Sexta-feira, Julho 29, 2005
Semana cão
Essa semana repeti o jeans, não fiz a barba e fiquei com uma olheira até o pé. Não, não tô fazendo o indie, foi só uma semana cão. Semanas cão têm esse poder sobre a gente, zoam sua vida sem aviso prévio e quando vê 'já é'. Aprenda a identificar a semana cão:
. Ela não começa e sim emenda. Ou seja, você trabalha esperando o fim da semana, mas quando vê é terça. Da outra semana. E sim, você ainda está trabalhando.
. Tempo? Só pra coisas básicas; comer, fazer número 2, tomar banho, passar Givanchy. Com alguns dias você parece ter sido produzido pela figurinista do Carga Pesada (porém, cheiroso).
. Seu relacionamento lembra com o do casal do Feitiço de Áquila e vocês nunca estão juntos num horário normal do dia.
. Você come pizza. E muita. Fica com peso na consciência por não estar indo na academia e tem pesadelos se imaginando um mamute.
. Você tem um acesso e metralha a vaca do atendimento junto com a cliente louca. Brincadeira (pra descontrair).
. Como tudo na vida um dia a semana cão acaba, alguém abre a corrente e você está livre. No espelho, começa a simpatizar com o visú lenhador. E resolve manter pelo menos por essa noite já pressentindo que, em casa, o bicho vai pegar. Nelson Rodrigues, me aguarde!
E o retrosexual hein?
Tendo em vista o post anterior o assunto vem a calhar. Depois da onda do metrosexual a indústria agora foca no retrosexual, aquele cara que, se toma banho, usa no máximo sabonete (shampoo se tiver) e se acha mais macho por isso.
Pesquisas mostram que os retros evoluíram muito pouco desde as cavernas. Eles têm gostos primários, não dão a mínima pra grifes ou desing, e tem sensibilidade zero, ou seja, só choram com a perda de uma parte do corpo.
Meu pai era meio retro, mas casou de novo e mudou. Com ele aprendi a gostar de picapes e usar pós-barba que arde, saca? As picapes ficaram, já o pós-barba... Vou até mudar de assunto.
Sigamos. A Daslu dos retros chama-se Camisaria Colombo, seu ídolo é o Charles Bronson e, segundo li aqui, o ícone que melhor representa a turma é o cortador de unha. Como diria Jim Morrison, 'people are strange'...
Pessoalmente não tenho nada contra os retros. E quando participo de discussões sobre a evolução da humanidade e a extinção dessa espécie, dou risada enquanto tomo meu drink (em tempo, retro de verdade toma wisky).
Afinal, mulher pode dizer que gosta de cara cheiroso e bem vestido, mas ama mesmo é de barrigão de chopp e tapa na cara. Carinha sensível? Só no cinema. E enquanto elas forem tão machistas (mesmo não admitindo), os retros vão continuar reproduzindo e espalhando sua espécie por aí.
Sexta-feira, Julho 22, 2005
Efeito Axe
Tava no trampo indo pegar um café quando senti um cheiro animal. Comentei com um colega passante, que fez cara de riso e disse baixinho: não sabe o que é isso?
Então me apontou um canto onde um cara trabalhava tranqüilamente. Fiquei olhando sem entender e ele completou: Pois é, esse cara não usa desodorante porque acha que isso é coisa de bicha.
Achei tão surreal que rachei de rir. Mas o pior é quando soube que o Sr. Gambá era casado. E me perguntei: que mulher é essa que casa com um cara que fede? Imagina as partes onde não bate sol?
E no almoço, enquanto dava um role no shopping, comprei um desodorante pra macho (avanço), fiz uma embalagem pra macho (de jornal) e deixei na mesa do macho com um bilhete: Use-me!
Afinal, trabalhar com um neandertal em pleno século 21 até vai, mas agüentar a catinga dele, é ruim hein?
Quinta-feira, Julho 21, 2005
Já comprou sua pochete?
Que moda é democrática todo mundo sabe. E tendências, são como as ondas do Lulu Santos, 'vão e vem e vão e vem com o tempo'. Mas a volta da pochete ninguém previa.
E ela voltou! Tirei a prova ontem, na academia, onde metade da galera estava com pochetinha no corpo; e dá-lhe iPods, celulares, discmans, gatorades e afins.
Concordo que esteticamente ela não é mais a mesma. Se reinventou, está mais glam, bem fitness. Parece até normal e passa batido a um olhar desatencioso. Mas não deixa de ser ela.
