Quinta-feira, Agosto 21, 2008


Neighbourhood

Parabéns, você conseguiu. Mudou-se para os Jardins (cá pra nós Bela Vista, mas abafa) e agora está pronto para conhecer a fauna que dividirá a vizinhança. Uma turma que você pensa ser civilizada, mas que pode transformar sua vidinha emergente num verdadeiro inferno, fazendo você se arrepender amargamente seja lá de onde tenha saído.

. A velha: solteira, casada ou viúva, todo prédio tem uma tia chata, mantenedora da moral e bons costumes. O que isso quer dizer? Que ela vai sondar sua vida em um mês. E reclamar de você, depois de uma semana.

. Os pombinhos: uniram os trocos e compraram o conjugado. Usam roupa fit, tons pastéis e nos finais de semana acordam quando você vai dormir. Tem um labrador histérico de bandana vermelha no pescoço que chamam de filho.

. A bicha: jura que o jardins é Tribeca, mesmo nem sonhando onde isso fica. Nos corredores é simpática, fora deles, abusada. Ouve Madonna no último volume em esquentas com as amigas histriônicas, fúteis e drogadas.

. A celebrity: já foi protagonista de alguma novela das oito, ou posou pelada, e garantiu o seu apê. Hoje, não diz nem bom dia para gente comum (leia-se nós) e acredita ter direito a vantagens como duas vagas na garagem.

. O social climber: tem o apê tipo penteadeira de puta, dada a quantidade de treco, arte, espelho e afins. Tudo assinado, claro. Tirando o fato de empestear o elevador de perfume, é inofensivo e dependendo da carinha (e da procedência do dinheiro) até bom partido.

escrito por MIM - 2:14 PM

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Quarta-feira, Agosto 20, 2008


Espelho

Ninguém nasce feio, nasce pobre. Pode parecer maldade, mas depois do e-mail que recebi hoje, com um monte de celebridade editada tipo antes e depois da fama, tive que concordar.

E como em primeira instância a gente olha o outro, em segunda o próprio rabo, cabe pensar que isso se aplica a nossa pessoa. Só não espere uma confissão do tipo, eu vim do nada, da pobreza, fiquei rico e hoje me cuido.

Dizer que veio da pobreza tendo estudado em escola particular e ganhado carro de vestibular, Deus castiga. E como de rico, você está mais longe ainda, chegamos a única verdade da frase: hoje você se cuida.

O que não tem de mal. Afinal você rala o cu na ostra e gasta seu dinheiro onde quiser. E quando se tem espelho em casa, esse “onde quiser” fica meio óbvio. E ai de quem disser que seus dentes, seus peitos, seus músculos não são seus. Como não? Não foi você que pagou? E não está quitado? Então!

E como toda cara tem sua coroa, ao se orgulhar do partidão que você batalhou para pescar na Disco, admita que bonito ele não é, é rico. Se bem que se você for igual a metade das pessoas que eu ando conhecendo, isso significa a mesma coisa. Que é rica de bolso, mas pobre de espírito.

escrito por MIM - 2:13 PM

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Segunda-feira, Agosto 18, 2008


Escala do desespero

Quantas vezes você ouviu de alguém, vamos almoçar amanha? Ou, me liga hein? Direto a gente combina coisas que não leva adiante. E nem é por preguiça ou desprazer, mas por acreditar que a coisa não era para valer.

Eis que na data a pessoa cobra e você pensa, ui, ela estava falando sério. Para evitar estes mal entendidos é que existe a escala do desespero. Que tem mais a ver com dramaticidade do que desespero em si.

Dessa forma, quando alguém combinar ou pedir alguma coisa a outrem, ela adiciona ao pedido uma carga dramática, numa escalada de um a dez, para que ela entenda a seriedade da coisa.

Obviamente, cada um tem seu jeito próprio para desempenhar a função. E de fazer valer sua dramaticidade. Eu por exemplo, odeio pedir favor a quem quer que seja. Mas sendo obrigado (e não sendo um abuso) peço e agradeço de antemão.

