Quinta-feira, Abril 28, 2005
Vícios e manias
O sábio diz que quanto uma pessoa envelhece, torna-se mais difícil de conviver por conta dos seus vícios e manias. Concordo. Mas fazer o quê? Mania é como xoxota, cada um tem a sua (sim, tô meio pornô hoje).
Tenho um amigo com mania de Wanessa Camargo. Pode? Pior que ele é ótima pessoa. Outro, com mania de roubar (já falei dele aqui, né?). Esse eu cortei, afe. E outro, com mania de sexo. Não o culpo. Sofro disso também.
No geral, sou um cara meio sem manias. Mas confesso que tenho alguns vícios. Um bom drink, um bom papo, um bom beckembauer 3x1. Treinar na academia também. Quando fico sem tempo pra ir, até mudo de humor.
Em se tratando de relacionamentos, ter manias cabe atenção. Afinal, mania é algo superpessoal e ninguém é obrigado a aceitar que você gosta de dormir até hoje com seu ursinho de pelúcia fedido (um caso real).
Aproveito o tema pra dar um recado pra quem tem mania de encher o saco dos outros (e o meu). Cuidado hein, vai que você cruza com alguém com mania de mandar você pra puta que o pariu. E tenho dito.
Quarta-feira, Abril 27, 2005
Inventando moda
Nunca fui féshion, mas sempre curti esse lance de visual, roupas bacanas e tal. Só que de um tempo pra cá tava sentindo um cansaço da fórmula jeans + camiseta.
Aí comentei com um amigo, que veio com o papo que geral tava sentindo o mesmo. E emendou dizendo que era por causa da mudança de estação (acho que ele tava se referindo ao frio) e que eu precisa me reinventar.
Daí eu: 're' o que? E ele: se reinventar, assumir um novo visú, outras propostas e tal. E eu: tá, mas como faço isso? Foi quando notei um brilho nos seus olhos, como se tivesse pela frente um projeto (no caso, eu).
Não demorou, traçou um plano de ação, começando pela D&G do Iguatemi. Depois, uma passadinha na Armani da Haddock Lobo. Por fim, um pulo na Diesel da Oscar. E eu, pensava: catso, e quem vai pagar isso tudo?
Depois nos despedimos, marcamos o dia 'D' prum futuro próximo e fui embora pensando na moral da história: quem é pobre num inventa moda. E hoje vim trabalhar de camiseta e jeans, me achando o máximo.
Noite falida
Quando vejo neguinho de ipod no pescoço, pulseirinha amarela e tênis 900 molas no pé, posso até achar deslumbradinho, mas cabe pensar que o cara tem referências restritas a uma parcela bem pequena de gente.
Daí, normal acreditar que essa vivência pode gerar um piso cultural mínimo, capaz de segurar a um ser humano normal um papo agradável por 15 minutos. E num é que me enganei?
Pois outro dia fui num pico superbacana e fiquei de cara em encontrar tanta gente bem nascida, com uma pá de viagem nas costas, e tudo burra. Impressionei. Porque quando é um e outro, ok, mas um pico inteiro?
Dada hora, eu de saco cheio, não agüentei, soltei: essa festa num evolui. Deixei a taça na bandeja e terminei comendo um hambúrguer sozinho na madruga, lendo cidades invisíveis, do Ítalo Calvino. Odeio noite falida.
Sexta-feira, Abril 22, 2005
Fumacinha branca na chaminé
Aproveitando o tema gastronômico anterior, ontem fui jantar num lugarzinho bacanudo e realizei prum fato interessante, de como a área de fumantes é sempre a mais legal dos restaurantes.
Não, elas não são mais glams, muito menos as mais espaçosas. Geralmente são até meio uózinhas. Mas te falar viu, de longe abrigam o povo mais animado e provavelmente mais interessante.
Pensando bem, tem lógica. Primeiro que quem fuma bebe e quem bebe fuma. Partindo daí a gente já corta uma boa parcela dos chatos do mundo. Pois me desculpem, mas não respeito ninguém que não beba, pronto, falei.
E isso não é apologia. Até porque sei os malefícios do cigarro. Mas até aí, tô longe de pagar de Rodolf Giuliani tupiniquim. E quando aparece uma taça de chandon na mão, volta e meia dou meia tragada (se é que isso existe).
Claro que não precisa virar uma coisa Rio, onde neguinho fuma no ônibus. Respeitar espaços, como vem sendo feito, ainda é o melhor caminho. A questão é saber em qual deles você quer estar. E eu já escolhi o meu.
O pecado da Gula
O pecado da gula é meu 2o favorito. O primeiro, bem, use a imaginação. Mas quem não gosta de comer? Me amarro em conhecer lugares bacanas, com pratos saborosos, um preço que valha e, de preferência, na companhia de pessoas que acrescentam sabor na forma de boas conversas.
Tenho um amigo que hoje mora no Rio, mas sempre que penso em jantares agradáveis, lembro dele. Por que ele adora fazer uns lances diferentes, por que ele já morou 3 meses na Índia, por que ele é amigo da Menna Barreto.
Passei uma fase brigado com a comida (mais conhecida como dieta). Coisa de quem é viciado em boa forma e vê-se, de repente, privado de tempo para treinar. Hoje estamos de bem, mas ainda temos nossos desentendimentos.
Meu problema é que não consigo separar uma boa comida dum bom serviço. Daí, acabo indo a lugares mais agradáveis que saborosos. E se você gosta de comer como eu, tem que concordar que morar em Sampa é um prato cheio.
