Quarta-feira, Julho 28, 2004
Calor de inverno
Quem mora em Sampa tem que concordar em algo: o frio tá brabo. Mas o lance é que inverno em Sampa é como verão no Rio, tudo a ver. Já pra quem é recém-chegado, pegar um invernão logo de prima é tipo virgindade. Primeiro é não. Depois é não pára.
Descobrir os prazeres de Sampa no frio é tarefa árdua. Sem um guia maneiro então, impossível. Mas aos poucos, pelas ruazinhas dos jardins, teatros do Bixiga, barzinhos da Vila Madalena, a gente percebe que nenhum inverno é igual ao daqui.
E quando vê, já tá achando normal usar pele no capuz. E sair de domingo pra ouvir anos 80. Doar agasalho pras campanhas. Rir com os amigos gays. Comer naquele bistrô ruim que todo mundo vai. E sair à 8 graus e chegar na festa lotada.
Quem mora em Sampa recebe os amigos de fora com programação no bolso. Aproveita a chance pra visitar o MASP. Ou estourar de vez o cartão. Quem mora em Sampa acha que frio é desculpa pra comer o tempo todo. Tem técnica própria pra esquentar o vaso. E jura que a Oscar é a Rodeo Drive.
Morar em Sampa é ficar meio tudo. Meio atrasado, meio feliz, meio neurótico. Eu, criado em praia, não gosto de frio. Mas me viro numa boa no inverno de Sampa. Afinal, posso não ter aquele trench-coat armani, mas conheço outras maneiras criativas de esquentar uma noite fria.
Quinta-feira, Julho 22, 2004
Já ouviu falar de peguéte?
Esqueça namorar, ficar, ou sexo casual. A nova moda em matéria de relacionamentos é o peguéte. Um amigo de Londres que me realizou pra nova tendência... E de que eu tenho um perfil ideal para o fenômeno. Que medo.
É menos que namoro e mais que simples ficância. A pessoa que cê tá pegando, no caso, geralmente tá longe de querer assumir algo. Mas também não deixa você se afastar. E vocês ficam se pegando eventualmente. E pegando outras pessoas também. Que podem ser ou não ser do mesmo círculo.
É tipo suruba, mas sem todo mundo junto. Achou complicado? Eu também. Mas tendência é assim mesmo. Quando chega ninguém entende. Eu até hoje não entendo o cinto por cima do passante, por exemplo. Outra curiosidade do pegéte é o fator mente aberta (e eu pensando que isso tinha acabado nos anos 70).
É normal você cruzar seu peguéte de ontem com o peguéte dele de hoje (que pode ser seu conhecido. E peguéte de amanhã) e todos trocarem idéia tipo normalmente. Eu ainda tô no estágio de ficar passado. Mas tô evoluindo rápido.
Outro amigo diz que não quer namorar nunca mais, só ter peguétes. Ele acha que isso é o futuro. E que o melhor a fazer é aumentar minha lista de peguétes, pra ter sempre boas opções. Tipo o orkut. Ah tá... E eu mal sei mexer no messenger.
Segunda-feira, Julho 19, 2004
Tenho queda por gente burra
Não digo pra namorar. Porque no dia-a-dia gente burra me irrita. Digo pra trocar idéia. Se chego na festinha e tem a roda de gente letrada, falando do governo Lula, do último trabalho da Isabele Hupert, canso logo.
É louco isso. Provavelmente eu seja burro também. Sei que não gosto de falar de política e religião (que pra mim não se discute). Mas no fundo, também sei que meu problema não são os assuntos... São as pessoas.
Sim. Gente inteligente me cansa. Porque sabe do que fala. E sabe que sabe. Adicione álcool à história e tudo vira uma mistura de gritaria com papo chato. Morro de tédio. E me sinto como estivesse ao vivo na TV Senado.
Se você chegar numa festinha conceito, não me procure na rodinha inteligente. Me procure na burra. Onde estarei dando risada com alguma Patty loira ou surfista alienado. Fumando unzinho e falando muita merda.
Não. Não quero incentivar a estupidez. Longe disso. Até porque, fico indignado como as pessoas lêem pouco e perdem tempo em filmes estúpidos. Mas ao invés de digladiar sua erudição, tente não julgar tanto os outros...
Talvez aquela pessoa não saiba nada sobre Neruda. Mas pode saber muito sobre humanidade... Ou sobre uma noite de sexo selvagem. Que algumas vezes, é tudo o que a gente precisa.
Sexta-feira, Julho 16, 2004
Um momento sem noção
Tem dia que você não tá a fim de frescura. Então põe a primeira roupa, um all-star vagabundo, um boné e tá ótemo.