O importante é deixar claro que a coisa é para valer, para que a pessoa não esqueça do que foi demandado, nem após um porre de tequila. Pensando bem, acho que sendo tequila a gente até que perdoa.
escrito por MIM - 6:33 PM

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Quinta-feira, Agosto 14, 2008


Flower power

As madrugadas de segunda e quinta nunca foram tão bonitas na capital. É quando rola a feira de flores do CEAGESP. Um cult. Minha mãe vai sempre e faz chantagem emocional para me levar de motorista carregador.

Com ela aprendi o poder de uma flor. Nada mais gentil que levar rosas a casa de alguém. Já vi nego gastar pencas num presente e receber um sorriso menor que outra chegando com um buquê. Caro sim, mas um buquê.

Lembrei disso porque tenho dado muita flor e me admirado com as reações positivas. Hoje levei umas hastes (bico-de-papagaio) pro querido que corta meu cabelo. Como sou VIP (leia-se não pago) fico encabulado de ir sempre e tento compensar levando uns mimos.

Já levei umas Stella Artois comemorativas, umas revistas bacanudas gringas e dessa vez foram as flores. Na saída, pensei que a gente que dá ganha muito mais, pois existem poucos prazeres maiores do que arrancar um sorriso de quem quer bem. É o poder que as flores têm.
escrito por MIM - 6:31 PM

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Terça-feira, Agosto 12, 2008


Double meaning

Todo dia tenho vontade de dizer meia dúzia de verdades para alguém. Conto até dez, tomo um maracujá e seguro a onda. Porque se todo mundo tivesse ataque de sinceridade, o mundo viraria um filme Mad Max (adoro).

Mas e quando não dá para segurar? Tipo quando um mala insiste em ser desagradável numa mesa de amigos (que aliás, tem acontecido com certa freqüência). Ou uma desclassificada desanca um colega na sua frente?

Nestes casos, se cabe usar e abusar do tal double meaning. Que é quando a gente fala uma coisa querendo dizer outra. Como, por exemplo, você elogiar alguém assim: eu espero que você tenha tudo o que você merece.

Se a pessoa for bacana e amável, será o melhor dos elogios. Mas se ela for a mais odiada das pessoas, a frase terá o peso certo da verdade. E o melhor, sem comprometer a finesse que você jura que tem.

Afinal, falamos de um cenário composto de gente civilizada. Já no caso de você bater de frente com alguém declaradamente sacana, que não vale nem o uso da figura de linguagem, dispense o duplo sentido e vá ao bom e velho go fuck yourself.

escrito por MIM - 2:54 PM

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Sexta-feira, Agosto 08, 2008


A teta

Tenho horror a gente acomoda. Aqui mesmo onde trabalho (e olha que é um mar de tubarão) vejo nego chegando onze para sair onze e meia. Coragem? Acho covardia.

De se acomodar num emprego que além de insatisfação ainda provoca medo. E de viver infeliz mamando na teta de um sistema que criado para garantir uma vida mais digna, e não triste e oprimida.

Já disse aqui e repito que emprego dos sonhos não existe. Pois se trabalho fosse bom, não se chamava trabalho, mas sim diversão. E a gente acordaria as sete da manhã todo serelepe, para tomar banho e ir para diversão.

Tirando, é claro, quando se é herdeiro de um conglomerado e se pode ficar viajando o mundo como fotógrafo da National Geografic. Dinheiro, para quê? Se esse não for o seu caso, talvez seja melhor começar a se coçar.

O que você anda fazendo para mudar a sua situação? Um curso, um contato, um movimento? Na vida a gente só colhe o que planta colega. E voltando ao assunto da teta, até as mais dóceis das lobas também secam o leite.

