Terça-feira, Julho 22, 2008


Retorno

Voltar de viagem não é fácil. Mesmo sendo a nossa casa, as nossas coisas, tudo ali no seu quadrado. Dizer que voltar a São Paulo é voltar para o lar é algo simplista. E São Paulo é tudo menos simples.

Viajar nos dá a oportunidade de conhecer e comparar. E como só se vive uma vez, o partir e chegar vai enchendo a gente de questionamentos. Será, que será, que será? No fim, a gente realiza que é. E pronto.

O que não impede a gente de sofrer quando o avião decola e tudo se desfaz em nuvem e pensamento. E para evitar maior sofrimento, pouco antes do final acionamos o processo do distanciamento se desapegando de tudo.

Nas derradeiras mensagens subliminares do adeus, vamos construindo uma trilha de migalhas, para quem sabe um dia refazer caminhos que a gente não gostaria de esquecer.

Mas a vida urge e tudo tem que caminhar. Sentado num aeroporto qualquer, você se dá conta que o triste do faz-de-conta é saber que não é a trilha que muda, mas sim você.

escrito por MIM - 7:41 PM

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Terça-feira, Julho 15, 2008


Partida e chegada

Viver é bom, partida e chegada, solidão que nada. Já o limbo que rola ai no meio dessa historinha de ir e vir, já não é tão poético assim. Aquele gap que costuma envolver a parte chata e que a gente lobotomiza que passou. Aeroportos, check-ins, esperas, afins.

Suspiro. E pega leve. Numa viagem saudável, nada que um cartão de crédito e um bom celular não resolvam. O importante é seguir o roteiro. Mas quando ele é criado na hora está sujeito a imprevistos. E se não fosse assim, talvez perdesse parte da graça.

Todo lugar revela o Brasil no sabor local de cada pessoa. O amigo de anos que a gente mal vê ali. Uma nova melhor amiga da infância aqui. Simbioses.

Dependendo do lugar e da capacidade de enxergar o belo onde ele está, o alinhamento cria momentinhos ímpares de viagem. Um dia você se pega distraído do e pá! Uma igreja dum lado, o mar sem fim do outro.

Então lembra de um dos poucos versos que decorou, do Pessoa, que diz que o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

[a Rodrigo, Oswaldo e Vanessa]

escrito por MIM - 2:17 PM

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Sexta-feira, Julho 04, 2008


Cosmopolitan

Ontem no hallzinho do banheiro do Ritz uma senhora simpática me pediu informações de outros lugares bacanas. Por ser pit stop de muita gente que visita a cidade isso é comum por lá. Pensando nisso (e como vou tirar uns dias de férias) deixo sugestões para fugir da dobradinha Ritz Spot. Se joga.

Dry – já falei dele aqui. Reúne gente bonita, bem-nascida, com pretensão (e não mais que isso) de ser moderna. Para ir com amigos e pedir o Dry Martini.

Bar da Dida – adoro e recomendo. O esquema é mesinha na calçada e público democrático (casais, grupinhos de amigos e a turma gls).

Santo Grão – na Oscar Freire, sempre cheio de gente bonita. Confesso que não vou faz tempo, mas sempre que passo na frente da vontade de parar.

Bar da esquina da Loka – se o seu esquema é mais under, aqui é o lugar. Botecão, vive lotadíssimo, então o fundamento é copo e garrafa na mão.

Pops – reformou e ficou ainda mais legal. Espaço tipo lounge, com mesinhas baixas e sofás. A decór e uma atração a parte e o público é sempre bacana.

[ps se você vai sair na capital, fique esperto com a lei seca. O bicho tá pegando. No mais, vou tentar atualizar do meio da viagem. E colega, já sabe, não faça nada do que eu não faria… Ou seja, faça tudo o que te faz feliz. bj]

escrito por MIM - 11:22 AM

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Quarta-feira, Julho 02, 2008


Caça x Caçador

Não tem jeito. Quem nasceu pra caça, dificilmente vira caçador. E vice-versa. Claro que dá para mudar uma coisinha aqui, outra ali. Mas trocar esse comportamental é tão difícil quanto achar uma paquera interessante no Itaim.

