Sexta-feira, Julho 03, 2009
La Playa
Barcelona é única. Talvez a grande cidade européia com praia. Sendo tão linda, segura e festiva, gente do mundo inteiro se joga para cá para curtir o verão, transformando a cidade num pólo jovem e multicultural.
Chegar em Barceloneta (a primeira praia) é uma experiência antropológica. Sem camiseta, havaianas na mão e uns bons óculos escuros, fiz um reconhecimento pela areia, olhando tudo clínica e discretamente, claro.
De cara, chama a atenção os diferentes grupos, de todas as etnias e estilos, e se ouve todas as línguas. As garotas (as que podem e não podem) fazem topless e a regra dos meninos ao sol é usar o que quiser. Mesmo.
Deitado na areia vi um grupo árabes jovens e bonitos, cada um com uma sacola Lacoste na mão. Sacaram juntos de dentro uma toalha com o jacaré enorme e deitaram ao mesmo tempo. Isso é Barceloneta.
Seguindo o calçadão temos as outras três praias: Bogatell, Nova Icária e Marbella. Marbella é a praia gay, logo a mais hype e divertida. Do seu lado direito traça-se uma linha invisível e ficam os peladões. E nem confiança.
Madri é linda e Paris um país. Mas Barcelona como disse, é única. Foi quando depois de duas sangrias geladas, rindo sozinho e vendo meu ultimo por do sol, entendi a good trip. E realizei que nunca mais seria o mesmo.
[Foto: Praia de Barceloneta / arquivo pessoal]
Estilo europeu
Uma das coisas sensacionais de estar na Europa é realizar as diferenças. O modo de agir, falar, vestir. Sendo os paises pertinho uns dos outros os estilos convergem em muitas coisas. Mas colega, divergem em muitas, muitas coisas mais.
A Espanha é um esplendor. Madri têm as pessoas mais bem vestidas, cultas e educadas que vi. Mulheres glamourosas e homens altos de ternos bem cortados e calças justíssimas. Um povo sóbrio e moderno, com acesso ao melhor no mundo num estalar de dedos.
Barcelona, a apoteose. Linda, moderna, limpa. O velho e o novo em sinergia. Os jovens em Barcelona têm todos os estilos e nenhum. A regra é usar o que quer, como quiser e o fundamento é dobrar tudo. Barra da calça, bermuda, manga da camisa e camiseta. O limite? Quando você achar que deu, dobre mais uma vez.
Impossível passear pelo Passeio del Gracia (uma avenida larga de construções clássicas) sem desejar uma sacola na mão e um bom óculos no rosto. Não tenha dúvidas, escolha a loja a seu gosto (da Vuitton a H&M) e nem confiança.
Vendo tanta gente diferente, falando com tantas pessoas e ouvindo diferentes histórias (e entendendo, bien sur), talvez a coisa mais forte que se aprenda quando se viaja por aí é que seu conceito de beleza definitivamente muda. Só não sei te dizer se para melhor.
Tour
Viajar é definitivamente tudo de bom. Existem viagens e viagens. Aquelas em que você faz o rei, gasta um pouco a mais porque acha que merece. E vamos combinar, merece mesmo. E outras que a gente conta os trocados - junta até moeda - e se joga.
Seria injusto comparar. Sao coisas diferentes, que podem ser igualmente maravillosas. Voce pode pegar o trem do oriente, que certamente será uma experiência única. Mas também pode ir logo ali, no Rio, Bahia, e ter uma viagem incrível. A melhor viagem é sempre a próxima.
Para essa, digamos, programei um meio termo. Chegar na humildade e ir me dando ao luxo. Começei por um hostel ao lado do metro Atocha, em Madri, onde estava até hoje pela manha. Experiencia que todo mundo merecia ter na vida.
O final da viagem será num hotelzinho honesto em Paris, atrás do Pompidou. Tem como ser ruim? Neste momento estou Barcelona, com um quarto com vista para a torre Agbar (metro Clot).