[inspiração: coluna do Nelson Mota na Folha de hoje]

escrito por MIM - 12:31 PM

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Quarta-feira, Agosto 06, 2008


Recreação

Tem gente que bebe, tem gente que usa droga, tem gente que faz sexo. E assim como existem os que passam dos limites na bebida e nas drogas, essa tendência anda se confirmando também em torno do terceiro item.

Entre os amigos solteiros se tornou comum as historias de sexo fácil, rápido e promíscuo, intercaladas entre saídas que começam a partir de quarta e acabam só no domingo. Coisas da noite.

Veja bem, sou do tipo que acha sexo igual ao cinema francês, ou seja, mesmo quando é ruim, é bom. Só acho que banalizar algo que, bem ou mal, está ligado a emoções tão a flor da pele, tem seu trunfo pobre.

Quando se é jovem, bonito, natural descontar frustrações de uma nada-fácil vida lapidando o ego com conquistas baratas e sexo a rodo. O foda é acordar no outro dia e ver tudo igual, ou pior. E colega, quando se está fragilizado, esse bumerangue emocional faz cada estrago.

Há quem consiga conviver bem com esse dilema, entrar num chuveiro quente e deixar tudo ir pelo ralo. Já outros, levam de acessório para o trabalho, almoço, academia aquele vazio que tudo o que é feito sistematicamente dá. Até, claro, outra balada, outra alcova e mais uma noite de sexo fútil.

escrito por MIM - 11:11 AM

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Segunda-feira, Agosto 04, 2008


Grão

Café Suplicy, Jardins. Pessoas se acotovelam do lado de dentro, outras conversam nos bancos de fora. Pela estrutura de vidro você bisóia (sic) se está rolando uma noite de autógrafos, coquetel, ou algo parecido. Mas não.

Que movimentado isso aqui, diz você a amiga, que usa o café como ponto de encontro. Gastei quinze minutos pra conseguir um mocha frio, comenta um amigo dela, cara de ressaca e cigarro na mão.

De repente, seu irmão e a namorada entram. Alguma surpresa e a confirmação de que, após a Lei Seca, as cafeterias bacanudas (com décor hype, lounges e wi-fi) tem se tornado uma opção ao bom e velho chope do fim de tarde.

A porta não para um segundo, recebendo animados senhores, gente moderna com notebooks, gays com sacolas CK e Lacoste, e meia dúzia de casais Zé Bob (gíria para quem não é feio nem bonito, mas se acha). Uma criança de rua tenta vender chicletes, alguém some com ela.

Apesar de pretensamente cosmopolita, o clima é agradável. Após um (bom) tempo seu irmão chega com o café, você agradece e vaza. Ali perto um open house promete muitas e muitas cervejas geladas. A lei seca vai ter que esperar.

[ps Baby, parabéns pelo apê e pelo petit comite]

escrito por MIM - 6:25 PM

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Sexta-feira, Agosto 01, 2008


Menininha

Cedo ou tarde todo homem fica cara a cara com seu lado menininha. Nada a ver com a sua vida sexual. Mas sim quando a vida desabrocha um viés diferente do que a gente tinha até então.

Um dia você acorda e pá, o pôr-do-sol está mais bonito. As pessoas estão mais óbvias. E as músicas do Chico fazem sentido. Mas, claro, você fica na sua, perigando seus colegas de bar gritarem em coro menininha, menininha.

Sem querer desmerecer você que tem menos de trinta, isso costuma acontecer quando se tem uma certa bagagem. No caso um currículo com alguma desilusão, um ou outro amor cafona e muitos momentos de alegria plena. É a vida te dobrando.

E você, que só chorava com perda de membro (da família ou do corpo), chora. E porque? Porque o filme era lindo, porque a música estava vibrante, ou porque aquele momento foi mais forte que qualquer barreira psicologicamente bem construída pudesse suportar. Me-ni-ni-nha.

