Sexta-feira, Setembro 30, 2005


Momentinho Nouvelle vague

Abre a cena: céu nublado com visual de frio. Uma pessoa de barba mal feita caminha. Casaco com pele no capuz. A cara é de nada. Nos dedos, um cigarro displicente. Um filme do Rhomer? Um clásico do Godard? Nada disso, a vida real mesmo.

A pessoa é você, que influenciada pela melancolia do inverno, brinca que a vida é um filme da nouvelle vague. E que higienópolis é o Marrais. E que fazer o blasé existencialista é cool.

E você está adorando tudo porque nunca sai a pé no bairro, que é bacana. Mesmo sendo a locadora ali na esquina. Lá dentro, ao invés de ir nos lançamentos, vai na seção dos cults. E leva Amarcor, do Fellini.

A chuva aperta, você fica esperando no toldo. De repente, uma moça. De boina e cigarro displicente. Na mão, um filme do Woody Alen. Sim, a melancolia tá no ar. Vocês se olham, a chuva pára, vocês vão embora.

E você, lendo isso agora, se pergunta: sim, mas e aí? Aí nada! Se fosse um filme do Rhomer, o letreiro ia subir com uma musiquinha no violino e depois o fim. Tudo de chato, mas tudo de glam. Adoro!

escrito por MIM - 6:50 PM

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Quarta-feira, Setembro 28, 2005


Black is beautiful

Quando eu pensava que o black tava dando sinal de cansaço, aparece uma leva de gente (e balada) bacana injetando força no gênero. Pelo menos é assim aqui em Sampa, onde, bairrismos à parte, tudo acontece antes.

O Vegas (que já é!) abre espaço pra uma noite que mixa black e jazz num novo conceito de eletrônica. O lov.e (que já era) também assume o lado negão, substituindo a famosa noite de drum'n'bass (lembra do Marcky?) por uma black. Além da programação do Tim Festival né?

Mas os picos alternativos é que andam fervendo e são o charme duma cidade tipo Sampa. E tem dub na Klato, hip-hop no fun house e R&B na Lótux, que é boy até o último espelinho do globo de luz, mas é honesta.

Mas muita calma, não significa que você precisa fazer a Isabel e agarrar o primeiro negão estiloso vendedor da Diesel (viu que toda loja tem um?). Mas se você estiver lá, ele também, minha filha (ou filho, sei lá) libera essa caxuxa e vai ser feliz.

escrito por MIM - 7:41 PM

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Segunda-feira, Setembro 26, 2005


No escurinho do cinema

Adoro cinema. Tanto, que acho tipo sexo: mesmo quando é ruim, é bom. E vou acompanhado, vou sozinho, vou em turma... Só não vou com gente que fala no filme.

E a Mostra de Cinema está bombando no Rio e logo chega em Sampa. Mostra é o único momento que topo fazer coisas que nunca faço. Pode parar, nada disso que você tá pensando.

Me refiro a faltar no trabalho. Ou ficar horas numa fila pra ver um novo Bertolucci. Ou entrar pra ver um filme no escuro. Esse último nunca faço mesmo, porque gosto de ler e saber tudo sobre o filme que vou ver.

Mas da ultima vez que fui no Rio, entrei num filme no escuro. Tava do lado do Espaço Unibanco e entrei nesse. E saí tão passado que sentei num banco ermo, pra fumar um cigarro e pensar. Isso sozinho, meia-noite, em Botafogo.

Foi foda. Tristíssimo e visceral. Mas valeu o ingresso. Como disse, cinema é como sexo, mesmo quando é ruim, é bom. Daí você me pergunta: e 2 filhos de Francisco? Também é tipo sexo? É, mas é tipo quando a pessoa broxa.

escrito por MIM - 3:58 PM

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Domingo, Setembro 25, 2005


Ready to (do not) wear

Acho pedante dar dicas aos outros. Mas no dia-a-dia vejo cada atentado ao bom gosto que sinto dó de ver neguinho fazendo o ridículo sem ninguém pra dar um toque. Tipo por exemplo:

. Camiseta pra dentro da berma de surf: pô, camiseta pra dentro já é foda, de surf então. Pior que na academia isso virou moda entre os tios.
. Crachá pendurado no pescoço: é brega e ponto. Mesmo se a empresa for Luis Vuitton. Ir ao shopping de crachá é pedir pra ser confundido com a limpeza.
. Boné pra trás na balada: Você é o Sérgio Malandro? Nem têm 12 anos? Hello???
. Barra da calça estilo vovó fez: saca? E é um efeito dominó. Geralmente quem usa já tem a calça errada, o estilo errado, tudo errado. Só reencarnando de novo.
. Jeans e havaianas: É coisa de modelo-ator-michê carioca, em Sampa.


