Sexta-feira, Novembro 28, 2003


Shopping & Drummond

Quando você não tá muito bem e necessita de uma felicidade express, só tem um lugar onde ir: o shopping!

Impressionante como 1 modelo bacanudo, por um preço bom, podem mudar seu humor. Claro, nem sempre os preços são tão bons, o q pode provocar uma oscilação do humor num curto período de tempo. Tipo vc vê 1 lance cool (humor up), daí você experimenta e não cái do jeito q vc pensava (humor down). Daí o vendedor acha algo + bacana ainda (humor up), daí qdo vc vai pagar é uma bica (humor down). Mas vc leva assim mesmo (humor up) e depois pede ajuda pro seu pai p/ pagar a fatura (nesse caso, o humor donw vai ser dele, claro!)

Chegar numa loja com cara de 'preciso adquirir' é pedir p/ ser enganado. Se vc tá num momento desespero, vai de óculos escuros, viseira, sei lá, disfarça. Com o tempo cê fica escolado e mesmo quando acha 1 óculos D&G fantástico, por apenas cinco dígitos, ainda consegue manter a calma e negociar 1 preço ainda melhor. Impressionante o q a gente não faz num momento de pressão!

E de lá p/ cá seu humor vai ficando cada vez mais up. Vc compra mais uma sunga na rosa chá, uma camiseta p/ balada e quando vê, já tá dentro da doc dog com uma cover da cindy lauper te mostrando os colares + cools do planeta féshion. Incluindo aquele prata tendência com coração de strass (Hum... Será? Pãnico na zona sul!). Antes mesmo da cindy te aconselhar a tirar a camisa p/ ver como fica legal no pescoço, cê já sabe q vai levar mesmo. Quanto a história de tirar a camisa, no comments. + quem ensina isso às vendedoras?

Daí vc sai de lá pisando forte na avenida e se sentindo hype do úrtimo, como se nada pudesse estragar tua felicidade. Nada, a não ser aquela música da marina, q tocou naquele momento, enquanto vc's conversavam. E ponto. Você volta se debulhando o caminho todo, q nem 1 idiota. E por incrível q pareça, vc lembra daquela frase do drummond: Perder-te seria/ perder-me a mim próprio./ Sou um homem livre/ mas levo uma coisa". E você não está falando das sacolas.
escrito por MIM - 4:54 PM

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Quinta-feira, Novembro 27, 2003


Quando a vida imita a arte

Sou viciado em filmes de terror. Às vezes o filme nem é tão bom, às vezes é, + é só pintar um lançamento nos cinemas e lá vai eu, a pipoca e a felicidade. Acontece q ultimamente não preciso + assistir thrillers p/ sentir aquele friozinho na barriga. Minha vida já está emocionante o suficiente.

Assim como a virgem q decide transar com o namorado na floresta onde se esconde um serial-killer, existem escolhas q vc faz e não tem certeza q são as certas. Na verdade, tem quase certeza de q são erradas e q vc provavelmente vai sofrer muito. Mas precisa fazê-las assim mesmo.

E quando a vida imita a arte, vc descobre q ela não é tão previsível quantos os filmes de terror e q tem decisões q podem tornar sua segunda-feira uma sexta-feira 13. Daí, vc se vê sozinho, como a mãe do Iluminado naquele hotel na neve. Ou chorando com cara de louco, tipo a mia farrow em o Bebê de Rosemary. Ou vagando por sampa sem rumo, tipo aqueles zumbis em Extermínio (aliás, o único q valeu a pena este ano).

Pronto, sua vida virou 1 thriller movie p/ Stephen King nenhum botar defeito. Mas atenção, se vc começar a virar a cabeça e vomitar verde, estilo a mina do Exorcista, talvez seja melhor consultar um médico. Pode ser algo q vc tenha comido. Sei lá.