Momentos menininha são bonitinhos mas são um saco. Ainda mais para você, que não acha fofo nem filhote de coala. Mas acontece. E, pior, uma vez instalado o plug-in, volta e meia a gente clica duas vezes. Mas não tem nada de mal nisso, faz parte do viver. Só não vai me comprar uma fita vermelha pro cabelo.

escrito por MIM - 5:12 PM

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Quarta-feira, Julho 30, 2008


Play

Este é o último post sobre viagem. Até porque, faz uma data que você voltou e essa história de pagar de gatinho na praia não te pertence mais. Só não vale tirar onda, porque eu ainda estou bronzeado e você não. Brincadeira.

O assunto então é trilha. Ou melhor, música. Quando a gente sai meio que sem destino, ou mesmo com destino, não sabe direito o que vai rolar. Daí, a importância de munir o iPod com trilhas que possam corresponder a diversas situações.

Exemplo. No começo da viagem o taxista se perdeu na saída da Barra e eu perdi o vôo pro nordeste. Alem de pagar uma fortuna para remarcar, amarguei horas no aeroporto. E se não fosse o Baden Powel tudo seria beeem pior.

Dos momentos positivos, as trilhas animadas para o cooper na praia. As trilhas de relax total estirado na areia. E as trilhas cool para passear observando as semelhanças e diferenças da sua pretensa vidinha capital.

Músicas e trilhas são como tatuagens, marcam momentos e passagens de vida. E mesmo quando saem de moda, tem o poder de te transportar para lugares inesquecíveis e te fazer sorrir, num simples apertar de play.

[ouvindo Seven Days in Sunny June. Jamiroquai]

escrito por MIM - 11:51 AM

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Segunda-feira, Julho 28, 2008


Maravilhosa

Estirado na areia você, junto com o melhor amigo, olha o céu incrivelmente azul e especula o valor dos imóveis do outro lado da rua. O lugar? Coqueirão, Ipanema, Rio. A hora? Desimportante. Ei, pede um coco? Ah, pede você!

Três garotas solicitam uma “olhadinha nas coisas enquanto dão um pulinho no mar”. Claro, vai lá! Logo depois o favor é retribuído. Você disputa uma corrida e fura a onda. Que lava o corpo e enche a alma dum conhecido prazer.

Chega um amigo do amigo. Chegam dois amigos do amigo do amigo. A rodinha vai se abrindo, espremendo a areia, estreitando a cumplicidade, provocando conversinhas displicentes. Uma cerveja estala, um cigarro roda.

Baby, Baby, I know that’s the way, canta Bebel em seu estilo barroco. Alguém liga no cel. Vem para cá, estamos em frente a... Ah, você sabe. Do calçadão elas pulam na areia fofa. Na beira da água eles jogam altinho.

Banho de mar, banho de chuveiro, banho de mar. O ritual que se repete marcando o sol no compasso descendente. Que o pensamento de acabar não tire nenhum segundo deste momento, a não ser a hora exata de acabar. Então que acabou. Como sempre, maravilhosa.

escrito por MIM - 11:19 AM

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Sexta-feira, Julho 25, 2008


Recife

Pegar sentimento em Recife é fácil, seja pela cidade, seja pela galera local. Meu amigo que está alocado no nordeste foi meu host. E quando a gente viaja pelo Brasil em cidades, e não vilas, ter um cicerone faz a diferença.

Fiquei em Boa Viagem, um bairro/praia residencial com prédios e arquitetura invejável. Munido de iPod e tênis, tratei de conhecer a orla. E descobri que é lá que o vento faz a curva. Ou seja, cabelo glamour zero. E muito boné.

O point da moçada bem nascida se concentra em frente ao prédio Acaiáca. Quando corria, parava para um banho de chuveiro ali. Mar? Nem pensar. De vinte em vinte metros, placas alertavam para os tubarões. Que, aliás, geral ignora.

Olinda é quase um bairro, de tão perto. A parte velha fica num morro, com inúmeras igrejas entre palmeiras e as famosas ladeiras de casas coloridas. Quando cheguei no topo (mais uma igreja, claro) vi toda Recife lá de cima. E chorei escondido.

