vez que encontrava um amigo harpia por aí ficava passado. Agora não mais. Li num livro que não há Harpia que resista a uma flechada no coração. Agora passo por cima. Santa Mitologia.
Quinta-feira, Outubro 13, 2005
Sabe qual a cara do momento?
De insolência e saco total. E quem disse foi uma amiga que escreve e observou a tendencinha no prêt-à-porter europeu. E eu? Abracei!
Porque no momento essa é a única cara que consigo ter no trabalho, onde no fim das contas passo 80% do meu tempo num misto de estresse e dúvida em relação a uma gente que mal sabe o que faz ali.
Na verdade nunca fui partidário do carão, mas justifico até pra evitar problemas maiores. E posso falar? Minha vida até que deu uma sossegada. Pois é melhor alguém chegar junto e já perceber que você não tá pra papo, do sair de perto de você te amaldiçoando pra vida.
Sem contar que o inverno tá acabando e já que não tem a ver fazer expressão de nada no verão, vou aproveitar que ainda dá. Brincadeira.
Terça-feira, Outubro 11, 2005
Sair é como andar de bike
Quando a gente fica um tempão sem sair e pinta uma balada, acha que perdeu a mão. Logo, pensamentos surgem: será que vai estar legal, será que vai estar drama na porta, será que tem caipirinha com adoçante?
Fora o calvário que é escolher um modelo de sair. Afinal, a gente quando fica sem sair se acha na obrigação de arrasar quando pisa fora de casa, de usar camiseta nova, um look maneiro, estiloso e tals.
Mas daí que na hora H é tudo tão corrido que você pega a primeira camiseta, o tênis mais confortável, liga o foda-se e vai. E quando vê, tá na pistinha com a mão pra cima (mas sem derrubar a cerveja, que a gente não é mirim).
E foi assim a festinha no D.edge sexta, com direito a muitos momentinhos de pista, muita bebida boa e muitos amigos do coração, que são 3 coisas que adoro ter e que não é fácil de reunir sempre que dá.
O que ninguém dá atenção é que se jogar requer cuidados não só pro antes e durante, mas sobretudo pro depois. Agora pergunto: você tinha aspirina pro dia seguinte? Nem eu.
Sexta-feira, Outubro 07, 2005
Vivendo, aprontando e aprendendo
Todo mundo viu a merda que deu quando pegaram a Kate cheirando num estúdio em Londres. Acho que cada um faz o que quer da vida, mas vamos combinar que ela foi mirim. Se vai fazer cagada, que seja bem feito.
Vejo em Sampa uma cidade que favorece as Celebrities quando o assunto é fazer sem ser visto. Lembro duma placa no Lov.e que dizia: 'Curta, divirta-se, só não pegue nos outros sem permissão'. Era só o começo.
Hoje, é nos inferninhos que os famosos (ou não) gostam de ir quando o assunto é aprontar sem restrições. Hypes, GLS's ou undergrounds, essas casas privam pela liberdade de você fazer o que você quiser sem, é claro, invadir o espaço dos outros.
Lembro duma noite com amigos e duas estrelas globais no extinto Xingú que ficou pra história. Ou da vez que meu amigo trombou com um famoso cantor, hetero convicto, caçando num gay club em Manhatan. E quem não tem uma história assim que atire a primeira taça.
Podia fechar essa coluna falando do direito à privacidade e tal, mas na prática isso não rola. Por isso, vale olhar pro lado na hora de fazer o que a unanimidade (que é burra, como diria Nelson Rodrigues) julga ser errado.
Afinal, numa cidade de guetos e acelerada como São Paulo, aquela pessoa que estava naquela festinha do pijama superprivê de hoje, pode dividir o espaço de trabalho com você amanhã. Pra não dizer outros lugares.
Quarta-feira, Outubro 05, 2005
A mulher cega de si
A mulher cega de si faz tudo o que outras mulheres fazem. Vai às compras, ao shopping e ao cabeleireiro. Sim, pois a mulher cega de si enxerga tudo a sua volta, menos uma coisa: a si própria.
Tem as que se acham lindas e poderosas, e são mocréias insuportáveis. As que se acham chatas e horrorosas e são o inverso. E as que não acham nada. Estão cegas a tanto tempo que lhes faltam referencias para achar.
Existem homens cegos? Muitos. Mas o fenômeno tem mais incidência no sexo feminino, suscetível e passional.
Quando jovem, tentei ajudar algumas mulheres cegas de si. E aprendi que o pior cego é aquele que não quer ver. E que tentar abrir o olho de uma mulher cega de si é mexer numa caixa de Pandora. Meda.
Mas o que fazer quando uma amiga cega de si pede conselhos que não está preparada pra ouvir? Simples, peça outra cerveja e mude de assunto descaradamente. Pois quando alguém resolve fazer a cega, nada mais justo você fazer o surdo.
Segunda-feira, Outubro 03, 2005
Te pegaram de calça curta?
Relaxa que é tendência. Só deu bermuda no verão europeu e a onda promete pegar aqui também, mas tudo bem diferente daqueles modelos anos 80, graças a deus.
Tá que no Brasil a gente já usa desde Cabral. Mas agora tem uma desculpa feshion pra tirar a berma do dia e usar na noite. Imagina que delícia praquelas noites de verão sacar uma berma numa pista onde o ar não funciona? Alguém aí falou Fosfobox?
E eu comprei uma de veludo verde e vou usar com sapato sem meia e camisa de manga. Afinal, depois que ele falou q a tendência em Milano é jeans com havaianas, eu sair de cafajeste italiano me parece bem apropriado.
Agora, sair de bermuda na balada requer cuidado e é só pra quem domina as técnicas do bom gosto. Afinal, mais vale uma calça brega do lado de dentro da boate, que uma bermuda estilosa barrada na porta.
E se você achou que eu tô com falta de assunto, acertou. Mas o fim de semana não ajudou e eu não tô a fim de falar de coisa séria. Não implica.