No fim das contas você nem dorme mais à noite. Medo de fantasmas? Nada disso. Essas são as horas em q o medo da ficção passa e você se dá conta que a realidade pode ser muito, + muito mais apavorante.
escrito por MIM - 10:52 AM

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Terça-feira, Novembro 25, 2003


Um conto metalinguístico
Prepare-se, leitor: este conto é diferente de tudo o que você já leu. É um conto inspirado em palavras e situações altamente pretéritas. Desses contos com grafia dupla, com cenas de prefácio explícito. Este conto tem letras dobradas, consoantes mudas, nomes próprios, e acentuação gráfica. É um conto bem agudo, mas com passagens com um forte circunflexo. Leia, divirta-se, e dê grandes aspas de alegria. Atenção: Este conto é proparoxítono para menores de 18 anos.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal.

Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Agora, quem coloca ponto final sou eu. Ou melhor: coloco dois. Um, é para não perder a mania. Outro, é porque isso é um conto rápido, e não uma oração adjetiva explicativa.

* Este texto foi publicado em 14/05/1992. O nome da publicação não consegui identificar, mas a coluna chamava-se Coluna do Meio. Wagner Fornel, na época, era redator da Heads Propaganda, em Curitiba.

escrito por MIM - 2:50 PM

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Segunda-feira, Novembro 24, 2003


KIDS

Tem gente q não gosta de criança. Tem gente q não gosta de anões (pode? Essa pessoa preconceituosa eu tirei da minha vida, até pq não estou falando de duendes). E tem gente como eu, q não gosta de teenagers.

Sim, adolescentes me dão medo. Teve 1 adolescente q me aterrorizou + q tudo na vida. Era eu mesmo. É q qdo penso na minha adolescência, não me reconheço. Tudo pq além de chato, revoltado e cabeludo, eu ainda combinava bermuda xadrez da tower com camiseta gola canoa estampada da pakalolo... afe. + mereço 1 desconto, afinal, não conheço ninguém q tenha passado impune pelo fim dos 80.

Tenho uns amigos e amigas q curtem apertar uns adolês. Eles chamam a categoria de espetinho, pq eles são novos, tem carne macia e estão o tempo todo espetando a sua barriga. E vc sabe do q eu não tô falando do halls no bolso. Caros amigos, aproveito pra lembrá-los de q essa brincadeira, além de ser mau gosto, ainda dá cadeia.

E ontem fui ver thirteen, q conta a história duma mina junkie q aos 13 anos deixava Keith Richards no chinelo. A gata q escreveu o roteiro participa do filme, q é bom + nada demais. Se vc for no filme, repara q o + divertido é ver a cara de surpresa dos mais velhos aos constatar q a molecada hoje em dia trepa sim, se droga sim e não tá nem aí pro q eles dizem.

Mais surpresa q isso só qdo vc tá na náite com os amigos, daí vem 1 brotinho supersarado, de óculos escuros na cabeça, te cumprimenta do nada, enquanto vc lembra q ele era aquele teenager magrelo, q insistia em puxar assunto com vc na academia e vc nem thuns. E vc fica pensando, putz, mais um q entrou pro crime.
escrito por MIM - 5:31 PM

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Sexta-feira, Novembro 21, 2003


Psicho terapy

É básico. Quando não se tem dinheiro ou coragem p/ fazer terapia de verdade, se apela pros amigos. O chefe q pirou, o namôu q te chutou ou a liquidação q esgotou. Não precisa de muito p/ uma consulta de urgência.

E como viver em sampa é tipo corra-lola-corra, não é todo dia q vc pode sentar no sofá do amigo e chorar as pitangas. Logo, vc descobre q se o diamante é o melhor amigo da mulher, o do homem é o celular. E dá-lhe consultas express, seja no trânsito, no supermercado ou em cima da bike na academia.

As vantagens de se consultar com amigos são inúmeras. Onde + vc poderia fumar unzinho, ou beber 1 taça enquanto se consulta? Eles tbm são cuidadosos com verdades q vc não tá preparado p/ ouvir, daí acabam dizendo só coisas fofas. Êba. Já 1 psicólogo te arrasa em menos de 1min enquanto esmiúça seus traumas escondidos. E vc ainda tem q pagar 1 fortuna por isso? Hello, tenho cara de marquês de sade?