Enfim, eu também cometo erros, mas prefiro que dêem um toque em mim, que na rodinha inteira do lado. Então aproveita que eu to do lado de cá do micro, porque amanhã posso estar numa mesa do lado da sua. Brincadeira.

escrito por MIM - 6:59 PM

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Quarta-feira, Setembro 21, 2005


Amiga ticketmaster

20hs: Você tá no trabalho de saco cheio. Do seu lado, pessoas ovulam por conta do show do Moby que vai rolar mais tarde. Você sente inveja, mas faz o indiferente.

22hs: O celular toca, alguém diz: oi, sou amiga duma amiga sua, comprei um convite pra ir ao show do Moby mas não vou e decidi dar pra você que me disseram que é legal. Você quer?
23hs: Carros buzinam enquanto você dirige feito louco em direção a Barra Funda, torcendo pro show atrasar pra começar. Ele atrasa. Você entra e encontra os amigos.

24hs: No palco Moby em si diz que ninguém pode nos parar agora porque somos feitos de estrelas. Todos concordam. Menos o segurança que apreende cigarrinhos inofensivos. Alguém faz uma mágica, tudo reaparece de novo.

1hs: O show é incrível e termina num esquema dance floor. Você sente um amor profundo pela sua melhor amiga oculta. E torce pra ela ter comprado o convite da Débora Colker no próximo finde e desistir também.

escrito por MIM - 6:35 PM

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Terça-feira, Setembro 20, 2005


A matemática da boa forma

Ainda tô me acostumando com essa história de pequenas porções. É que na matemática da boa forma, 70% alimentação e só 30% malhação, explicou meu professor da academia. E agora tenho que aprender a comer de pouquinho.
Tudo bem que sempre fui um cara disciplinado, mas limitar o rango da pessoa? Ninguém merece. E agora, quando chego no restaurante, tenho que fechar a boca justamente quando a coisa começa a ficar boa.

Logo, o brownie do Mestiço, o farofino do América e a shake do Fifties viraram recordações longínquas. Claro que eu podia ligar o foda-se. Mas depois que perdi uma ellus limited 38 por conta de peso, prefiro não repetir de prato que repetir esse vexame.

Por fim, fica a história duma amiga, que pra me agradar disse que a tendência agora é de homens mais pesados que magrelos. Se isso é verdade? Não sei. Mas se eu tinha dúvida da amizade dela, agora não tenho mais

escrito por MIM - 11:55 AM

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Quarta-feira, Setembro 14, 2005


O Homem que não estava lá

Sou eu. Sim, comecei a acreditar nisso depois que meio mundo começou a me chamar de ausente. Desapareci dos eventinhos, desapareci das baladas (as que valem a pena ainda faço o esforço), desapareci até da minha casa.

Então desapareci do msn. E cá pra nós, até quando você vai pra Conchichina arruma tempo pra conectar e dar um alô. Menos eu, que desapareci. Mas o bicho pegou quando me vi deixando um all-star no trabalho.

Aí senti que estava na hora de dar um basta. E fiz tipo aquele reclame famoso da Apple, onde o cara joga a bigorna no Big Brother e se liberta (era assim?). Sorte que continuo empregado. Não, eles não me amam.

Só não acham outro otário pra fazer o que eu faço e ganhar o que eu ganho. Chama-se ciência exata. Pelo menos voltei a ter tempo de tomar uns drinks no Ritz com os amigos, dar uns beijos na boca, ou ficar on-line vez quem quando.

Mas desencana de me add no msn, tá? Afinal, quando não se tem tempo nem pros amigos reais, os vistuais se resumem a luzinhas no canto esquerdo da tela. Pois é, nunca disse que eu era legal.

escrito por MIM - 4:42 PM

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Sexta-feira, Setembro 09, 2005


As pochetes de hoje

Não sei se já falei isso aqui. Provavelmente já. Mas vou falar de novo: não consigo gostar de blue tooth. E toda vez que vejo aquela parada bizarra na orelha dos outros, fico com vergonha empática.