Pra mim, a explicação está no fato do mundo estar cada dia mais digital, obrigando a gente a arrumar maneiras e maneiras de portar nossos gadgets por aí. E tem gosto pra tudo.
Quem não malha provavelmente vai passar batido, mas eu achei essa volta providencial, desenterrei uma minha da Track&Field e voltei a treinar ouvindo um som sem culpa.
Até porque, num lugar onde você encontra uma pá de macho gordo e peludo andando com shortinho de abertura lateral (daqueles mostra a polpa, saca?), pochete está longe de ser a pior coisa que você vai ver.
[foto: modelo fashion Alexandre Herchcovitch 05/06]
Quarta-feira, Julho 20, 2005
Modernidade a prova
Num teste de aptidão masculina, tipo trocar pneu, furar parede, fazer omelete de queijo, acho que passaria com boa pontuação. Agora, pede pra configurar um DVD? Ou mudar o fundo de tela do celular? Pois é, não sei.
Sou desses que tem problemas com tecnologia e mais horror à manual de instrução que de cinto combinando com o sapato caramelo.
Banheiro de bar, então, é um problema. Nunca sei como disparar a torneira automática e uma vez (após 3 taças) fiquei balançando a mão no ar em busca da luz automática, até alguém me avisar do plug ao meu lado.
Mas o ápice da minha humilhação tecnológica se deu esse finde, com uma mísera pipoca de microoondas. Não vou entrar nas vias de fato, mas em apenas 5 minutos, quase incinerei o apartamento da minha mãe.
E no meio da fumaça, realizei que apesar dos MP3s, fotos digitais e MSN's, sou um cara a moda antiga.
Se eu tô preocupado? nem um pouco. Até porque tenho os amigos geeks pra dar aquele auxílio quando necessário e conheço uma certa pessoa que sabe valorizar uma boa omelete de queijo.
Terça-feira, Julho 19, 2005
Links Bacanudos
Dando aquele rolê achei umas coisas bacanudas de se ver.
Dior / haute couture 2005: Desfile show da alta costura da Dior, que homenageia os 100 anos da Maison e seu fundador.
The Boxer do Chemical Brothers: Novo clipe da banda, com vocais de Tim Burgess, do Charlatans.
Corpse Bride: Nova animação do Tim Burton. Precisa falar mais?
A Casa das mil portas: Em todo pensamento novo, uma nova porta.
Malditos anos 80 - Tipo antes e depois de celebridades. Engraçado pacas.
Segunda-feira, Julho 18, 2005
Recarregável
Impressionante o que a descoberta de um livro, um programa, um filme, uma música, não faz com a gente. Mas achar algo nota 10 nesse estilo, mesmo em Sampa, não é tarefa fácil.
Quando não se é nada erudito, todo cuidado é pouco pra não terminar numa peça virtuose, de alguma atriz revelação, de algum diretor conceito; ou seja, enfiado numa roubada total.
Dar uma olhada nos cadernos de cultura, que são coloridinhos e tem quadrinhos e coluna social, ajuda. Mas me diz quem tem saco pra críticos? Até o Sérgio Dávila ficou mala depois que foi morar nos EUA.
Indicações são outro caminho. O foda é quando seus amigos só têm know-how pra indicar o último grito em sintetic drugs da náite, ou o melhor blood-mary dos jardins (esse eu sei, o do Ritz).
Mas como quem procura acha, volta e meia cê bate de frente com algo legal, como um artigo inédito da Clarice Lispector, ou uma gravação rara do Chico. E acumula pontos na sua bateria cultural. Até uma próxima.
Mas até lá, você dá uma saidinha com seus amigos, aqueles das novidades sintéticas. Afinal, cultura não tem preço, mas pra todas as outras tem mastercard.
Quinta-feira, Julho 14, 2005
Lost in translation?
Tenho 1 hora de tempo livre por dia. Pra uns é pouco. Pra outros, muito. Pra mim, é aproveitar essa hora atrás do volante (achou que tava falando de quando?) pra fazer coisas que não faço porque não tenho tempo, como:
Ouvir CD: Sem dúvida a que eu mais curto, onde ouço os Cd que compro ou baixo. Hoje, por exemplo, minha amiga emprestou o delicioso Cd dela. Não vejo a hora de encarar o tráfego.
Treinar línguas: Não é nada do que você tá pensando. Me refiro treinar o inglês e o francês. Por isso, se você parar do meu lado e me ver falando sozinho, repara não. Ainda mais se eu estiver com aquela boquinha de cu.
Ligar pra geral: Sei que é proibido, mas acho que é quando mais uso o cel. E nem tenho blue-tooth. Tinha um amigo que ligava no rush pra mim e mais um amigo e fazia conference, até ele chegar em alphaville. Rico ele.