A noite de Recife é peculiar. O centro antigo reúne a moçada local, com o maracatu ao vivo. Em Boa Vista, bairro nobre, o hype ficou pelo bar UK e clube Down Town. Na cidade não se fuma em ambiente fechado e não existe drogas pesadas. Mas a bebida corre solta e a boyzada detona.

Quatro dias são suficientes para você conhecer tudo, incluindo lugares típicos e arredores como Porto de Galinhas, um oásis. Deixei Recife pela manhã, com a dor de cabeça da ressaca e da saudade no peito. Como tinha que ser.

escrito por MIM - 6:22 PM

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Quinta-feira, Julho 24, 2008


Bagagem

A real é que ainda tô sofrendo do banzo, que dá em quem chega de viagem e tem que voltar logo a ativa. O mundo explodindo e me pego viajando na janela, ao melhor estilo do clip friends do Groove Armada (google). Aproveitando o momentinho escapista, fica a dica de coisas que nem sempre são óbvias mas extremamente úteis em qualquer viagem:

Caderninho – de bolso, tipo Moleskine. Tem que ter. Você vai encontrando pessoas, lugares, coisas, sensações e tendo isights para a vida. Anote, desenhe, registre, cole. É uma delícia de ver depois.

Pen-drive – cara, você não sabe a mão na roda que é. Exemplo? As vezes alguém tem uma câmera ou registra um momento que você não tem. Pronto, conecta o pen, pega a imagem e já é! Minha viagem inteira tá num.

Lenço – essa é pra quem tem informação de moda, ou vai para fora, onde é comum entre homens e mulheres. Vira um cachecol pro frio, proteção do calor, multiuso. Quem me ensinou foi um amigo que passou meio ano na Índia.

Porta moedas – viajar é viver cambiando. E não tem jeito, se você for deixar cada moeda que ganha na mesa, no final do dia perdeu uma fortuna. Leve um porta moedas e se for mudar de pais, se livre delas, mantendo umazinha da sorte.

Paciência – importantíssimo. Fora de são Paulo o Brasil é outro. No caso, o verdadeiro. Cada lugar tem seu timing, sua cultura, coisa que pode agradar você, ou não. Lembre-se, você é o forasteiro. Logo, cabe a você ser tolerante.

escrito por MIM - 11:41 AM

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Terça-feira, Julho 22, 2008


Retorno

Voltar de viagem não é fácil. Mesmo sendo a nossa casa, as nossas coisas, tudo ali no seu quadrado. Dizer que voltar a São Paulo é voltar para o lar é algo simplista. E São Paulo é tudo menos simples.

Viajar nos dá a oportunidade de conhecer e comparar. E como só se vive uma vez, o partir e chegar vai enchendo a gente de questionamentos. Será, que será, que será? No fim, a gente realiza que é. E pronto.

O que não impede a gente de sofrer quando o avião decola e tudo se desfaz em nuvem e pensamento. E para evitar maior sofrimento, pouco antes do final acionamos o processo do distanciamento se desapegando de tudo.

Nas derradeiras mensagens subliminares do adeus, vamos construindo uma trilha de migalhas, para quem sabe um dia refazer caminhos que a gente não gostaria de esquecer.

Mas a vida urge e tudo tem que caminhar. Sentado num aeroporto qualquer, você se dá conta que o triste do faz-de-conta é saber que não é a trilha que muda, mas sim você.

escrito por MIM - 7:41 PM

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Terça-feira, Julho 15, 2008


Partida e chegada

Viver é bom, partida e chegada, solidão que nada. Já o limbo que rola ai no meio dessa historinha de ir e vir, já não é tão poético assim. Aquele gap que costuma envolver a parte chata e que a gente lobotomiza que passou. Aeroportos, check-ins, esperas, afins.

Suspiro. E pega leve. Numa viagem saudável, nada que um cartão de crédito e um bom celular não resolvam. O importante é seguir o roteiro. Mas quando ele é criado na hora está sujeito a imprevistos. E se não fosse assim, talvez perdesse parte da graça.