Viajar sozinho também daria um bom post, mas uma outra história. Preciso correr pois as camisas estao no laundry (se me permite, camisa de manga dobrada e Lacoste nos ,a gente aparenta um razoavel visual em qualquer lugar).
E mesmo se voce nao tiver a menor intimidade com uma maquina de lavar na vida, ainda vai continuar achando que viajar é tudo, tudo de bom.
Quarta-feira, Junho 10, 2009
On the road
Tô indo. Mas na plataforma da estação também tem gente vindo. Por isso, antes de partir, deixo uma dica dos lugares bacanudos que tem agitado a vida noturna & diurna paulistana. Vamos a isso.
Bar Volt – Dos mesmos donos do Bar Sonique. Tem décor néon e mesinhas sempre cheias de hispsters, rockers e até mesmo gente normal (?).
Sonique – Meu novo lugar preferido de infância. Um bar bunker modernoso, com ótimos Dj’s. A freqüência é bem selecionada e os drinks bem servidos.
MAM Restaurante – Buffet pequeno e sofisticado, com salão de vidro para o parque. Uma paz. Se ainda não foi, vai sem medo. Um chique bem acessível.
Vegas – Séculos que não ia. Mas fui e gostei muito. Do som, do ambiente, do público (muitos garotos e garotas lindas). O after de sábado é hors concours.
Frevinho – Um oásis na Oscar Freire. O chope é cremoso, serve o melhor beirutinho da capital (comprovado) e ainda dá para ver o footing da rua.
Leblon – o baixo Augusta confirmou. Com o gongo do Bar Pop’s, esse é o nosso novo bar de alta madruga. A caipirinha de carambola é necessária.
Não me peça endereço, googla e se joga. Prometo tentar postar da viagem e contar o que ando vendo, ouvindo e curtindo nesta trip. Deseje-me sorte.
[foto: reprodução]
Terça-feira, Junho 09, 2009
Quem? O quê? Como?
Todo ano é igual. Com a proximidade da Pride a cidade ovula. Leia-se Oscar Freire lotada, restaurantes entupidos e sold out nos teatros. Justamente nesta época aprendo alguns termos bacanudos. Segura.
Puxar a capivara - Puxar a ficha do indivíduo, vasculhar. Exemplo de uso: Acessa o google e descobre tudo, puxa a capivara dessa vagabunda (ouvi exatamente essa frase neste finde, numa mesa do Bar Volt).
A capa da gaita - Estar um trapo, esgotado, na lama. Exemplo de uso. Essa noite não dormi nada, estou a capa da gaita.
Virada na cachorra - Aqueles dias que a pessoa está possuída, do tipo que separa casal. Exemplo de uso: liga pro dealer e manda descer o pecúlio que hoje tô virada na cachorra.
Bater as dez - Termo usado para quem passou dessa para uma melhor. Exemplo de uso? O Bolinha ainda existe? Não, ele bateu as dez faz tempo.
Ma dá um flash - Famoso passo de jazz, usado para quando a pessoa não chega, estreia. Exemplo de uso: isso é onça de verdade colega? Me dá um flash e entra sem cumprimentar.
[foto: reprodução]
Sexta-feira, Junho 05, 2009
Sendo menina...
Mais uma coluna Deus Que Me Livre [...] Nesta edição o tema são as coisas que as meninas juram que podem fazer só porque são meninas (e podem mesmo). Então, de olho na telinha. Sendo menina, que Deus e Todos os Santos da Bahia me Livrem de:
. Acreditar em horóscopo tipo o Tom Cruise na Cientologia.
. Chorar quando perceber não vai conseguir resolver algum problema.
. Chorar mesmo nenhum problema.
. Demorar no banheiro da balada enquanto uma população espera para mijar.
. Dirigir pela cidade que nem uma drogada esquizofrênica cega.
. Sentir o peito doer sem ter feito supino (a personal disse que na TPM o dela dói por 6 dias... Fala sério).