Passar creminho: Vai parecer meio bicha, mas eu tenho um hidrafil na mochila de academia (que só fica no carro) e no trânsito aproveito pra usar. Mas não aconselho, pois requer alguma prática.
Tem outras coisas bacanas de se fazer no trânsito, tipo paquerar, que eu não faço mais porque sou comprometido. Náite de sábado no Itaim ou ali na Consolação (dependendo da opção) é o que há. Enfim, já que viver em Sampa é encarar o trânsito, cabe capitalizar. Acelera e se joga.
Terça-feira, Julho 12, 2005
Bicho mulher
Bicho mulher é complicado. Sempre que aprendo algo novo com elas, entendo a complexidade do que é ser humana. Semana passada presenciei uma discussão acalorada sobre um inimigo mortal feminino, só fiquei surpreso em saber que esse ser perigoso também é mulher, ou melhor, mulher vaca.
Mulher vaca não é a mulher que come verde (essa é a vegetariana), mas sim aquela que dá em cima de qualquer homem, mesmo que ele seja acompanhado, casado, ficante, ou esteja no orkut duma amiga que gosta dele (bom, elas alegam que tá valendo).
Pelo que eu entendi, a vaca é quase uma mulher normal, mas sem bom senso. E ao invés de dar meia volta ao notar um homem é comprometido, ela dá outra coisa. Seu mantra é: mijou em pé e não é chafariz, eu pego.
Entendi também (mesmo elas discordando) que mulher normal odeia a mulher vaca por serem malhadas, de cabelo alisado e dissimuladas. Sendo que, esse último, as diferencia da mulher cachorra (que conheço bem).
Lendo um site que entende bem do assunto, li uma frase que acho que sintetiza bem o que minhas amigas queriam dizer: os homens passam, as amizades ficam e as vacas pastam! Então tá!
[foto: com fama de pegar geral, foi expulsa do casamento relâmpago do ano; arquivo web]
Segunda-feira, Julho 11, 2005
Simplesinho assim
Dando um rolê pelos sites brasileiros de moda que falam de trends e afins, é consenso a inversão de papéis na estrutura das roupas pro próximo verão.
Vi uma pá de mina vestindo regatão, calças largas um visú masculino mesmo, incluindo os chinelões tipo 'galã da globo passeia no baixo BB', e uma pá de homem usando roupa justinha, com calças e paletó de corte reto.
Eu acho bacana, dá aquele ar setentista, só não sei se ficaria bom em mim, por ex. Ainda achando que entendo de alguma coisa, o que me pareceu óbvio é que o simples foi melhor que o excesso. Mas bonito mesmo.
Pode ser que não entenda nada, pode ser a influencia do meu lado publicitário, mas sempre fui a favor dum visú mais simplesinho ao invés do fantasiado. Ma chama mais a atenção, seja lá onde for.
Como diria no mercado, menos é mais. Daí neguinho me pergunta: aprendeu isso vendo moda? Não meu querido, vendo meu holerite no fim do mês hehe. Brincadeira, viu chefe!?
[Não foi na Bienal? Desfiles da SPFW aqui]
Sexta-feira, Julho 08, 2005
As Tia (sic) não são mais aquela
Essa semana, num shopping, uma tia deu um mosh na mesa onde eu ia sentar. Achei tão engraçado que disse: a senhora deve tá cansada, né? Ela ficou sem graça e pediu desculpas. Mas não saiu.
Já pagando o parking, outra tia furou na minha frente. Hoje no Iguatemi a mesma coisa. Uma tiazinha buzinando atrás do meu carro na entrada, com mil carros na minha frente. O que está acontecendo com as tias desse país?
Na minha época elas eram fofas e elogiavam sua juventude, mesmo se você fumasse maconha na frente da casa de praia dela. Hoje, capaz de te dar um tiro de escopeta. E alimentar o cachorro com os seus restos mortais.
Sei lá viu. Acho que essa intolerância toda + falta de respeito com o próximo tá tão disseminada que já chegou nesse tipo de gente, tias, velhinhas, gente do bem, que assume esse comportamento anti-social.
É foda engolir desaforo, mas ainda prefiro levar na esportiva que sair dando pescotapa em gente mais velha. Só espero que quando chegar lá, eu não seja chato e mala. Velho tarado até vai, mas velho mala, ninguém merece.