Todo lugar revela o Brasil no sabor local de cada pessoa. O amigo de anos que a gente mal vê ali. Uma nova melhor amiga da infância aqui. Simbioses.

Dependendo do lugar e da capacidade de enxergar o belo onde ele está, o alinhamento cria momentinhos ímpares de viagem. Um dia você se pega distraído do e pá! Uma igreja dum lado, o mar sem fim do outro.

Então lembra de um dos poucos versos que decorou, do Pessoa, que diz que o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

[a Rodrigo, Oswaldo e Vanessa]

escrito por MIM - 2:17 PM

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Sexta-feira, Julho 04, 2008


Cosmopolitan

Ontem no hallzinho do banheiro do Ritz uma senhora simpática me pediu informações de outros lugares bacanas. Por ser pit stop de muita gente que visita a cidade isso é comum por lá. Pensando nisso (e como vou tirar uns dias de férias) deixo sugestões para fugir da dobradinha Ritz Spot. Se joga.

Dry – já falei dele aqui. Reúne gente bonita, bem-nascida, com pretensão (e não mais que isso) de ser moderna. Para ir com amigos e pedir o Dry Martini.

Bar da Dida – adoro e recomendo. O esquema é mesinha na calçada e público democrático (casais, grupinhos de amigos e a turma gls).

Santo Grão – na Oscar Freire, sempre cheio de gente bonita. Confesso que não vou faz tempo, mas sempre que passo na frente da vontade de parar.

Bar da esquina da Loka – se o seu esquema é mais under, aqui é o lugar. Botecão, vive lotadíssimo, então o fundamento é copo e garrafa na mão.

Pops – reformou e ficou ainda mais legal. Espaço tipo lounge, com mesinhas baixas e sofás. A decór e uma atração a parte e o público é sempre bacana.

[ps se você vai sair na capital, fique esperto com a lei seca. O bicho tá pegando. No mais, vou tentar atualizar do meio da viagem. E colega, já sabe, não faça nada do que eu não faria… Ou seja, faça tudo o que te faz feliz. bj]

escrito por MIM - 11:22 AM

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Quarta-feira, Julho 02, 2008


Caça x Caçador

Não tem jeito. Quem nasceu pra caça, dificilmente vira caçador. E vice-versa. Claro que dá para mudar uma coisinha aqui, outra ali. Mas trocar esse comportamental é tão difícil quanto achar uma paquera interessante no Itaim.

No entanto, ser uma coisa ou outra não é empencilho para se dar bem na noite. Leia-se beijar na boca. Ou dormir (acordar?) com um corpo delícia ao lado. Pois mesmo os mais tímidos, sabem se fazer perceber num simples olhar.

Sobre caçar, as regras continuam old fashion school. Primeiro, ser original. Como? Sendo você mesmo, afinal, não existem dois de você no mundo. Também não esconder defeitos, valorizar qualidades (altura? Olhos? Papo?) e desenvolver timing de ataque.

Sobre ser a caça, as mulheres ditam as regras do jogo por motivos óbvios. O segredo é olhar, sem olhar. É dar a entrada, sem dar bandeira. Se você é timido(a) proponho perder uma noite apenas observando o comportamento delas. O porte, os trejeitos e a brecha.

A brecha é um dos fundamentos mais importantes da arte de pegar. Ou de ser pego, claro. É o momento onde a pessoa, involuntariamente ou não, abre a guarda. Onde o caçador precisa estar atento para não errar. E a caça, para valorizar.

Caçar ou ser caçado é um jogo. Como sempre, existe o cara que domina a técnica, adora se exibir e por isso mesmo, soa pedante e monótono. E existe o outro, que quer apenas se divertir, que você não dá nada e quando vê, ele saca aquela canastra enooorme, limpa e, detalhe, sem nem usar valete.

escrito por MIM - 6:04 PM

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Segunda-feira, Junho 30, 2008


Birthday S.A.

