Work out Academia é um lance meio freak mesmo. As pessoas vão para sofrer, gemem alto e parecem estar no set do filme Total Recall, do Schwarzenegger (tipo as tias de collant fluo e os fortões de micro regata).
Mas para quem frequenta de verdade, é uma segunda casa. Afinal, a gente vê todos os dias as mesmas mocinhas da recepção, os professores, a galera que treina junto. E você pega sentimento.
Por isso, natural que trocar de academia seja um drama. Quase um divórcio, com direito a abraçinhos na recepção e perguntas tipo: porque você fez isso com a gente? (Oi? A gente quem?)
Nestas horas, vontade de responder: porque a outra é melhor, mais bonita e barata, seu bando mercenário. Mas você é educado. E a cartilha de conduta sobre términos não permite chutar cachorro morto.
Enfim, uma porta de vidro escovado que se fecha e outra que se abre. Uma nova turma de mocinhas sorridentes de calça enfiada, professores com cérebro de noz e gente hedonista de gosto duvidoso. Amo muito tudo isso.
Chove chuva Paulistano não gosta de chuva. Mas dá para entender. Meia hora de água forte, caga a cidade o resto do dia. E quando digo resto do dia pense na Avenida Paulista engarrafada bem depois da meia-noite.
Eu gosto. Dá para correr no parque vazio, na companhia só dos marrecos. E também acho que a cidade fica mais poética. E bucólica. Até bruma aparece. Tá, eu paro! Mas tem coisa mais gostosa que barulho de chuva para dormir?
Também tem o fator saúde. Como bem se sabe, São Paulo não é um primor de qualidade do ar. Logo, quanto menos chuva mais pesada a nécessaire, dada a quantidade de descongestionante, colírio, spray e por aí vai.
Mas atenta. Chover não conjuga com sair. Hoje em dia qualquer lugar tem fila e uma leve chuva pode acabar com seu modelo, seu cabelo, seu sapato, e aquela uma hora na frente do espelho, que eu sei que você fica.
E antes que você venha com o papo de quem está na chuva é para se molhar, aviso que essa comigo não cola. Seja para ir na esquina, se tiver chovendo pego o carro, e nem confiança. Dignidade, a gente se vê por aqui.
A gambiarra do ano Final de semana. São Paulo. No manobrista duma famosa boate, você se prepara para fazer sua estréia na Gambiarra, a festa hit que nasceu no mundinho do teatro e ganhou fama com a frequência de celebridades.
Pelo door placement você estranha o (digamos assim) mix do público, que vai de piranhas no animal print a gays de calça capoeira. Sem preconceito, sem preconceito, entoa você o mantra para criar coragem. Que não vem.
Lá dentro, você acha que a coisa não vai bem quando lê na entrada da pista Breja, Aqui. E tem a certeza, quando vê no palco a Adriane Galisteu com um treco bizonho na cabeça (alguém te informa que é um micro boné, tipo pregado).
Quando você jura que parou aí, Dri saca um microfone e puxa: Viveeer, e não ter a vergonha de ser feliz... E você, com vergonha não só de ser feliz, mas de estar ali e ter pago por aquilo, sente que é o momento de desaparecer.
No caminho de casa, rindo com os amigos, realiza que festa roubada é como pochete e ex namorada(o). Existiu, existe e sempre existirá. E um dia, quando você menos espera, volta para te assombrar.
[foto: reprodução]
up date: ok, ok. muita gente disse que a festa estava leesho porque era na TW. e que no centro é melhor... talvez tire a dúvida algum dia. um dia bem distante.
Cumprimento de lua Quando a gente é criança e começa a lidar com gente grande, aprende algumas regras sobre convívio social. Tipo, que é feio ser mal educado, ou desrespeitar os outros, ou perguntar porque o tio Jorge dorme com o tio Pedro.
O que a gente não aprende é lidar com a pessoa que só cumprimenta quando quer. O chamado cumprimento de lua, praticado por gente que num dia te diz um “oi” serelepe e no outro finge que nunca te viu na vida.
E você, que nunca fez, não faz e não fará questão de ter um milhão de amigos para bem mais forte poder cantar, fica sem entender porque a pessoa escolheu este dia para não falar com você, que estava tão bonitinho.
Mais uma para a sua lista de perguntas sem respostas. Junto com outras do tipo “porque homem feio insiste no moicano”, ou porque “as mulheres vão no banheiro de duplinha”.
E amanhã, quando a pessoa de lua te disser “oi”, você, que planejou não olhar mais na cara dela, vai retribuir o cumprimento. Não porque você é educado. Mas porque você fez maratona Hitchcock no final de semana, e dessa gente você tem mesmo é muito medo.
Entrelinhas Tão cafona gente que diz que não gosta de ler. Não tenho o menor respeito. Assim como não tenho por boy na balada segurando bolsa para namorada piranhar na pista. Mas fiquemos na leitura, que tem assunto de sobra.
Muita gente não lê pelo mesmo fato de que não vai ao teatro. Trauma. Sei como é. E solidarizo. Quando pequeno fui obrigado a ler Olhai os Lírios do Campo e só me recuperei anos depois, com a Coleção Vaga-lume. Lembra?
Mas todos têm de saber o momento de rever seus entraves. O mundo lá fora é um mar de tubarão e, independente da sua área de atuação, vai ter uma hora que só ler a Caras toda semana, no salão, não será suficiente.
Quando a gente lê, conhece outros lugares, outras culturas, outras perspectivas. Viaja para lugares fantásticos, reais e irreais. Quando a gente lê a gente pode ser outra pessoa. E também pode ser a gente mesmo.
Ler é como sexo pela manhã. Você não tem tempo, está atrasado... Mas quando experimenta não quer outra coisa. Portanto, peça indicação a amigos que conhecem seu gosto e boa leitura. Quem sabe assim seu papo fica mais interessante que só saber as gírias da novela das oito.