Quinta-feira, Julho 07, 2005
Atentado em Londres
Nem ia falar sobre isso, mas nenhum outro lugar fora do Brasil tem tanto conhecido. O trecho abaixo é de um ex-amigo (que virou ladrão, história antiga), mas nem por isso quero que ele morra destroçado. Vamos a isso:
[...] Estava me arrumando pra ir trabalhar quando ouvi a noticia. Minha academia fica muito próximo de Russel Sq. onde aquele ônibus foi retorcido, acredito que tenha sido uma das imagens mais impressionantes de hoje de manhã. Agora a tarde imagens de dentro do metro estão sendo liberadas. Pessoas feridas estão sendo só agora mostradas na TV...
... Não houve em momento nenhum alarde e histeria. A neurose já não era quase existente desde 11 de setembro. Não sabemos o que será daqui pra diante, acreditamos em revista de bolsas e muito policiamento até que a situação pareça segura novamente [...]
Impressionante, né? Fico de cara com essa história de neguinho se explodindo por aí em nome de Deus. A real é que a Europa tá em guerra e há de se pensar um pouco antes de embarcar pra lá.
[foto: ônibus destroçado no atentado / da CNN local]
Terça-feira, Julho 05, 2005
Mais um capítulo da moda
A semana de moda acabou ontem com festão. Curtindo a fase chez moi, não fui. E hoje, dei de cara com os colegas/clientes com cara de ressaca federal. Senti alívio (por não ter ido) e invejinha (por não ter ido).
Na Bienal em si, fui 2 dias como outsider mesmo. O que dá pra falar?
Primeiro, o visú da mulherada. Muitas vestidas de Daniela Cicarelli (boné + óculos escuros + jeans e bota). E ainda tem nego dizendo que ela já era. Será q toda mina no Brasil tá nessa? Tsc, tsc.
Segundo, a discreta elegância dos rapazes. Todos meio desencanados, com neguinho arriscando até sandália e bermudão. Não usaria, mas achei bacana. Até nas ações de ativação os uniformes deles estavam melhores.
Terceiro, a opção de colocar os lounges de balada embaixo, facilitando a vida de quem só vem pro agito (meu caso). O da Motorola era o mais concorrido, com o som bombando fora. Lá dentro, champa pra quem importa, um site editando em tempo real e line up despretensioso, mas funcional.
Mesmo curtindo com os amigos, fiquei com a impressão de que, por maior que São Paulo seja, no fim agrupa os mesmos rostos, mudando apenas o pano de fundo num curioso dejà vu.
[foto: desfile herchcovitch 05.06/ do madeinbrazil]
Segunda-feira, Julho 04, 2005
O Playboy gay
O Playboy gay é um ser comum na agitada vida social de Sampa. Tá sempre na estica, usa lançamentos da estação, aparece nas fotos ao lado de gente in, mas chama a atenção prum fato curioso: ele não é gay!
Sim, o playboy gay não é gay. O fenômeno se explica pelo fato dele ter incorporado elementos que, a princípio, seriam definidos como 100% gays por qualquer pessoa.
Logo, um cara bombadinho, cabelo istáile, numa camisa estampada D&G, jeans bem justo e tênis de mil molas vermelho tapa, possivelmente pode, sim senhor, estar olhando pra sua amiga e não pra você naquela festa.
E tem uma amiga que tem um amigo desses e diz que o cara até pra surfar demora 30min se arrumando na areia. O curioso é que eles sempre estão acompanhados de modelos, que a gente não sabe se são amigas de salão, ou de talão.
Mas é isso aí mesmo. Hoje o mundo tá mais confuso e isso reflete no modo da galera agir, vestir, sair e afins. Parece que isso se potencializa em Sampa, onde muita gente (propositalmente, ou não) parece algo que não é.
Sexta-feira, Julho 01, 2005
Ode ao Jabor
Tô num momento love com o Jabor. Tenho levado ele pra cama todas as noites e me divertido pencas. Calma, explico, é que ganhei do meu pai Amor é prosa, Sexo é poesia.
Já curtia ele comentarista político (impagável, quase um Caruso), adorava 'Toda Nudez...', mas nunca tinha lido ele nesse formato. Mesmo um amigo tendo elogiando pencas Sanduíches da Realidade.
E lendo (numa bike) na academia, uma amiga viu e comentou que quase terminou o mesmo livro duma sentada, na Cultura. E é isso, coisa curta em letra grande, pra ler de pá-pum. Se é bom eu não sei, vai de cada um.
Mas vivendo nessa fase passado com o país, ando com tolerância zero pra hipocrisia e com carinho especial por gente com o que dizer. Termino aqui com um trecho (curioso) dele:
'... O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo-travesti. O mundo hoje é travesti'.