No entanto, ser uma coisa ou outra não é empencilho para se dar bem na noite. Leia-se beijar na boca. Ou dormir (acordar?) com um corpo delícia ao lado. Pois mesmo os mais tímidos, sabem se fazer perceber num simples olhar.

Sobre caçar, as regras continuam old fashion school. Primeiro, ser original. Como? Sendo você mesmo, afinal, não existem dois de você no mundo. Também não esconder defeitos, valorizar qualidades (altura? Olhos? Papo?) e desenvolver timing de ataque.

Sobre ser a caça, as mulheres ditam as regras do jogo por motivos óbvios. O segredo é olhar, sem olhar. É dar a entrada, sem dar bandeira. Se você é timido(a) proponho perder uma noite apenas observando o comportamento delas. O porte, os trejeitos e a brecha.

A brecha é um dos fundamentos mais importantes da arte de pegar. Ou de ser pego, claro. É o momento onde a pessoa, involuntariamente ou não, abre a guarda. Onde o caçador precisa estar atento para não errar. E a caça, para valorizar.

Caçar ou ser caçado é um jogo. Como sempre, existe o cara que domina a técnica, adora se exibir e por isso mesmo, soa pedante e monótono. E existe o outro, que quer apenas se divertir, que você não dá nada e quando vê, ele saca aquela canastra enooorme, limpa e, detalhe, sem nem usar valete.

escrito por MIM - 6:04 PM

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Segunda-feira, Junho 30, 2008


Birthday S.A.

Quinta-feira. São Paulo. Num bar lounge nos Jardins, um grupo de amigos se espreme para beber, conversar e prestigiar um aniversário mixado de despedida.

O estilo lá em casa permite algumas regalias, como poder escolher o som das caixas, previamente selecionado e dividido entre parte calma e parte agitada da noite, como tem que ser.

O aniversariante, it boy, sorri e agradece, dando início ao festival de cumprimentos. O local, um tanto apertado, junta os corpos na hora da passagem, levando mãos a joelhos e cinturas alheias.

Cada entourage funciona como uma célula própria, disputando atenções e imprimindo personalidade. A bebida corre solta, confundindo e apurando. Nessas horas, uma ida ao banheiro rende um beijo roubado. Ou cedido?

A madrugada avança, as pessoas viram abóboras. O aniversário se encerra e quem leva o presente para a casa é você. No outro dia, o raiar do sol. O presente ainda está lá, inerte. Mas pelo refil, com muita perspectiva de durar.

escrito por MIM - 12:23 PM

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Quarta-feira, Junho 25, 2008


Hapiness

Volta e meia a gente ouve que tal pessoa era feliz e não sabia. E fica pensando na coitadinha, descrente da própria felicidade. Mas e você, já foi no espelho se perguntar se é feliz? Porque a gente, urbanóide, jura de pé junto que a vida tá uma bosta.

Mas não seria isso supervalorizar este nosso lado pobrezinho de mim? Tudo bem. Tempo falta, dinheiro falta, sinceridade falta, fazer amor de madrugada em cima da pia embaixo da escada, falta. E problema? Este sobra.

Mas vai dizer que você não tem orgulho de chegar em casa, jogar o sapato para um lado, o corpo para o outro, exausto sim, mas ciente de ser dono do próprio destino? Que se chegou até aqui, chega onde quiser? E isso não é felicidade? Cansaço de quem acha a grama do vizinho sempre mais verde.

Porque a felicidade, às vezes, pode estar bem pertinho. Só que a gente, no carão, não olha pro lado para perceber. Felicidade é bem mais simples do que a gente pensa. Ver graça na vida. Acreditar no maravilhoso.

O que não significa que a gente seja idiota. Peralá, trinta anos de praia. O que rola é que, tão importante quando sonhar, é sonhar sem jamais perder a capacidade de assombro. Porque no balanço das horas pode não acontecer nada. Ou acontecer tudo.

escrito por MIM - 5:45 PM

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Segunda-feira, Junho 23, 2008


The Doors

Com o frio judiando a cidade, muda-se alguns hábitos de noite. Fundamento mesinha na calçada cai. Ambiente fechado e do tipo lounge, sobe. E nem precisa ser expert não, basta sair sem um bom cachecol que você entende o porque.