Se vale de alguma coisa, minha lista dos mais mais de Sampa: inclui um indiano cult, saboroso e barato, perto da paulista, uma hamburgueria com uma magic box de verdade e um japa com decór amazing, ambos nos jardins.
Quarta-feira, Abril 20, 2005
Loucurinhas de Festival
A hora? Tarde da noite.
O local? Anhembi em Sampa.
O festival? Skol Beats.
O estado da pessoa? Don Lázaro Venturini.
Noite quente, cervejinha pra relaxar e drama pra chegar. Na entrada vip, tanto cartão, ticket e carimbo que meu amigo disse: acho que me implantaram um chip. E eu: mas doeu? Não, então vamos no bar.
E se os DJs não estiveram a altura da diversão, ficar tomando um drink e vendo famosinhos derretendo.com.br foi tipo ler uma 'Contigo' junto com a 'Super Interessante'.
E teve uma amiga que, escoladíssima, olhou uma atriz carioca e disse: vou te contar um segredo, quando a gente toma bala, ou usa óculos escuros ou não passa rímel, se não fica assim ó, parecendo Bruxa de Blair!
Se teve Carlinhos Brow? Não vi! Se teve gente bonita? Opa, supervi. Mas no resumo, foi bacana ter ido e mais ainda ter a companhia dos amigos. Pros que não foram, fica a pergunta: como alguém morando em Sampa perde o Skol?
E pros que vão responder as amarguras de sempre, poupe seu tempo. Pois se é pra rolar Zorra Total em pleno sábado, que seja pelo menos ao vivo, na balada. E ano que vem a gente se vê novamente por lá.
Quarta-feira, Abril 13, 2005
Social Climber
O que rolou foi que a gente tava malhando e ela veio me perguntar quem ele era. Ela, no caso, uma amiga mulher dum fotógrafo da noite. Ele, um cara vestido de AX da cabeça aos pés, que vive saindo nas colunas.
Dias depois, entre um supino e um agachamento, sentenciou: cê não vai acreditar, sabe aquele? Então, ele não é famoso nem rico, é social climber. Incrível.
Pra entender, os social climbers estão pra Sampa como lobistas pra Brasília. Ninguém sabe o que fazem, de onde vem, mas podem ser encontrados em 9 de 10 festas, eventos e colunas da cidade.
As más línguas dizem que eles só se alimentam nos coquetéis. As boas, que se alimentam de flashes. Mas a real é que os SC sabem transformar em dinheiro o que fazem de melhor: contatos.
Pra entender, um SC pode vender meia, mas vende meia na Daslu. Como? Através dum contato feito no jantar do Beltrano Diniz, que por sua vez ele conheceu num brunch na Clube Chocolate e por aí vai.
É sempre bom ter uns deles na mailing. Dependendo do nível de falsidade, até beijo no rosto e chamo de querido. Pois é, nunca fui santo e não vai ser numa fila imensa da boate que eu vou fazer o íntegro. Melhor acostumar, Sampa tem dessas.
Segunda-feira, Abril 11, 2005
As 4 estações
Que morar em Sampa não é fácil num é novidade. Afinal, é uma cidade grande, violenta e cara. Ainda por cima, recheada de gente deslumbrada. Tipo eu? Então tipo você também, não vem não!
Mas também não é fácil por outros motivos, como fazer as 4 estações num dia só. Tipo sexta passada, onde saí de casa num outono gostosinho, almocei num verão nordestino e cheguei em casa num inverno londrino.
O pior é que esse fenômeno deixa a gente em situações perigosas. Vide uma amiga que saiu num look Rio, tipo shortinho + blusinha, e foi encurralada por uma tempestade tropical numa marquise da Paulista.
Diz ela que dividiu um espaço mínimo com ambulantes, motoboys e alguns passantes, que não entendiam o que ela tava fazendo seminua num frio daqueles. Até emprestaram o casaco. Bacanas eles, né?
Outro lance é saber o que vestir. Um cara daqui da agência, recem chegado de Paris, veio com um casaco com pêlo na gola. O tempo mudou, ele insistiu, e ficou uma coisa Lost sabe, um urso perdido nos trópicos.
Na dúvida, jogo um kit weather no porta malas e já é (sic). Até porque, como não sou nenhuma loira peituda, se um dia precisar de um casaquinho emprestado no meio duma tempestade é mais provável morrer de pneumonia.
Segunda-feira, Abril 04, 2005
Aventura na Caverna do dragão
Achei a caverna do dragão. Ou melhor, dos dragões. O Shopping Frei Caneca. Tô de cara até agora. Daí olhava a galera e pensava, tô viajando ou esse povo é estranho? Mas não era, o povo era meio tortinho mesmo.
E quem não lembrava o Vingador lembrava o Diamáti saca. Daí não quis assustar meu amigo e fiquei na minha. Até que ele se ligou e disse: vamos pegar o elevador se não não durmo a noite (foi ele que falou, juro).
Mas no caminho decidimos enfrentar nosso medo em busca duma casquinha de baunilha. Foi foda. E a gente passava por cada figura (tipo o Sidney Magal Cover ou um outro com pochete de couro marrom).
E eu entrei numa trip fantástica, tipo a do desenho, onde eles ficam perdidos num mundo de gente estranha e errada sabe? Com a diferença que a gente não tinha nenhuma arma especial pra se defender.
Missão cumprida saímos correndo. E enquanto eu fantasiava que estava escapando de algum monstro horrível vi o Observador em si (lembra desse episódio?). Enfim, foi uma tarde e tanto.