Quinta-feira. São Paulo. Num bar lounge nos Jardins, um grupo de amigos se espreme para beber, conversar e prestigiar um aniversário mixado de despedida.

O estilo lá em casa permite algumas regalias, como poder escolher o som das caixas, previamente selecionado e dividido entre parte calma e parte agitada da noite, como tem que ser.

O aniversariante, it boy, sorri e agradece, dando início ao festival de cumprimentos. O local, um tanto apertado, junta os corpos na hora da passagem, levando mãos a joelhos e cinturas alheias.

Cada entourage funciona como uma célula própria, disputando atenções e imprimindo personalidade. A bebida corre solta, confundindo e apurando. Nessas horas, uma ida ao banheiro rende um beijo roubado. Ou cedido?

A madrugada avança, as pessoas viram abóboras. O aniversário se encerra e quem leva o presente para a casa é você. No outro dia, o raiar do sol. O presente ainda está lá, inerte. Mas pelo refil, com muita perspectiva de durar.

escrito por MIM - 12:23 PM

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Quarta-feira, Junho 25, 2008


Hapiness

Volta e meia a gente ouve que tal pessoa era feliz e não sabia. E fica pensando na coitadinha, descrente da própria felicidade. Mas e você, já foi no espelho se perguntar se é feliz? Porque a gente, urbanóide, jura de pé junto que a vida tá uma bosta.

Mas não seria isso supervalorizar este nosso lado pobrezinho de mim? Tudo bem. Tempo falta, dinheiro falta, sinceridade falta, fazer amor de madrugada em cima da pia embaixo da escada, falta. E problema? Este sobra.

Mas vai dizer que você não tem orgulho de chegar em casa, jogar o sapato para um lado, o corpo para o outro, exausto sim, mas ciente de ser dono do próprio destino? Que se chegou até aqui, chega onde quiser? E isso não é felicidade? Cansaço de quem acha a grama do vizinho sempre mais verde.

Porque a felicidade, às vezes, pode estar bem pertinho. Só que a gente, no carão, não olha pro lado para perceber. Felicidade é bem mais simples do que a gente pensa. Ver graça na vida. Acreditar no maravilhoso.

O que não significa que a gente seja idiota. Peralá, trinta anos de praia. O que rola é que, tão importante quando sonhar, é sonhar sem jamais perder a capacidade de assombro. Porque no balanço das horas pode não acontecer nada. Ou acontecer tudo.

escrito por MIM - 5:45 PM

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Segunda-feira, Junho 23, 2008


The Doors

Com o frio judiando a cidade, muda-se alguns hábitos de noite. Fundamento mesinha na calçada cai. Ambiente fechado e do tipo lounge, sobe. E nem precisa ser expert não, basta sair sem um bom cachecol que você entende o porque.

E confirmou. O bar do momento (ou estação, como queira) é o Dry, que caí de pára-quedas semana passada. Desatento ao hype (nem sabia que ele existia) chegamos no crowd. Isso, já vindo de outro bar fechadinho, quentinho e também lotado.

E quando você tem alguma bagagem de noite, certas situações não se pode dar ao luxo de passar, tipo pagar portinha. Que é ficar na porta à mercê dum host wannabe que, provavelmente, ganha dez vezes menos que você.

Aliás, isso é mais comum do que se pensa. Muito lugar chancela o hype com a fila giga. Às vezes o bar ou boate está vazio por dentro, mas segura a fila para impressionar o público. Uma burrice que desrespeita quem frequenta e broxa quem pensa em frequentar. O que não era o caso lá, cabe admitir.

Mas enfim, a vista não é justa? A noite menos ainda. Chegue cedo. Chegue num Maserati. Ou chegue com dois beijos na pessoa que vai te tirar da muvuca, sem piscar. Ver e ser visto tem seu preço, esteja você apto ou não para pagar.

escrito por MIM - 4:29 PM

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Jovem, educado, bonito e rodado...
mas quem não é?

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