E confirmou. O bar do momento (ou estação, como queira) é o Dry, que caí de pára-quedas semana passada. Desatento ao hype (nem sabia que ele existia) chegamos no crowd. Isso, já vindo de outro bar fechadinho, quentinho e também lotado.

E quando você tem alguma bagagem de noite, certas situações não se pode dar ao luxo de passar, tipo pagar portinha. Que é ficar na porta à mercê dum host wannabe que, provavelmente, ganha dez vezes menos que você.

Aliás, isso é mais comum do que se pensa. Muito lugar chancela o hype com a fila giga. Às vezes o bar ou boate está vazio por dentro, mas segura a fila para impressionar o público. Uma burrice que desrespeita quem frequenta e broxa quem pensa em frequentar. O que não era o caso lá, cabe admitir.

Mas enfim, a vista não é justa? A noite menos ainda. Chegue cedo. Chegue num Maserati. Ou chegue com dois beijos na pessoa que vai te tirar da muvuca, sem piscar. Ver e ser visto tem seu preço, esteja você apto ou não para pagar.

escrito por MIM - 4:29 PM

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Quinta-feira, Junho 19, 2008


Tendência na real

Mal deu tempo de comprar a roupa da féshion week anterior e já tem outra rolando. E o evento se faz notar até por quem não dá a mínima. Tipo minha mãe, que ligada no trânsito caótico deu a dica: dá a volta no parque porque tem féshion week. Sábia!

A semana reflete desejos de moda da próxima estação, ou seja, da primavera verão (tá, eu copiei isso). O difícil é falar de verão com a cidade trincando de frio. Então como o tempo é pouco e criatividade menor ainda (segundo alguns leitores críticos. Bj amo vocês) vamos falar do hoje, pois o amanhã só deus sabe.

Pois bem, não sei a sua, mas a tendência da estação é o preço baixo. E o fator morar sozinho ajuda pencas a pesquisa da tendência, afinal, quando se tem conta(sss) pra pagar, aquele tênis incrível da must have list divide espaço com o pão integral. Drama.

Mas como querer é poder, dei uma volta na metrópole e não é que encontrei coisas bacanas e baratas em muito lugar? Da Oscar ao Iguatemi. Coisa impensável um tempo atrás. Então pronto. Já sabe o que fazer com o troco do freela, ou com o adiantamento do sugar-daddy.

Por fim, a dica do que usar no inverno é pouca roupa, para não falar nenhuma. Mas calma, tudo dentro de casa, trancadinho entre quatro paredes e com uma boa companhia. Vai dizer que existe no mundo tendência melhor que essa?

escrito por MIM - 5:30 PM

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Quarta-feira, Junho 18, 2008


Party people

Sábado a noite. Você, vindo da academia, resolve passar no apê do amigo de uma amiga para um drink. Dois, três, quatro, cinco. Conforme saem copos, chegam convidados. Você se arrepende de não ter insistido no modelo melhor.

Na cozinha, latinhas esperam a vez ao freezer. Na sala, mulheres discutem o fator trinta anos. A seu lado, um gringo explica o festival The Burning Man, que rola no meio do deserto. Os convidados não param de chegar.

Você, que frita o peixe e olha o gato, percebe um movimento. Numa festa com gente alterada e com dinheiro, isso significa uma só coisa. Uma moça mais macho que eu, você e o Bussunda juntos, começa a discutir sobre contribuições.

Você resolve dar uma volta. No caminho, um garoto de nariz imenso e metido a galã comenta que o delivery chegou. Tempos modernos esses. Logo o apartamento sofre do fenômeno balada, com os três banheiros lotados e fila na porta.

