Terça-feira, Novembro 30, 2004
Ressaca de fim de ano
Todo fim de ano é batata. A ressaca chega e a gente fica meio sem saco pra certas coisas. Como gente grossa, situações micos, ou aquele evento mala, que você devia ter ido.
E nessa fase, sobra até pros amigos mais mimados, daquele tipo que é cheio de vontades, sabe? Dor na consciência? Nenhuma... Eles sabem que não são fáceis... Agora descobriram que você também não é.
Quando estou em fases assim, fico de poucas palavras e poucos ouvidos. O que não significa me fechar num quarto escuro ouvindo indie rock. Afinal, sem saco não significa sem bom gosto.
Se você estiver numa fase assim, melhor relaxar, se cercar de coisas boas e esperar passar. Logo a vida volta a normal sem que você precise se aborrecer ou levantar a voz.
Até porque, estar sem saco não significa destilar grosseria. E se vc é dos meus, já sabe que perder a tolerância é permitido, mas perder a classe, jamais.
Quarta-feira, Novembro 24, 2004
Overdose cultural
Primeiro ato: Mostra de Cinema. E lá está você, fumando um cigarrinho de uva, ajeitando o all star e tecendo comentários sobre o filme do Amos Gitai. Mais cult q isso? Só ele, na platéia, em si.
Segundo ato: com ar de intelectual, você come um veggie sanduíche e lê Crime e Castigo. O livro é uó. O sanduíche idem. Mas você insiste. E termina. Os 2. Dentro do seu eu, nada mudou. Tirando 1 leve indigestão.
Terceiro ato: Um espetáculo megacult. Japoneses dançam coreografias fundamentadas no Tai Chi. E tudo isso em cima de um espelho de água no palco. Drama. Você acha tudo muito lindo. Mas dá um sooono.
Quarto ato: pelo celular, alguém convida pra exposição dadaísta. Dada Who? Então pensa: caraca, cadê os amigos fúteis nessas horas?
Quinto e último ato: filmes cults? Papo cabeça? Eventos conceito? Chega. Você não agüenta tanta culturalidade. E enquanto canta hits do Kid Abelha no camarote, junto com seu peguéte de 18 anos, dá 3 vivas a futilidade.
Segunda-feira, Novembro 22, 2004
Homem de malandro existe
Estávamos no pico conversando e olhando o movimento. De repente me chega um cara duns 3 metros e começa a bater boca com um outro carinha, na nossa frente.
Dava pra ver que era uma briga de, digamos assim, conhecidos íntimos... Logo, abri uma Baby Chandon e acendi um cigarro, pra me divertir. Daí meu amigo solta: é o meu dentista (juro).
Como o dentista não era meu, nem me movi. Mas quando vi meu amigo tretando com o troglodita, tive que fazer algo. E não é que era uma briga de casal mesmo? E foi um barraco. Maior empurra empurra.
Meu amigo segurou o cara e eu o dentista (que nem conhecia) e fui tirando ele de lá. Mas o cara se soltou e tirou ele da minha mão. Chegaram os seguranças. Meu amigo fez barreira.
Acendi outro cigarro. Que caiu no tumulto. No fim, o cara foi mandado embora. E o dentista? Fiquei sabendo que não é a primeiro vez. Me parece que ele é um homem de malandro. Tempos modernos, não?
Sexta-feira, Novembro 19, 2004
Pencas de exú
Daí que você sabe que é uma pessoa descolada, sociável, simpática (ok, simpática não... continuemos), logo, jura que se daria bem em qualquer tipo de lugar, né?
Pois colega, não é que semana passada me senti deslocado.com.br, como há tempos não me sentia numa festinha? Pior que o evento era maneiro. E o lugar também.
Mas o mailing, te contar: só feio na fita. E tava tão brabo o negócio que dada hora, o amigo, que arrastei junto, me perguntou: caraca, é a festa do Arquivo X?