. Seduzir e dissimular para conseguir as coisas... Se bem que essa, acho que nem eu nem você temos moral nenhuma para falar. Mas na boa, quem tem?
[foto: reprodução]
Tratamento
Saudade de quando você passava mal de bêbado no banheiro da balada. Hoje você passa mal de stresse no banheiro do trabalho.
Saudade das quartas do Ritz. Onde você enchia a cara de prosseco nacional com os amigos malucos, enquanto se falava mal da metade da população de São Paulo.
Saudade, sobretudo, de chegar num compromisso (seja almoço de boteco ou jantar no bistrô) e desligar o pensamento da pilha de trabalho, conta, problemas, etc.
Mas como não se vive de saudade, dada hora você realiza que tudo o que passou foi bom, mas pertenceu aquela época, aquelas pessoas e aqueles lugares. E que o stresse é o preço do mundo do amanhã.
O segredo é se blindar ao máximo. E quando a coisa ficar realmente preta (porque, colega, ela vai ficar) ter discernimento para saber que medida tomar.
Reza a lenda que não há stresse que resista a vinte dias sozinho, de mochilão (Hermès, bien sur) pela Europa. Se tem tratamento melhor que esse não sei, mas definitivamente, parece ser o melhor de se testar.
[foto: reprodução]
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Atchim
Não importa o nome. Virótica, Suína, Josiane (que te derruba de mortal) nesta época do ano, todo mundo pega resfriado. Afinal São Paulo é uma cidade muito fria, muito seca, certo? Mas não é só. Explico.
No outono o céu mais azul que o olho do Paul Newman. Então você acredita que o dia vai ser daqueles e resolve pagar de gatinho summer issue. Daí põe uma camiseta, um Marc escuros e nem confiança.
Pois quem nunca foi pego de surpresa pela queda de temperatura em Sampa, que atire o primeiro cachecol árabe. E pronto, aquele sorriso a laser desaparece num piscar de olhos. Ou bater de dentes.
Aí é chazinho, coquetel de comprimidos e cama. Ou, se der sorte, poder contar com alguém que te dê estes três itens, não necessariamente nesta ordem. Mas neste caso colega, que saúde que nada. Bom resfriado.
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Segunda-feira, Maio 18, 2009
Chatice
Juro que me policio para ser um cara sem preconceitos. Mas tenho. Um deles? Gente chata. No minuto que a luz da chatice acende passo a fazer antropologia julgando mentalmente.
E você pergunta, defina o chato. E eu respondo, não sei. Eu? Você? Alguém num mau dia? Mas dentro no meu preconceito é gente que não bebe, não come carne, não trepa na primeira noite, não gosta de cachorro e por aí vai.
Resumindo, gente com ‘não’ de ideologia. Claro que gosto é que nem cu e cada um têm o seu. Mas daí militar? Discursar? Bo-ce-jo. Meu caro, vai liberar essa caxuxa e ser feliz.
Porque eu também não faço uma pá de coisa (não paro em sinal, não reciclo lixo, não atropelo gente feia... Nem bonita) mas nem por isso fico por aí enchendo o saco dos outros.
Em tempo, caso você esteja num mau dia e tope meu caminho, jamais vou tratar você mal. Primeiro, que pior que gente chata é gente deselegante e pedante. Segundo, que antes de sentir raiva, juro que sinto pena. Muita pena.
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Quarta-feira, Maio 13, 2009
Portinha
Viu que a mania ‘só na portinha’ voltou com tudo? Calma colega, antes que você pense besteira eu explico: com a lei anti fumo pegando pesado a galera voltou a frequentar a porta dos bares e restaurantes para dar a sua tragada.
Se ela (a lei) veio para ficar ninguém sabe. O que o paulistano sabe é que a tia Kassab tá com a macaca. Por isso, antes mesmo de ser sancionada muito bar já aderiu. E nem confiança.
O curioso é que gongar o cigarro mesmo, a lei nem passou perto. Apenas incentivou as pessoas a se agruparem na porta criando um novo comportamental, com direito a alguma lamentação e muita azaração.