Você, que já viu este filme antes, sabe como termina. Resolve então sair de mansinho e se juntar a uma outra turma. No caso, a que adora uma festa da pesada, mas que sabe que tudo na vida tem que ter um começo, um meio e (por bem ou por mal) uma hora para acabar.

escrito por MIM - 12:41 PM

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Terça-feira, Junho 17, 2008


A Favorita

Não consegui ver nenhum capítulo da novela, mas me chamou a atenção o título. Me lembra Janete Clair (A Fulana, O Ciclano) que não vi mas já li muito sobre, assim como tudo que aconteceu no Brasil naquela época. Adoro.

Na vida sempre há uma favorita ou um favorito, pois, naturalmente, favoritamos o que gostamos. Desde lugares, de onde viramos habitués, até pessoas, que acabam se tornando colegas. E com sorte, também amigas.

Quando acontece uma traição, onde trocamos algo favorito por uma novidade, a gente fica procurando pelo em ovo. Se o cabeleireiro errar, se o cafezinho vier frio, se o vendedor não for atencioso, pronto! É o suficiente para gente se arrepender e voltar correndo pro antigo.

Agora, melhor que favoritar é ser favoritado. E, mais bacana ainda, quando a gente também escolhe quem nos escolheu, juntando nossos favoritos com os da outra pessoa, numa deliciosa mistura de conhecimento e aprendizado.

E você realiza que na vida sempre vai existir o que é favorito a você. E o que é favorito aos outros. Mas são os favoritos em conjunto que fazem a diferença, responsáveis por unir pessoas em laços de amizades e de transformar paixões em amores.

escrito por MIM - 4:13 PM

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Quinta-feira, Junho 12, 2008


Pluralidade

Engana-se quem acha que lésbicas gostam apenas de bares de ninfetas. Que héteros, de locais onde só se fala de futebol. Que gays, só de baladas com homens sem camiseta. E que pretos vão apenas ao pagode.

Sim, curtimos frequentar locais onde nos sentimos bem. Mas como seres plurais e urbanos, guetos não faltam. O que falta são lugares onde podemos conviver com gente diferente, de bem com a vida, em perfeita harmonia e diversão.

Pessoas que num primeiro momento não têm nada em comum. Mas que num segundo se mostram profundamente inteligentes, tolerantes, animadas e donas do próprio rabo. Mais “em comum” do que isso, aí vira casamento.

Isso responde a galera que, volta e meia, me questiona porque falo sempre dos mesmos lugares. Claro que gostaria de falar de muitos mais. Mas é o que tem para hoje. Além do quê, isto é um blog não o Guia 4 Rodas.

Por isso, antes de se viciar na Favorita, pondere a idéia de por uma roupa bacanuda (e quente, porque está frio lá fora) e vá descobrir os seus lugares preferidos. Eles existem, devem ser celebrados e estão apenas esperando por você.

escrito por MIM - 9:14 AM

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Segunda-feira, Junho 09, 2008


Sacrifício

O que leva a pessoa a encarar uma academia numa segunda-feira gelada, depois de trabalhar até as dez e meia? Ou pedir um espaguete sem molho no restaurante? Ou de pegar um cinema sem detonar um sacão de pipoca?

Geral fala de exibicionismo, hedonismo, fanatismo. Se for para escolher um “ismo”, escolho otimismo. Porque quando a gente sai para malhar pode até saber que nunca vai ser um Brad Pit, um Gianequini, mas não perde o otimismo.

E durante a busca pela barriga tanquinho (quase lenda urbana) você também vai descobrindo muitos outros prazeres: o de comer melhor, de curtir um dia no parque (que este final de semana estava lindo), de viver melhor e por aí vai.

Eis que um dia você olha no espelho e toma um susto. Afinal, andou se cuidando superbem, cortou todo o lixo desnecessário (oi, existe lixo necessário?) e passou a fazer exercícios há tanto tempo, que não é que o corpo mudou mesmo?