Claro, ficamos meia hora e fomos embora. Até porque, naquela fauna underground moderna paulistana, não fizemos o menor sucesso.
No fim foi educativo e tirei 2 lições pra vida: a primeira, que nem sempre a trinca T-shirt Armani + jeans + Nike pode tudo. A segunda, que em terra de dragão, São Jorge é inimigo.
Terça-feira, Novembro 16, 2004
Desentrosado
Roberto já dizia, 'eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar'. Um fofo. Bem diferente de mim, que não quer ter um milhão de amigos. Quiçá, mais forte poder cantar.
Confesso, sou meio mala no quesito entrosamento. Não que eu seja um amigo relapso (eu acho). Só não sou muito bom em fazer novas amizades. Me falta saco, tempo e até atitude pra isso.
E quando vou almoçar com algum amigo e ele diz: fulano vai. Eu encasqueto. E digo: quem é? Ele é legal? Não quero... Ponto.
Sei que preciso trabalhar isso. Até lá, vou trabalhando é o tempo na agenda pra lidar com meus poucos (e bons) companheiros. Afinal, como diria o filósofo, viver sem amigos é morrer sem testemunhas.
Mas atenção: não ter novos amigos não significa não querer conhecer gente interessante. Se você for uma pessoa bonita, sarada e com estilo, por favor, chegue mais. Até porque, se você tiver esses atributos, amizade é a última coisa que eu vou pensar em fazer com você.
Terça-feira, Novembro 09, 2004
A sunga Gang
Você e seu amigo chegam no Rio. Um sol de rachar. Vocês tão no shape e querem (sic) se aparecer. Mas seu amigo atenta prum fato matemático: são 6 dias, mas só 5 sungas.
No stress. Depois dum beckenbauer, uma busca por modelo tipicamente carioca (tô falando da sunga tá). BlueMan, Osklen e afins são descartados. Até porque, dessas vocês já tem.
Mas seu amigo carioca conhece um cara que vende. Os modelos são tudo. O preço um achado. Todo mundo compra... E vão estrear na areia.
Lá, você tira a berma. Um vento bate. Um friozinho inusitado. Seu amigo olha. E ri. Você olha ele. E ri. O amigo carioca explica: pois é, aqui as sungas são mais curtas mesmo. Ah, tá!
Vocês olham em volta. A praia paga cofrinho. O amigo carioca mais uma vez explica: é assim mesmo. Ah, tá. Você desencana. E faz o local. Chegando em Sampa, athim, uma gripe. O motivo? Bem, você faz uma leve idéia.
Quinta-feira, Novembro 04, 2004
O ufanismo carioca
Você tá pegando uma praia no posto 10, comentando que adora o Rio, mas trampa em Sampa e tal, quando 1 carioca ufanista surta. E diz que o Rio é lindo. É tudo. É necessário.
E que odeia São Paulo.
Bom, se vc já aprendeu a lidar com arrastão, conferir bem o troco e negociar estacionamento em Ipanema, você tá pronto pro estágio 2 do manual de sobrevivência no Rio: Como lidar com carioca pedante.
Num lugar de criações tipo Garotinho e Rosinha, a dica é não bater de frente. Nem todo carioca é pedante. Mas todo pedante carioca acha q o país gira em torno do Rio. E se você duvidar, vão pedir p/ ligar na Globo (sim, eu ouvi isso).
Pedante é tipo formiga. Dá em qualquer lugar. O loko é que no Rio eles são prepotentes não por suas qualidade, mas sim pelas da cidade. Daí, normal não entenderem como existe vida num lugar sem o pôr do sol entre os 2 irmãos.
E enquanto o carioca pedante bate na areia dizendo 'eu só preciso disso, disso' (sim, eu vi essa cena) a gente sai do mar e volta de ponte aérea pra sampa, superconformado de precisar de bons empregos, cultura, bons amigos e mais que punhado de areia pra viver.