Sempre preferi investir meu dinheiro em coisas + tangíveis. Problemas não são tão tangíveis quanto a nova coleção da V.Room. Daí q meu guarda-roupa nunca esteve tão legal. Já minha cabeça, parece o vibracall do meu celular. + enquanto o meu holerite continuar com vários zeros abaixo do q eu sonho em ter, vou apelando pros amigos mesmo.

Daí, após falar sem parar por 10min e ouvir assovios do outro lado da linha, vc pergunta se a pessoa tá entediada e ouve: não tô entediado não gato, tô soprando bolinhas de sabão aqui no escritório enquanto te ouço. Precisa ver como minha sala está cheia de bolinhas (sim, isso rolou de verdade)... Consultas com amigos podem até não resolver a vida, mas q ela fica muito mais divertida, ah fica.
escrito por MIM - 10:40 AM

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Quarta-feira, Novembro 19, 2003


Amigos amigos, presuntos a parte

Meu amigo das antiga, brother mesmo, chegou do Canadá este finde e ficou em casa. Por ele ser dessas famílias tradicionais do sul, q o pai é auditor de banco e tals, tinha esquecido como o cara é pão-duro. E não tô exagerando, chega a ser divertido.

Por isso, não liguei dele levar a própria cerveja p/ náite, de voltar às 6h da manhã de ônibus p/ economizar, ou não querer jantar fora comigo no Spot... Mas quando ele me convidou p/ lanchar e eu dei de cara com aquela mortadela fatiada, ao vivo e a cores na minha frente, cara, senti medo.

Afinal, não é todo dia q vc topa com 1 presunto estampado com bolinhas brancas, cujo nome é: morta-dela ('dela' quem, pelamordedeus?). E enquanto o alarme de autocontrole na minha landscape face avisava: 'perigo, perigo, vc está prestes a trair suas emoções', veio a pergunta matadora: não quer 1 um pãozinho com mortadela?

Nessas horas, 2 coisas passam na mente: imaginar seus chegados comprimindo as pérolas no peito só de sonhar vc comendo mortadela, ou nas quantidade de coisas + várzeas q isso q vc já experimentou. Então peguei o presunto estampado e comi. Sim, comi a mortadela.

E tive 1 revelação: se depender de ser pão-duro p/ ter as coisas q sempre sonhei na vida, tô fodido hahaha. Claro q tô zoando pq ele realmente não liga p/ essas viadices metropolitanas. Muito menos ficar em fila de restaurante fútil, esperando hoooras por 1 mesa e gastando os tubos numa mísera salada de melão com presunto (alguém me explica pq faço isso?)

Nota do editor: Mash, se vc tá lendo isso, confesso q apesar de fazer cena, da baby brut gelada p/ ajudar a descer e tals, eu gostei. + quando vc voltar p/ sampa (espero q logo) is gonna be my way. Love you man e muita boa sorte.
escrito por MIM - 4:53 PM

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Terça-feira, Novembro 18, 2003


O poder da marca

Eu disse q precisava comprar 1 gucci, eu disse q precisava comprar aquela sunga da rosa chá, eu disse q precisava comprar aquele cel q tira fotinhos... Eu tava certo. Mas não comprei nenhum dos 3.

Isso q dá ir no shopping sem 1 amigo p/ te incentivar a gastar nas coisas realmente importantes da vida. Tudo pq ando numas de reavaliar certas coisas e resolvi dar ouvidos à minha consciência, q me impediu de adquirir + essas dívidas no cartão. Na próxima vez q for fazer comprinhas sozinho, fumo 1, tomo 1 tacinha e bau-bau consciência...

E neste fim de semana caí num chill-out na casa dum amigão. Muito sol, muita champanhe e, claro, muitos óculos escuros bacanudos. Enquanto usava o meu de 20 real p/ prender o cabelo, pensava: q bom q minha mãe me deu sunga nova, q bom q minha mãe em deu sunga nova....