São estes dias que respondem a pergunta inicial lá em cima. Quando a gente realiza que, para qualquer criatura gostar da gente, a gente antes tem que se gostar. E que receber um elogio é muito bom. Mas não precisar dele, é ainda melhor.

escrito por MIM - 3:22 PM

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Sexta-feira, Junho 06, 2008


Show do gongo

Vai dizer que você não fala mal dos outros? Até Sandy quando “virgem” congou Wanessa, que dirá você, que tem coração peludo. Mas não se avexe, gongar faz parte do jogo. A questão não é fazer mas “como” fazer. Saiba conhecer as gongações e, claro, seus gongadores.

O amigo – primeiro gonga fofamente. Mediante sua insistência no VonDutch viradinho, abre o jogo dizendo que está horrível, encerrando o assunto. Também gonga usando fundinho de verdade (odeio) mas sabe que tem troco.

O falso amigo - te conga com frases tipo “vou falar uma verdade mas é para o seu bem”. São competitivos e no fundo sentem inveja de você. Infiltrados, podem fazer estragos. Contra-ataque? Faça o mesmo e aja pelas costas.

O franco - tem pouca paciência e uma falsa supersegurança. Não gonga com facilidade mas quando faz, instaura um climão sem conserto. Por incrível que pareça detesta ouvir franquezas de si próprio. São certeiros e cruéis. Adoro.

O intrigueiro - está no DNA. Gonga tudo e todos para suprir a existência ordinária. Tipo blog sem conteúdo que xoxa celebridade. São inofensivos mas incomodam. E mosquito que incomoda a gente faz o quê?

A Blair – Tem inteligência e sofisticação na mesma proporção que veneno. Podia ser sua amiga, caso ela tivesse alguma. Revidar gente assim exige muita tarimba, por isso, se você não tiver, se faça de sonso e let it go.

O moralista – consegue ser pior que a Blair. Sua arma é utilizar do termo “porque gente assim é tudo… ” para atacar o coletivo, mirando no individual. No caso, você meu bem! Mas não perca tempo com este tipo. Cedo ou tarde são sempre pegos com a boca na botija, e uma botija do tipo beeem suja.

escrito por MIM - 12:17 PM

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Quarta-feira, Junho 04, 2008


Álibi

Está deprimido? Aproveita. Estar deprimido é um álibi tão forte para fazer merda, quanto ter nascido pobre e poder sair assaltando e matando por aí. Pronto falei.

Deprimidos, nos damos ao luxo de não pisar fora de casa por obrigação. Tô deprê, não vou, simples assim! Também não aturamos encheção de saco desproposital, perigando o enchedor levar uma GQ (edição beeem pesada) na cabeça.

Neste período, também nos damos o direito de cagar a vida um pouco mais. Fumamos o dobro, bebemos o triplo e sim, detonamos o cartão em busca dum momento fugas. E ai se a fatura chegar antes da deprê passar. Garçom, cicuta com duas pedrinhas de gelo, por favor.

Como toda regra tem sua excessão, deprê e amizade não combinam. Basta uma barba mal feita somada a um moletom e pronto, o amigo fiel vai fazer de tudo para te livrar deste estado. Desafio este, nem sempre bem-sucedido.

Mas se você tiver amigos que nem os meus, uma hora eles vão se encher e dizer na sua cara que você está um saco. Isso, se não te mandar tomar no cu. E você vai rir (ou chorar. Ou rir e chorar) se livrando de vez do encosto e do medo de ser feliz.

escrito por MIM - 7:18 PM

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Terça-feira, Junho 03, 2008


Cidade Jardim

Um dia ser magro foi coisa de pobre. Rico, rico mesmo era cheinho. Afinal, se comia bem, se vivia melhor ainda e tinha sempre alguém para fazer tudo por ele. E gente morena? Pobre! Rico mesmo era branquelo. Pele muito alva, enfurnada em roupas compridas, casarões bem fechados e nenhum sol.

Daí tudo mudou. O chique virou ser magro, muito magro. De preferência queimado em Angra (nome da clínica de jet bronze). E você, não deslumbrada mas sim antenada, seguiu tudo a risca. E quando foi desfilar sua beleza clonada, veja só, se sentiu ultrapassada. E não entendeu nada.