Mais curioso ainda, alguns bares (como o Ritz) que tinham na seção fumante quase 100% do frege, ainda mantém na ex área a sua parte mais cool. Já outros perceberam o fundamento e melhoraram o door placement.
Pessoalmente, acho que motel é motel, igreja é igreja e bar é bar. Você pode até chegar no motel e não querer trepar. Um direito seu. Mas sair de porta em porta querendo que os outros não trepem também, aí é um pouco demais.
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update: não fumo anymore. pensei que não viria ao caso, mas pelo andar dos comments, me enganei
Quinta-feira, Maio 07, 2009
Festa de Outono
Festa no outono é um dilema. Porque outono não é frio nem quente, nem formal nem informal. Por isso, acaba sendo um limbo das festas, onde coisas estranhas acontecem. Você sabe quando tá numa festa de outono quando:
. Os meninos usam terninho cinturado de veludo marrom. Os mais ousados têm aplique militar no ombro. Me-da.
. As meninas, que são mais friorentas, sentem aquela vontade de sofisticar e aparecem com coisas tipo saia de camadas. E gola rolê.
. As gay (sic) usam tricozinho de gola V enorme sem nada por baixo. Oi, Giani?
. O anfitrião, que tem uma cobertura mas não nasceu no verão, insiste na festa outdoor. E te obriga a sorrir sob doze graus.
. Neguinho jura que tem que diferenciar. E usa tocha na entrada, arranjo de natureza morta e pendura vela… Se bem que vela, acho chique.
. Essa é a parte boa: o buffet tende pro fino. Na festa do CCSP tinha até ova de salmão. Sabe pobre quando vê comida boa? Sabe sim colega, sabe sim.
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Quarta-feira, Maio 06, 2009
Namastê
Domingo. Oito da manhã. Num apê conceito nos Jardins você toma um drink after party, enquanto discute a histeria paulistana em relação a Índia, yoga e afins.
Tem um cheiro de incenso no ar. O fundamento Índia chegou com tudo na cidade, sentido desde as música dos bares do Itaim as lojas bacanudas da Oscar.
A onipresente novela das oito (diz que se passa lá) deturpa o nada duvidoso gosto da classe média, que forra a sala de almofada colorida de cetim brilhante. Oi, Benedito Calisto?
Quem quer ser um milionário, pergunta o amigo. Você quer muito, mesmo sem saber jogar na sena. Na TV uma favela, uma aventura, uma história de superação e um sorriso.
O Brasil e a índia tem mais em comum do que julga a sua filosofia. Amigos chegam. Namastê. E passa o narguilé.
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update: queria um blog bacana assim. mas eu teria q tbm ser bacana assim. noutra vida, quem sabe.
Sexta-feira, Abril 24, 2009
Xucro
Jantar fora? Levar flores? Colega, você precisa é de um homem xucro para te pegar no colo, te deitar no solo e te fazer mulher (isso vale para os meninos que curtem a fruta). Aprenda a identificar o seu:
. Praticidade: o homem xucro não usa creminho ou produto que custe mais de 10 reais. De obrigatório, escova de dentes e desodorante. O importante é não feder.
. Pegada: tai uma coisa que o xucro tem. Caso ele se empolgue e pese a mão, o perigo não é você se machucar, mas se apaixonar.
. Zero frescura: homem xucro desconhece carão e mensagens dúbias. Se você faz cu doce até para ir na esquina, saiba que não existe xucro diabético.
. Um Q beatnik: nem todo xucro é ignorante. Alguns leem Keruac e curtem arte. Em casos extremos, dá até para sair em público (não com os seus amigos, claro).
. A vida como ela é: homem xucro não tem vergonha do corpo, nem do dele nem do seu. Se prepare para muito bunda-lê-lê pelo apê (até rimou).
Como diria o Erasmo (e depois Marina), você precisa é de um homem pra chamar de seu, mesmo que este homem seja eu.
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Quinta-feira, Abril 23, 2009
Sendo homem, que Deus me livre de...