Tem um fodão no trampo que usa. E passeia pelos corredores com aquilo, que ainda por cima pisca. E dá vontade de dar um tapa e dizer: pensei que era um bizorro (sic).

Nada contra a tecnologia. Pelo contrário. Só acho que a parada não é estética. O cara entra com aquele treco numa reunião e tira toda a atenção. Diferente do iPod, por exemplo.
E uma amiga veio com uma pior: que na Rebook os boys tão indo malhar de óculos escuros blue tooth. Detalhe: às 8 da noite. E ela diz que tenta nem olhar, mas eles ainda falam alto pra dar trilha ao show de horror.

No fim, é de atenção que estamos falando né? Ou da busca por ela.

Pra mim, pode ser caro, moderno ou o que for, mas enquanto a usabilidade não encontrar o bom senso, será sempre como a pochete, onde tudo o que ela era de prática também era de brega.

escrito por MIM - 4:45 PM

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Terça-feira, Setembro 06, 2005


Living la vida loca

A vida não é fácil. Mas tem dias que você acredita estar pagando todos os karmas. E que, em breve, eles vão chegar em forma de boleto bancário na sua casa. Viver momentos de tensão pode ser uma merda por vários motivos:

. Você fica sem saco pra tudo, quiçá, caprichar no visú. Quando vê, está no trabalho de camiseta furada (mesmo sendo empório armani) e sem perfume.
. Você sai pra agência de manhã, volta de madrugada e torce pra não tomar um W.0. no relacionamento por falta de comparecimento.
. Volta a fumar. E fica com peso na consciência. E se engana pensando que se não comprar isqueiro não estará realmente assumindo que voltou.
. Falta a academia bem na época que tava começando a surgir resultado na barriguinha. E come no burguer king 2 vezes no fim de semana.
. Se pega cantando a música da cantora cega Kátia, que fez sucesso nos anos 80, em forma de mantra: 'não está sendo, fácil... Não está, sendo fáácil...
escrito por MIM - 2:26 PM

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Segunda-feira, Setembro 05, 2005


Oásis de balada

Você chega e a balada tá o erro. Saca então que não vai conseguir ficar nem meia hora. Daí vê um amigo, que vê outro. E começa a juntar conhecidos e amigos de conhecidos, formando um oásis de gente do bem.

Tipo na área vip duma baladinha, esse finde. Lotação máxima e drama pra pegar champa. E o povo foi juntando, juntando e quando vi, tava no meio de uma gente louca. E com direito a garçom servindo privativo.

Claro que acontece de você sair pra dar um rolê e o oásis ir minguando. Ou pintar gente nem tão bacana na rodinha. Tipo uma bichinha que insistia em meter a mão nos copos de champanhe dos outros pra benzer o povo. Mas faz parte.

Até porque, quando o álcool começa a bater e a temperatura subir, até os mais recatados vão tornando esses oásis pequenos inferninhos de balada. E como você não é anjo nem nada, resta pegar um drink com muito gelo e se jogar também.

escrito por MIM - 2:39 PM

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Quinta-feira, Setembro 01, 2005


Levando uma vida sussa

Antes, quando estressava, ia dar um rolê no Iguatemi, comprava uma camiseta maneira, um jeans bacana e terminava a noite em alguma pista underground, tomando caipirinha e ouvindo Morrissey.

Hoje em dia não tenho mais pique pra sair no meio da semana, não tenho mais cacife pra bancar roupa nova toda hora e desisti do Morrisey. A única coisa que não mudou (junto com a caipirinha) é que volta e meia me pego estressado.

Nessas horas, ou a gente metralha todos em volta, ou arruma formas alternativas de desestressar. Como me falta tempo e estilo pra psicopata homicida, fico com a segunda opção.

Confesso que essa atual vida sussa pode tem a mesma emoção do primeiro parágrafo. Mas tem algo melhor, aquele frio na barriga de todo parágrafo que está pra ser escrito e que a gente quer muito que dê certo.

escrito por MIM - 11:53 AM

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Jovem, educado, bonito e rodado...
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