Eis que lendo (uma Vogue, claro) um lapso de lucidez: realizou quão volátil é o mundo do efêmero. Onde o démodé virou moda. Que depois virou exagero. E que virou démodé de novo. No fim, a mulher esticadona, ficou feia. O garoto bombado, vulgar. E a pessoa tostada, cafona. Para não dizer louca.

Durante um micro segundo, enquanto tomava o frapuccino com seu nome escrito no copo, pensou em largar esse negócio de tendência. Que trabalheira. Então viu a amiga chegando. Esticada, frita & vulgar. Sobretudo, viu como era ser olhada por todos.

Sim, era isso que queria. Olhares, muitos olhares. Se de admiração ou reprovação, dane-se, ela tinha coisas mais importantes a pensar: chegaram apenas cinco Louboutin de onça na cidade. E um havia de ser dela.

escrito por MIM - 11:33 AM

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Segunda-feira, Junho 02, 2008


Histeria

Viver em sampa exige certas regras para manter a sanidade mental. Evitar salões aos sábados é uma. Este é o dia D para elas, que lotam os mais de 30 espaços só nos Jardins, num mix de euforia, histeria e redenção.

Mas cabelo feio e festa bacanuda não combinam. Você se mune de coragem e ruma pro salão. A confusão começa ao chegar, onde um importado fecha sua entrada. Você, desobrigado, joga o carro na calçada e pega a vaga. Sem olhar para trás.

Lá dentro, mulheres de todos os tipos passeiam com obras surrealistas na cabeça. Bigudinho… Laminado… Balaiagem… Vai explicando seu cabeleireiro, se divertindo com a cara de espanto. Vem, senta aqui que é mais reservado.

Um grupo discute fazer a mão na cor tijolo (?). Numa Caras surge uma ex-VJ, hoje apresentadora: Olha você aqui, diz o cabeleireiro. Ela chega de forma afetada e sentencia: odiei a foto, o-di-ei! Chica, uma buldogue francês trepa na sua perna. Você inicia um processo de arrependimento.

Três navalhadas e muita conversa depois, está pronto. O volume sonoro é tamanho que você só escuta na terceira vez: tá óóótimo, confia. Você, mais desconfiado que cachorro em canoa, não questiona, se despede e risca o chão. Definitivamente, não é aconselhável salões aos sábados.

escrito por MIM - 11:07 AM

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Sexta-feira, Maio 30, 2008


Supersuper

Confesso, fico meio incomodado ao lado da pessoa supersuper-segura-de-si. Mas o que é ser supersuper-seguro-de-si? Sabe o playboy espremido num jeans 36, com direito a camel toe (google)? Então, isso é ser ridículo, não seguro.

Ser seguro é sair para jantar sozinho numa boa. Experimentar e, se não gostar, não levar só para agradar vendedor. Andar na rua sem cigarrinho de segurança. Usar rasteirinha com Hering branca e ficar deslumbrante (bom, no caso, só a Gisele).

Agora, ser supersuper-seguro é fazer tudo escrito aí em cima, só que com um plus: que é reforçar o tempo todo, pra você e todos a sua volta, que você é incrível, o máximo, que você é mais que seguro: é supersuper-seguro-de-si.

E como rola das pessoas não estarem necessariamente preocupadas com a sua supersuper-segurança, as vezes sobra um “que” segurança a mais no ambiente. Gerando, ao invés de admiração, uma vergonhazinha empática.

Há quem diga que tenho inveja, há quem diga que tenho recalque. Já eu, digo que tenho amigos péssimos. Que ao verem você chegar com sua supersuper-segurança, me poupam de falar, para me dar ao luxo de simplesmente ouvir. E claro, rir.

escrito por MIM - 12:05 PM

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Quarta-feira, Maio 28, 2008


Palco

Vendo TV realizo que jamais toparia participar dum Big Brother. Você fica exposto e quando sai, tem que encarar uma revista pelado e uns comerciais pra juntar um pé-de-meia. Que cá pra nós, não faz a vida de ninguém.

Tenho dificuldade de lidar com exposição. Talvez porque nunca fui prodígio, bonito ou popular. Claro, hoje em dia isso está remediado às custas de muita análise e uns milagres da medicina. Mas fica entre nós.