Mas no elevador, algo acontece. Sua vizinha te olha estranho e solta: Uau, tá lindo hein? Você faz o humilde. Mas pronto. Isso basta para você começar a se ver diferente.
Sim, você tem estilo. E o mundo precisa de você como exemplo. Minutos depois, já querendo seduzir o espelho, você entra na agência fazendo o catwalk. E jogando o cabelo. Que nem é comprido. Cabe lembrar.
E quando você tá no limite da insanidade féshion, tipo quase ligando no celular da Constanza pra dar um alô, uma amiga passante te olha, levanta a sobrancelha e solta: Que modelo baiano.
E thuns... seu mundinho cai. E você começa a perceber o óbvio: que sua calça de veludo azul não é assim, uma Brastemp. Que seu all-star realmente é vagabundo... E a real é q sua vizinha, pobrezinha, estava mesmo é desesperada por uma trepada.
Segunda-feira, Julho 12, 2004
Modelo esquecido
Pensei q não tinha nada mais emocionante no mundo que achar dinheiro no bolso da calça. Mas tem... Achar um Herchcovitch zerinho no armário.
Tudo começou no aniversário do meu amigo. Festinha à vista e eu, total a fim dum modelo bacana e sem grana pra comprar algo novo, comecei a procurar uma luz no fim do túnel. Ou melhor, do guarda-roupa.
Depois de vasculhar geral e chorar pra Santa Donatela dos Descamisados, eis que a tal luz invade meu quarto, cantos gregorianos começam a rolar e 1 milagre acontece... Ok, tô exagerando um pouco...
O que importa foi o milagre de eu ter achado uma camiseta estilosa no último, novinha e totalmente virgem. Ainda por cima economizei a grana pra comprar um presente pro meu amigo. Viu como eu sou legal?
E no fim da noite, ainda constatei uma curiosidade. Quando você fica doidão na náite, sempre tem alguém que te leva pra casa. Mas muito melhor é ficar doidão com estilo e bem vestido. Pois eu garanto que alguém vai querer te levar pra casa também... Mas nesse caso, a casa dela.
Quinta-feira, Julho 08, 2004
The single life
Tava almoçando no América do Iguatemi e comentei com minhas amigas q ultimamente minhas relações não chegavam nem numa pernoite inteira, quiça num namoro.
E enquanto tomava o cafezinho fui chamado de chato, exigente e até sem noção. E por mais que tentasse convencer as gatas do contrário, elas insistiam na idéia de que homem bacana só fica solteiro se quiser. E q solteiriçe involuntária é coisa de mulher.
Só encerraram o assunto pq o Ricardinho Mansur apareceu e elas praticamente surtaram (aliás, o cabelinho dele é nojento, hein). Mas atenção mulheres, não se enganem. Seja metro, homo ou straight, homem também rala na hora de procurar 1 bom partido pra namorar.
Vide meu exemplo. No passado, dei sorte cruzar pessoas tão lindas por fora quanto por dentro, mas se for pra escolher alguém pra ficar junto, abro mão de 1 bom corpo por 1 bom cérebro. Claro, dentro do meu quality assurance, porque também não tô aqui p/ fazer caridade.
E se isso for exigir demais, prefiro ir vivendo minha solteirice. Ou quase, já q no momento vivo o relacionamento semi-perfeito. Ela é linda, inteligente e... Morta. Sim, Clarice Lispector se foi, mas anda suprindo minhas noites de paixão. Com a vantagem de não encher meu saco. Nem reclamar de atenção.
Sexta-feira, Julho 02, 2004
Túmulo da moda
Perdi a féshion week em sampa. Uma pena. Adoro aquele fréji todo. As pessoas com seus modelos absurdos, os modelos com os corpos absurdos e as festinhas pós-eventos, também absurdas, onde o povo exagera no champanhe e jura q tá em Tribeca.
No Rio, até rolou convite pra ir. Também não fui. Mas queria ter visto a Blue Man, por motivos óbvios. No Rio, minha experiência mais féshion foi comprar 1 par de havaianas azuis. Mas nem conta. Pois se em sampa o povo usa havaianas pq acha féshion, lá se usa pq custa barato (e não solta as tiras, claro).
E quem diz que carioca é brega não sabe do que tá falando. O que eles tem é um jeito próprio de vestir. Mas até aí, carioca tem jeito próprio pra tudo... Pra falar. Pra andar. Daí, normal que eles ditem a própria moda, vide as minas de coleira e os caras de tiara. Mesmo que ela só vá do Flamengo até a Barra.
Eu, particularmente, não tenho nada contra o jeito deles de ser. Até prefiro esse estilo tênis + jeans + camiseta. Até porque, se a nota pro carioca é baixa no quesito vestir a roupa... Quando o quesito passou a ser tirá-las, a pontuação foi lá no alto.