Mais uma coluna Deus Que Me Livre De [...] Nesta edição o tema são as coisas que os homens fazem só porque são homens. Então de olho na telinha. Sendo Homem, que Deus e Todos os Santos da Bahia me Livrem de:
. Cuspir no vaso ao fazer xixi. E não lavar a mão depois (uns 5 no trabalho fazem isso. Nojo).
. Num encontro, ter que pagar a conta mesmo se não for comer... A sobremesa.
. Engordar como uma morsa e achar que o Brasil te quer viçoso.
. Falar quem nem um motoboy com Alzheymer pra parecer mano.
. Ficar bêbado no Itaim e terminar caindo na piscina no Unique (sim, já vi)
. Segurar a bolsa da namorada na balada (se dá ao respeito mané).
. Dar aquela descoloridinha no cabelo e acreditar que uma coisas dessas parece natural.
. Não ter coragem de sair de casa sozinho para pegar um cinema, ir no parque, etc.
. Beber todo dia ao chegar em casa...
... Bom, este último, acho que dá para aceitar. Não?
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Quarta-feira, Abril 15, 2009
No pain no gain
Tá, gostar de dor não é algo muito saudável. Mas não tem um só surtadinho de academia que não curta uma dorzinha pós ginástica. É tipo um selo de qualidade, se não doeu, não valeu.
E enquanto gente normal se orgulha de reciclar lixo, de salvar cachorro abandonado, ou gastar menos água, os surtadinhos se orgulham da dor no peitoral. E nem confiança.
Que fique claro, dorzinha não significa tchutchuquice. Não é porque dói que você vai virar da noite pro dia a última (e sarada) cereja do bolo. A barriguinha continua lá, porém dolorida. Lama.
O importante é que se a gente tem dorzinha, é porque vai na academia. E só o fato de sair de casa para levantar peso, ao invés de se jogar no sofá e levantar garfo, dá outro up na moral.
A euforia só passa quando você acorda moído.com.br, sentindo dor até onde o sol não bate e se vê obrigado a mandar para dentro dois Dorflex’s. E lembra do mantra da personal psicótica que diz, tá doendo hoje? Espera amanhã.
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Quinta-feira, Abril 09, 2009
Dias de outono
Dias de luz. Festa de sol. E o carrinho a deslizar... Você ouve a bossa enquanto margeia o Parque do Ibirapuera. O vento entra pelo teto solar, nem quente, tampouco frio.
Há algo diferente no ar. Sim, os dias estão mais bonitos. É a incidência do sol de outono, explica o amigo fotografo. Por isso que essa é a melhor época para filmar, para fotografar, completa, com olhar clínico.
Em dias de outono é fácil brincar de filme. Basta uma boa trilha no ipod, ou no som do carro e pronto. A vida imita a arte, tendo o melhor dos protagonistas. Você.
No parque, as luzes vazam a copa formando deseninhos na grama. E você realiza o poder dos dias de outono, que conseguem fazer até o maior dos insensiveis (do tipo que não chora vendo as Pontes de Madison) ver poesia no ar.
Mas o tempo urge. Sempre ele. Uma hora o dever chama, você religa o celular e avisa que vai atrasar. Enquanto da a volta do parque o carrinho vai, a tardinha cai, o carrinho vai...
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Terça-feira, Abril 07, 2009
O fundamento esperinha
O fundamento esperinha se dá quando alguém que você precisa falar (as vezes, porque ela mesma te chamou), deixa você num módulo esperinha enquanto resolve assuntos na sua frente.
E quando digo assuntos, não me refiro ao fim da guerra no mundo, a cura do câncer ou algo desse tipo. Mas sim, ela delegar o almoço no celular, ler um e-mail ou assistir um vídeo, jurando que o tempo dela é mais importante do que o seu.
E você? Fica ali parado, se perguntando porque não vira e vai embora. Ainda mais quando esse fulano é um ‘ninguém na noite’ e está apenas suprindo uma carência moral a suas custas. Haja Jaques Lacan.
