Terça-feira, Março 30, 2004


Por um fio

Daí eu tava cortando o cabelo quando o cara disse: olha, um fio branco. E eu: puxa, nunca tinha visto. E ele: é q agora cê ta deixando + compridinho, daí fica + evidente. Pronto! Bastou p/ eu começar a sentir o peso dos anos nas costas. Ou melhor, na cabeça.

E enquanto me imaginava trocando um corte cool por uma aplicação de grecin, peguei uma revista qualquer com um teste. E uma das questões era marcar: jovem, maduro ou vivido. Claro q marquei no jovem. Até pq 'vivido' eu me recuso. Mesmo sendo meio verdade.

Então abre um sol, vc põe um modelo jogging e vai correr no parque do Ibira... Mas dada hora seu joelho dói. Afe. Tem coisa mais senil q dor nas juntas? Claro q liguei pro meu amigo na hora contando tudo. E é claro q ele falou q eu tava surtando. E me mandou dar um rolê no shopping.

O q eu não fiz. Preferi alugar 1 filme e ir p/ casa me jogar no sofá. Se eu tava me sentindo estafado? Não, nada disso. Estafado estava meu cartão de crédito, q eu estourei na Ellus no dia anterior.

Tá vendo? A velhice também trás sabedoria. Mas bola p/ frente. Até porque eu posso até estar velho, mas com um corpinho de 27... Epa! Mas eu só tenho 27...

... Tá, chega de loucura. Decidi arrancar o mal pela raiz... no caso, o tal cabelo branco.

escrito por MIM - 12:37 PM

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Quinta-feira, Março 25, 2004


Espécie não catalogada

Outro dia tava num café contando pro meu amigo q tinha perdido a identidade e ele soltou: mas é claro, vc fica absorvendo muito tudo... Muito trabalho, muita balada, muita Hilda Hilst, daí se perde nas referências.

Quase cuspi a coca. Diet. Porque eu realmente tinha perdido minha carteira de identidade na balada do dia anterior, e era dela q eu tava falando.

Ok, esse meu amigo não é nenhum poço de sabedoria, mas preciso admitir q sou um cara meio sem identidade mesmo. E por mais q tente, não consigo me encaixar em nenhuma turma. Ou melhor, nenhuma turma consegue se encaixar comigo. No sentido figurado, q fique claro.

Porque pros meus amigos fúteis-hedonistas-drogadinhos sou papo-cabeça demais. Já pros papo-cabeças, sou fútil-hedonista-drogadinho demais. Até as amigas de compras da Oscar tem sua turma. Q aliás, como todas as turmas, me dou superbem. No fundo, sei q elas não vivem sem mim pq assistem muito Sex And The City e acham essencial ter um queer boy na turma. Já eu, não vivo sem elas pela necessidade de ouvir gente falar mais merda que eu.

Daí q, enquanto espécie não catalogada, vago por São Paulo como se estivesse numa selva inexplorada do Bórneo. E quer saber? Não viveria em outro lugar. Pois mesmo sendo um ser sem turma definida, só uma selva inexplorada esconde tesouros inexplorados. E lugares inexplorados. Belezas inexploradas. E, principalmente, outras espécies... Esperando para serem exploradas.

escrito por MIM - 10:16 AM

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Quinta-feira, Março 18, 2004


Ciranda cirandinha...

Essa semana tava passando por uma coleguinha de trabalho quando ela virou a cara p/ mim. Na hora pensei ter imaginado coisas. Mais tarde passei por ela de novo... E não é q era isso mesmo? Sim, a pessoa 'estava de mal' de mim.

E eu?

Fiquei encantado. Me fala? Não é tudo ver q as pessoas, mesmo beirando os 30, ainda se permitem fazer coisinhas como ignoradinhas, beicinhos e afins? Q puxa! Me senti no jardim de infância, quando ainda era um garoto inocente (sim, eu fui) e meu maior problema era descobrir o q tinha na lancheira.

E se vc tá pensando, nossa, ele vai looonge. É, eu vou! Porque depois dessa, até vejo esperança no mundo. Quem sabe no futuro, quando vc fechar alguém no trânsito, ele vai te xingar de bobão, melequento ou feio, ao invés de FDP (mas cuidado: nunca xingue mulher de feia nem de vidro fechado, perigando tomar 1 tiro).

Claro q agora, pensando friamente, confesso q tô meio apreensivo. Medo da minha coleguinha chegar cantando 'belém-belém nunca mais fico de bem'...

escrito por MIM - 3:33 PM

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Quarta-feira, Março 17, 2004


Referência é tudo

Sua cidade é corrida. Sua vida é corrida. Sua agenda é corrida. E entre compromissos de importância vital, como fumar unzinho e jogar PlayStation 2 com seu irmão, cê esquece um de vida ou morte: cortar o cabelo.

E pensa: fodeu. Afinal, vc sabe o poder do cabelo revolto. Já a recepcionista do salão, não. E, mesmo explicando q tem 1 festa a noite, a fofa, com a finesse de quem cresceu no Jardim Pirajuçara, avisa q não tem vaga nem semana q vem .'Não adianta. Ele vai tá produzindo o ensaio da Vanessa Camargo' (sim, tive q ouvir isso).

Suicídio? Genocídio? Máquina Zero?