Só que se a gente pensar que procuramos o sucesso no que fazemos e ele, por sua vez, anda colado à notoriedade, cedo ou tarde vamos ter que lidar com a exposição. Seja no trabalho, nas relações ou naquele curso de pintura em porcelana.

Quer um exemplo: quem tem blog? No fundo não busca sua parcela de aceitação? Sim. Não adianta, procurar o reconhecimento faz parte do ser humano. Talvez a diferença esteja no caminho até ele e os valores que o permeiam.

Pois quando as coisas ocorrem naturalmente, o trajeto ensina a gente a lidar (ou ir lidando) com tudo. Como um difícil porém curioso quebra-cabeças. O problema é quando tudo vem rápido e fácil demais, e pira o nosso cabeção.

Se você é do tipo pé no chão, vale a auto-análise, até para não sofrer overdose de pragmatismo. Afinal, entre achar e fazer, a gente fica com a máxima que diz que se tem um lugar onde reconhecimento vem antes de trabalho, é só no dicionário.

escrito por MIM - 7:06 PM

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Terça-feira, Maio 27, 2008


Trans

Aproveitando a parada gls que rolou domingo (pra mim, um mix de micareta, sauna gay e arrastão) este blog lança a campanha “Paz nas Trans”. Que não tem nada a ver com trânsito, mas com as (os?) travestis.

Porque depois da rehab e de sair sem calcinha, a nova mania de celebridade é teretetê com travesti, com direito a polícia e jornal da oito. Primeiro foi o Rômulo Arantes Neto, depois o Ronaldo e agora o Fernando (who?) ex-BBB.

Desde pequeno a gente sabe que pode mexer com assombração (brincadeira do copo), mexer com gay (brincadeira do troca-troca) e mexer com policia (brincadeira de ser pego fumando um)… Mas travesti colega, não-po-de!

Porque uma categoria que usa fita isolante pra fazer marca de biquini e compra modelo na Roupahara (google) vai ter medo do quê? Da sua carinha bonita? Ou da sua posição na noite?

Então, se você curte um trans, nada contra. Mesmo. Mas combina antes, paga direitinho e evita bafo, porque como se diz por aí: água de morro abaixo, fogo de morro acima, travesti quando desce da tamanca (salto 17) é sangue na parede.

escrito por MIM - 6:05 PM

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Segunda-feira, Maio 26, 2008


Efeito sol

Dia de sol no Parque do Ibirapuera, a praia do paulista segundo a turistada. E dia quente depois de frio intenso é batata: muita gente buscando seu espaço ao sol para tirar a corzinha de escritório.

Habitué que é habitué sabe evitar aborrecimento. O lado do Obelisco, pra quem não curte uma farofa, deve ser evitado. Ali chegam os coletivos e a turma mais animada. Ponto pra democracia, nenhum para a sua cidadania.

Na Praça do Porquinho, curioso notar a heterogeneidade. Dum lado, gatinhas e gatinhos com seu sorriso louco, isso é tremendo. Do outro, badboys, mais para bad que pra boys, exibem o corpinho outrora esbelto. No centro, rodas de gays sem camiseta e sem medo de ser felizes.

O amigo de bermudão comenta, pensei que era mico vir de shorts mas está todo mundo usando. Nota-se que uns ficam ótimos, outros, o erro. Vale a dica: jamais acredite na máxima que diz que em Sampa, ninguém está nem aí pra você, ou pra o que você usa ou faz. Sim, todo mundo está.

O fundamento fritar o peixe e olhar o gato faz parte do comportamental local. Desta forma, a jogada de cabelo da gatinha, a tirada de camiseta do moreno e até o alongamento da gordinha é como o inverno, friamente calculado.

Já seu efeito, positivo ou negativo, depende única e exclusivamente de você. E, claro, da ajuda de São Pedro para presentear a cidade da garoa mais um lindo dia de sol.

escrito por MIM - 7:27 PM

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Jovem, educado, bonito e rodado...
mas quem não é?

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