Por mais inocente, acho esperinha um saco. Primeiro, porque odeio esperar. Segundo, porque não suporto gente que se acha mais do que é. Mas quando a gente trabalha em certos meios, se aprende rápido a tratar com egos.
Com ou sem esperinha, no final do dia você vai malhar, jantar com os amigos ou beijar na boca, enquanto os carentes morais vão espalhar por ai sua insegurança, mais e mais perto de um final que eles podem fazer esperar o tempo que for... Mas com certeza não será feliz.
[ps perdoem a esperinha entre um post e outro. Prometo voltar a frequência de sempre
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Sexta-feira, Março 27, 2009
Sinceridade seletiva
Adular os outros é feio? É! Mas fazer coco não é bonito e todo mundo faz. Questão de necessidade.
Na real, o mundo tá cheio de gente que pode fazer da sua vida um paraíso, ou um inferno. E não é porque a gente adora um inferninho de vez em quando, que vai arrumar dor de cabeça por pouco resultado.
Sendo claro? A gerente pedante está dificultando a sua vida? O chefe dumb está atrapalhando a sua promoção? O colega do lado é uma pedra no sapato? Primeiro, descubra o calcanhar de aquiles da criança.
No geral, ler esse tipo de gente é batata. Um sobrenome, uma parte do corpo, a posição social. E depois? Elogie, valorize, engane... Use a cara de pau que eu sei que você tem.
Você vai ver como será fácil tirar ela do seu caminho. Pena que o mesmo não possa ser dito sobre o remorso. Afinal, você pode ser calculista mas não insensível.
Mas a vida não é feita de escolhas? Faça a sua. Existem coisas que a gente consegue conviver. Gente FDP no seu pé pode muito bem ser uma delas... Ou não.
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Quarta-feira, Março 25, 2009
Nova modéstia
Karl Lagerfeld criou o termo. E o mundo confirmou. A moda vive hoje a ‘nova modéstia’, um fundamento sentindo globalmente (e repicado nas passarelas), reflexo do crise mundial.
What it means? Contenção. Saber dizer não ao luxo exibicionista que, como anda divulgando a mídia especializada, se tornou mal visto. E cada vez mais desinteressante.
Era questão de tempo. Aqui pra nós, tem coisa mais cafona que ostentação desmedida? Porque a gente querer sair bem na fita (e na foto) é uma coisa, já esfregar grife e afins na cara dos outros, é outra.
E mais. Tem nego que pode ostentar a roupa mais cara que vai imprimir o brega a vida toda. Porque riko com K maiúsculo sabe que luxo, luxo mesmo, é gente educada e que sabe se portar. Coisa que American Express nenhum pode comprar.
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Quinta-feira, Março 19, 2009
Sonique
Sábado. Meia-noite. Bar Sonique, o point da vez na noite paulistana. Enquanto avisa a paquera (preocupada com a vizinhança do baixo Augusta) que o lugar tem valet, desiste de dar alguma decência no cabelo.
Assinado pelo escritório Triptyque e com ar de bunker modernista, o bar impressiona pelo design arrojadinho. Peruas, gays, playboys e uma fauna diversificada, circulam a vontade entre os lounges de sofás pretos e iluminação fria.
De repente uma bad trip. Perdi a carteira, realiza o amigo. Você, na terceira caipirinha, leva 5 minutos para agilizar o staff da casa (todo de American Apparel) que localiza o objeto em dez. Algo raríssimo, independente do clube.
A paquera rola solta. Numa ida ao banheiro um elogio. Você agradece informando está muito bem acompanhado, obrigado. O bar enche e o público muda gradativamente. Vocês decidem ir embora para outro lugar.
Mas essa parte você não pode contar. A noite também tem o seu fair play, tornando nossa memória mais fraca para certos casos e histórias, assim que o sol começa a raiar.
[up date: e não é que voltei lá nesse sábado de novo? E que estava muito bacana de novo?]
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