E te dizer q curtir 1 domingão pegando 1 bronze com os amigos é tudibom p/ levantar o astral. E ao invés de encanar q o fato do figura não ligar desde sexta, deixei p/ me preocupar com o fator do filtro solar. E com a marca de sunga, claro. Afinal marquinha é show, né?

Tanto ter quanto ver. Apesar q não tô numas de ver, só de ter mesmo. Até pq meu objeto de visão tá bem longe de sampa. E não foi aquele curso de Costumer Relationship Menagement q ensinou você a acreditar no poder da marca? To esperando p/ confirmar se a teoria funciona na prática.
escrito por MIM - 11:18 AM

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Sexta-feira, Novembro 14, 2003


O charme do mundo

Viver numa city como sampa é cercar-se de coisa nem sempre tão boas. Falta de grana, de qualidade de vida, de lojas boas com preços honestos, enfim, motivos não faltam p/ zoar o seu mundinho cor-de-rosa. Mas assim como as capivaras do tietê, cê logo se adapta e de repente thuns, nem liga mais.

A real é q vc fica escolado p/ notícias desagradáveis. Tira de letra. O problema é quando cê recebe 1 notícia boa. Ou, pior, 2 notícias boas. Ou pior ainda, 3 notícias boas duma vez... E pronto, fodeu, cê vira um idiota! E sua cara de bobo te denuncia.

Afinal, você não está preparado pra isso. Fica nervoso com notícias boas. Não sabe como se comportar, se deve comemorar, tipo se dando de presente aquele gucci bacanudo. Porque a qualquer momento a fada má do oeste pode chegar voando numa vassoura e levar sua felicidade embora. Incluindo seu gucci. Meu amigo garantiu q ela existe. + como ele toma substâncias ilegais, cabe desconfiar.

Claro q existem notícias e notícias. Ganhar na loto é 1 ótima notícia. Ganhar 1 carro também. Mas ganhar 1 ligação pode ser melhor q todas as anteriores (melhor acabar logo de escrever, desconfio q tô sendo dominado pela bobeira).

P/ mim, não precisa de muito. Apesar da preferência por champanhe importado, sou 1 casa simples, tá? E mesmo a semana ter começado bem punk, periga ela acabar deliciosamente bem. Pq ele ligou. Pq a promoção rolou. Pq seu amigo chegou (do Canadá). Quanto a cara de idiota, não tem jeito. Tá vendo, + 1 motivo p/ comprar aquele óculos.
escrito por MIM - 3:02 PM

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Quinta-feira, Novembro 13, 2003


Hair power

Até pouco tempo atrás não encanava com esse lance de cabelo. Cortava num daqueles salões anos 50, com 1 tiozinho q só sabia fazer 1 corte, o escovinha. Enquanto cortava, ele me falava pérolas do tipo: 'o cabelo é a moldura do rosto'.

Hoje, corto com o Ângelo, cujas pérolas são: 'comprei 1 jeans Dolce&Gabana lux, glam e sedux'. Ou então: 'seu cabelo tá tudo, nem perdeu o corte'. Claro, deve ser mentira, pois chego lá igual a um thundercats, mas e daí? É deus no céu e ele na terra, de preferência com uma tesoura na mão.

E este finde eu fui lá e foi o máximo. Confesso q queria mesmo ter passado a máquina. Tô querendo fazer 1 istáile febém faz tempo. Mas gastei os tubos numa pasta a base de água e num stick de cera (p/ fazer aquele istáile dirty, sabe?) e agora tô com dó de raspar o cabelo e não ter matéria prima p/ usar.

Pior é q eu achava q ninguém percebia meu exagero nesse quesito. E minha amiga chegou da euro segunda, me trouxe um presente e adivinha o q era? Um hairgum tudo, cheiroso no úrtimo... Tô achando a as q esse cabelo à máquina não vai rolar tão cedo.