Calma rapaz. Saca um boné e se joga. Tudo bem q sair de boné depois dos 20 é algo de gosto duvidoso. Mas se o Orlando Bloom pode pq vc não? (tá, não precisa responder). Mas enfim, na falta de opção vc assume o risco e cai na náite.

Chegando lá, surpresa: o istáile dá certo. E após uma balada muito bem sucedida, e vc sabe do q eu tô falando, ainda ouve q boné te dá 1 ar cool. E no dia seguinte ainda adquire outro cap bacanudo (se liga nos da Anni Futuri).

E pensar q indiretamente a responsável por isso foi a Wanessa Camargo. Q agora vc acha até mais simpatica. Quem sabe poderia até comprar um CD dela (calma, calma... Tô brincando).

escrito por MIM - 10:44 AM

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Sexta-feira, Março 12, 2004


Ode ao sexo

Esse post é proibido à menores de 18.

Não quero influenciar ninguém com minha ode ao sexo. Sim, admito: amo sexo. Não vivo sem. E tirando o Micheal Douglas, não conheço ninguém q goste mais q eu.

E o Papa (q é um fofo) q me perdoe, mas também não pratico só p/ fins reprodutivos. Até porque, nem toda a ciência do mundo descobriu um jeito de fazer minha categoria reproduzir. E olha q não é por falta de tentativa.

Isso não é um desabafo sem fundamento. Ando cansado de ser chamado de galinha pelas pombinhas virgens de Calcutá. E mesmo com minha cara de pau (no sentido figurado, por favor) não consigo ficar menos passado quando ouço aquele papo q 'ah, só faço sexo com amor'. Fala sério!

Claro, poderia argumentar q estamos em pleno século 21 e tal, mas não tenho mais saco. Ou melhor, tenho. Por isso mesmo, não perco meu tempo com quem finge q não tem. E ao invés de gastar saliva, peço logo outra taça. E mudo o assunto. De preferência, com alguém q viva em 2004.

Portanto, cuidado comigo. Pois como diriam as pombinhas virgens, posso estar a sua espreita, esperando para te seduzir e levar para minha alcova.

Agora, se você é uma pombinha virgem, vale lembrar q o mundo tá mudando, viu. Tirando o Oriente Médio e afins, onde sua virgindade ainda é supervalorizada. E quando você casar, com algum saudita gordo e bigodudo, ele vai te comer e mostrar p/ família o lençol branco. Com todo o amor, é claro.

escrito por MIM - 12:29 PM

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Quarta-feira, Março 10, 2004


Customizando a realidade

Era uma vez uma época em q se vc ficasse carente, ia às compras. Mas os tempos são outros. E as idas ao shopping viraram tipo jantar fora: uma, duas vezes por mês e olhe lá. E nessa triste realidade, qualquer modelo com mais de 3 dígitos já é encarado como haute couture.

Daí q semana passada, enquanto tomava um drink e conversava com meu 1 amigo sobre assuntos de importância global (tipo a saída do broto do Tom Ford da YSL), achei numa revista a coisa mais bacana dos últimos tempos: 1 bota cano alto, estilo montaria.

E minha vontade foi jogar a Vogue de lado, pegar meu chofer e rumar p/ loja do Alexandre, como 1 autêntico féshion victim. Não fosse o fato da revista não ser a Vogue, eu não ter chofer e meu salário estar mais p/ trashion victim.

Mas veja pelo lado positivo. Como pagar de gatinho está mais difícil, na falta de 1 modelo bacanudo p/ aumentar sua auto-estima, só resta vc ser seu próprio trunfo. 1 bom papo pode valer mais do q aquela camisa florida Doc Dog ou aquele jeans Diesel. Afinal, se a noite der certo de verdade, vc iria acabar sem roupas mesmo, né?

Sobre a bota? Claro q não agüentei e fui lá. Mas não tinha. Sim, o vendedor me explicou q é da coleção nova e ainda não chegou. Ufa! Meu santo é forte ou não é?

escrito por MIM - 10:33 AM

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Quarta-feira, Março 03, 2004


A fabulosa vida dos Meninos Perdidos

Os meninos perdidos são uma espécie típica do verão. Bonitos e alegres, reúnem-se nessa época do ano no litoral carioca para confraternizar e copular. Dizem q eles não reproduzem, no entanto, multiplicam-se a cada ano. Pesquisadores ainda estudam o fenômeno.

Cada bando tem seus hábitos, modo de vestir e idioma próprio, no entanto, comunicam-se com facilidade numa linguagem universal. A maioria reconhece de longe seus semelhantes, mesmo de outros bandos.

Apesar de adorarem praia e sol, os meninos perdidos tem fortes hábitos noturnos. Com suas camisetas presas na barra de trás da calça, perecendo rabinhos mesmo, eles reúnem-se em lugares quase secretos à humanidade para dançar, cantar e beijar (comportamento esse, bem comum).

As noites nesses lugares eram quentes e agitadas. Dezenas deles. Centenas de opções. Milhares de papeizinhos prateados caindo do teto. E os meninos perdidos se abraçavam e riam. Como num sonho, talvez de nunca crescer, numa Neverland chamada Rio de Janeiro.

escrito por MIM - 12:16 PM

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Jovem, culto, bonito e rodado
(mas quem não é?)

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Cool

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Dani (template)
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