Mas conheço gente pior q eu. Tenho outra amiga linda, 2,80m, luxuosa, q eu nuuunca vi o cabelo dela original. E me disse q se depender dela, ninguém vai ver, pois ela acorda todo dia e dá-lhe escova. Também me disse q seu melô é aquela música do bozo: 'chuveiro, chuveiro, não faz assim comigo...', sabe? A verdade é q cabelo é que nem assaltante, ou tá armado, ou tá preso.
escrito por MIM - 1:46 PM

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Segunda-feira, Novembro 10, 2003


Um domingo no teatro

Foi assim, tava sentado mandando 1 pipoquinha quando 3 caras pelados apareceram dum buraco no chão. Daí, umas mulheres também peladas apareceram correndo e eles começaram e se esfregar uns nos outros, com direito a mão no pau/ na mão/ na xana/ no peito/ na boca e por aí vai.

Sonho erótico? Suruba? Festa do Pijama? Nada disso. Era a última encenação do nascimento do povos no Teatro oficina. A peça? Os Sertões, do Euclídes.

E enquanto tentava fazer cara de it's normal p/ tanta xava e pinto balançando na minha frente, não imaginava q logo depois 5 peladonas iam me enlaçar e lá vai eu pro meio da pista. Tentei de tudo, gritei q minha camisa era italiana, q minha mãe estava vendo, até mesmo q eu era epilético (claro q não deu certo e provavelmente ainda vou p/ inferno depois dessa).

No fim, me colocaram abraçado com 1 cara da platéia + apavorado q eu, abaixaram nossas calças e marcaram nossa bunda com ferro quente (figurativamente, né gente), enquanto o resto gritava coisas q eu não tava em condições de entender. Enquanto éramos liberados, eu levantava a cueca e imaginava o q viria pela frente. Ou por trás. Medo.

Cinco horas depois, a maioria das mulheres já estava descalça e os homens sem camisa, enquanto pulavam e dançavam voluntariamente. E eu? Já havia beijado uma mina, participado duma festa pagã e sido rebatizado de Nuvem, numa cachoeira no meio do palco. A vida tá monótona? cansado do Discovery Channel? Se joga no Oficina. Só deixe de lado roupas brancas e vá com uma calcinha ou cueca bonitinha por baixo. Ou vai sem nada, sei lá... A real é q no fim isso não vai fazer a menor diferença.
escrito por MIM - 5:19 PM

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Sexta-feira, Novembro 07, 2003


Livre, leve e solto

Daí aconteceu q eu fui treinar supercedo. Acabei, tomei banho, passei 1 stick no cabelo, givenchy no suvaco e q qdo fui pôr a underwear (vulgo cueca), cadê?

Pois é, tinha esquecido de trazer.

Inês é morta, sequei tudo, pus o jeans e vim trabalhar. No balanço das horas (e de outras coisas), percebi q a vida sem algo te apertando as partes baixas pode tornar vc 1 pessoa melhor e + divertida, já q:

. Por questão de integridade física vc senta com + cuidado, passa em quinas com + cuidado, cruza as pernas com + cuidado e todo mundo jura q você saiu de 1 sessão de shiatsu. . Enquanto passeia pelo shopping, passa a dar + valor a esta estimada peça do guarda-roupa. E resolve abandonar de vez aqueles pacotes xumbregas da C&A, entrar numa loja de verdade e investir na parte do corpo q vc + ama.
. Obviamente, passa o dia andando em passos largos. Logo, se vê fazendo cara blasé jurando q é 1 modelo internacional q nem 1 idiota. + vc nem liga, afinal, sabe-se lá quando vai ter desculpa p/ brincar disso de novo.
. Fantasia chegar praquela gata do atendimento ou pro broto da criação e dizer no ouvido: estou sem nada por baixo. Nesse caso, cuidado p/ não fantasiar em excesso pq entrar numa reunião de tenda armada, mesmo no ano de 2003, ainda dá justa causa.


Claro q isso só vale se vc está de calças compridas. Bermudas e shorts, ou cê volta p/ casa e prende o bicho, ou pára numa loja de cueca, sunga, tapa sexo, sei lá... Liberdade tem limite. Afinal, ninguém é obrigado a sentar num restaurante e dar de cara com seu perú amassado na mesa à frente. Ainda mais se ele for um juquinha.
escrito por MIM - 9:47 AM

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Quarta-feira, Novembro 05, 2003


A queer eye for the queer guy

Outro dia fui tomar 1 drink com os amigos quando alguém disparou: q coisas 1 jovem urbano, bonito e queer não pode abrir mão correndo o risco de ser banido do planeta? Após polêmica votação, chegou-se a seguinte lista: em primeiro lugar, o último grito de marketing da Madonna. Em segundo, 1 tarde de compras. Em terceiro, 1 atividade física ou academia bacanuda p/ manter o shape.

Analisemos então. Ao meu ver, salvo exceções, é raro os itens Madonna e academia coexistirem num mesmo indivíduo. Eu, já de cara, opto pelo item academia. Claro q gosto da Madonna, + assim como têm HT's q usam Calvin Klein, têm fags q não veneram a Madonna como a Glen Close em atração fatal. E outra, se for p/ venerar algo, q seja minha coleção de sunga. E nem tenho tantas assim (aliás, já viu as da rosa chá? Tão tudo).

Claro q academia também não é todo fag q curte. É tipo peça do Gerald Thomas, ou você ama ou odeia. Eu odeio. Digo, a peça do Gerald Thomas. A academia em si eu adoro. Acho básico se cuidar, corpo são mente sã. Segundo q é 1 pico astral, tem gente bonita e esse clima faz 1 bem danado p/ auto-estima.

Olhando a lista lá em cima, ainda sobra a opção compras. E vamos combinar q 1 bom shopping + 1 bom cartão de crédito (leia-se 1 bom limite), podem tornar seu fim de semana algo inesquecível. Ok, quando sua fatura chegar também será inesquecível, + isso vamos deixar isso pro futuro. Carpem diem.

Antes q a bibaiada surte, claro q tô sendo genérico e superficial, gente. Não precisa levar a sério. Até pq isso é só 1 blog, não 1 livro do Yukio Mishima.
escrito por MIM - 2:35 PM

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Segunda-feira, Novembro 03, 2003


Quando você dá um tempo

Cê anda estressado e resolve dar 1 tempo do mundo metropolitano aceitando o convite do irmão surfista p/ descer p/ maresias. Chega lá, pega 1 sol, faz 1 cooper, fuma 1 banza, folheia uma wallpapper e jura q esquecer da cidade, dos problemas e do namôu é a solução p/ começar a semana em alto astral.

Daí domingo, chovendo, nada pra fazer, cê resolve voltar mais cedo... E antes mesmo de sair da serra, seu celular apita várias mensagens. E junto com ele, apita também o seu sexto sentido. E vc começa a pensar q aquela história de esquecer a cidade, o namôu e tals talvez não fosse 1 boa idéia.

Então, a primeira mensagem é do seu amigo, comentando a balada mara q você perdeu. A segunda, é do outro amigo, comentando q a tal balada estava muito bem representada pelo seu namôu (sim, aquele q nunca sai na sua companhia). A terceira é do outro amigo, comentando o seu namôu parecia contente de mãos dadas com o gatinho q ele mesmo te apresentou, na festa do dia anterior.

Daí vc acredita q não ouviu direito. E volta a mensagem. Afinal, a maioria das mensagens não são claras quando vc mais precisa. Droga, essa tinha q ser 1 exceção?

E vc pensa na ironia q é ter tido 1 fim de semana relaxante depois de meses sem viajar e ter q usar todo o aprendizado em poucos minutos. Então mentaliza a praia, as ondas, o céu, e conclui q na verdade não é bem do mundo metropolitano q você precisa dar 1 tempo...
escrito por MIM - 10:48 AM

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Jovem, culto, bonito e rodado
(mas quem não é?)

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